Domingo, 12 de Julho de 2009

A Fé

O que é fé?

Muitos têm opiniões diversas sobre o tema. Uns afirmam que é um poder intrínseco de índole inteiramente espiritual, que independe de religiões e crenças; outros afirmam que é a confiança na base de sua autodeterminação como indivíduo em busca da verdade. Seja como for, a fé tem um caráter imensamente grandioso que determina tanto o nosso sucesso quanto os nossos fracassos, mas aí, todo seu poder de meditação não surtiu o efeito, pois esta não foi trabalhada como deveria. Daí, a fé é muito mais do que uma simples confiança em Deus e no seu potencial.

A Fé é antes de tudo um exercício diário e constante em nossas vidas, desde que nossos pais e educadores (não necessariamente religiosos) nos oriente para a mister labuta que se desenvolve em nosso íntimo espiritual, o que se compreenderá até o fim de nossa jornada a longo deste plano. Então, o que fazer? Como trabalhar na execução deste presente divino, regente em nossa lei universalmente estabelecida pelo Criador.

A FÉ é o exercício permanente à sua condição espiritual, para a fortaleza extensa e suficiente para a realização de qualquer negócio, projeto ou idéia. É uma prática vital para a sua prosperidade e felicidade - seja no amor, no círculo de amizades ou na vida financeira. Essa prática serve como estímulo da desenvoltura espiritual dentro da pessoa humana. Ela passa de um grão de mostarda ao tamanho ou proporção que você desejar. O homem é o ser determinante.

Talvez, quando a mídia em sua maioria permite se falar em Fé, a fé do povo, lembramos logo de cultos que lotam as igrejas e assembléias, a devoção de algum santo, ou a opção religiosa de certo artista que nos chama a atenção. O triste disso, é que tais pessoas, que na realidade nunca tiveram uma orientação espiritual desde sua tenra idade pensam que vão encontrá-la nas igrejas. Poderá encontrar pessoas fé e com “fé”, mas nunca uma unidade que poderá unificar toda essência intrínseca que envolve a magnitude de um poder inteiramente meditativo e salutar. A Fé não esta aos gritos de “Aleluia, Senhor” ou “Jesus salva” como ocorre nos ritos evangélicos, achando que serão ouvidos (Deus é surdo?), com toda a barulheira que num verdadeiro estado de contemplação espiritual é inadmissível.

O PODER DA FÉ não parte para os rótulos. Normalmente, quando lemos algum artigo de pessoas famosas que “abraçam” determinada fé. Fé não deve nunca ser confundida com a crença, a religião em si. Se dizer católico, evangélico, espírita, budista, umbandista, e etc. de nada acrescentam além de um rótulo se tais pessoas não abraçam dignamente o poder da meditação e da contemplação espiritual, da reflexão de seus atos, e da real vontade de melhorar como ser humano. Não importa sua crença, mas se sua fé real corresponde as suas convicções, então se esta no pleno caminho.

Antes de tudo, antes de suas orações que devem ser dirigidas do imo d’alma de seu ser, e não pela boca e em voz alta, faça um relaxamento de alguns poucos minutos. Respire fundo. Reflita. Abre sua sinceridade, esqueça as mágoas, pois elas são o travamento das energias que religam você ao poder Criador, imutável e inefável. Deixe seu coração e espírito falar por você. Procure se possível, colocar uma musica de teor meditativo que toque seu íntimo espiritual, pois elas irão fazer vibrar seu estado espiritual no momento de suas profundas meditações, e, contudo, sê sempre verdadeiro e autêntico com você mesmo e com o seu próximo, pois o Grande Pai e a Grande Mãe apreciam a sinceridade do coração de seus filhos.

Por Paulo Néry

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Sentida Homenagem a dois grandes ídolos. Farrah Fawcett e Michael Jackson.

Por um momento, fugimos do teor dos assuntos que geralmente abordamos em nosso espaço, para tributar uma singela homenagem a estes dois grandes ícones do Mundo das Artes. Ontem, dia 25 de junho, foi um dia em que houve duas perdas simultaneas, e ambos certamente deixaram marcas indeléveis, que se perpetuarão, pois afinal o artista nunca morre, mas sim, se imortaliza.


FARRAH FAWCETT- A atriz que se destacou como uma das belas agentes do seriado AS PANTERAS nos anos de 1970, perdeu ontem sua batalha contra um câncer anal depois de tres anos de luta. Ela vinha se tratando contra a doença. O ator Ryan O'Neal, que foi casado com a atriz (tiveram um único filho), estava ao lado dela no quarto na hora em que ela morreu. Há poucos dias, Ryan a pediu novamente em casamento, ao passo que a atriz aceitou. Desde a última segunda-feira (22), Farrah estava internada na UTI do hospital e, segundo a revista, seus familiares e amigos já tinham se despedido da musa.
Agora ela está com sua mãe, sua irmã e com Deus. Eu a amo e ela sempre estará no meu coração. Vamos sentir falta dela. Farrah já estava inconsciente, mas está em um lugar melhor agora”, disse Ryan. O marido da estrela acrescentou que seu velório será feito em uma catedral católica de Los Angeles, nos próximos dias.

Farrah Fawcett nasceu no dia 2 de fevereiro de 1947, na cidade de Corpus Christi, no Texas, mas ganhou o mundo e virou símbolo sexual ao integrar o trio original do seriado "As Panteras" ("Charlie's Angels"), na década de 70. A detetive loira logo virou o sonho de consumo de homens por todo o mundo.




A "Pantera" da televisão foi casada com o também ídolo da TV Lee Majors, do série "O Homem de Seis Milhões de Dolares". Após o divórcio, começou um romance com Ryan O'Neal que durou 17 anos. Com ele, que já era pai, teve um filho. O novo herdeiro foi motivo de atritos com a atriz Tatum O'Neal, irmã do menino por parte de pai.


Farrah e Ryan O'Neal uniram-se novamente e, dias antes de sua morte, ele a pediu em casamento. Ela lutou contra o câncer com a ajuda da quimioterapia, mas o tratamento não foi suficiente . Mas seu carisma, simpatia, e beleza estarão sempre eternas, sem contar que a séria As Panteras é, até hoje, reprisada pelos quatro cantos do mundo. Uma perda irreparável, e fora sem dúvida uma das mais belas estrelas de cinema e de televisão dos últimos 30 anos.

MICHAEL JACKSON - Possivelmente desde os tempos de Elvis Presley, não haverá maior comoção o desaparecimento de um superstar, como ocorreu com Michael Jackson. Assim como Elvis que morreu, em agosto de 1977, multidões de fãs já se aglomeram em frente a casa do Rei do Pop-Music para tentar dar um último adeus ao seu ídolo. Uma repentina parada cardíaca tirou a vida de um talentoso (e possivelmente sofrido) astro da música internacional.


Sua vida foi um paralelo de glórias, escândalos, e declínio. Mas ele merece ser lembrado sempre pelas causas sociais que também abraçou, além dos grandes sucessos que lhe renderam uma incrível vendagem de discos ao longo de 40 anos de carreira.


Michael iniciou sua carreira meteórica no final da década de 1960 como integrante do conjunto "The Jackson 5", do qual faziam parte também quatro de seus oito irmãos: Jackie, Tito, Jermaine e Marlon. O grupo foi montado pelo pai dos garotos, Joseph Walter, após perceber que seus filhos possuíam aptidão musical.


O Primeiro Sucesso de The Jackson Five, "I Want You Back", estourou e atingiu o topo da parada da Billboard em 1970. Outras músicas do conjunto, como "ABC", "The Love You Save" e "I´ll Be There", também conseguiram um grau elevado de popularidade.O talento para a dança e a voz afinada deram destaque a Michael neste período. Em 1972, ele começou uma carreira solo paralela ao conjunto com os irmãos, na qual conseguiu emplacar sucessos como "Got to Be There", mas foi apenas em 1979, com o álbum "Off the Wall", que a carreira solo do cantor começaria a efetivamente decolar. O disco, que contou com a produção musical de Quincy Jones, tinha entre as músicas de maior sucesso "Don´t Stop ´til you Get Enough".


Em 1982, Michael lançou "Thriller" - um dos álbuns mais vendidos em todo o mundo até hoje e um dos mais influentes da história do pop. Misturando gêneros musicais diversos, "Thriller" ficou entre os 10 melhores discos da Billboard por 80 semanas consecutivas, sendo 37 delas no topo da parada. Michael investiu pesado na filmagem de videoclipes com efeitos especiais para promover o disco numa época em que a MTV ainda estava começando nos EUA. Dois anos depois do lançamento de "Thriller", o cantor anunciou oficialmente o desligamento do The Jacksons - antigo The Jackson 5, que havia mudado de nome em 1975. O terceiro trabalho solo de Michael, "Bad", veio à tona em 1987. Amplamente aguardado pelos fãs, o disco foi um sucesso comercial, embora tenha vendido menos que "Thriller". A turnê mundial do álbum começou em setembro de 1987 e foi encerrada em janeiro de 1989, quebrando recordes de público.


Michael doou e levantou milhares de dólares para causas beneficentes por meio de sua fundação, a Heal the World Foundation. O cantor doou parte da renda obtida com a venda de algumas músicas e deu apoio a 39 instituições de caridade. A fundação de Michael foi criada em 1992, inspirada na música de mesmo nome. Um exemplo de atuação da fundação foi a arrecadação de 46 toneladas de suprimentos para as vítimas da guerra civil na Bósnia. Isto é entre muitos contrastes que o ídolo levou com ele, pois apesar de atitudes tão benfazejas, aspectos na vida do astro pop, incluindo mudanças na aparência e no comportamento, geraram muita controvérsia e prejudicaram sua imagem pública.


Apesar de todas as confusões de tão conturbada vida, é da imagem de energia e carisma que esbanjava nos video-clips que serão legadas no registro das memórias de muitos fãs. Seu gesto nobre de altruismo a favor das causas sociais também serão relembradas. O Mundo parou. Todos os astros que causaram algum tipo de comoção com suas mortes tiveram em seus fãs seus mais fiéis seguidores, e muito provavelmente, a noticia da morte deste grande cantor da pop-music entristeceu aqueles que o admiram. Entretanto, se foi o artista, mas sua arte, seu talento, SUA VOZ, e a energia que possuia até os anos de 1980 e meados de 90 , ficará para sempre imortalizada. Logo, como dissera anteriomente, o artista jamais morre, ele se imortaliza, e Michael Jackson agora se tornou verdadeiramente um imortal.

MICHAEL JACKSON & FARRAH FAWCETT- RIP


Farrah Fawcett (1947-2009)

Michael Jackson (1958-2009)

Obrigado por todos os momentos felizes que ambos deram, cada um, com suas emoções. Ambos foram tributos de Deus para o mundo do entretenimento, da arte, e da cultura.
Nós, do ARCANUM, Sara e Paulo, desejamos aos dois MUITA LUZ em vossas jornadas. Descansem na paz. E que Deus também abençoe seus respectivos fãs e admiradores

Sara Lima & Paulo Néry

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Pausa para Meditação


Este é um curto artigo que escrevo, em exercício, enquanto que minha amiga e colega Sara esta ausente por motivos de maior força, pois geralmente alternamos nossas matérias, mas logo ela estará de volta pondo para vocês grandes assuntos. Eu também ando afastado devido a alguns compromissos comerciais, o que levou o blog a ficar meio que parado. Logo, o leitor se perguntará: o que tudo tem a ver com o artigo aqui presente?

Digo: todos nós, em algum momento de nossas vidas, fazemos uma PAUSA PARA MEDITAÇÃO.

Algo que nos faz refletir, reflexão esta de nossos atos e de nossa maneira de ver as coisas. Algo que não precisa ser feito diariamente, mas que pecisa ser feito sempre, em um período em que se fazemos necessário. Isto, independe de condições religiosas, mas é algo estritamente íntimo e pessoal com seu deus interior.

Logo, isto se faz necessário também a partir do momento que investimos em nossos projetos, um modo que possa servir de inspiração para nossas escolhas, para que estas, sejam as mais acertadas.

Contudo, é isto que vos digo. Façamos sempre nossa "Pausa para Meditação", pois dela emana toda a vitalidade necessária para as lutas de nosso dia a dia.

Continuem conosco. Grande abraço para todos.

Por Paulo Néry

Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

O Santo Sudário


Uma Fraude?
ou Prova da Existência e Ressurreição de Cristo?

Um dos maiores mistérios da Humanidade é sem dúvida o enigma mais emocional, controverso, e sentimental no mundo de hoje. É realmente o Santo Sudário a mortalha que cobriu o corpo de Jesus Cristo (Yeshua Ben Yossef)? Será este tecido uma testemunha silenciosa de um dos mais dramáticos eventos da História da Humanidade? E se não...o que é o Santo Sudário?

As investigações em torno deste tecido também conhecido como “Sudário de Turim” já se iniciavam desde os primórdios de sua descoberta na contemporaneidade. Tudo começou em 1888, quando um famoso fotógrafo italiano de nome Secondo Pia, teve permissão do Rei da Itália para tirar a primeira fotografia do Sudário. Quando foi exposto para uma demonstração em público, Pia ficou desapontado, pois a imagem parecia ser extremamente tênue, contudo, ao revelar as duas primeiras chapas em vidro, algo o assombrou: mostrou que a imagem do pano estava TOTALMENTE EM NEGATIVO, posteriormente, as imagens quase que fantasmagóricas do sudário apareceram invertidas em sua câmera, que o transformou em uma imagem positiva, e assim, pela primeira vez, a semelhança com Jesus Cristo poderia ser vista em detalhes plenamente ampliadas.

O Tecido mede 4 metros e 35 cm de cumprimento e 1m e nove cm de largura. Incluindo uma costura feita a mão de data desconhecida, e certas linhas escuras são marcas de um incêndio que quase o destruiu em 1532. A Figura do homem na imagem parece haver marcas de açoites desde os ombros até a barriga das pernas, e em sua fronte, há marcas de lesões, como se colocassem algo pontiagudo em sua cabeça (seria a coroa de espinhos?) lesões nos ombros que estão muito machucados, como em conseqüência de carregar algo pesado, ferimento nos pulsos e nos pés, e a expansão do tórax parecem indicar morte por crucificação, parecendo como que, exatamente, os evangelhos descrevem a morte de Jesus.

Durante seis séculos, o mundo acreditou que realmente foi o pano que cobriu o corpo de Jesus. Até mesmo os cientistas apoiaram esta crença. Alguns dos maiores cientistas do mundo estudaram, observaram, mediram, estudaram, mas o que os cientistas não chegaram a uma conclusão, é de como esta imagem foi formada.

Entretanto, existem diversas correntes acadêmicas que dizem testificar que o tecido não passa de uma elaborada fraude medieval. Já seus defensores, alegam sob esta seguinte questão: o que poderia de um corpo morto formar tal imagem?



Céticos dizem não ter pistas históricas ou evidências identificando o Sudário antes de 1353 d.C, ou seja, passou-se mais de 1300 anos entre a época que supostamente esteve encoberto o corpo de Cristo, e sua aparição em uma igreja em Lirey, França.

Onde esteve todo esse tempo?

Os defensores do pano afirmam que os céticos estão errados afirmarem que não há pistas do sudário até chegar aos meados de 1300 d.C, e que tais pistas chegam aos próprios evangelhos. O Capítulo 20 do Evangelho de João, versículo seis, afirmam que Pedro ao entrar na tumba no Domingo de manhã, encontrou o sudário. Uma mortalha seria considerada uma coisa suja e não seria guardada, mas se trouxesse a imagem do corpo que continha, explicaria porque foi recolhida pelos seguidores de Jesus, e tratada com grande reverência.

De fato, um manuscrito do Século IV, afirma que Abgar, o Rei de Edessa, foi curado de lepra tocando com as mãos no tecido sobre a imagem de Jesus, e o pano foi trazido até ele por um dos discípulos de Jesus, Judas Tadeu.

Para ser disfarçado, de acordo com seus defensores, o tecido foi colocado num recipiente, e protegido por uma grade de ouro. Ao ser dobrado 4 vezes, apenas a imagem da cabeça seria vista. Novamente com a finalidade de proteção, os guardiões do sudário começaram a se referir a ele como o mandylion, termo grego que significa “toalha”.

Com o surgimento do mandylion até o momento de sua exibição em Edessa, 300 anos depois da crucificação de Cristo, não havia representações pictóricas de Jesus. Com a aparição do mandylion, o conceito pictórico de Jesus Cristo mudou consideravelmente, desde o jovem representando a figura do deus Apolo, como que retratada nas imagens do “Bom Pastor”, sem barba e de cabelos curtos, até chegar a versão pictórica universalmente aceita até hoje. Não há duvidas entre os especialistas que o chamado mandylion de Edessa foi um protótipo das ilustrações de Cristo ao longo do tempo.


Sobre o rosto de Jesus fica a questão: de onde vem a representação, ora imberbe, apolíneo, adolescente, das catacumbas e sarcófagos do princípio da era cristã em Roma, ora com os cabelos longos, barbado e adulto no Oriente?






Em Roma, nas catacumbas, a preocupação era tão somente com a didática e o símbolo. Não havia a preocupação com a imagem realista De Jesus. Os costumes mitológicos e pagãos são aproveitados e transferidos para o Cristianismo.

Sobre a história do Sudário de Edessa, tem-se que voltar ao ano 28 do início de nossa era, quando Jesus vivia em Jerusalém.

O Rei Abgar V, de Edessa (hoje cidade de Urfa, no sul da Turquia), que governou do ano 13 ao 50 d.C., estava doente com lepra. Seu secretário, Anan, teria falado com Jesus, pedindo que ele fosse ter com o rei para curá-lo.

De fato, mais tarde, Judas Tadeu foi pregar o evangelho naquela região.
Essa toalha é a imagem aquiropita de Edessa, ou seja, não feita por mãos humanas. Quando o rei recebeu o Mandilion (toalha), ficou curado e o guardou em local de destaque em seu palácio.É essa imagem, a do Mandilion de Edessa, que serviu, e ainda hoje o serve, como referência para toda a iconografia da Sagrada Face de Jesus, tanto no Oriente, como no Ocidente cristão.

Há pesquisas sérias quanto a essa toalha, destacando Corrado Pallenberg, especialista em assuntos do Vaticano, que no final da década de 1970, realizou um trabalho amplo de pesquisa sobre esse tema.

Durante escavações no sul da Turquia, feitas por arqueólogos, foi encontrada uma biblioteca do início da Era Cristã e fragmentos da carta de Anan, secretário do rei Abgar.“No século XIX, arqueólogos ingleses e franceses descobriram uma biblioteca no sul da Turquia datada dos primeiros anos da Era Cristã. Entre muitos textos, foram encontrados fragmentos de cartas do escrivão LABUBNA relatando viagens de Anan, secretário do rei Abgar V, que reinou do ano 13 ao 50 d.C. na cidade de Edessa, atual Urfa, na Turquia.” (PASTRO, Arte Sacra, p.182)
Tal documento diz:“Abgar, toparca da cidade de Edessa, a Jesus Cristo, o excelente médico que surgiu em Jerusalém, salve!Ouvi falar de ti e das curas que realizas sem remédios. Contam efetivamente que fazes os cegos ver, os coxos andar, que purificas os leprosos, expulsas os demônios e os espíritos imundos, curas os oprimidos por longas doenças e ressuscitas os mortos. Tendo ouvido falar de ti tudo isso, veio-me a convicção de duas coisas: ou que és Filho daquele Deus que realiza estas coisas, ou que és o próprio Deus. Por isso escrevi-te pedindo que venhas a mim e me cures da doença que me aflige e venhas morar junto a mim. Com efeito, ouvi dizer que os judeus murmuram contra ti e te querem fazer mal. Minha cidade é muito pequena, é verdade, mas honrada e bastará aos dois para nela vivermos em paz.” (GHARIB, Os Ícones de Cristo, p.43)

A SAGA DO SUDÁRIO ATÉ OS DIAS DE HOJE


Eusébio omite toda a menção de um suposto pano. O historiador do século IV, Nicéforo Calixto, registrou que a Imperatriz Pulquería (399-453) recuperou determinados panos de linho sagrado que estavam em poder do Imperador de Eudocia e colocados na basílica nova de Santa Maria de Blackernae em Constantinopla. O bispo francês Aroulf e São João Damasceno falam aproximadamente de um sudário de linho chamado Constantinopla, pelos séculos s VII e VIII.


No ano de 525, uma enchente devastou Edessa. Durante sua reconstrução, numa pedra oca situada sobre o portal ocidental da cidade, o Sudário (com o nome de Mandylion) é encontrado. Estava lacrado numa caixa, dobrado em quatro e emoldurado por metal bizantino, de modo a revelar somente o rosto de sua imagem. Junto dele estava uma lamparina de barro, segundo o costume, um sinal de que o pano era sagrado. Tendo sido reencontrado após 5 séculos, surgiram referências ao pano acheirospoieto que, em grego, quer dizer "quem o pintou?", ou "não feito pelas mãos", de onde viria por corruptela latina o termo achiropitas, a designar todas as cópias pintadas a partir da misteriosa imagem original. Também seria chamado de Vera Ícon, expressão latina para "verdadeira imagem", em alusão a ser aquele o rosto do Cristo. Daí provêm o nome Verônica, que, a propósito, nunca existiu. Segundo a lenda, ela teria enxugado o rosto de Jesus a caminho do Calvário, quando então a face dele teria ficado impressa em seu lenço.

O Mandylion passa então a ser venerado como protetor da cidade até o ano de 943, quando Edessa é sitiada pelo imperador bizantino Romanus Lecapenus que, por conta de seu aniversário de 70 anos, resolvera levar consigo para Constantinopla (hoje Istambul) a relíquia. Edessa se opõe, mas sob ameaça de ser dizimada pelo exército do imperador, acaba entregando-lhe a imagem. Em 944, o pano entra solenemente na capital, e é levado à Igreja de Santa Maria de Blachernae. Em 1203, o cavaleiro francês Roberto de Clari faz referências ao Sudário em seus relatos de viagem, dizendo tê-lo visto na citada Igreja. No ano seguinte, Constantinopla é saqueada por ocasião da quarta cruzada, e o Mandylion novamente desaparece. Tudo indica que tenha sido levado pelos Templários, que mais tarde o passariam às mãos de um de seus chefes, o cavaleiro Godofredo de Charny.

Diversas referências incertas sugerem a existência de um tecido ou tecido em Constantinopla, nos séculos XII e XIII. Viajando, um inglês afirmou que viu tal pano de linho entre os tesouros imperiais em 1150. Cinco anos mais tarde o abade Benedicto Soermudarson testificou sua presença na catedral de Santa Sofía. Mais uma referência definida vem de Guillermo de Tiro, quem afirma que o Imperador Manuel Commenus mostrou ao rei Amalrico I de Jerusalem o sudário de Jesus, conservado no tesouro imperial. Outro visitante, Nicholas Mesarítes, mencionou ter visto em o tecido numa.

Robert de Clari, o cronista da Quarta Cruzada, examinou o tecido em Constantinopla, afirmou em 1203 que viu o tecido na igreja de Blackernae, onde era exibido todas as sextas-feiras. A figura de Cristo podia ser discernida facilmente. Diz que o linho desapareceu da igreja durante um saque da cidade durante as cruzadas e ninguém soube o que tinha acontecido com o pano de linho.

Existem diversas versões da chegada do Sudário a França. Em uma delas, o Sudário foi premiado como despojos de Constantinopla a Otto de La Roche, comandante das tropas do Marquês de Monteferrat.

O capitão enviou o tecido a seu pai, que em 1206 o deu ao Bispo Amadeus de Besangon, que fez questão de exibir o Sudário na sua catedral todos os domingos, até 1349, quando um fogo destruiu o templo. Na outra versão, linho foi dado ao Cavalheiro de Charny pelo bispo de Garnier. Um documento original, conservado na biblioteca de Paris diz: “Geoffrey de Charny, Cavalheiro e Conde de Charny, Senhor de Lirey, obteve do rei Philip de Valois pelos seus serviços, o Santo Sudário, além de outras relíquias sagradas, de modo que os possa manter a Igreja que desejou construir em honra da Virgem Maria”. Esse fato ocorreu provavelmente em 1349, porque Felipe VI, para quem Geoffrey de Charny se desempenhou como chefe político, morreu em 1350. O mesmo Geoffrey foi morto numa batalha de Poitiers de 1356.

Um linho parece ter existido na igreja de Lirey, dentro. Champagne, em 1350. Alguns esforços têm sido feitos para que esta ligação com a mortalha de Lirey era o mesmo linho da catedral de Besangon encontrado antes de 1349. No incêndio da primavera daquele mesmo ano, a maior parte das relíquias da catedral, incluindo a mortalha de Cristo, se perdeu. Três anos mais tarde, uma cópia foi encontrada pintada sobre a catedral reconstruída. Esta cópia é conservada em Besançon até 1749, quando foi ordenada sua destruição, mas não sem antes fazer várias cópias. Alega-se que o Sudário foi retirado da catedral original no momento do incêndio por Geoffrey de Charny, que para conseguir alguma indulgência, trouxe pessoalmente para Constantinopla.

Possivelmente, a verdadeira história do sudário que agora está preservado na catedral de Turim teve início em 1355. Naquele ano, Dom Henri de Poitiers, clérigo, para proibiu a exibição da mortalha de Lirey para veneração pública. Quando a mortalha foi novamente posta para o público em 1389, esta ação do clero levantou a ira de Pierre D'Arcis, bispo de Troyes, e cuja diocese de Lirey ele pertencia. Sua intervenção conduziu a uma rixa sem pretendentes. A causa pode ter sido a indignação do bispo para a veneração de uma relíquia, ou talvez os seus ciúmes sobre o fato de que o clero possuía alho a lucrar financeiramente com isso. Parece que em 1353 Geoffrey de Charny e o bispo evitaram tratar diretamente com o Papa em Avignon, que, todavia, deu a sua aprovação para a construção de uma igreja em Lirey Casa da mortalha.

D'Arcis, em 1389, ameaçou com a excomunhão os clérigos de Lirey se não fosse removido o sudário da exposição, foi ai que Geoffrey II de Charny pediu a intervenção do Rei da França e do legado papal, Pierre de Thury. Os dois homens deram a sua permissão para a exposição. Quando o Bispo D’Arcis protestou, o papa manteve a validade da aprovação do legado e impôs D'Arcis "eterno silêncio" nesta matéria.

Quando o Bispo D’Arcis protestou, o papa manteve a validade da aprovação do legado e impôs D'Arcis "eterno silêncio" nesta matéria. D'Arcis, em 1389, ameaçou com a excomunhão os clérigos de Lirey se não fosse removido o sudário da exposição, foi ai que Geoffrey II de Charny pediu a intervenção do Rei da França e do legado papal, Pierre de Thury. Os dois homens deram a sua permissão para a exposição. Quando o Bispo D’Arcis protestou, o papa manteve a validade da aprovação do legado e impôs D'Arcis "eterno silêncio" nesta matéria.

D'Arcis, em seguida, dirigiu uma carta ao Papa. Acusou os clérigos de obter favores papais de forma ilícita. Na carta, os chama de traidores gananciosos e declarou que a mortalha foi uma pintura, uma fraude descoberta trinta e quatro anos antes por Henri de Poitiers, que tinha conduzido um inquérito. Os clérigos, segundo ele na carta, haviam ocultado a tela quando ele tentou resgatá-la. Esta carta, até hoje existente, levanta muitas dúvidas quanto a autenticidade ou não do Sudário. Para começar, esta carta não esta datada e assinada, e nos dias de hoje, não poderia ser levada em consideração perante um Tribunal.

As palavras de Pierre d'Arcis alegando a impostura dos clérigos de Lirey são de grande importância no que diz respeito à história do sudário de Turim. Ele diz: "E, finalmente, após exaustivo estudo e exploração deste tema, ele (Henri de Poitiers])descobriu a fraude e de que fo tecido havia sido artificialmente pintados, um fato confirmado pelo mesmo homem que havia pintado, que este foi o trabalho de um homem e não tinha sido feito ou concedido um milagre. " Há alguma dúvida sobre o significado exacto de D'Arcis aqui. O verbo latino depingere poderia dizer "pinturas" ou "pintura", ou seja, fazer uma cópia, e afirma que "o mesmo homem que havia pintado" pode significar "que tinham apoiado nele". É possível que a mortalha original e a cópia, que foi supostamente pintado em Besanron possa ter sido confundido.
Em 1418, o sudário passou a ser propriedade de Umberto de Villersexel, Conde de La Roche, que o removeu para o seu castelo de Montfort, sob o argumento de proteger a peça de um eventual roubo. Depois da sua morte, o pároco de Lirey e a viúva travaram uma batalha jurídica pela custódia da relíquia, ganha pela família. A Condessa de La Roche iniciou então uma tournée com o sudário que incluiu as catedrais de Genebra e Liege. Em 1453, o sudário foi trocado por um castelo (não vendido porque a transacção comercial de relíquias é proibida) com o Duque Luís de Sabóia. A nova aquisição do duque tornou-se na atração principal da recém construída catedral de Chambery, de acordo com cronistas contemporâneos, envolvida em veludo carmim e guardada num relicário com pregos de prata e chave de ouro.

O sudário foi mais uma vez declarado como relíquia verdadeira pelo Papa Júlio II em 1506. Em 1532, o sudário foi danificado por um incêndio que afetou a sua capela e pela água das tentativas de o controlar. Por volta de 1578 a peça foi transferida para Turim na Itália, onde se encontra até aos dias de hoje na Cappella della Sacra Sindone do Palazzo Reale di Torino. A casa de Sabóia foi a proprietária do sudário até 1983, data da sua doação ao Vaticano. A última exibição da peça foi no ano 2000, a próxima está agendada para 2010. Em 2002, o sudário foi submetido a obras de restauro.

DAS ANÁLISES

A Busca de respostas fez do Sudário o objeto mais estudado da Humanidade e resultou num intenso paradoxo. Os cientistas se dividem em dois grupos: os que concluíram se tratar de uma peça do primeiro século, e os que depreenderam tratar-se de uma falsificação medieval

Em 1898, Secondo Pia fotografou, pela primeira vez, o Santo Sudário. E desta forma, o grande segredo do mesmo foi revelado: o aparecimento de um corpo humano. Pia foi o primeiro homem a contemplar a presumível figura de Jesus Cristo depois de dezenove séculos.

Por volta de 1930, o médico Pierre Barbet dedica-se ao estudo da crucifixão e escreve o impressionante livro A Paixão de Cristo Segundo o Cirurgião.

Como teste, crucifixa cadáveres e descobre que os pregos não poderiam fixar ninguém pelas palmas das mãos, pois o peso do corpo as rasgaria e o condenado cairia da cruz. Os romanos perfuravam os punhos, inserindo os pregos numa fenda anatômica hoje chamada "espaço de Destot". Com a lesão do nervo radial, ocorria a retração dos polegares para as palmas.





Tal qual a foto de Pia revelava, as chagas estavam sobre os punhos, e os polegares não eram vistos. Barbet encontra 121 golpes de açoite compatíveis com o chicote romano denominado flagrum taxilatum, cujas pontas traziam halteres de chumbo, que deixaram 600 ferimentos sobre o corpo, menos sobre o coração, região proibida para o açoite.

Conclui que o homem do Sudário devia ter uns 35 anos, 1,82m de altura, 81 kg de peso, e que foi chicoteado por dois carrascos, um mais alto que o outro. Observa hematomas por todo o corpo e rastros de sangue compatíveis com a posição de um crucificado. Nota que sobre a cabeça fora colocado um "capacete de espinhos". Também encontra lesões nos ombros que carregaram o patíbulum, ou a trave horizontal da cruz.






O Verdadeiro rosto de Jesus Cristo segundo análise computadorizada do Santo Sudário (acima)


O nariz está fraturado, próprio de quem tivesse sofrido quedas a caminho do Calvário. Há uma ferida no flanco esquerdo, feita por lança, que atingira o quinto espaço intercostal no tórax e daí, o coração, de onde jorrou sangue e soro, a conferir com o relato de Jo 19,34. E segue-se a isso uma bateria de intermináveis evidências que relacionam perfeitamente o flagelado com Jesus. Não há espaço para dúvidas. E Barbet conclui: a morte deu-se por asfixia.

Já com recursos mais aprimorados, em 1931, o Santo Sudário voltou a ser fotografado por Giuseppe Enrie. Pode-se estudar então os ferimentos do corpo de Cristo impressos no tecido. Entretanto, algo de muito curioso ocorreu. Ao ser revelada a fotografia, apareceu no negativo a figura de um homem de frente e de costas. Esta foi a primeira inversão negativo-positivo de uma fotografia. As manchas de sangue são claramente positivas na chapa, imagens normais. Deu-se a impressão de que as marcas foram feitas por contato direto. O mais importante desse estudo é a revelação não somente da forma, mas da expressão, do conteúdo espiritual. O rosto semita, que apesar das chagas tem um ar de majestade serena e com uma expressão de dever cumprido.

Em 1973, o Vaticano liberou o sudário para análises científicas e o criminologista suíço Max Frei descobriu que o tecido possui vestígios de pólen de plantas que existiam na Palestina no início da era Cristã, um indício importante a favor da autenticidade da peça.

Em 1988, no entanto, um consórcio de três laboratórios concluiu, com base no método de datação do carbono-14, que a peça teria sido produzida entre os anos 1260 e 1390 - mas nem esse resultado trouxe um consenso científico. Vários estudos indicam que o exame pode ter sido realizado de maneira inadequada.

Em 1994, os químicos russos Dmitri Kouznetsov e Andrei Ivanov mostraram que o forte calor ao qual a peça foi submetida durante o incêndio de 1532 pode ter fornecido pistas falsas: o carbono gerado pelas queimas poderia ter se incorporado ao tecido, alterando o resultado do teste. Além disso, os microorganismos que se desenvolveram na trama ao longo dos últimos séculos também poderiam ter invalidado os testes.

Em 1995, foi descoberta uma espécie de verniz produzido naturalmente pelos fungos e bactérias do sudário, material que, de acordo com os microbiologistas Leoncio Garza-Valdés e Stephen Mattingly, também poderia ter afetado a datação pelo carbono-14. Ainda na década de 90, o químico Alan Adler demonstrou que, além de possuir vestígios de sangue, o tecido estaria impregnado de substâncias liberadas pelo organismo em situações de estresse, fortalecendo a tese de que o sudário teria sido realmente a mortalha de Cristo.

Kevin Moran, Engenheiro óptico da NASA, acredita que a RADIAÇÃO que formou a IMAGEM foi resultado direto da RESSURREIÇÃO.“Basicamente é uma forma de fenômeno natural , ou...fenômeno sobrenatural. Mas seja qual for a energia que criou a imagem do Santo Sudário esta além da capacidade atual de duplicá-la.”- diz Kevin.

Dr, Walter McCrone (1916-2002), um dos maiores especialistas de análise microscópica, e um dos maiores opositores do Sudário, examinou as amostras coletadas em 1978 e concluiu que o sudário era uma pintura, e que não poderia discutir com seu microscópio. No entanto, é provado que o Sudário não mostra NENHUMA PARTÍCULA NAS FIBRAS DA IMAGEM, o que quer dizer que, o Sudário NÃO PODE TER SIDO FEITO PELO PIGMENTO DE UM ARTISTA.

Kevin Moran acrescenta que a imagem do Sudário é feita de fibras minúsculas, um décimo do tamanho de um fio de cabelo, e os elementos da figura são distribuídos aleatoriamente, como os pontos de uma foto de jornal ou revista. Para isso, seria necessário um LASER ATÔMICO INCRIVELMENTE PRECISO, e esta tecnologia é inexistente.

Mas supondo que tenha sido o Sudário MANUFATURADO em pleno Século XIV como pretendem fazer crer. Ora, a imagem do Santo Sudário esta Em NEGATIVO, o que indica que claros e escuros estão invertidas em relação ao que normalmente veríamos, então, se o Sudário é uma pintura do Século XIV, significa que alguém precisaria ter IMAGINADO o CONCEITO DE FOTOGRAFIA aproximadamente 650 ANOS DELA TER SIDO FINALMENTE INVENTADA. Se o Sudário for falso, é a maior falsificação e mais PERFEITA de todos os tempos, se não, é a primeira evidência VISÍVEL da crucificação de Cristo que pode ser um registro FOTOGRÁFICO de sua Ressurreição.

Em 1973, o Sudário foi trazido para um breve exame nos EUA a ser examinado por um grupo de cientistas europeus. Entre os cientistas que o examinaram estava Max Frei (morto em 1983), criminologista suiço, que foi durante 25 anos diretor do serviço científico da Polícia de Zurique, além de botânico, e por fé, protestante, um dos mais respeitados especialistas do mundo em análise de pó e pólem. Dr. Frei desenvolveu quase que sozinho uma técnica para saber onde criminosos estiveram testando amostras de pó e pólem em suas roupas. Ele encontrou no Sudário GRÃOS DE PÓLEM que vieram da PALESTINA ou arredores no Oriente Médio.

O Objetivo de Dr. Frei era simples: se o Sudário foi manufaturado na FRANÇA no Século XIV, então só os pó e polens franceses ou italianos seriam encontrados no tecido. Na sua análise, Frei encontrou 58 polens específicos, sete dos quais eram originários da Europa, e o restante, da Palestina e do sul da Turquia, da localidade de Edessa.

Frei conquistara sua reputação internacional mediante a análise de substâncias microscópicas. Trabalhou na análise de muitos crimes e acidentes importantes de repercussão mundial. Mesmo depois de aposentado, foi consultor das autoridades policiais de diversos países.

No 4 de outubro de 1973, quando procedia a análise das fotografias do Sudário, notou que a superfície do tecido estava coberta de pequenas partículas de poeira. Pediu e obteve permissão para retirar amostras com fita adesiva limpa sobre a superfície do linho.

De regresso a Zurique, Frei examinou ao microscópio a poeira que havia recolhido. Identificou partículas minerais, fragmentos de cabelos, fibras de plantas, esporos de bactérias e plantas que não tem flores como musgos e fungos, e grãos do pólen de plantas floridas.

Como era de seu conhecimento, os grãos de pólen, invisíveis a olho nu, têm uma parede exterior muito resistente, e podem manter suas características físicas durante milhões de anos.
Frei compreendeu que:

-identificando os polens, identifica as plantas
-identificando as plantas, identifica os lugares e as épocas

Durante os anos de 1974 e 1975, Frei utilizou a Palinologia, a ciência da análise dos polens, examinando cuidadosamente cada grão de pólen retirado do Sudário.

Uma das suas dificuldades deriva do fato de que muitas das plantas que originariamente viviam numa região específica, serem hoje encontradas em todo globo terrestre.

Descartados estes casos, mesmo assim Frei conseguiu seu objetivo.

Ele descobrira grânulos de pólen de plantas da França, Itália, e de vegetação que cresce em zonas áridas e floresce em épocas diferentes no Oriente Médio. Mas o pólen mais freqüente no Sudário é o mesmo pólen fóssil abundante nos sedimentos do lago de Genesaré e do mar Morto, depositados há cerca de dois mil anos.

Em 1978, Frei efetuou novas retiradas de material e continuou seus estudos. Durante nove anos dedicou seu tempo e enormes despesas a sete expedições no Oriente Médio para identificar seus polens, muitos dos quais não eram ainda conhecidos. Morreu em 1983, sem terminar um trabalho final de conjunto.

Frei identificou 58 (cinqüenta e oito) espécies de pólen no Sudário:

-17 da França e Itália
-38 da Palestina, muitas delas de Jerusalém e arredores, das quais 13 são halófilos exclusivos do Negueb e da região do Mar Morto.
-2 exclusivas de Urfa (Edessa)
-1 exclusiva de Istambul (Constantinopla)

Isto parece confirmar claramente o roteiro e as datas do Sudário.

Frei ainda estava trabalhando com dezenove novos polens, que elevariam o total para setenta e sete. O arqueólogo Paul C. Maloney, o ilustre palinólogo israelense Aharon Horowitz, e o maior especialista em flora desértica israelense Avinoam Danin, notaram que o espectro polínico existente do Sudário é semelhante ao israelense, e que é possível mostrar um itinerário através do Negueb até as terras altas do Líbano.

Flores podem ter sido colocadas no Sudário também na hora do sepultamento. Um estudo com aplicação da técnica de sobreposição de luz polarizada, feito por Alan Whanger, professor da Duke University Medical Center de Durham (EUA), identificou vinte e oito flores que florescem entre Março e Abril na Palestina. Frei havia encontrado polens de vinte e cinco delas.

Ainda no meio de sua pesquisa, Max Frei tendo já perdido seu ceticismo inicial sobre a autenticidade do Sudário, em 8 de Março de 1976 declarou: “... A presença de polens pertencentes a não menos de seis espécies de plantas palestinas, uma da Turquia e oito espécies Mediterrâneas, nos autoriza, desde já, mesmo antes de chegarmos à identificação completa de todos os fósseis e microfósseis, a chegar a conclusão definitiva de que o Santo Sudário não é uma falsificação.”

MOEDAS SOBRE AS PÁLPEBRAS

A partir da análise das fotos feitas do Santo Sudário, três cientistas da NASA, com poderosos amplificadores microscópicos, puderam detectar a presença de duas pequenas moedas, uma sobre a pálpebra do crucificado e outra mais abaixo. Com um estudo aprofundado e o auxílio da mais alta tecnologia, pode-se afirmar serem as moedas dos anos de 26 a 36, cunhadas por Poncius Pilatos em homenagem à sua mãe. Este fato comprova a história de Cristo e ajuda profundamente a situar o Santo Sudário na época correta. Estudos realizados por Mario Moroni confirmam a existência destas moedas no tempo de Pilatos.


ANÁLISE DO SANGUE

Os responsáveis pelos estudos de sangue no Sudário são John Heller e Baima Bollone, que comprovaram a presença de hemoglobina, ferro, proteínas, porfirina, albumina e sangue tipo AB, fator RH positivo na trama do Linho. Esta comprovação anula a hipótese de que a imagem possa ter sido feita por um artista, pois nem mesmo o mais perfeccionista dos pintores plásticos seria capaz de utilizar pelo menos 5 litros de sangue humano e, à pinceladas, constituir a imagem que é vista no Sudário. Além disso, o linho possui diversas camadas, e o estudo do sangue existente nas fibras comprova ter sido este absorvido pelo contato, pois nem todas as camadas estão impregnadas. Isto seria impossível de conseguir se fosse uma fraude



No Sudário são muito evidentes algumas zonas com manchas de sangue. Em 1978 foram tiradas amostras dessas zonas, com fitas adesivas, pelo Dr Pierre Luigi Baima-Bollone e Raymond Rogers, do grupo norte-americano da STURP.

Rogers deu algumas dessas fitas a Walter McCrone e à equipe formada pelo Dr John H. Heller e Alan Adler, de Connecticut.

Os resultados divergiram.

Na Itália, o Dr. Bollone informou que o sangue era humano do tipo AB.

Nos Estados Unidos, McCrone informou que as manchas não eram de sangue, e sim de pigmentos terrosos ocre-avermelhados, concluindo que as manchas no pano eram pigmentos feitos por um artista. McCrone publicou essas conclusões no Microscope Journal, em 1981, depois publicou um livro, e até hoje mantém um site na web para atacar o Santo Sudário.

No entanto, ainda nos Estados Unidos, os Drs Adler e Heller concluíram que as manchas eram de sangue verdadeiro, de tal modo que o judeu Adler declarou: “É tão certo que existe sangue no Sudário como em nossas veias”. Assim como seu colega italiano Bollone, Adler constatou ainda que as manchas são de cor vermelho vivo, aparentemente estranha para amostras de sangue antigo, mas explicado pela grande quantidade de bilirrubina, sinal de que a pessoa da qual o sangue provém esteve fortemente traumatizada pouco antes da morte.

Ainda assim, um reverendo episcopal, David H. Sox, lançou um livro no qual dá pleno crédito a McCrone, logo após ter abandonado a British Society for the Turin Shroud, em 1981.

Em seu livro “A Verdade sobre o Sudário” Kenneth Stevenson, relator da STURP, diz que “As análises microqúimicas revelaram a não–existência de corantes, manchas, pós, tintas, ou instrumentos de pintura no Sudário. Foram realizados vários testes, inclusive o de fotoreflectância e o da fluorescência ultravioleta, todos eles chegando a resultados unânimes de que não havia nenhuma possibilidade de falsificação ou fraude. De modo particular, a fluorescência por raio-X foi considerado o melhor teste para detectar qualquer tipo de fraude, e não revelou a presença de nenhum elemento estranho que pudesse ter contribuído para a formação da figura.”

Além da confirmação do sangue no Sudário, as marcas de sangue estão em perfeita correspondência com a anatomia, isto é, sangue arterial e sangue venoso nos seus respectivos lugares. Como se sabe, a Medicina só descobriu a diferença dos dois fluxos sangüíneos no final de 1500.

É impossível separar artificialmente, com um pincel, por exemplo, o sangue de uma fase mais densa de uma mais líquida, como está no Sudário.

Pelos fenômenos de coagulação que se observa em numerosos filetes de sangue no Sudário, o médico americano Gilbert Lavoie deduziu que até pouco antes da morte escorria sangue das feridas, e que o corpo foi envolvido no lençol até duas horas e meia depois da morte.
Não se nota também nenhum sinal de putrefação do corpo envolvido pelo sudário.


O Dr. Leoncio Garza-Valdes, em posse das amostras de sangue da região occipital da imagem dorsal do Sudário, extraídas por Riggi em 1988, na mesma ocasião das amostras dos testes radiocarbono, não só constatou o sangue humano, identificando-o como do sexo masculino do tipo AB, como também fez uma análise de DNA, clonando-o.

Outro químico, Raymond Rogers, da Universidade da Califórnia, afirma que os testes de 1988 usaram amostras inadequadas e que o método de confecção do sudário indica que ele foi feito muito antes do século XIII. Ainda assim, vários cientistas continuam defendendo a análise com carbono-14. E a Igreja? Desde que começaram esses testes científicos, o Vaticano adota uma postura neutra.

Em 1991 houve o teste "conclusivo" referente ao mais antigo mistério da Humanidade. Cientistas de renome deram seu parecer favorável que o Santo Sudário era um tecido da Idade Média, e não um pano confeccionado na época de Cristo. Parecia que o mundo todo se conformava que a tão reverencial relíquia não passava de uma fraude.

O CARBONO-14

O Carbono-14 (C-14) é um método científico descoberto pelo Dr. Willard Libby, que busca datar a idade de materiais como o tecido através da quantidade de partículas de Carbono-14 encontradas no mesmo. Isso é possível porque os átomos de Carbono-14, que são radioativos, surgem na atmosfera da terra quando os raios cósmicos reagem ao nitrogênio do ar, e são absorvidos por plantas como o linho, material do Santo Sudário. A cada 5.700 anos a quantidade de Carbono-14 no tecido cai pela metade e, utilizando-se de métodos químicos e matemáticos torna-se possível datar a idade do material em questão.

No caso do Santo Sudário, no entanto, este teste só veio trazer mais dúvidas. O primeiro resultado situou o linho no período de 1260-1390 d.C. Este disparate que negava a existência de Jesus Cristo ocorreu porque os cientistas não levaram em consideração os incidentes ocorridos com o Santo Linho, como os incêndios de 1516 e 1532, que podem ter reduzido a quantidade de C-14 no tecido, alterando a datação em até 600 anos. Após inúmeras controvérsias e testes anulados, o próprio inventor do método, Dr. Libby, se negou a utilizar o C-14 na datação do Santo Sudário. A última comprovação foi feita em 1995, quando o cientista russo Dimitri Kouznetsov demonstrou experimentalmente os efeitos do incêndio de 1532 sobre a quantidade de C-14 no Linho, datando-o então no século I d.C.

O processo de datação pelo método do Carbono 14 foi o grande agente de expansão e aprofundamento do conhecimento das idades de objetos, principalmente daqueles de muitos milhares de anos, sem história registrada. É técnica que utiliza a proporção do Isótopo 14 do carbono em determinado material de amostra, para daí se calcular quando o mesmo parou de absorver C14 do ambiente, no nosso caso, quando o linho foi colhido. No entanto, até a década de 70, essa técnica exigia que o material fosse incinerado.

No início da década de 80 já havia sido desenvolvido nos Estados Unidos uma técnica de datação pelo Professor Harry Gove, diretor do Nuclear Structure Research Laboratory da Universidade de Rochester, um processo pelo C14 chamado espectometria de massa acelerada, ou AMS, que consome uma quantidade bem menor de material em seu ensaio destrutivo.

O Vaticano concordou com a aplicação desse método, e o arcebispo Cardeal Ballestrero indicou três laboratórios para datação: Universidade de Oxford, Inglaterra, Universidade de Zurique , Suíça, e Universidade do Arizona, Estados Unidos. Curiosamente ficava de fora o laboratório que criou o teste. Além do que o Laboratório de Zurique já tinha pouco antes se equivocado em datação de linho egípcio em 1000 anos.

Em 21 de Abril de 1988 o Sudário foi trazido na presença de representantes de cada instituição, recortado uma pequena parte e dividido entre eles, pesando aproximadamente 50 miligramas. A parte que foi cortada era embaixo à direita da imagem frontal. Uma área muita exposta à contaminação, pois é próxima ao ângulo por onde o Sudário é fixado durante as exposições. Amostras extras foram separadas para uma eventual necessidade futura.

Juntamente com o tecido do Sudário foram também entregues as seguintes amostras de controle: um tecido de linho proveniente da Núbia e datado do séc. XII, um tecido de linho proveniente do túmulo de uma criança chamada Cleópatra, em Tebas, e radiodatado entre 110 e 75 A.C., alguns fios retirados da veste litúrgica de São Luis D’Angers, do período entre 1290 e 1310. Essas amostras de controle foram identificadas secretamente e deveriam ser analisadas juntas com as do Sudário.

Seis meses depois veio o anúncio que estarreceu os estudiosos. Em 13 de Outubro de 1988, em conferências quase simultâneas em Turim e Londres, foram divulgados os resultados.
O coordenador dos testes, Michael Tite do Museu Britânico, em Londres, dava entrevista, juntamente com os Professores Edward Hall e Robert Hedges, de Oxford. Atrás deles em um quadro negro estava escrito triunfalmente: 1260 – 1390!

ANÁLISES MÉDICAS SOBRE O SUDÁRIO

Aqui uma lista dos testes que confirmaram a presença de sangue integral no Santo Sudário é dada a seguir:

1. Ferro elevado nas áreas de sangue, confirmado pelo Raio X com fluorescência.
2. Espectros de reflexos indicativos.
3. Espectros de transmissão microespectrofotométrica indicativos.
4. Reação química característica de fluorescência da porfirina.
5. Testes hemocromogênicos positivos.
6. Testes de cianometemoglobina positivo.
7. Detecção positiva de pigmentos de bile
8. Demonstração positiva de proteína.
9. Indicação positiva de albumina.
10. Teste de protease sem deixar resíduos.
11. Teste imunológico positivo para albumina humana.
12. Aparecimento microscópio quando comparado com controles adequados.
13. Análises forense de evidência de vários ferimentos e marcas de sangue.
Como já mencionado, o sangue é do tipo AB.



Esta é a descrição das dores de Jesus feita por um grande estudioso francês, o médico Dr. Barbet, que a escreveu apoiando nos Evangelhos e no Sudário, nos dando a possibilidade de compreender realmente as dores de Jesus, durante a sua paixão:

Eu sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo. Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei a fundo anatomia. Posso portanto escrever sem presunção.

1)- Jesus entrou em agonia no Getsemani - escreve o evangelista Lucas - orava mais intensamente. "E seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra". O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas . E o faz com a precisão de um clínico. O suar sangue, ou "hematidrose", é um fenômeno raríssimo. Se produz em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo. O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra.

2)- Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus. Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso em uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos. As marcas no Sudário de Turim são inúmeras; a maior parte das chicotadas são sobre os ombros, sobre as costas, sobre a região lombar e também sobre o peito. Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.

3)- Depois do escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que aqueles da acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo). No Sudário se percebe que um forte golpe de bastão, dado obliquamente, deixou sobre a face direita de Jesus um horrível ferimento pisado; o nariz foi deformado por uma fratura da cartilagem.

4)- Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, o entrega para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário. Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso, felizmente, não é muito longo, cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas. Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso. (Um soldado tenta obrigá-lo a se levantar, mas arranca-lhe a barba ).

5)- Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, mas a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la é atroz. Alguma vez vocês tiraram uma atadura de gaze de uma grande chaga? Não sofreram vocês mesmos esta experiência, que muitas vezes precisa de anestesia? Podem agora vos dar conta do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas. Os carrascos dão um puxão violento. Como aquela dor atroz não provoca uma síncope?

O sangue começa a escorrer. Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pé e pedregulhos. Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos; horrível suplício!

Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), o apoiam sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. No mesmo instante o seu pólice, com um movimento violento se posicionou opostamente na palma da mão; o nervo mediano foi lesado. Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se, como uma língua de fogo, pelos ombros, lhe atingindo o cérebro. Uma dor mais insuportável que um homem possa provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos. De sólido provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. Pelo menos se o nervo tivesse sido cortado!

Ao contrário (constata-se experimentalmente com freqüência) o nervo foi destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas.

O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; consequentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical. Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregaram dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande coroa de espinhos o laceraram o crânio. A pobre cabeça de Jesus inclinou-se para frente, uma vez que a espessura do capacete o impedia de apoiar-se na madeira. Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudíssimas.
Pregam-lhe os pés.


Ao meio-dia, Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. As feições são impressas, o vulto é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede. Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz.

Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos se curvam. Se diria um ferido atingido de tétano, presa de uma horrível crise que não se pode descrever. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico.

Jesus atingido pela asfixia, sufoca. Os pulmões cheios de ar não podem mais esvaziar-se. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita. Que dores atrozes devem ter martelado o seu crânio!

Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus tomou um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforçando-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração se torna mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.

Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem".

Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá elevar-se tendo como apoio o prego dos pés, inimaginável!

Enxames de moscas, grandes moscas verdes e azuis, zunem ao redor do seu corpo; irritam sobre o seu rosto, mas ele não pode enxotá-las.

Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura se abaixa.
Logo serão três da tarde. Jesus luta sempre: de vez em quando se eleva para respirar. A asfixia periódica do infeliz que está destroçado. Uma tortura que dura três horas.
Todas as suas dores, a sede, as caimbrãs, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancaram um lamento: "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?".
Aos pés da cruz estava a mãe de Jesus. Podeis imaginar o sofrimento daquela Senhora?
Jesus grita: "Tudo está consumado!".


Em seguida num grande brado disse: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito".
E morre.



A POSIÇÃO DA IGREJA



Apesar de a Igreja Católica Romana demonstrar enorme apreço pela peça, o Vaticano nunca reconheceu o Sudário como prova material da existência de Jesus Cristo, ou de algum milagre, mas sim dá destaque ao valor religioso como símbolo da paixão de Jesus, mas reafirma que o veredicto sobre sua autenticidade cabe somente aos cientistas. Não há consenso sobre o assunto dentro da instituição, e muitos religiosos pensam tratar-se de uma falsificação.

E os teólogos são quase unânimes em dizer que a fé não se deve basear em objetos, e sim, numa relação pessoal com Deus.

Seja como for, o tema não geraria polêmicas e controvérsias, se o objeto deste tema não fosse Jesus de Nazaré (Yeshua Ben Yossef), o ícone talvez mais estudado e mais enigmático de toda a História da Humanidade.

Por Paulo Néry

Sexta-feira, 6 de Março de 2009

Oftalmologia do Espírito - Os Olhos da Alma


As grandes tradições espirituais tanto orientais quanto ocidentais nos dizem que existem três tipos de visões: a da carne, a da mente e a do Espírito.
Os olhos da carne captam estímulos sensoriais trazidos pelas ondas luminosas fotônicas que chegam até as nossas retinas.
E muitos podem ser os problemas relacionados aos olhos da carne: ambliopia, astigmatismo, daltonismo, catarata e etc. Muitas vezes os óculos são necessários para corrigir os problemas visuais. Em alguns casos a cirurgia é indispensável.
Os olhos da mente processam as informações trazidas do mundo exterior e do espaço interior. A mente é basicamente um estômago psíquico que digere e processa as informações captadas pelos órgãos dos sentidos (que vão muito além dos cinco já conhecidos).
Muitos são os problemas dos olhos da mente: paranóias, neuroses, delírios e etc.A Psicologia é a oftalmologia que trata dos olhos mentais. As distorções cognitivas e perceptivas também podem ser corrigidas.
Muitos interpretam os fatos e acontecimentos da vida de uma maneira não muito saudável. E essas interpretações podem desencadear processos emocionais negativos.
Como eu olho para a minha vida e para o mundo? Que sentido eu confiro ao meu viver diário? Quais lentes uso? Quais são os significados que temperam a salada da minha existência?
A arte da culinária existencial coloca que o gosto depende e muito, do tempero que se usa.
Aqueles que colocam lentes escuras perceberão o mundo mais negro e negativo. A depressão mais dia menos dia baterá na porta da casa interior.
A miopia da visão mental é muito mais perigosa do que a miopia dos olhos físicos.
E quanto aos olhos do Espírito?
A terceira visão é o órgão da percepção espiritual.
Na maioria das pessoas essa visão está adormecida. Essa visão é aquela que integra e sintetiza.
Os olhos da mente percebem a multiplicidade, as polaridades e dualidades. A visão espiritual transcende e integra tudo isto.
A terceira visão está ligada à glândula pineal situada no centro do cérebro. É uma glândula muito sensível aos campos eletromagnéticos e campos ainda mais sutis.
A sua estrutura cristalina (ela é uma bolinha de cristal no centro do cérebro) é capaz de captar informações de outros níveis dimensionais!
Os cristais são muitos sensíveis aos campos mais sutis de energia e informação. O cristal é uma pedra mediúnica. Sua estrutura matemática configura uma geometria que pode ser considerada sagrada.
Quem diria - temos uma bola de cristal dentro da nossa cabeça.
Mas muito poucos desenvolveram essa outra visão.
A abertura desta visão pode ser feita com a prática do “Raja Yoga” ou yoga da mente.
A ciência oftalmológica que trata desta visão é a ciência do Espírito.
A visão espiritual é fundamental, pois é ela quem dota a vida de significados outros.
O número três é o número da síntese. A terceira visão é sintética e não analítica como a visão da mente.
As pessoas que sofrem da cegueira espiritual da terceira visão poderão procurar caminhos iniciáticos que possibilitarão a abertura desta gnose espiritual.
Essa visão tem retinas capazes de penetrar nos mistérios mais profundos do mundo interior onde se escondem as riquezas do “Self”.
Vejo nos meus sonhos e bons delírios, um futuro onde as clínicas de oftalmologia iniciática tratarão do despertar da visão espiritual. Clínicas que ajudarão na manutenção do bom funcionamento das retinas espirituais
O grande mestre Jesus (oftalmologista de primeira grandeza) certa vez disse: “Se seus olhos estiverem cheios de luz, todo o seu corpo estará iluminado!”.
Mas as lentes ou óculos do Espírito não podem ser encontrados nas lojas dos shoppings.


Por: S. L. Lima

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Carnaval & Quaresma

O Carnaval não é uma festa exclusivamente brasileira, e nem sua origem é dos tempos contemporâneos. O Carnaval originário tem início nos cultos agrários da Grécia, de 605 a 527 a.C. Com o surgimento da agricultura, os homens passaram a celebrar a fertilidade e produtividade do solo.


O Carnaval Pagão se inicia na Grécia com Pisistráto, que oficializou o culto a Dioniso, isto pelo século VII a.C. e, termina, quando a Igreja Católica adota a festa em 590 d.C.
O primeiro foco de concentração carnavalesca se remota no Egito. A festa era nada mais que dança e cantoria em volta de fogueiras. Os foliões usavam máscaras e disfarces simbolizando a inexistência de classes sociais. Depois, a tradição se espalhou por Grécia e Roma, entre o século VII a.C. e VI d.C. A separação da sociedade em classes fazia com que houvesse a necessidade de uma fuga social. É nessa época que orgias e bebidas se fazem presentes na festa.


Em seguida, o Carnaval chega a Veneza. Diz-se que foi lá que a festa tomou as características como bem o conhecemos hoje: máscaras, fantasias, carros alegóricos, e desfiles.

O Carnaval na era da Cristandade passa a existir quando a Igreja Católica oficializa a festa, em 590 d.C. Antes, a instituição condenava a festa por seu caráter “pecaminoso”. No entanto, as autoridades eclesiásticas da época se viram num beco sem saída. Não era mais possível proibir o Carnaval. Foi então que houve a imposição de cerimônias oficiais sérias para conter a libertinagem. Assim, esse tipo de cerimônia se defrontava com a principal característica do Carnaval, que são os risos e as brincadeiras.


Somente em 1545, durante o Concílio de Trento, que o Carnaval é reconhecido como uma manifestação popular de rua. Em 1582, o Papa Gregório XIII transforma o Calendário Juliano em Gregoriano e estabelece as datas do Carnaval. O motivo da mobilidade da data é não coincidir com a Páscoa Católica, que não pode ter data fixa para não coincidir com a Páscoa dos judeus.
A palavra carnaval também apresenta diversas versões e não há unanimidade entre os estudiosos. Há quem defenda que o termo carnaval deriva de carne vale (adeus carne!) ou de carne levamen (supressão da carne). Esta interpretação da origem etimológica da palavra remete-nos ao início do período da Quaresma que era, em sua origem, não apenas um período de reflexão espiritual como também uma época de privação de certos alimentos, dentre eles, o a carne.




Outra interpretação para a etimologia da palavra é a de que esta derive de currus navalis, expressão anterior ao Cristianismo e que significa carro naval. Esta interpretação baseia-se nas diversões próprias do começo da primavera, com cortejos marítimos ou carros alegóricos em forma de barco, tanto na Grécia como em Roma.



Nos dias atuais, o carnaval é festejado no sábado, domingo, segunda e terça-feira anteriores aos quarentas dias que vão da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa. É a partir daqui que falaremos da QUARESMA.


A palavra Quaresma vem do latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo: a ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no Domingo de Páscoa. Esta prática data desde o século IV.


Na quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quinta-feira da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal. O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais.

Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo. Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Cada doutrina religiosa tem seu calendário específico para seguir. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência.



Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.

EM TEMPO: Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer, na esperança.

Por Paulo Néry

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Graal



O Cálice Sagrado em que Jesus teria bebido é um mistério muito maior do que uma simples leitura de romances arturianos pode revelar. Ele teria realmente existido? Resistiu ao tempo? Quem eram seus guardiões?

Em um país de maioria católica, a figura do Graal é tida comummente como a da taça que serviu Jesus durante a Última Ceia e na qual José de Arimatéia teria recolhido o sangue do Salvador crucificado proveniente da ferida no flanco provocada pela lança do centurião romano Longino ("Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados perfurou-Lhe o lado com uma lança e logo saiu sangue e água" – João 19:33-34).

A Igreja Católica não dá ao cálice mais do que um valor simbólico e acredita que o Graal não passa de literatura medieval, apesar de reconhecer que alguns personagens possam realmente haver existido. É provável que as origens pagãs do cálice tenham causado descontentamento à Igreja.
Em “Os mistérios do Rei Artur”, Elisabeth Jenkins ressalta que "no mundo do romance, a história era acrescida de vida e de significado emocional, mas a Igreja, apesar do encorajamento que dava às outras histórias de milagres, a esta não deu nenhum apoio, embora esta lenda seja a mais surpreendente do ponto de vista pictórico.

Nas representações de José de Arimatéia em vitrais de igrejas, ele aparece segurando não um cálice, mas dois frascos ou galheteiros". Alguns tomam o cálice de ágata que está na igreja de Valência, na Espanha, como aquele que teria servido Cristo mas, aparentemente, a peça data do século XIV. Independente da veneração popular, esta referência é fundamental para o entendimento do simbolismo do Santo Graal já que, como explica a própria Igreja em relação à ferida causada por Longino, "do peito de Cristo adormecido na cruz, sai a água viva do baptismo e o sangue vivo da Eucaristia; deste modo, Ele é o cordeiro Pascal imolado".

Origem – A etimologia da palavra Graal é um tanto duvidosa, mas costuma-se considerá-la como oriunda do latim gradalis – cálice.
Com o brilho resplandecente das pedras sobrenaturais, o Graal, na literatura, às vezes aparece nas mãos de um anjo, às vezes aparece sozinho, movimentando-se por conta própria; porém a experiência de vê-lo só poderia ser conseguida por cavaleiros que se mantivessem castos. Transportado para a história do Rei Arthur, onde nasce o mito da taça sagrada, encontramos o rei agonizante vendo o declínio do seu reino. Em uma visão, Arthur acredita que só o Graal pode curá-lo e tirar a Bretanha das trevas. Manda então seus cavaleiros em busca do cálice, facto que geraria todas as histórias em torno da Busca do Graal.



É interessante notar que a água é uma constante na história de Arthur. É na água que a vida começa, tanto a física como a espiritual. Arthur teria sido concebido ao som das marés, em Tintagel, que fica sob o castelo do Duque da Cornualha; tirou a Bretanha das mãos bárbaras em doze batalhas, cinco das quais às margens de um rio; entregou sua espada, Excalibur, ao espírito das águas e, ao final de sua saga, foi carregado pelas águas para nunca mais morrer. Certo de que sua hora havia chegado, Arthur pede a Morgana que o leve à praia, onde três fadas (elemento ar) o aguardam em uma barca.
"Consola-te e faz quanto possas porque em mim já não existe confiança para confiar. Devo ir ao vale de Avalon para curar a minha grave ferida", diz o rei. Avalon é a mítica ilha das macieiras onde vivem os heróis e deuses celtas e onde teria sido forjada a primeira espada de Arthur – Caliburnius.

Na Cornualha, o nome Avalon – que em galês refere-se à maçã – é relacionado com a festa das maçãs, celebrada durante o equinócio de Outono. Acreditam alguns que Avalon é Glastonbury, onde tanto Arthur quanto Guinevere teriam sido enterrados. A abadia de Glastonbury, onde repousaria o casal, é tida também como o lugar de conservação do Graal.

O mito - A primeira referência literária ao Graal é O Conto do Graal, do francês Chrétien de Troyes, em 1190. Todo o mito – e uma série interminável de canções, livros e filmes – sobre o rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda tiveram seu início ali. Tratava-se de um poema inacabado de 9 mil versos que relata a busca do Graal, da qual Arthur nunca participou directamente, e que acaba suspensa. Um mito por si só, O Conto do Graal é uma obra de ficção baseada em personagens e histórias reais que serve para fortalecer o espírito nacionalista do Reino Unido, unindo a figura de um governante invencível a um símbolo cristão.

Mas por que o cálice teria sido levado para a Inglaterra?
Do ponto de vista literário, já foi explicado. Porém há outras histórias muito mais interessantes – e ousadas – para explicar isto.
Diz-se que durante sua permanência na Cornualha, Jesus havia recebido em dádiva um cálice de um druida convertido ao cristianismo (isto entendido como "o que era pregado por Cristo"), e por aquele objecto Jesus tinha um carinho especial. Após a crucificação, José de Arimatéia quis levá-lo, santificado pelo sangue de Cristo, ao seu antigo dono, o druida, que era Merlin, traço de união entre a religião celta e a cristã. É na obra de Robert de Boron, José de Arimatéia, que o mito retrocede no templo até chegar a Cristo e à última Ceia. José de Arimatéia era um judeu muito rico, membro do supremo tribunal hebreu – o Sinédrio. É ele que, como visto nos evangelhos, pede a Pilatos o corpo de Jesus para ser colocado em um sepulcro em suas terras.
Boron conta que certa noite José é ferido na coxa por uma lança (perceba também, sempre presente, as referências às lanças e espadas, símbolos do fogo, tanto nas histórias de Jesus como de Arthur). Em outra versão, a ferida é nos genitais e a razão seria a quebra do voto de castidade. Este fato está totalmente relacionado à traição de Lancelot que seduz Guinevere, esposa de Arthur.
Após a batalha entre os dois, a espada de Arthur, Caliburnius, é quebrada – pois é usada para fins mesquinhos – e jogada em um lago onde é recolhida pela Dama do Lago antes que afunde. Depois lhe é oferecida outra espada, esta sim, Excalibur.

Somente uma única vez Boron chama a taça de Graal. Em um inciso, ele deduz que o artefacto já tinha uma história e um nome antes de ser usado por Jesus: "eu não ouso contar, nem referir, nem poderia fazê-lo (...) as coisas ditas e feitas pelos grande sábios. Naquele tempo foram escritas as razões secretas pelas quais o Graal foi designado por este nome". José de Arimatéia foi, portanto, o primeiro custódio do Graal. O segundo teria sido seu genro, Bron. Algumas seitas sustentam que o ciclo do Graal não estará fechado enquanto não aparecer o terceiro custódio. Esta resposta parece vir com A Demanda do Graal, de autor desconhecido, que coloca Galahad como único entre os cavaleiros merecedor de se tornar guardião do Graal.



O Graal-pedra – Toda a história é mudada quando contada pelo alemão Wolfram von Eschenbach, quase ao mesmo que Boron. Em Parzifal, Eschenbach coloca na mão dos Templários a guarda do Graal que não é uma taça, mas sim uma pedra: Sobre uma verde-esmeralda, / Ela trazia o desejo do Paraíso:/ Era objecto que se chamava o Graal! Para Eschenbach, o Graal era realmente uma pedra preciosa, pedra de luz trazida do céu pelos anjos. Ele imprime ao nome do Graal uma estreita dependência com as forças cósmicas. A pedra é chamada Exillis ou Lapis exillis, Lapis ex coelis, que significa "pedra caída do céu".
É a referência à esmeralda na testa de Lúcifer, que representava seu Terceiro Olho. Quando Lúcifer, o anjo de Luz, se rebelou e desceu aos mundos inferiores, a esmeralda partiu-se pois sua visão passou a ser prejudicada.

Um dos três pedaços ficou em sua testa, dando-lhe a visão deformada que foi a única coisa que lhe restou. Outro pedaço caiu ou foi trazido à Terra pelos anjos que permaneceram neutros durante a rebelião. Mais tarde, o Santo Graal teria sido escavado neste pedaço.
Compare o Graal-pedra de Eschenbach com a não menos mítica Pedra Filosofal que transformava metais comuns em ouro, homens em reis, iniciados em adeptos; matéria e transmutação, seres humanos e sua transformação. O alemão tem como modelo de fiéis depositários do cálice sagrado os Cavaleiros Templários.
Seria Wolfram von Eschenbach um Templário?

Era a época em que Felipe de Plessiez estava à frente da ordem quase centenária. O próprio fato de ser a pedra uma esmeralda se relaciona com a cavalaria.
Os cavaleiros em demanda usavam sobre sua armadura a cor verde, sinónimo de vitalidade e esperança.
Malcolm Godwin, escritor Rosa-Cruz, refere-se a Parzifal da seguinte maneira: "Muitos comentadores argumentaram que a história de Parzifal contém, de modo oculto, uma descrição astrológica e alquímica sobre como um indivíduo é transformado de corpo grosseiro em formas mais e mais elevadas". Nesta obra que é um retrato da Idade Média – feito por quem sabia muito bem sobre o que estava falando – reconhece-se uma verdadeira ordem de cavalaria feminina, na qual se vê Esclarmonde, a virgem guerreira cátara, trazendo o Santo Graal, precedida de 25 segurando tochas, facas de prata e uma mesa talhada em uma esmeralda. Na descrição do autor da cena de Parzifal no castelo do rei-pescador (que, assim como Jesus, saciara a fome de muitas pessoas multiplicando um só peixe) lemos:

"Em seguida apareceram duas brancas virgens, a condessa de Tenabroc e uma companheira, trazendo dois candelabros de ouro; depois uma duquesa e uma companheira, trazendo dois pedestais de marfim; essas quatro primeiras usavam vestidos de escarlate castanho; vieram então quatro damas vestidas de veludo verde, trazendo grandes tochas, em seguida outras quatro vestidas de verde (...). "Em seguida vieram as duas princesas precedidas por quatro inocentes donzelas; traziam duas facas de prata sobre uma toalha. Enfim apareceram seis senhoritas, trazendo seis copos diáfanos cheios de bálsamo que produzia uma bela chama, precedendo a Rainha Despontar de Alegria; esta usava um diadema, e trazia sobre uma almofada de achmardi verde (uma esmeralda) o Graal, ‘superior a qualquer ideal terrestre".



As histórias que fazem parte do chamado "ciclo do Graal" foram redigidas de 1180 até 1230 o que nos inclina a relacioná-las com a repressão sangrenta do catarismo.
Conta-se que durante o assalto das tropas do rei Felipe II à fortaleza de Montsegur, apareceu no alto da muralha uma figura coberta por uma armadura branca que fez os soldados recuarem, temendo ser um guardião do Graal. Alguns historiadores admitem que, prevendo a derrota, os cátaros emparedaram o Graal em algum dos muros dos numerosos subterrâneos de Montsegur e lá ele estaria até hoje.

A "Mesa de Esmeralda" evocada pelas histórias de fundo cátaro relaciona-se de maneira óbvia com outra "mesa": a Tábua de Esmeralda atribuída a Hermes Trismegistus. A partir daí o Graal-pedra cede lugar ao Graal-livro.

O Graal-livro – O Graal-taça é tido como um episódio místico e o Graal-pedra como a matéria do conhecimento cristalizado em uma substância. Já o Graal-livro é a própria tradição primordial, a mensagem escrita. Em José de Arimatéia, Robert de Boron diz que "Jesus Cristo ensinou a José de Arimatéia as palavras secretas que ninguém pode contar nem escrever sem ter lido o Grande Livro no qual elas estão consignadas, as palavras que são pronunciadas no momento da consagração do Graal". De fato, em Le Grand Graal, continuação da obra de Boron por um autor anónimo, o Graal é associado – ou realmente é – um livro escrito por Jesus, o qual a leitura só pode entender – ou iluminar – quem está nas graças de Deus. "As verdades de fé que este contém não podem ser pronunciadas por língua mortal sem que os quatro elementos sejam agitados. Se isso acontecesse realmente, os céus diluviariam, o ar tremeria, a terra afundaria e a água mudaria de cor". O Graal-livro tem um terrível poder.

Um Graal científico – N’ O Livro da Tradição, no capítulo referente ao Graal, encontramos interessantes referências aos espectaculares fenómenos desencadeados pelas esmeraldas e por outras pedras verdes. Vale a pena reproduzir um trecho que mostra como encarar um assunto de um ponto de vista religioso, místico ou científico, isoladamente é sempre uma maneira pobre de fazer uma leitura. "Uma descoberta muito recente parece confirmar a hipótese de um Graal possuindo uma realidade a um só tempo sobre os planos espiritual e material, servindo o segundo como um suporte para o primeiro. "Segundo fontes precisas e confidenciais das quais não nos é possível indicar a origem, os astronautas americanos da expedição da Apolo XIV teriam descoberto na Lua amostras da pedra verde. "A análise em laboratório revelou estranhas propriedades entre as quais a de provocar, graças a certas emissões de Neutrons, um mini campo antigravitacional. "As mesmas pedras verdes, chamadas pedras de lua ou pedras das feiticeiras, são também encontradas na Escócia (sendo entretanto raras), nas highlands e, segundo a lenda, serviam às feiticeiras para fazer com que elas se deslocassem pelos ares (com que então muitas vezes a realidade supera a ficção!).

"As mesmas amostras de rochas verdes estariam engastadas nos alicerces das criptas das catedrais medievais, bem como na abadia do Monte Saint-Michel. A catedral de Colónia desfrutaria dessa particularidade, o que teria feito com que ela se beneficiasse com uma miraculosa protecção por ocasião dos bombardeios terríveis que destruíram a cidade em 1944-45 (o campo de força assim criado teria desviado a trajectória das bombas)".

É lógico que esta explicação física para o Graal não exclui a existência de um Graal espiritual e místico do qual o objecto material seria o reflexo. Ao final, pergunta-se: qual a natureza do Graal? Cálice, pedra ou livro? Sendo o Graal uma realidade nos planos espiritual, material e humano podemos concebê-lo como "um objeto-pedra (esmeralda) em forma de taça servindo como meio de comunicação entre o céu e a terra segundo um processo descrito e explicado por um livro". Somente homens puros (Percival e Galahad são os arquétipos) poderão servir como ponte e tornarem-se detentores do segredo do Graal que abre caminho aos planos superiores da existência. Esta raça pura, filha da "raça solar", é denominada "raça do Arco" – ou do "arco-íris", porque as cores expressas no prisma solar (também chamado lenço de Íris) são a manifestação física dos diferentes poderes que o homem pode despertar através do Graal. Isso possivelmente só será conseguido no final dos tempos, como encontramos no Apocalipse de João (4:2-3): "Logo fui arrebatado em espírito e vi um trono no céu, no qual Alguém estava sentado. O que estava sentado era, na aparência, semelhante à pedra de jaspe e de sardônio; e um arco-íris rodeava o trono, semelhante à esmeralda".



José de Arimatéia, um "judeu-cristão"
Robert de Boron conta que os judeus, ao descobrirem José de Arimatéia, prendem-no em uma cela sem janelas onde todos os dias uma pomba se materializa deixando-lhe uma hóstia, seu único alimento durante todo o cárcere, graças ao qual sobrevive. José esconde a taça que Jesus usou na Última Ceia, a mesma que ele próprio usou para recolher o sangue de Cristo antes de colocá-lo na tumba. Ao ser libertado, viaja para a Inglaterra com um grupo de seguidores e funda a Segunda Mesa da Última Ceia, ao redor da qual sentam doze pessoas (conforme a Távola Redonda). No lugar de Cristo é colocado um peixe. O assento de Judas Iscariotes fica vazio e quando alguém tenta ocupá-lo é "devorado pelo lugar" de forma misteriosa. A partir desse momento esse assento é conhecido como a Cadeira Perigosa (mesmo nome do assento da Távola Redonda que também ficava vazio e só poderia ser ocupado pelo "cavaleiro mais virtuoso do mundo". Em algumas versões, é o assento de Lancelot que sempre fica vazio. Lancelot, o mais dedicado cavaleiro, que assim como Judas em relação a Jesus, era o que mais amava Arthur e também o que o traiu). José de Arimatéia fundou sua congregação em Glastonbury. No lugar onde teria edificado sua igreja com barro e palha há os restos de uma abadia muito posterior. A mesma onde se diz estarem enterrados Arthur e Guinevere e onde estaria o Santo Graal.

Por: S. L. Lima