quinta-feira, 12 de junho de 2008

Átila, o Huno- Flagelo de Deus.


Para muitas pessoas, o nome Átila, o Huno, sugere um bárbaro assassino de povos. Mas a História não tem sido inteiramente justa para com este magistral chefe militar. Átila (o nome significa “paizinho” em gótico, se desconhece o significado Huno) era o rei carismático dos nômades mongóis conhecido pelos hunos. Eram guerreiros ferozes, e hábeis cavaleiros, que eram capazes de cavalgarem em batalhas com uivos selvagens. Viviam, como podemos dizer, a cavalo.


Ele vivia para guerrear e conquistar o que via pela frente - invadiu duas vezes os Bálcãs, esteve a ponto de tomar a cidade de Roma e chegou a sitiar Constantinopla. Marchou através da França e espalhou o pavor fazendo o bravo imperador Valentiniano III fugir de Ravena. Essa imagem perversa que se tem de Átila, no entanto, começa agora a sofrer uma grande reviravolta. Explica-se: os romanos empregavam a expressão "bárbaro" para todos aqueles que habitavam além das fronteiras de seu império e não falavam latim.


Em 434 d.C, Átila partilhava o governo dos hunos com seu irmão Bleda. Atravessaram o Danúbio, atacando o que surgisse e exigindo à atemorizada população romana avultadíssimos pagamentos. Nascido provavelmente em 406, subiu ao trono em 433, devido à morte de seu tio Rua, partilhando-o durante alguns anos com o irmão, a quem mandou matar em 445 d.C para tornar-se o único rei do seu povo. Na época da coroação, seu reino já se estendia por um vasto território cujos limites eram o Volga, o Danúbio, o mar do Norte, o Reno e os Alpes.

Após ter matado o irmão, Átila tomou sozinho o domínio de seu povo. Era um adversário manhoso, extremamente habilidoso, igualmente hábil para negociar e se servir do terror para alcançar o que pretendia, e dono de notável intuição quanto às ações militares, tornou-se um conquistador vitorioso, condição da qual se vangloriava afirmando que “A grama não volta a crescer onde o meu cavalo pisa”. Ainda no início de seu reinado, em 434, Honória, neta de Teodósio II, imperador romano do Oriente, estava sujeita a regime severo devido a uma intriga amorosa (segundo diz-se, seria mantida em um convento de freiras, que outrora era um templo dedicado à deusa Vesta), e por isso enviou seu anel ao rei dos hunos, pedindo-lhe que se tornasse seu esposo e libertador. O casamento não se realizou, mas o fato serviu de pretexto a Átila para enviar sucessivas embaixadas e apresentar continuadas exigências aos imperadores do Ocidente e do Oriente. Como Teodósio implorasse a paz, o huno lhe exigiu pesado tributo e a cessão de um vasto território ao sul do Danúbio, mas Marciano, que desposara Pulquéria, irmã do imperador romano, e o sucedera no trono, recusou-se a efetuar esse pagamento, razão pela qual Átila se voltou contra Valentiniano III, imperador romano do Ocidente, exigindo-lhe metade dos seus domínios como dote de Honória.

Por isso, na primavera de 451 ele aliou-se aos vândalos, povo germânico que habitava a região entre o Oder e o Vistula, e conduziu em direção ao Reno um imenso exército que atravessou aquele rio e saqueou a maioria das cidades da Gália Belga. Dando continuidade ao seu avanço, os invasores logo a seguir alcançaram o Loire e assediaram Orleans, cujos habitantes, liderados por Aniano, bispo local, defenderam heroicamente a cidade. Apesar da bravura e estoicismo dos seus defensores, ela já estava a ponto de ser invadida quando apareceu em seu socorro o exército formado pelos soldados do general romano Aécius, e de Teodorico, rei dos visigodos, o que obrigou Átila a deslocar suas tropas para o nordeste, fazendo alto nas planícies perto de Troyes. A batalha que se seguiu, em Châlons-sur-le-Marne, durou todo o dia, provocando uma terrível carnificina. Ao seu final, o rei visigodo estava morto, mas os godos e os romanos tinham vencido o confronto, o que forçou Átila e seus homens a se retirarem em direção ao rio Reno, transpô-lo e dali prosseguindo na jornada de retorno para as suas terras às margens do Danúbio.


A principal fonte de informação sobre Átila vem de Prisco, um historiador que viajou com Maximino em uma delegação de do imperador bizantino Teodósio II, em 448 d.C. Descreve o povoado construído pelos nômades hunos, e no qual se haviam estabelecido, como do tamanho de uma cidade grande, com sólidos muros de madeira. Ao próprio Átila, Prisco o retrata assim:

"Baixo de estatura, de peito largo e cabeça grande; seus olhos eram pequenos, sua barba fina e salpicada de fios brancos; e tinha o nariz chato e a pele morena, mostrando a evidência de sua origem."

A aparência física de Átila devia ser muito provavelmente, a de alguém do Extremo oriente ou do tipo mongol, ou talvez uma mistura deste tipo e daquele dos povos turcos da Ásia Central. Apresentava decerto nas faces as cicatrizes dos golpes habitualmente feitos nos meninos hunos ao nascer. Em realidade, seguramente mostrava traços do oriente asiático, que os europeus não estavam acostumados a ver, e por isso o descreveram com freqüência em termos pouco elogiosos. Todavia, diferem imensamente das características que o cinema já esboçou sobre o temível “Rei dos Hunos”, já personificado nas telas por Jack Palance e Gerard Butler, ambos bem altos, sendo que o segundo tem olhos azuis.


Átila nunca tentou instalar uma capital permanente, em vez dela, um rústico quartel general numa aldeia da planície húngara. A sua residência era uma grande casa de troncos polidos, generosamente decorada com peles e couros.

A política de Átila não era conquistar, mas exaurir o poder romano através de negociações e do pagamento de tributos. No auge do Poder, o chefe huno tinha sob o seu domínio uma vasta área que compreendia as atuais Áustria, Hungria, Romênia, e Sul da Rússia. Por razões que ainda intrigam historiadores, Átila decidiu finalmente invadir o Império Ocidental. Forçou facilmente o caminho para a Gália, mas em 451 d.C, foi detido pelo General Aécio, enviado por Valentiniano III para conter os invasores mongóis.


Decorrido um ano, o chefe huno invadia a Itália, mas o sério desgaste das forças, a fome e a peste começavam a castigar o seu exército. Inconformado e desejando vingar-se da primeira e única derrota sofrida em toda a sua vida, Átila tratou de reorganizar seu exército, e na primavera do ano seguinte, voltou a dirigi-lo contra a Itália, devastando com fúria incontrolável o norte daquele país, queimando ou pilhando muitas cidades da região, até que a epidemia de peste que se abatia sobre o território italiano o fez encerrar a campanha militar e prudentemente atravessar os Alpes na viagem de regresso, mas deixando claro que tornaria a invadir o país caso não recebesse a devida compensação financeira pela não realização de seu matrimônio com Honória.

Porém, uma outra versão para esse episódio diz que a retirada foi decidida em atenção aos reiterados pedidos feitos pelo papa Leão I e emissários imperiais, que o convenceram a desistir do ataque à capital do império do Ocidente. Seja como for, Em 452, o Papa Leão, com uma promessa de Tributo, conseguiu retroceder o Flagelo de Deus. Leão era bem conhecido por sua coragem pessoal, e foi enviado a negociar com o conquistador oriental, conhecido como implacável. Segundo se conta, Leão foi com uma pequena delegação não armada falar com Átila, convencendo-o a se retirar, aceitando um tributo anual.

Depois de voltar para seu acampamento da Panônia, Átila casou-se no ano seguinte, em 453 d.C, com uma cativa de nome Hilda, sendo encontrado morto no dia seguinte ao da realização das núpcias, vitimado, provavelmente, por uma hemorragia cerebral, ou morto em conseqüência da ruptura de uma artéria durante a noite de núpcias. Seus coveiros foram assassinados, para que nunca revelassem onde tinham sido sepultados seu corpo e os seus tesouros.


Que realizara Átila? Nem formara um Estado mongol, nem conseguira destruir o Poder do Império de Roma. Mas atrasara a queda do Império, pois a invasão das suas hordas tinha obrigado os romanos e os godos a um certo tipo de paz. Com a morte de seu chefe, os hunos se se retiraram para as planícies russas. As tribos germânicas estavam agora livres para agir, e a invasão do Império, em grande escala, era inevitável.


Por Paulo Néry

2 comentários:

Gyant Ruschel disse...

Olá, sou Gian, estava no google procurando blogs que tratam de assuntos como o seu. Gostei do post sobre o Átila. Postei no meu blog um post sobre o Arco Huno. É um post mais aprofundado no assunta da arma usada pelos hunos mesmo. Adoro a história do Átila.
Teu blog mt bom. Comenta no meu também no tópico do arco huno.
http://guerrasdevaneiosrock.blogspot.com/

Marina disse...

Olá, a historia e muito interesante, mas pelas pesquisas que fiz. A historia contada como Atila o Barbaro e uma versao herdada da historia romanica. Na realidade, a historia contada nos países que antes formavam o Imperio Huno (que acho que por isso é a verídica), Atíla nao matou o irmao e governarao juntos até amorte deste. E a chamada Hilda em hungaro se chamava Ildiko e era uma princesa de uma tribo alema, que sim se cree que tratou de matar a ele, posto que ele morre na noite de nupcias. Mas ela era segunda esposa. Por que antes ele foi casado nao con honoria, e teve 3 filhos, o mais novo dos quais "Arpad" era o mais querido e dessa linhagem vem as tribos magyares de Hungria, algumas de Bulgaria e Romania.