Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Xamanismo



O xamanismo é uma filosofia de vida muito antiga, que visa o reencontro do homem com os ensinamentos e fluxos da natureza bem como com o seu próprio mundo interior.
A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje, como uma forma única para descrever as práticas no mundo todo. Ou seja: As práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade. Não pode haver fronteiras.

As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Na África, entre os povos arborígenes da Austrália, entre os Esquimós, na Indonésia, Malásia, Senegal, Patagónia, Sibéria, Bali, Velha Inglaterra e ao redor da Europa, no Tibet onde o xamanismo Bon segue a linha do Budismo Tibetano, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão ainda presentes nas grandes religiões.



Sua origem não tem raízes históricas ou geográficas, na realidade é um conjunto de ensinamentos milenares que, através da tradição de tribos indígenas do mundo todo, foram sendo passados até os dias de hoje.

Esses ensinamentos são baseados na observação da natureza e seus sinais: Sol, Lua, Terra, Água, Fogo, Ar, Animais, Plantas, Vento, Ciclos, etc...

No xamanismo existe uma camada vibratória que, quando acessada, permite a entrada num campo onde podemos nos comunicar com todos os tipos de criaturas sejam elementais, pedras, plantas animais e etc. Essa comunicação é não verbal, é simbólica, telepática.

Fazer magia natural, é poder acessar esse campo, e a condição para tal é estar em harmonia com todas as manifestações da natureza, saber honrar a cada ser, cada entidade, cada espírito elemental e principalmente, clareza de intenções.



Atualmente várias pessoas relatam o contato com gnomos, fadas, silfos, outros expõem seus corpos ao contato direto com o fogo sem sofrer queimaduras, enfim o tema não é novo para os buscadores atuais.

Uma boa parte dos nativos americanos se conectam com elementos através dos Clãs:
Da Tartaruga, representando o Elemento Terra; do Sapo, representando o Elemento Água; do Pássaro Trovão ou do Falcão, representando o Elemento Fogo e da Borboleta, representando o elemento Ar.



Cada Elemento tem seus próprios talentos, e os colocam ao serviço da Mãe-Terra e do Universo.

Nos rituais da Umbanda e do Candomblé também são reconhecidos e manifestados através dos Poderoso Espíritos da Natureza, os Orixás.

Na Mitologia Grega, cada Deus era responsável por uma manifestação da Natureza.
O mundo real era considerado como o resultado de uma situação em que nenhuma das forças era vencedora.

Os quatro elementos, sempre presentes em qualquer corpo, apareciam combinados parcialmente podendo então representar as situações naturais que ocorrem na natureza, como rios, vulcões e outros que tais.
Por exemplo, considerava-se que o osso era composto de duas partes de terra, duas de água e quatro de fogo.

Um aspecto interessante da teoria da matéria é que nada é criado e nada é destruido mas tudo se transforma dependendo da relação uns com os outros dos quatro elementos básicos constituintes.



Esta idéia de conservação da matéria só voltou a ser afirmada por Lavoisier cerca de dois mil e duzentos anos mais tarde com o aparecimento da química.
O filósofo e fisiolologista Empedocles (490a.C.-430 a.C) considerava que a matéria era conbsituida por esses quatro elementos e podiam ser submetidas ao amor, para uní-los e a discordia, para separá-los.

O alquimista Francis Barret dizia que os quatro elementos, formam a base original de todas as coisas, compondo o corpo não por aglutinação, mas por transformação e união:
Os elementos podem ser transformados um no outro. Se a Terra é por demais irrigada, dissolve-se transformando-se em líquido ( Água ).

A Água endurecida e condensada transforma-se em Terra. Quando a água é evaporada por aquecimento, transforma-se em Ar. Se a água é queimada, transforma-se em Fogo.
O Fogo quando se apaga vira Terra, e assim vai seguindo, nada perdendo e sim se transformando.



Atualmente o xamanismo pode ser dividido em duas escolas: O xamanismo tradicional, que segue as tradições nativas e o neo-xamanismo, que adapta a essência, com práticas terapêuticas, numa realidade urbana etc.
O xamanismo cobre práticas de cura de ancestrais primitivos e indígenas, ao redor do mundo.

Atualmente, muitos xamãs, inclusive no Peru, rezam para Cristo, e aceitam que Jesus foi um Xamã Iluminado.

Podemos, numa abordagem mais abrangente dizer que a Doutrina Santo Daime é um xamanismo cristão, assim como o são a Native American Church nos EUA, a Umbanda , a União do Vegetal, a Barquinha, o Catimbó, os cerimoniais com cogumelos de Maria Sabina, e outros. Existem traços do xamanismo em todas as religiões: no Budismo Tibetano, no Judaísmo, no Tantrismo, no Cristianismo. Isso torna muito desafiante a tarefa de separar o que é e o que não é xamanismo, pois tudo está conectado!

Pode–se considerar o xamanismo como a verdadeira arte de viver.



Ao observarem o ciclo da natureza e suas manifestações, os antigos xamãs puderam perceber sua conexão com o todo, e se abriram para o aprendizado daquilo que realmente somos. Eles tornaram-se capazes de elevar a consciência e se relacionar com outras realidades e dimensões, assim como manter plena e perfeita harmonia com a natureza, possibilitando a total integração de seus corpos físico, mental, emocional e espiritual.

A prática do xamanismo utiliza-se do trabalho com:

Ervas, direções sagradas, rituais, jornadas xamânicas, contato com natureza e seres espirituais, ritmos, danças e movimentos corporais, elementos básicos da natureza (água, terra, ar, fogo, cristais, pedras, argila, etc...), cirurgias espirituais e técnicas de cura e purificação dos corpos físico, emocional, mental e espiritual, entre outras coisas.



O estado de consciência xamânico é a verdadeira essência do xamanismo; É fundamental, na premissa de que o xamã é tanto no passado, como no presente, o mestre da imaginação como agente de cura.

Os xamãs dizem ser capazes de entrar quando querem em um estado especial de consciência, que leva a capacidades especiais para resolver problemas.

Os rituais xamânicos, tambores, cânticos monótonos, jejuns e permanecer desperto, permitem ao xamã mergulhar em um estado semelhante ao do sonho, algo entre o sono e a vigília, em que são possíveis vívidas experiências mentais.

No estado de consciência usado na cura xamânica, empregam-se recursos mentais aos quais as pessoas hoje já não têm acesso ou não estão interessadas em usar por causa da atual confiança no pensamento consciente, racional e coerente.
No caso de problemas difíceis, em vez de voltar-se para a racionalidade, o xamã volta-se para as experiências internas para encontrar soluções, recorrendo às memórias sensoriais, bem como às abstrações e aos simbolismos.

"Ele relembra o fluxo de suas imagens subconscientes sem usar os poderes críticos ativados pela consciência, como a rede de causalidade, tempo e espaço".

O xamã, com efeito, está se ligando a um banco de dados que não se pode ser conhecido na vigília, no estado normal de consciência.



Uma descrição do estado xamânico de consciência que permita verificação externa, reprodutibilidade e seja confiável para os observadores é o mais confiável para esta geração acostumada à tecnologia científica, para compreender como a imaginação do xamã pode atuar sobre outra pessoa no diagnóstico e na cura.

Atualmente, está havendo um resgate dos conhecimentos do xamanismo a fim de aplicá-los no dia a dia, buscando elevar a consciência e alcançar novamente o equilíbrio.

O xamanismo tem como objetivos básicos:

Reconectar o ser com sua sabedoria interior, conexão com a multidimensionalidade do ser humano, ancoragem do poder pessoal, conexão com seres espirituais, limpeza dos corpos físico e sutis, limpeza e harmonização de ambientes, harmonização plena do ser, conscientização do aspecto espiritual de cada um e de sua inter-relação com a natureza e com o planeta a que pertence, ativação das habilidades de coragem, força e sabedoria para lidar com questões generalizadas , curas e prevenção de distúrbios e doenças.

O conceito básico da cura xamânica é que " Ninguém cura o outro. A cura está dentro de cada um".



Algumas bases do xamanismo:

-Conexão com a natureza e compreensão de seus ciclos:

Os xamãs baseiam-se na observação constante da natureza e de seus ciclos a fim de compreenderem a si próprios. Amam e reverenciam os espíritos da natureza reconhecendo os aspectos dos mesmos em si.

Buscam nas diferentes energias que ela oferece simbologias de suas forças interiores.



Alguns aspectos de grande foco dos xamãs:

Sol – Grande fonte de luz e energia para os habitantes da Mãe Terra. Simboliza a energia Yang, masculina.
É o símbolo da vitalidade, representando nossas vontades, desejos, nossa essência. É a magia que nos faz brilhar.

Lua – Representa o movimento e o princípio feminino. Dirige o mundo dos sonhos, da imaginação, dos fluxos, da sensibilidade e das emoções.

PlanetasCada um dos planetas tem características específicas:

Mercúrio - Energia do intelecto, indica a forma e habilidade de comunicação, idéias, maneiras de pensar, inteligência, intelectualidade, juventude.

Vênus - Rege a afetividade, relacionamentos, amor, beleza, habilidades artísticas, senso estético.

Marte - Energia de iniciativa, força, coragem, o lado guerreiro.

Júpiter - Energia de abundância, prosperidade, expansão, oportunidades, sorte, otimismo, aventuras, conhecimentos filosóficos, viagens e excessos.

Saturno - Energia de disciplina, realidade, estrutura, limitações, paciência, rigidez, cobranças, construção.

Urano - Energia da revolução, liberdade, do inesperado, imprevisível, surpresas, mudanças súbitas.

Netuno - A inspiração, o sonho, a ilusão, a compaixão, o misticismo, a fé, a espiritualidade, a intuição.

Plutão - A transformação, renascimento e renovação. É também o planeta que trabalha com a sexualidade, poder e a mente inconsciente que não controlamos.



Animais, Plantas e Minerais - Cada espécie animal tem uma sabedoria e qualidades específicas que podem ser utilizadas para várias situações. O trabalho com os animais auxilia a despertar tais qualidades e características dentro de nós.

4 Elementos: Água, Terra, Fogo e Ar - Atualmente os xamãs estão trabalhando também com o 5º elemento, o Éter.

Direções sagradas:

Norte (ar), Sul (água), Leste (fogo), Oeste (terra), em cima (pai céu), em baixo (mãe terra/centro da terra) e dentro de si.



Respeito: A palavra "respeito" significa "olhar novamente", olhar além da primeira impressão e estar disposto a ver o que não está óbvio.

Nós mesmos, precisamos de respeito para limpar nossos egos. Quando estamos dispostos a olhar para uma nova luz, sem julgamento, nós adquirimos uma maior confiança e coragem em nossas vidas. Aprendemos aceitar nossas limitações e estamos dispostos a ampliar nossos horizontes e limites para viver a vida mais completamente.

Respeito para com os outros no aprendizado é fundamental. Quando estamos dispostos a ver as pessoas sob uma nova luz, damos a elas o espaço que precisam para crescer; nós não as limitamos pelas nossas expectativas ou julgamentos.

O respeito com a Mãe Terra vem do aprendizado de que nós não somos donos dela, somos sim filhos dela. Nós precisamos da terra para viver.

Para que possamos viver em harmonia, nós precisamos proteger a Terra dos efeitos da poluição, da devastação e assim por diante. Respeitar a Terra completamente, exige que respeitemos a tudo e a todos, enxergando tudo como parte integrante de nós, e logo, parte integrante de Deus.



Foco no “aqui e agora”:

O xamã está completamente focado no presente, pois as modificações realizadas no presente são capazes de alterar o passado e futuro.

Viver cada momento como sagrado, é reconhecer que todas as coisas estão interligadas numa grande Teia Cósmica.
O aprendizado é viver completamente agora mesmo: Carpe Diem! O aqui e agora é o ponto no qual o poder do xamã existe; é o único ponto do qual se pode fazer escolhas e mudar seu mundo.

Auto consciência em todos os níveis.



Ritmos: Trabalho com músicas e ritmos para levar o indivíduo a um estado elevado de consciência. Foco no hemisfério direito do cérebro.

Respiração consciente: Respirar é uma fonte de vida; sem isto, não sobreviveríamos. Quando nós respiramos conscientemente, nós sentimos o controle desta fonte de nossas próprias vidas, acalmando nossas emoções e nos fortalecendo interiormente.

Para respirarmos conscientemente é importante aprender corretamente a respirar. Você deve colocar toda sua consciência em sua respiração e nos efeitos que a respiração consciente causa em seu corpo.

Gratidão: Sentimento pleno de gratidão por todas as coisas. O sentimento de gratidão é que possibilita o fechar dos ciclos de prosperidade e recebimento, sem este sentimento o ciclo fica interrompido e a energia se perde ao invés de se renovar.



Animais de poder:

"Se você falar com os animais, eles irão falar com você. Assim, vocês conhecerão um ao outro.
Se você não falar com eles, não os conhecerá......E aquilo que você não conhece, você teme.... E aquilo que se teme, se destrói.”

(Chefe Dan George)

Os animais são vistos como arquétipos, símbolos de energias que existem e que podemos encontrar e manifestar dentro de nós.

A sabedoria existente em um animal específico, não está necessariamente ligada com sua aparência ou com os conceitos e crenças criados a respeito do mesmo pelo homem.

Cada pessoa tem seu “animal de poder” ou “totem”, que corresponde às características que aquela pessoa necessita desenvolver, aprender e manifestar em si em determinado momento de sua vida. O animal de poder é requisitado em todos os trabalhos xamânicos.



O animal de poder é que escolhe a pessoa e não o contrário. É importante não deixar que o ego interfira no seu processo de encontro com o animal de poder.
Muitas vezes a pessoa deseja que seu animal de poder seja o mais bonito ou mais forte em sua opinião, ora esses desejos do ego acabam atrapalhando a apresentação do animal que ela realmente necessita.

É importante lembrar que nenhum animal é melhor ou pior que outro.

Uma vez que se descobre o animal de poder, devemos estabelecer um relacionamento com o mesmo: Deve-se invocá-lo para realizar suas tarefas, visualizá-lo frequentemente perto e dentro de você, e buscar aprender a desenvolver e manifestar suas características.

* Lembrar que ao invocar o animal de poder, não invocamos algo que vem de fora, e sim aquele animal dentro de nós.

Apesar de todos termos um totem específico, outros animais podem se apresentar para determinada pessoa, dependendo do trabalho que a mesma está realizando.



É muito importante estarmos atentos aos sinais e mensagens que o arquétipo do animal está nos passando. Eles podem aparecer em sonhos, jornadas, no seu dia a dia, na mente, etc...

Também é importante estarmos atentos para a forma que a animal se mostra: Tamanho, estado de espírito, cor, saúde, olhar , movimento, etc...

Para aprofundarmos nas características de um animal e compreendermos a completude do que ele tem para nos dizer, é interessante estudarmos o animal real: Seu habitat, hábitos, o que come, medos, presas, sons que manifesta, etc...

O xamã pode ser homem ou mulher, e sempre há na história pessoal desse indivíduo um desafio, como uma doença física ou mental, que se configura como um chamado, uma vocação.
Depois disto há uma longa preparação, um aprendizado sobre plantas medicinais e outros métodos de cura, e sobre técnicas para atingir o estado alterado de consciência e formas de se proteger contra o descontrole.

“Oh! Não deixeis apagar a chama!
Mantida de século em século nesta escura caverna, neste templo sagrado!
Sustentada por puros ministros do amor!
Não deixeis apagar esta divina chama!”

[O Caibalion]



Por: S. L. Lima

Sábado, 24 de Maio de 2008

As Inquisições Católicas e Protestantes

Quando geralmente falamos das Inquisições, geralmente lembramos das atrocidades que a Igreja Católica cometeu ao longo da Idade Média. No entanto, o que muitos parecem ignorar, é que a Igreja Protestante também andou cometendo uma série de abusos em nome da fé. No entanto, os católicos tiveram maior notoriedade quanto ao tema.

Inquisição é o ato de inquirir, isto é, indagar, investigar, interrogar judicialmente. No caso da Santa Inquisição promovida pela Igreja Católica, significa "questionar judicialmente aqueles que, de uma forma ou de outra, se opõem aos preceitos da Eclesia Mater". Dessa forma, a Santa Inquisição, também conhecida como Santo Ofício, foi um tribunal eclesiástico criado com a finalidade "oficial" de investigar e punir os crimes contra a fé católica. Na prática, os pagãos representavam uma constante ameaça à autoridade clerical e a Inquisição era um recurso para impor à força a supremacia católica, exterminando todos que não aceitavam o cristianismo nos padrões impostos pela Igreja. Posteriormente, a Santa Inquisição passou a ser utilizada também como um meio de coação, de forma a manipular as autoridades como meio de obter vantagens políticas.
A Igreja Católica já havia tomado santuários e templos sagrados de povos pagãos, para implantar sua religiosidade e erigir suas igrejas. Nos primórdios do Catolicismo, acreditavam que os pagãos continuariam a freqüentar estes lugares sagrados para reverenciarem seus Deuses. Mas com o passar do tempo, assimilariam o cristianismo substituindo o paganismo, através da anulação.

Mesmo assim, por toda a parte, havia uma constante veneração às divindades pagãs. Ao longo dos séculos, a estratégia da Igreja Católica não funcionou, e através da Inquisição, de uma forma ensandecida, cruel, e sádica, as autoridades eclesiásticas tentaram apagar de uma vez por todas a figura da Grande Deusa Mãe, como principal divindade cultuada sobre todos os extremos da Terra. Foi, lamentavelmente, o Catolicismo medieval que transformou o culto à Grande Deusa Mãe num culto satânico, promovendo uma campanha de que a adoração dos deuses pagãos era equivalente à servidão a satã. “Santa” ignorância e estupidez. Entretanto, não foram, como veremos mais adiante, os católicos os únicos “paladinos da cristandade” em nome de Cristo.



I- INQUISIÇÃO CATÓLICA
A Caça as Bruxas

A Santa Inquisição teve seu início no ano de 1184, em Verona, com o Papa Lúcio III. Em 1198, o Papa Inocêncio III já havia liderado uma cruzada contra os albigenses (hereges do sul da França), promovendo execuções em massa. Em 1229, sob a liderança do Papa Gregório IX, no Concílio de Tolouse, foi oficialmente criada a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício. Há relatos de que em 1209 o Papa Inocêncio III teria ordenado uma Cruzada ao sul da França com o objetivo de combater os Albigenses (referente á cidade francesa de Albi) ou Cátaros, partidários de um grupo religioso austero que estaria propagando o herético Maniqueísmo persa. Inocêncio terminou vitorioso e os Albigenses esmagados. Gregório IX formou grupos de Freis dominicanos e os enviou também à França a fim de combater heresias.


Os inquisidores católicos, desde o início da Inquisição, se apresentavam como inquiridores da situação local de uma comunidade e também como autoridades que podiam perdoar ou condenar os acusados de trazer heresias para dentro dos domínios da Roma papal (que na Idade Média incluía vastas regiões do continente europeu).

A Inquisição papal era semelhante em muitos aspectos a um tribunal perante o qual comparecem os acusados de terem praticado algum crime ou delito. O problema é que as investigações conduzidas pelas autoridades do clero romano eram cercadas de segredos e de mistérios, a ponto de um acusado não poder ter sequer seu nome revelado a algum defensor.
Em 1252, o Papa Inocêncio IV publicou o documento intitulado Ad Exstirpanda, que foi fundamental na execução do plano de exterminar os hereges. O Ad Exstirpanda foi renovado e reforçado por vários papas nos anos seguintes. Em 1320, a Igreja (a pedido do Papa João XXII) declarou oficialmente que a Bruxaria, e a Antiga Religião dos pagãos constituíam um movimento e uma "ameaça hostil" ao cristianismo.

Os inquisidores, cidadãos encarregados de investigar e denunciar os hereges, eram doutores em Teologia, Direito Canônico e Civil. Inquisidores e informantes eram muito bem pagos. Todos os que testemunhassem contra uma pessoa supostamente herege, recebiam uma parte de suas propriedades e riquezas, caso a vítima fosse condenada.



Os inquisidores deveriam ter no mínimo 40 anos de idade. Sua autoridade era outorgada pelo Papa através de uma bula, que também podia incumbir o poder de nomear os inquisidores a um Cardeal representante, bem como a padres e frades franciscanos e dominicanos. As autoridades civis, sob a ameaça de excomunhão em caso de recusa, eram ordenadas a queimar os hereges. Camponeses eram incentivados (ludibriados com a promessa de ascenderem ao reino divino ou através de recompensas financeras) a cooperarem com os inquisidores. A caça às Bruxas tornou-se muito lucrativa.

Geralmente as vítimas não conheciam seus acusadores, que podiam ser homens, mulheres e até crianças. O processo de acusação, julgamento e execução era rápido, sem formalidades, sem direito à defesa. Ao réu, a única alternativa era confessar e retratar-se, renunciar sua fé e aceitar o domínio e a autoridade da Igreja Católica. Os direitos de liberdade e de livre escolha não eram respeitados. Os acusados eram feitos prisioneiros e, sob tortura, obrigados a confessarem sua condição herética. As mulheres, que eram a maioria, comumente eram vítimas de estupro. A execução era realizada, geralmente, em praça pública sob os olhos de todos os moradores. Punir publicamente era uma forma de coagir e intimidar a população. A vítima podia ser enforcada, decapitada, ou, na maioria das vezes, condenada a fogueira.

A fogueira da Inquisição na Idade Média era a mais severa de todas as penas impostas pelo clero de Roma aos hereges, havia ainda as penas de penitência, multa, confisco de bens e prisão. As negociatas, os subornos, as suspeitas e as chantagens eram práticas comuns que cresciam juntamente com os tribunais da Inquisição. Não é difícil de se imaginar a freqüência com que provas eram forjadas, falsos testemunhos levantados e pessoas injustamente incriminadas pela ambição de religiosos e de leigos pelo domínio e pelo poder. A Inquisição teve atuação destacada no sul da França, no norte da Itália e na Alemanha.

Em 1542, Paulo III estabeleceu a Congregação da Inquisição (ou do Santo Ofício) e esta ficou conhecida como a Inquisição Romana. Esta instituição foi estabelecida por Roma com o declarado objetivo de perseguir e combater os Protestantes. Esta instituição ficou mais conhecida pela condenação imposta a Galileu Galilei. Em 1965 a Inquisição Romana mudou de nome e é hoje conhecida por Congregação para a Doutrina da Fé.

A Inquisição Espanhola

Em 1478 os reis católicos Fernando e Isabel tomaram as rédeas da Inquisição na Espanha, assumindo o controle das ações da Inquisição. A Inquisição Espanhola foi organizada com fins a perseguir os judeus e os muçulmanos que fossem “não sinceros” em sua conversão ao Cristianismo. O Papa Sixtus IV, segundo autores, se limitava a nomear o inquisidor geral.


Foi durante o período da Inquisição Espanhola que passou à notoriedade o inquisidor Tomás de Torquemada (1420-98), um dominicano e confessor particular do Rei Fernando II e Isabel I. Em 1483 Torquemada foi nomeado o inquisidor oficial de Castela e Aragão, tendo sido Torquemada um forte perseguidor dos judeus. Sua fama se deu sobretudo pelas crueldades que utilizava em seus métodos e meios ao atuar na Inquisição romana-espanhola.

Malleus Malerficarum

Em 1486 foi publicado um livro chamado Malleus Maleficarum (Martelo das Bruxas) escrito por dois monges dominicanos, Heinrich Kramer e James Sprenger. O Malleus Maleficarum é uma espécie de manual que ensina os inquisidores a reconhecerem as bruxas e seus disfarces, além de identificar seus supostos malefícios, investigá-las e condená-las legalmente. Além disso, também continha instruções detalhadas de como torturar os acusados de bruxaria para que confessassem seus supostos crimes, e uma série de formalidades para a execução dos condenados. Ainda, o tratado afirmava que as mulheres deveriam ser as mais visadas, pois são naturalmente propensas à feitiçaria. O livro foi amplamente usado por supostos "caçadores de bruxas" como uma forma de legitimar suas práticas.


Alguns itens contidos no Malleus Maleficarum que tornavam as pessoas vulneráveis à ação da Santa Inquisição:


· Difamação notória por várias pessoas que afirmassem ser o acusado um Bruxo.
· Se um Bruxo desse testemunho de que o acusado também era Bruxo.
· Se o suspeito fosse filho, irmão, servo, amigo, vizinho ou antigo companheiro de um Bruxo.
· Se fosse encontrada a suposta marca do Diabo no suspeito.


Hecatombe

Gradativamente, contando com o apoio e o interesse das monarquias européias, a carnificina se espalhou por todo o continente. Para que se tenha uma idéia, em Lavaur, em 1211, o governador foi enforcado e a esposa lançada num poço e esmagada com pedras; além de quatrocentas pessoas que foram queimadas vivas. No massacre de Merindol, quinhentas mulheres foram trancadas em um celeiro ao qual atearam fogo. Os julgamentos em Toulouse, na França, em 1335, levaram diversas pessoas à fogueira; setecentos feiticeiros foram queimados em Treves, quinhentos em Bamberg. Com exceção da Inglaterra e dos EUA, os acusados eram queimados em estacas. Na Itália e Espanha, as vítimas eram queimadas vivas. Na França, Escócia e Alemanha, usavam madeiras verdes para prolongar o sofrimento dos condenados. Ainda, a noite de 24 de agosto de 1572, que ficou conhecida como "A noite de São Bartolomeu", é considerada "a mais horrível entre as ações inquisidoras de todos os séculos". Com o consentimento do Papa Gregório XIII, foram eliminados cerca de setenta mil pessoas em apenas alguns dias.


Além da Europa, a Inquisição também fez vítimas no continente americano. Em Cuba iniciou-se em 1516 sob o comando de dom Juan de Quevedo, bispo de Cuba, que eliminou setenta e cinco hereges. Em 1692, no povoado de Salem, Nova Inglaterra (atual E.U.A.), dezenove pessoas foram enforcadas após uma histeria coletiva de acusações. No Brasil há notícias de que a Inquisição atuou no século XVIII. No período entre 1721 e 1777, cento e trinta e nove pessoas foram queimadas vivas.

No século XVIII chega ao fim as perseguições aos pagãos, sendo que a lei da Inquisição permaneceu em vigor até meados do século XX, mesmo que teoricamente. Na Escócia, a lei foi abolida em 1736, na França em 1772, e na Espanha em 1834. O pesquisador Justine Glass afirma que cerca de nove milhões de pessoas foram acusadas e mortas, entre os séculos que durou a perseguição.

Giordano Bruno - Uma Vítima Ilústre

Giordano Bruno foi um filósofo viajante, sem lar, perseguido por duas Igrejas, a Católica e a Protestante. Foi um autor produtivo, com cerca de 20 obras relevantes e revolucionárias. Nascido em 1548 e assassinado pela Inquisição em 1600, foi forçado a renegar a sua obra e os seus ideais, coisa que se recusou a fazer.

Foi uma inteligência multidisciplinar, cuja obra abrangeu da astronomia à epistemologia, passando pelas demais áreas do conhecimento humano da época.

Contestou fortemente as idéias predominantes no século 16, como o geocentrismo e o aspecto racional da fé. Ele pagou por seu brilho intelectual e seu inconformismo com a própria vida.

Giordano Bruno nasceu em 1548, cinco anos após a morte de Copérnico, na localidade de Nola, próxima ao Vesúvio, na Itália. Em 1561 ele iniciou seus estudos no Mosteiro de São Domenico, o mesmo mosteiro de São Tomás de Aquino.

Bruno, ao contrário de seus colegas, era franco, extrovertido, contestador e brilhante. Seu gênio indisciplinado impediria o prosseguimento de seus estudos no mosteiro, e futuramente lhe traria problemas sérios com a Inquisição. Também foi obrigado a deixar sua cidade natal e vagar pelo mundo.

Em 1581 Bruno chegou a Paris e começou a lecionar Filosofia. Sua reputação alcançou o Rei Henrique III, que ficou curioso com a fama de mágico e feiticeiro de Bruno, que tinha um conhecimento muito grande e uma memória fantástica, e acabou se tornando protegido de Henrique III.

Por esta época iniciou sua obra extremamente vasta e numerosa: "De Umbras Idearum" ("As Sombras das Idéias"), "Ars Memoriae" ("A Arte da Memória"), e outros. Giordano Bruno defendia, em plena época de Inquisição, que o Cristianismo era inteiramente irracional, contrário à Filosofia e em desacordo com outras religiões. Afirmava que o Cristianismo era aceito através da fé, que não tinha base científica.

Ao mesmo tempo em que escrevia outras obras filosóficas e de grande impacto, e já sendo considerado herege por católicos e protestantes, Giordano Bruno lecionou em toda a Europa, entre 1582 e 1592. Ensinava a doutrina de Copérnico, enfrentando o deboche das pessoas, acostumadas com a curta visão geocêntrica Aristóteles e Ptolomeu. No seu livro "De la Causa, Principio, et Uno" ("Da Causa, Princípio, e Unidade"), ele escrevia:

"Este globo inteiro, este astro, não sendo sujeito à morte, e a dissolução e a aniquilação sendo impossíveis na Natureza, de tempos em tempos renova a si próprio, mudando e alterando todas as suas partes. Não existe o superior e o inferior absoluto, como pensava Aristóteles; não existe posição absoluta no espaço, mas a posição de um corpo celeste é relativa à de outros. Em todo lugar há mudanças na posição através do Universo, e o observador está sempre no centro das coisas."

A par de outras obras que versavam sobre assuntos filosóficos, Giordano Bruno escreveu "O Infinito" e "O Universo e seus Mundos".

Por suas idéias revolucionárias e contrárias aos dogmas da Igreja (tanto da Católica quanto da Protestante), foi aprisionado em masmorras escuras e fétidas, entre 1593 e 1600. Forçado por diversas vezes a renegar seus escritos e suas idéias, permaneceu firme e intransigente na defesa dos mesmos.

Bruno foi julgado pela Inquisição e condenado à morte. Desafiando os juízes que o condenavam pelas suas idéias, bradou: "Talvez vocês, meus juízes, pronunciem esta sentença contra mim com maior medo do que eu a recebo".

Recebeu mais oito dias para se "arrepender", o que obviamente não fez. Em 17 de fevereiro de 1600, após ser colocado na estaca, enquanto estava morrendo queimado, recebeu um crucifixo para se "purificar", mas jogou-o longe, com um desprezo feroz.

Seus trabalhos foram incluídos no famigerado "Santo Index" (lista de livros considerados sacrílegos pela Igreja Católica, e proibidos de serem lidos) em 7 de agosto de 1603.

O Pedido de Perdão do Papa João Paulo II


Precisou, séculos depois, um chefe da Igreja Romana reconhecer(?) os “erros” que a Igreja Católica cometeu com as atrocidades da Inquisição. Assim o fez o Papa João Paulo II, que sentou no trono de São Pedro entre 1978 a 2005. A Inquisição é um capítulo doloroso do qual os católicos devem se arrepender", afirmou João Paulo II no primeiro ano de seu pontificado, em 1978, como que antecipando o revisionismo que se seguiria.


O primeiro alvo direto foi o obscurantismo científico: ele redimiu o italiano Galileu Galilei e o polonês Nicolau Copérnico, que derrubaram a cosmologia cristã ao descobrir que a Terra não se achava no centro do universo. "Galileu, fiel e sincero, mostrou-se mais perspicaz do que seus adversários teólogos", disse. Reabilitou também o inglês Charles Darwin, pai da teoria de que o homem é parente longínquo do macaco – e, portanto, não descende dos personagens bíblicos Adão e Eva. "Hoje, os novos conhecimentos e as descobertas obtidas em várias disciplinas nos levam a reconhecer na teoria da evolução mais que uma hipótese", afirmou. Depois de admitir que os "hereges" estavam certos, o papa publicou em 1998 a encíclica Fides et Ratio, que procura conciliar fé e razão e é considerada pelos teólogos uma espécie de testamento intelectual do pontífice.

Fora do âmbito da ciência, João Paulo II pediu desculpas pelo fato de a Igreja Católica ter compactuado com a escravização de africanos e índios, e por não ter tido um papel mais efetivo na luta contra o nazismo. Foram, ao todo, mais de 100 pedidos de desculpas. O auge da expiação ocorreu na missa que deu início à Quaresma do ano 2000. "Perdoamos e pedimos para ser perdoados", proclamou João Paulo II na Basílica de São Pedro, passando em seguida a listar os atos a ser perdoados – entre eles, pecados contra a unidade cristã (perseguição a protestantes e ortodoxos), uso da violência "a serviço da verdade" (cruzadas e Inquisição) e a marginalização das mulheres.

A formulação de cada um desses pedidos de desculpas é um atestado da habilidade do papa de propalar humildade sem perder a majestade – de todas as ações condenáveis, a Igreja sai incólume em sua divindade e infalibilidade. "O pecado é sempre pessoal, ainda que machuque a Igreja como um todo", esclarece o documento "Memória e Reconciliação: a Igreja e as Culpas do Passado", divulgado pelo Vaticano dias depois do mea-culpa papal de 2000. O objetivo da expiação de pecados cometidos em nome do catolicismo ao longo de dois milênios foi o de "conhecer-nos a nós mesmos e nos abrirmos à purificação das memórias e à verdadeira renovação", corroborou o todo-poderoso cardeal alemão Joseph Ratzinger (hoje o Papa Bento XVI, e então braço direito de João Paulo II e Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé) chefe da comissão que elaborou o documento. Para conciliar desculpas com não-culpa, o papa raramente foi direto na expiação.

Em vez disso, usou de eufemismos e individualizou pecados. "Pediu perdão na voz passiva", como definiu em um artigo a revista americana U.S. News & World Report. Às vítimas do holocausto, João Paulo II expressou em 1998 o arrependimento de que os cristãos não tivessem mostrado a necessária "resistência espiritual" diante da perseguição nazista. Aos povos nativos das Américas, pediu desculpas pelos "desatinos" dos missionários. Às outras religiões cristãs, "perdão, em nome de todos os católicos, pelos erros causados a não-católicos ao longo da história". Sobre as mulheres, admitiu que "não poucos" membros do clero foram culpados de discriminação, "pelo que ofereço sinceras escusas".


Será tendência, doravante, a Igreja Católica pedir desculpas por todos os “santos erros” ao longo da História da Humanidade?


II- A INQUISIÇÃO PROTESTANTE.


A Fundação do Protestantismo, por Martinho Lutero (1483-1546), parecia prometer uma diferenciação da Igreja para qual protestava, daí o nome “protestante”. Inicialmente, pareciam mesmo quererem se distinguirem na diferença entre os católicos, como os “paladinos da liberdade de opinião, contra a opressão de Roma”. Entretanto, a História registra que os protestantes era tão intolerantes quanto os católicos, e combatiam a intolerância católica com igual intolerância a sua revelia. Um exemplo disso é que nos países católicos, eles clamavam pela liberdade religiosa, mas eram capazes de invadirem igrejas e suspenderem rapidamente a celebração da missa, destruíam imagens sacras para o catolicismo, como as esculturas de santos, e obrigavam os fies católicos a assistirem, por lei, os cultos reformados. Também assassinaram muitos religiosos, bispos e sacerdotes católicos.




Entretanto, fica a questão: importa saber quem foi mais radical nas perseguições entre um e outro?

Fica o registro de alguns exemplos de perseguições por parte dos protestantes.

- Registre-se o massacre dos monges da Abadia de São Bernardo de Brémen, no séc. XVI: os monges foram assassinados ou desfolados, atirando-lhes sal na carne viva, sendo a seguir pendurados no campanário por bandos protestantes.

- Seis monges cartuxos e o bispo de Rochester, na Inglaterra protestante, foram enforcados em 1535.

- Henrique VIII mandou queimar milhares de católicos e anabatistas no séc. XVI (mas foi sua filha católica, Maria, que acabou recebendo o título de "Maria, a sanguinária"!).

- João Servet, o descobridor da circulação do sangue, foi queimado em Genebra, por ordem de Calvino (porém, é comum se recordar apenas do "caso Galileu Galillei, o qual NÃO foi justiçado!).

- Quando Henrique VIII iniciou a perseguição protestante contra os católicos, existiam mais de 1.000 (mil) monges dominicanos na Irlanda, dos quais apenas 02 (DOIS) sobreviveram à perseguição.

- Na época da imperadora protestante Isabel, cerca de 800 (oitocentos) católicos eram assassinados por ano.


- O historiador protestante Henry Hallam afirma: "A tortura e a execução dos jesuítas no reinado de Isabel Tudor foram caracterizadas pela selvageria e o dano [físico]".

- Um ato do Parlamento inglês decretou, em 1652, que: "Cada sacerdote romano deve ser pendurado, decapitado e esquartejado; a seguir, deve ser queimado e sua cabeça exposta em um poste em local público".

- Na Alemanha luterana, os anabatistas eram cozidos em sacos e atirados nos rios.

- Na Escócia presbiteriana de John Fox, durante um período de seis anos, foram queimadas mais de 1.000 (mil) mulheres acusadas de feitiçaria.

- Nas cidades conquistadas pelo "Protestantismo", os católicos tinham que abandoná-las, deixando nelas todas as suas posses ou então converter-se ao Protestantismo; se fossem descobertos celebrando a Missa, eram apenados com a morte.

É um mito a afirmação de que a prática da tortura foi uma arma católica na Inquisição. Janssen, um escritor desse período, cita uma testemunha que afirma:

"O teólogo protestante Meyfart descreve a tortura que ele mesmo presenciou: 'Um espanhol e um italiano foram os que sofreram esta bestialidade e brutalidade. Nos países católicos não se condena um assassino, um incestuoso ou um adúltero a mais de uma hora de tortura. Porém, na Alemanha [protestante] a tortura é mantida por um dia e uma noite inteira; às vezes, até por dois dias (...); outras vezes, até por quatro dias e, após isto, é novamente iniciada (...) Esta é uma história exata e horrível, que não pude presenciar sem também me estremecer".

O mesmo Janssem nos fornece este outro dado:

"Em Augsburgo, na Alemanha, no ano 1528, cerca de 170 anabatistas de ambos os sexos foram aprisionados por ordem do Poder Público. Muitos deles foram queimados vivos; outros foram marcados com ferro em brasa nas bochechas ou suas línguas foram cortadas. [Ainda] em Augsburgo, no dia 18 de janeiro de 1537, o Conselho Municipal publicou um decreto em que se proibia o culto católico e se estabelecia o prazo de 8 dias para que os católicos abandonassem a cidade; ao término desse prazo, soldados passaram a perseguir os que não aceitaram a nova fé. Igrejas e mosteiros foram profanados, derrubando-lhes as imagens e os altares; o patrimônio artístico-cultural foi saqueado, queimado e destruído".

-Frankfurt, também na Alemanha, emitiu uma lei semelhante e a total suspensão do culto católico foi estendida a todos os estados alemães.

- Em 1530, em seus "Comentários ao Salmo 80", Lutero aconselhava aos governantes que aplicassem a pena de morte a todos os hereges.

- No distrito de Thorgau (Suiça), um missionário zwingliano, liderando um bando protestante, saqueou, massacrou e destruiu o mosteiro local, inclusive a sua biblioteca e o acervo artístico-cultural.


- Erasmo de Roterdan ficou aterrorizado ao ver fiéis piedosos excitados por seus pregadores protestantes: "[Eles] saem da igreja como possessos [do demônio], com a ira e a raiva pintadas no rosto, como guerreiros animados por um general". O mesmo Erasmo comenta em uma carta que escreveu para Pirkheimer: "Os ferreiros e operários arrancaram as pinturas das igrejas e lançaram insultos contra as imagens dos santos e até mesmo contra o crucifixo (...) Não restou nenhuma imagem nas igrejas nem nos mosteiros (...) Tudo o que podia ser queimado foi lançado ao fogo e o restante foi reduzido a cacos. Nada se salvou".

Assim, o Protestantismo destruiu parte do patrimônio cultural europeu, que era protegido e aumentado pelos monges e fiéis católicos.

- Na Zurique protestante, foi ordenada a retirada de todas as imagens religiosas, relíquias e enfeites das igrejas; até mesmo os órgãos foram supressos. A catedral ficou vazia como continua até hoje. Os católicos foram proibidos de ocupar cargos públicos; a assistência à Missa era castigada com uma multa na primeira vez e com penas mais severas nas reincidências.

- Em Leifein, no dia 4 de abril de 1525, 3.000 camponeses liderados por um ex-sacerdote [católico] tomaram a cidade, saquearam a igreja, assassinaram os católicos e realizaram sacrilégios sobre o altar, profanando os sacramentos de uma forma inenarrável.

- Um fato que pareceria nunca ter ocorrido - se não tivesse sido tão bem documentado - foi o "Saque de Roma". Até mesmo muitos católicos não sabem que tal fato aconteceu.


O que foi o Saque de Roma?

O Saque de Roma foi um dos episódios mais sangrentos do Renascimento. No dia 6 de maio de 1527, os membros das legiões luteranas do exército imperial de Carlos V promoveram um levante e tomaram de assalto a cidade de Roma. Cerca de 18.000 lansquenetes foram lançadas durante semanas contra a pior das repressões, ocasionando um rio de sangue costumeiramente "esquecido" pelos historiadores, que não lhe prestam a devida atenção. Um texto veneziano [contemporâneo] afirma sobre este saque que: "o inferno não é nada quando comparado com a visão da Roma atual". Os soldados luteranos nomearam Lutero "papa de Roma".

Tem mais:

- Todos os doentes do Hospital do Espírito Santo foram massacrados em seus leitos.- Dos 55.000 habitantes de Roma, sobreviveram apenas 19.000.

- O resgate foi da ordem de 10 milhões de ducados (uma soma astronômica naquela época).- Os palácios foram destruídos por tiros de canhões com os seus habitantes dentro.

- Os crânios dos Apóstolos São João e Santo André serviram para os jogos esportivos das tropas.

-O Rio Tibre carregou centenas de cadáveres de religiosas, leigas e crianças violentadas (muitas com lanças incrustadas em seu sexo).

- As igrejas, inclusive a Basílica de São Pedro, foram convertidas em estábulos e missas profanas com prostitutas divertiam a soldadesca.

- Gregóribo afirma a respeito: "Alguns soldados embriagados colocaram ornamentos sacerdotais em um asno e obrigaram a um sacerdote a conferir-lhe a comunhão. O pobre sacerdote engoliu a forma e seus algozes o mataram mediante terríveis tormentos".

- Conta o Pe. Mexia: "Depois disso, sem diferenciar o sagrado e o profano, toda a cidade foi roubada e saqueada, inexistindo qualquer casa ou templo que não foi roubado ou algum homem que não foi preso e solto apenas após o resgate".

- Erasmo de Roterdan escreve sobre este episódio: "Roma não era apenas a fortaleza da religião cristã, a sustentadora dos espíritos nobres e o mais sereno refúgio das musas; era também a mãe de todos os povos. Isto porque, para muitos, Roma era a mais querida, a mais doce, a mais benfeitora do que até seus próprios países. Na verdade, o saque de Roma não foi apenas a queda desta cidade, mas também de todo o mundo".

Vejamos agora a opinião dos "Grandes Reformadores Protestantes" sobre o emprego da violência:

Uma das bases da Reforma Protestante - a doutrina das indulgências - foi mal interpretada pelos reformadores ou pelo povo que não tinha formação religiosa (basta fazer um estudo sincero e imparcial).


No ano de 1518, o Papa Leão X emitiu uma Bula Pontifícia em que esclarecia a doutrina das indulgências e o seu uso. Nesta bula eram rejeitados muitos dos méritos que atribuíam às indulgências. As indulgências NÃO perdoavam os pecados nem as culpas, mas apenas as penitências terrenas que a Igreja (não um governante secular) havia imposto. Quanto a livrar as almas do Purgatório, o poder do Papa se limitava às oraçães em que suplicava a Deus que aplicasse à alma de certo defunto o excedente dos méritos de Cristo e dos Santos ("A Reforma na Alemanha", Will Durant).

De nada adiantou tal bula, pois a Reforma seguiu o seu curso. A maneira de pensar dos Reformadores foi extremamente violenta e, muitas vezes, uma verdadeira apologia ao crime. Com efeito, em 1520, vemos Lutero escrever em sua "Epitome":

"Se Roma assim crê e ensina, conforme os papas e cardeais, francamente declaro que o verdadeiro anticristo encontra-se entronizado no templo de Deus e governa em Roma (a empurpurada Babilônia), sendo a Cúria a sinagoga de Satanás (...) Se a fúria dos romanistas não cessar, não restará outro remédio senão os imperadores, reis e príncipes reunidos com forças e armas atacarem a essa praga mundial, resolvendo o assunto não mais com palavras, mas com a espada (...) Se castigamos os ladrões com a forca, os assaltantes com a espada, OS HEREGES COM A FOGUEIRA, por que não atacamos com armas, com maior razão, a esses mestres da perdição, a esses cardeais, a esses papas, a todo esse ápice da Sodoma romana, que tem perpetuamente corrompido a Igreja de Deus, lavando assim as nossas mãos em seu sangue?"


Em um folheto intitulado "Contra a Falsamente Chamada Ordem Espiritual do Papa e dos Bispos", de julho de 1522, disse:

"Seria melhor que se assassinassem todos os bispos e se arrasassem todas as fundações e claustros para que não se destruísse uma só alma, para não falar já de todas as almas perdidas para salvar os seus indignos fraudadores e idólatras. Que utilidade tem os que assim vivem na luxúria, alimentando-se com o suor e o sangue dos demais?"

Em seu folheto "Contra a Horda dos Camponeses que Roubam e Assassinam", Lutero dizia aos príncipes:

"Empunhai rapidamente a espada, pois um príncipe ou senhor deve lembrar neste caso que é ministro de Deus e servidor da Sua ira (Romanos 13) e que recebeu a espada para empregá-la contra tais homens (...) Se pode castigar e não o faz - mesmo que o castigo consista em tirar a vida e derramar sangue - é culpável de todos os assassinatos e todo o mal que esses homens cometerem".

Em julho de 1525, Lutero escrevia em sua "Carta Aberta sobre o Livro contra os Camponeses":

"Se acreditam que esta resposta é demasiadamente dura e que seu único fim e fazer-vos calar pela violência, respondo que isto é verdade. Um rebelde não merece ser contestado pela razão porque não a aceita. Aquele que não quer escutar a Palavra de Deus, que lhe fala com bondade, deve ouvir o algoz quando este chega com o seu machado (...) Não quero ouvir nem saber nada sobre misericórdia".

Sobre os judeus, assim dizia em suas famosas "Cartas sobre a Mesa":

"Quem puder que atire-lhes enxofre e alcatrão; se alguém puder lançá-los no fogo do inferno, tanto que melhor (...) E isto deve ser feito em honra de Nosso Senhor e do Cristianismo. Sejam suas casas despedaçadas e destruídas (...) Sejam-lhes confiscados seus livros de orações e talmudes, bem como toda a sua Bíblia. Proíba-se seus rabinos de ensinar, sob pena de morte, de agora em diante. E se tudo isso for pouco, que sejam expulsos do país como cães raivosos".

Willibald Pirkheimer afirmou, em 1529, sobre a Reforma:

Não nego que no princípio todas as atitudes de Lutero não pareciam ser vãs, pois a nenhum homem comprazia todos aqueles erros e imposturas que foram graduamente acumulados no Cristianismo. Por isso eu esperava, junto com outros, que era possível aplicar algum remédio a tão grandes males; porém, fui cruelmente enganado, pois antes que se extirpassem os erros anteriores foram introduzidos muitos outros, mais intoleráveis que, comparados com os outros, faziam estes parecer jogos de crianças (...) As coisas chegaram a tal ponto que os defensores papistas parecem virtuosos quando comparados com os evangélicos (...) Lutero, com sua língua despudorada e incontrolável, deve ter enlouquecido ou ser inspirado por algum espírito maligno".

Calvino também não foi um exemplo de caridade, como vemos em seus "Institutos":
"Pessoas que persistem nas superstições do anticristo romano devem ser reprimidas pela espada".

Em 1547, James Gruet se atreveu a publicar uma nota criticando Calvino e foi preso, torturado no potro duas vezes por dia durante um mês e, finalmente, sentenciado à morte por blasfêmia; seus pés foram pregados a uma estaca e sua cabeça foi cortada.

Os irmãos Comparet, em 1555, foram acusados de libertinagem e executados e esquartejados; seus restos mortais foram exibidos em diferentes partes de Genebra.Melanchton, o teólogo da Reforma [luterana], aceitou ser o presidente da inquisição protestante que perseguiu os anabatistas. Como justificativa, disse: "Por que precisamos ter mais piedade com essas pessoas do que Deus?", convencido de que os anabatistas arderiam [no fogo] do inferno...

A inquisição luterana foi implantada com sede na Saxônia, com Melanchton como presidente. No final de 1530, apresentou um documento em que defendia o direito de repressão à espada contra os anabatistas; e Lutero acrescentou de próprio punho uma nota em que dizia: "Isto é de meu agrado".


Zwínglio, em 1525, começou a perseguir os anabatistas de Zurique. As penas iam desde o afogamento no lago ou em rios até a fogueira.


John Knox, pai do presbiteranismo, mandou queimar na fogueira cerca de 1.000 mulheres acusadas de bruxaria na Escócia.

Acerca da Reforma [Protestante], disse Rosseau:

"A Reforma foi intolerante desde o seu berço e os seus autores são contados entre os grandes repressores da Humanidade".

Em sua obra "Filosofia Positiva", escreveu:

"A intolerância do Protestantismo certamente não foi menor do que a do Catolicismo e, com certeza, mais reprovável".

A violência não foi exercida apenas contra os católicos; na verdade, os reformadores foram enormemente violentos entre eles mesmos, como percebemos nas opiniões que emitiram entre si:

- Lutero diz: "Ecolampaio, Calvino e outros hereges semelhantes possuem demônios sobre demônios, têm corações corrompidos e bocas mentirosas".

- Por ocasião da morte de Zwínglio (1531), Lutero afirmou: "Que bom que Zwínglio morreu em campo de batalha! A que classe de triunfo e a que bem Deus conduziu os seus negócios!", e também: "Zwínglio está morto e condenado por ser ladrão, rebelde e levar outros a seguir os seus erros".


- Zwínglio não ficou atrás e dizia acerca de Lutero: "O demônio apoderou-se de Lutero de tal modo que até nos faz crer que o possui por completo. Quando é visto entre os seus seguidores, parece realmente que uma legião [de demônios] o possui".

A inquisição evangélica suspendeu sistematicamente o Catolicismo nas áreas protestantes.

- Em Zurique, na Suiça, o comparecimento aos sermões católicos implicava em penas e castigos físicos. Mesmo fora do perímetro da cidade, era proibido aos sacerdotes celebrar a Missa e, sob a ordem de "severas penas", era proibido ao povo possuir imagens e quadros religiosos em suas casas.

- Ainda em Zurique, a Missa foi prescrita em 1525. A isto, seguiu-se a queima dos mosteiros e a destruição em massa dos templos [católicos]. Os bispos de Constança, Basiléia, Lausana e Genebra foram obrigados a abandonar suas cidades e o território. Um observador contemporâneo, Willian Farel, escreveu: "Ao sermão de João Calvino na antiga igreja de São Pedro seguiu-se desordens em que se destruíram imagens, quadros e tesouros antigos das igrejas" (ou seja: novamente uma parte do patrimônio histórico-cultural da Europa foi destruído, desta vez por instigação direta ou indireta de João Calvino).

- Strasburgo, 1529: o Conselho da Cidade ordenou a destruição dos altares, imagens e cruzes, além das igrejas e conventos. O mesmo ocorreu em Franckfurt. Na convenção de Hamburgo, em abril de 1535, os concílios dos povos de Lubeck, Brémen, Hamburgo, Luneburgo, Stralsund, Rostock e Wismar decidiram pelo enforcamento dos anabatistas e açoitamento dos católicos e zwinglianos.

Inquisição Protestante Holanda Holanda:


Aqui foram as câmaras dos Estados Gerais a proibir o catolicismo. Com afã miserável tomaram posse dos bens da Igreja. Martirizaram inúmeros sacerdotes, religiosos e leigos. Fecharam igrejas e mosteiros. A fama e a marca destes fanáticos chegou até ao Brasil.

Em 1645 nos municípios de Canguaretama e São Gonçalo do Amarante ambos no atual Rio Grande do Norte cerca de 100 católicos foram mortos entre dois padres, mulheres, velhos e crianças simplesmente porque não queriam se "batizar" na religião dos invasores holandeses. Foram beatificados como mártires este ano.


Em 1570 foram enviados para o Brasil para evangelizar os índios o Pe Inácio de Azevedo e mais 40 jesuítas. Vinham a bordo da nau "S. Tiago" quando em alto mar os interceptou o "piedoso" calvinista Jacques Sourie. Como prova de seu "evangélico" zelo mandou degolar friamente todos os padres e irmãos e jogar os corpos aos tubarões (Luigi Giovannini e M. Sgarbossa in Il santo del giorno, 4ª ed. E.P, pg 224, 1978).

A Severidade dos Tribunais Protestantes

Foram terríveis os genocídios causados pelos protestantes na Alemanha. A então Alemanha estava dividida em mais de trezentas circunscrições, cada uma delas com seu próprio Supremo Tribunal civil e seu Direito particular. A perseguição às bruxas e a severidade dos castigos, dependiam geralmente dos respectivos senhores de cada região, que governavam com muita independência e poder quase absoluto.


Dentro de cada região, havia oscilações pendulares inclusive extremas, segundo os critérios subjetivos do mesmo senhor e segundo os conceitos das diversas sucessões no poder através dos anos e dos séculos. Daí a dificuldade em se calcular o número de pessoas condenadas à fogueira e à forca na Alemanha. Mas, das crônicas e processos regionais que chegaram até nós, cabe deduzir, que as vítimas se contaram por milhares.

W. A. Schoeder, contemporâneo aos fatos, anotou que nas localidades de Bamberg e Zeil, entre 1625 e 1630, (cinco anos) se realizaram nada menos que 900 processos de bruxaria. Deles (numa exceção), 236 terminaram com condenação à morte na fogueira. Só num ano, 1617, em Wurzburgo, foram queimadas 300 bruxas ; em total nesta região, as atas apresentam l.200 condenações à morte .Em 20 anos, de 1615 à 1635, em Estrasburgo, houve 5.000 queimas de bruxas .


Em cidades pequenas como a imperial Offenburg, que só tinha entre dois e três mil habitantes, se desenvolveram acérrimas perseguições às bruxas durante três decênios, e em só dois anos, segundo as atas, foram queimadas 79 pessoas.



ATÉ CRIANÇAS ERAM QUEIMADAS PELOS PROTESTANTES

No ano 1670, na Suécia, houve um processo deplorável: Como conseqüência das declarações, arrancadas pelas interrogações feitas pelos teólogos protestantes, foram queimadas 70 mulheres, açoitadas mais 56, queimadas 15 crianças que já tinham chegado aos 16 anos e outras 40 foram açoitadas .

Atacado por um diabólico ódio racial, Lutero antes de sua morte, lançou o panfleto “Contra os judeus e as suas mentiras.” onde pregava aos alemães, toda sorte de desumanidade contra os judeus, culminando no holocausto nazista. Esta obra, está reproduzida na “História do anti-semitismo”, de Leon Poliakov.

Dia 6 de maio de 1527, quando saquearam Roma, cerca de quarenta mil homens espalharam na Cidade Eterna o terror, a violência e a morte. Eram seis mil espanhóis, quatorze mil italianos e vinte mil alemães, quase todos luteranos, esses últimos, indivíduos perversos, gananciosos, desprovidos de qualquer escrúpulo. Gritavam: ”Viva Lutero, nosso papa!!!”

Ávidos, incansáveis na busca das riquezas, dos despojos do inimigo, os lanquenetes luteranos e os outros invasores assaltaram, estupraram, saquearam, incendiaram, trucidaram, arrebentaram as suas vítimas, jogaram crianças pelas janelas ou as esmagaram contra as paredes. Grande parte da população foi dizimada. Conforme disse Maurice Andrieux, esse ataque a Roma "superou em atrocidade todas as tragédias da História", até mesmo a destruição de Jerusalém e a tomada de Constantinopla.Todo esse genocídio com requintes de crueldade, parece encontrar doce justificativa nas palavras de Lutero, pai do protestantismo do “somente a fé.

“... Seja um pecador e peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda...Se estamos aqui (neste mundo) devemos pecar...Pecado algum nos separará do Cordeiro, mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia”. (Carta a Melanchthon, 1 de agosto de 1521 (American Edition, Luther's Works, vol. 48, pp. 281-82, editado por H. Lehmann, Fortress, 1963).

Esta "fé", de Lutero, apesar de dirigida pela vontade, é um simples ato do intelecto. Apesar de necessária à salvação, não é suficiente. Tiago diz que até mesmo os demônios têm esta fé (Tg 2,19). É por este motivo que ele diz: "Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé?" (Tg 2,24). Infelizmente, Lutero designou esta carta do Apóstolo de [i/"Carta de Palha". Ele não entendeu o que Tiago esta querendo dizer (sobre a fé de Abraão): "Vês como a fé cooperava com as suas obras e era completada por elas" (Tg 2,22). Sob o erro do pai do protestantismo, as seitas evangélicas ainda hoje, pregam que seus seguidores já estão “salvos”, só porque simplesmente “crêem” em Jesus. Se assim fosse, decerto que iriam encontrar , face a face, o demônio no céu.

Conclusão

Como vimos, a história não deixou de registrar atrocidades e desmandos por ambos o polos que deveriam servir de alicerces para a construção de um mundo novo, onde reine e paz e justiça, o amor pelo próximo, e a máxima da coerência e perdão. O mínimo que poderíamos esperar dos líderes e representantes da Cristandade seria a tolerância.

Fico a imaginar se estes "defensores da fé" lembram da História, de como também que aqueles que abraçaram a fé cristã foram levados aos cárceres, supliciados, torturados das maneiras mais bárbaras e por fim, executados, e isto em plena época do Império Romano.

Sejam Homens como Lutero ou Tomás de Torquemada, ignoraram ou se fizeram ignorar as perseguições que os proprios imperadores Nero, Dominiciano, Décio, Marco Aurélio, e Diocleciano (estes os principais) empreenderam contra os cristãos e os líderes da Igreja que, então, mesmo as ocultas e em épocas de perseguições, estava se formando através das palavras de Cristo para seus apóstolos, fé que germinava nas catacumbas, a mesma fé pelo qual "defenderam" seus alicerces também fora perseguida aos tempos do Império Romano, bem como seus líderes, que mais tarde, com a liberdade e Paz estabelecida a Igreja, se tornariam os primeiros bispos, ou melhor dizendo, seriam as primeiras autoridades eclesiásticas, que junto com Reis e Imperadores, tomariam as rédeas do Poder.

Será que Lutero, Torquemada & Cia seriam resistentes e"muito homens" para aguentarem as mesmas torturas que os cristãos foram vítimas na época dos Césares de Roma? De perseguidos, os pseudos"cristãos" passaram a perseguir, incluindo entre eles mesmos.

Mas não há de ser nada, pois não podemos esperar muito desses dois exemplares da intolerância da Idade Média (entre outros, claro), pois viveram segundo os valores, mentalidades, e costumes do seu tempo, uma época de trevas nos mais diversos sentidos para toda a Humanidade, cujo legado para a História foi de barbárie e terror.


por Paulo Néry

Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Paganismo (artigo 1) - Wicca



O período neolítico não conhecia deuses, da forma que hoje se conhecem, e vigorava o matriarcado.
O conceito de “paterno” inexistia e a moral, a ciência e a religião ocupavam uma só esfera.
Segundo historiadores, a passagem para o patriarcado deu-se em várias esferas.
Na velha Europa, a sociedade que cultuava a Deusa foi vítima do ataque de poderosos guerreiros orientais, os Kurgans. O Cálice foi assim derrubado pelo poder da Espada e o elemento feminino foi relegado para o “fim da fila”.

Outro factor decisivo para tal transformação foi o crescimento da população, que levou as sociedades arcaicas à "domesticação da terra". Os homens tinham que dominar a natureza para obrigá-la a produzir o que queriam, passaram de caçadores a recolectores e depois a agricultores.

Com a descoberta de que o sémen do homem é que fecunda a mulher (acreditava-se que esta gerasse filhos sozinha), estabeleceu-se o culto ao falo, sendo este difundido pela Europa, Egipto, Grécia e Ásia, atingindo o seu ápice na Índia.

Com o fim da era de Peixes, tipicamente masculina, o reinado feminino retorna em Aquário para resgatar Sofia, o arquétipo da Sabedoria.
Assim como o Taoísmo primitivo, todas as religiões ancestrais viam o Universo como uma generosa Mãe. Nada mais natural: não é do ventre delas que saímos?
De acordo com o mito universal pagão da Criação, tudo teria saído dessa Grande-Mãe: Entre os egípcios, era chamada de Nut, a Noite. "Eu sou o que é, o que será e o que foi." Para os gregos era Gaia – Mãe de tudo inclusive de Urano, o Céu.



Entretanto ela não era apenas fonte de vida como também senhora da morte.
O culto à Grande-Mãe era a religião mais difundida nas sociedades primitivas. Descobertas arqueológicas realizadas em sítios neolíticos testificam a existência de uma sociedade agrícola pré-histórica bastante avançada, na região da Europa e Oriente Médio, onde homens e mulheres viviam em harmonia e o culto à Deusa, a religião.

Não há evidências de armas ou estruturas defensivas, de onde se conclui que esta era uma sociedade pacífica.
Também não há representações artísticas de guerreiros matando-se uns aos outros, mas sim pinturas representando a natureza e uma grande quantidade de esculturas representando o corpo feminino. Essas esculturas também foram encontradas em Creta, datadas de 2.000 a.C.
Vale dizer que na sociedade cretense as mulheres exerciam as mais diversas profissões, sendo desde sacerdotisas até chefes de navio.
Platão conta que nesta sociedade (a última matrifocal de que se tem notícia) toda a vida era permeada por uma ardente fé na natureza, fonte de toda a criação e harmonia.
Com o advento do monoteísmo, e a consequente dominação da mulher pelo homem, o culto ao falo estabeleceu-se em definitivo.

No entanto, o culto à Deusa não desapareceu, apenas passou à clandestinidade.

Actualmente existem diversas formas livres de assumir esse culto, e é de uma em específico que vos vamos falar hoje: A Wicca!



Os seguidores da Religião Wicca são chamados de Wiccanos, Wiccans ou Bruxos (a palavra Bruxo(a) aplica-se apenas aos representantes da Arte).

Wicca (que também é conhecida como "Arte dos Sábios" ou, muitas vezes, somente como "A Arte") é considerada por muitos uma religião panteísta, politeísta e faz parte de um ressurgimento actual do paganismo, ou movimento neopagão, como muitos preferem chamar.

Os wiccanos não aceitam o conceito arbitrário do pecado original ou do mal absoluto, e não acreditam em céu ou inferno.
Eles crêem que quando morremos, vamos para a Terra de Verão (ou Terra da Juventude Eterna), onde recobramos nossas forças e nos tornamos jovens novamente.

A Wicca é uma religião de natureza xamanística, positiva, com duas deidades maiores, reverenciadas e adoradas em seus ritos: A Deusa e seu consorte, o Deus Cornífero.



Seus nomes variam de uma tradição wiccana para outra, e algumas utilizam-se de outros panteões para representar várias faces e estados de ambos os Deuses.

Princípio Feminino ou Grande Mãe: A Grande Mãe representa a Energia Universal Geradora, o Útero de Toda Criação. É associada aos mistérios da Lua, da Intuição, da Noite, da Escuridão e da Receptividade.
É o inconsciente, o lado escuro da mente que deve ser desvendado.
A Lua nos mostra sempre uma face nova a cada sete dias, mas nunca morre, representando os mistérios da Vida Eterna.



Na Wicca, a Deusa se mostra com três faces: a Virgem, a Mãe e a Velha Sábia, sendo que esta última ficou mais relacionada à Bruxa na Imaginação popular.

A Deusa Tríplice mostra os mistérios mais profundos da energia feminina, o poder da menstruação na mulher, e é também a contraparte feminina presente em todos os homens, tão reprimida pela cultura patriarcal.

Princípio Masculino ou Deus Cornífero: Da mesma forma que toda luz nasce da escuridão, o Deus, símbolo solar da energia masculina, nasceu da Deusa, sendo seu complemento e trazendo em si os atributos da coragem, pensamento lógico, fertilidade, saúde e alegria.

Da mesma forma que o sol nasce e se põe, todos os dias, o Deus nos mostra os mistérios de Morte e do Renascimento.



Na Wicca, o Deus nasce da Grande Mãe, cresce, se torna adulto, apaixona-se pela Deusa Virgem, eles fazem amor, a Deusa fica grávida, o Deus morre no Inverno e renasce novamente fechando o ciclo do renascimento, que coincide com os ciclos da Natureza, e mostra os ciclos da nossa própria vida.

Para alguns, pode parecer meio incestuoso que o Deus seja filho e amante da Deusa, mas é preciso perceber verdadeiro simbolismo do mito, pois do útero da Deusa todas as coisas vieram, e, para ele, tudo retornará.



Se pensarmos bem, as mulheres sempre foram mães de todos os homens, pelo seu poder de promover o renascimento espiritual do ser amado e de toda a Humanidade.

A Wicca inclui frequentemente a prática de várias formas de Alta Magia (geralmente com propósitos de cura psíquica ou física, neutralização de negatividade e crescimento espiritual) e ritos para a harmonização pessoal com o ritmo natural das forças da vida marcadas pelas fases da lua e pelas quatro estações do ano.

A feitiçaria ocidental, uma tradição baseada sobretudo nas crenças das comunidades anglo-saxónicas e escandinavas, que datam da Idade da Pedra, ergue-se sobre três conceitos básicos:

(1) O culto de uma Deusa-Mãe, um princípio feminino, em vez dos deus-homem do cristianismo
(2) A crença na reencarnação e o desejo de renascer no mesmo tempo e lugar dos seus entes queridos
(3) O conhecimento e o uso da magia, a manipulação da lei natural, de modo a trazer benefícios para o homem, utilizando melhor os recursos naturais, explorando os segredos do universo e descobrindo atalhos e remédios para melhorar a vida.



A religião wiccana é formada de várias tradições como a Gardneriana, Alexandrina, Diânica, Tânica, Georgiana, Tradicionalista ética e outras. Várias dessas tradições foram formadas e introduzidas nos anos 60, e embora seus rituais, costumes, ciclos místicos e simbolismos possam ser diferentes uns dos outros, todas se apoiam nos princípios comuns da lei da Arte.

O dogma principal da Wicca é o Conselho Wiccano, um código moral simples e benevolente: “SEM PREJUDICAR NINGUÉM, REALIZE SUA VONTADE”. Ou em outras palavras, você é livre para fazer o que quiser, contanto que não prejudique ninguém, nem mesmo a você.
(O Conselho Wiccano é extremamente importante e não deve ser esquecido na realização de qualquer encantamento ou ritual mágico, especialmente naqueles que podem ser considerados como não-éticos ou de natureza manipuladora).



Na Wicca, leva-se em conta a Lei Tripla (ou Lei de Três) que é uma lei kármica de retribuição tripla que se aplica sempre que você faz alguma coisa, seja ela boa ou má.

Não que você seja "castigado" por um ato mau, porém, quando envia uma energia, o curso natural dela é voltar a si.
Assim, caso envie algo de negativo, essa força fará seu caminho, sempre se fortificando, e retornará até você.

Muitos Wiccanos usam um ou mais nomes secretos (também conhecidos como nomes mágicos, ou nomes de iniciação) para significar o renascimento espiritual e uma nova vida dentro da Arte.



A Wicca é uma Religião de equilíbrio e suas práticas religiosas seguem esse princípio com festejos solares, expressos nos Sabaths, e com celebrações lunares, expressas nos Esbaths.

Cada período lunar corresponde a uma face/característica da Deusa, assim como cada período solar corresponde a uma face/característica do Deus, sendo que em ambas as práticas, os Deuses são celebrados em igualdade. Apenas simbolicamente os Esbaths correspondem à Deusa e os Sabaths ao Deus.



Como os adeptos de religiões mais convencionais, os iniciados em feitiçaria, ou Wicca, usam instrumentos e rituais para vincular-se espiritualmente entre si e a suas divindades.

Os ritos da Wicca diferem de uma tradição para outra.
Algumas cerimónias são periódicas, marcando as fases da lua ou a mudança de estações.
Outras, tais como a iniciação, casamentos ou pactos, só ocorrem quando há necessidade.

E há também aquelas cerimónias que, como a consagração do vinho com um athame, a faca ritualística, fazem parte de todos os encontros.

Seja qual for seu propósito, a maioria dos rituais Wicca, especialmente quando celebrados nos locais eleitos eternamente pelos bruxos, evoca um estado de espírito onírico que atravessa os tempos, remontando a uma era mais romântica.

INSTRUMENTOS UTILIZADOS:

Os instrumentos usados nos rituais da Wicca têm suas origens perdidas no tempo.
Eles são importantes focos de concentração e ferramentas para provocar alterações de consciência, mas é preciso que se saiba exactamente o seu significado para que sejam usados correctamente.

Embora eles possam dar um toque de beleza e alegria aos seus rituais, uma verdadeira Bruxa jamais deve ficar dependente deles, porque a verdadeira Bruxa se faz com a mente e com o coração!



O Caldeirão Embora algumas tradições discordem, ele é considerado o instrumento mais importante e significativo para as Bruxas pois ele representa o Útero da Grande Mãe, ou seja, a origem do Universo e de toda a Vida.
Dele viemos e para ele retornaremos eternamente.
É no Caldeirão que as Bruxas preparam feitiços, as poções e acendem o fogo para os rituais, quando não é possível acender uma fogueira ao ar livre.
Nele se realiza a Grande Alquimia Universal.

Em muitos feitiços pode conter água ou vinho energizados pela luz da lua.
De preferência deve ser de ferro, com três pés, representando os três aspectos da Deusa.

Na falta de um caldeirão, uma panela ou tigela podem substituir, desde que não sejam de material sintético, como teflon, plástico ou alumínio. Está ligado ao elemento água.



Cálice Associado ao mito do Santo Graal, o Cálice é usado para consagrar o beber o vinho dos rituais, tendo o mesmo simbolismo do caldeirão.
Ele foi introduzido na Wicca em época mais recente.

Em algumas tradições mais puristas é substituído por uma concha ou um chifre, onde se toma o vinho.

Pode ser substituído por uma taça, ou mesmo um copo, desde que não seja da material sintético. Da mesma forma que o Caldeirão, liga-se à água.



O Punhal Tradicionalmente, o punhal da Wicca é de lâmina dupla com cabo preto, sendo chamado ATHAME, uma palavra de origem incerta que significa "O que não morre".
Ele representa a energia masculina, sendo um símbolo fálico dentro do ritual.

É traçado para abrir círculos e durante a Consagração, é introduzido no Cálice para simbolizar a União do Deus e da Deusa.

Os ramos mais tradicionalistas substituem o Punhal pela Varinha Mágica, alegando que ele foi introduzido recentemente na Wicca, não fazendo parte dos instrumentos tradicionais. O mesmo se diz da Espada, pois ela é um instrumento de Magia Cerimonial, que nada tem a ver com a Bruxaria.

Na falta de um Athame clássico, qualquer faca serve para o mesmo fim, desde que não tenha sido usada para tirar qualquer tipo de vida ou derramar sangue.
Caso não queira usar o Punhal, abra o círculo com a Varinha, um Cristal, ou mesmo com o dedo, como se faz na Wicca Irlandesa.



A Vassoura Esta é uma velha conhecida e amiga das Bruxas! Toda Bruxa que se preze tem uma Vassoura!
Ela representa a União das Energias Universais.
Os pêlos e o cabo representam, respectivamente, os órgãos sexuais femininos e masculinos.

Havia um ritual muito antigo em que as Bruxas saíam "cavalgando" as vassouras pelos campos e dando grandes pulos, para que as plantas crescessem da altura de seus saltos. Talvez daí tenha vindo a crença de que podiam voar.

A Vassoura pode ser decorada com Símbolos Sagrados e ter a sua Assinatura Mágica.
Antes do ritual ela é usada para varrer o local onde será realizado, representando a limpeza espiritual de toda a Energia Negativa.

Também serve de ponte entre o espaço do círculo e o mundo exterior, isto é, ela pode ser colocada deitada num ponto, se alguém precisar sair, pode fazê-lo pulando a Vassoura sem quebrar o círculo e procedendo da mesma forma ao voltar.
É bom saber que crianças e animais podem entrar e sair do círculo sem quebrá-lo.



O Bastão ou Varinha Mágica A Varinha Mágica tem o mesmo simbolismo do Athame.
Tradicionalmente, ela deve ser feita de uma árvore sagrada como a Aveleira, o Carvalho ou a Macieira, embora eu acredite que qualquer árvore deve servir, desde que você tenha por ela alguma predilecção ou ligação emocional.

O galho da árvore deve ser cortado na Lua Crescente, e antes de o fazer, deve-se pedir a autorização da árvore.
Depois de cortado o galho, deve-se deixar alguma oferenda em agradecimento.

Ainda hoje, as Bruxas seguem esse procedimento, deixando mel e leite para as Fadas e Elementais, e um pouco de comida para os pássaros.
A Varinha pode ser enfeitada com símbolos, fitas, cristais ou algum objecto pessoal.



A Túnica Embora muitos Covens prefiram trabalhar "vestidos de céu", ou seja, completamente nus, existe a opção de se usar a Túnica, tradicionalmente negra.
A cor negra isola as energias negativas, sendo óptima para ser usada quando se tem contacto com grandes multidões ou pessoas negativas.

A cor negra não tem nenhuma ligação com o Mal, como se costuma pensar erroneamente, ela representa o Útero Universal, do qual nasceu toda a Luz, a escuridão da Terra onde germinam as sementes.
Porém, não se deve usar somente a cor negra, pois precisamos da vibração de todas as cores… muito menos por mero exibicionismo ou para parecer Esotérico.

Trabalhar nus ou com Túnicas deve ser uma escolha do grupo mas deve-se ter o cuidado para que a nudez não atraia pessoas mal-intencionadas.
A nudez ritual é um sinal de pureza, de libertação de medos e tabus, mas para tanto, é preciso ter um coração puro diante dos Deuses e dos nossos semelhantes, trabalhando muito bem com nossos corpos.

É impossível se trabalhar inibida pela nudez, o que tornará o ritual totalmente improdutivo. Se esta for a situação, é melhor usar uma Túnica, mas com o tempo, é preciso superar esses bloqueios, pois eles são frutos de uma moral Judaico-Cristã repressiva, sendo que a nudez deve ser encarada como algo natural.



O Pentagrama Embora muitos achem que o Pentagrama não pertence originalmente à Bruxaria, ele se tornou um de seus maiores símbolos.

A Estrela de Cinco Pontas representa as cinco Energias Formadoras do nosso Planeta, isto é, Água, Fogo, Terra, Ar e Espírito.



O Livro das Sombras É essencialmente o diário de um bruxo, um diário mágico cuja origem remonta ao tempo das perseguições.
Proibidas de compartilhar oralmente seus conhecimentos, as Bruxas da Idade Média, escreviam seus conhecimentos e feitiços num Livro que ficava escondido, por isso o termo "das Sombras", pela menção de que o Livro deveria ficar oculto a qualquer preço, sob seu dono ter contra si, provas incontestáveis de Bruxaria.

Na Idade Média, esses Livros continham essencialmente poções, feitiços, encantamentos, filtros... enfim, operações de magia não trazendo nada sobre a pessoa que o escreveu além de, talvez, seu Nome Mágico, por motivos que você pode imaginar.

Todas as tradições de ordem iniciática cobram de seus alunos a existência de um diário onde sejam anotados todos os procedimentos mágicos, factos interessantes do dia-a-dia, aprimoramentos e coisas pertinentes à disciplina mágica.

Na tradição Wicca, esses dois aspectos foram fundidos num só recurso que recebe basicamente dois nomes, ou é chamado de Grimoire que quer dizer Livro de Encantamentos como na Idade Média, ou Livro das Sombras, como o Livro que Gardner escreveu e que é usado nas tradições Gardneriana e Alexandrina.

Um Livro das Sombras funciona como um Grande Diário. Nele o aprendiz e mesmo o Bruxo experiente anota os fatos de sua vida, referentes directa ou indirectamente com a Bruxaria, copia rituais, relata acontecimentos, escreve feitiços ou mesmo poesias.
Ele serve como um Grande Avaliador do desenvolvimento mágico.

Olhando as primeiras páginas, um Bruxo, pode avaliar a quanto evoluiu no estudo e prática da Arte, comparar suas opiniões actuais com as que tinha na época e assim fazer um grande balanço da sua vida na Magia, além disso, o hábito de escrever no seu Livro das Sombras traz a prática de um aspecto muito favorável A DISCIPLINA essa disciplina na qual você se obriga a escrever seja todos os dias, seja 3 vezes por semana ou seja apenas quando acontecer algo relevante. Na medida que você tem de escrever, você acaba tendo que fazer alguma coisa, assim o Livro funciona como catalisador do processo de treinamento.



Você pode separar o seu Livro em 3 secções, ou mesmo ter 3 Livros: Um Grimoire, onde você anotará só os feitiços e exercícios, outro com poemas e anotações pessoais, do dia-a-dia (que efectivamente corresponderá ao seu Livro das Sombras) e outro ainda, com conhecimento de Herbalismo, Cristaloterapia, Incensoterapia, e assim por diante.

Além disso você fará um Compêndio de conhecimento sobre magia, na medida que terá à sua disposição um material confiável de consulta personalizado.

Tradicionalmente, não se permite que ninguém que não seja da Arte, toque no seu Livro, mas permite-se que outros bruxos leiam as partes que você autorizar, ou mesmo que copiem encantos e feitiços, no entanto o Livro não pode ser emprestado.

Originalmente, o Livro deveria ser um caderno normal, preto, escrito à mão e com folhas numeradas, mas pode ser uma agenda ou um fichário.

Alguns acham que ele deve ser escrito à mão, assim a energia do Livro seria mais trabalhada enquanto Livro Mágico, no entanto isso deve ficar a seu critério.



Sino É um instrumento ritual de inestimável antiguidade.
O toque de um sino libera vibrações com efeitos poderosos de acordo com o seu volume, tom e material utilizado.

O sino é um símbolo feminino, e portanto representa a Deusa.
É também tocado para afastar espíritos e encantamentos malignos, para interromper tempestades ou para invocar energias positivas.
Muito utilizado para anunciar o começo e o fim de cada ritual.



Bola de cristal Instrumento de clarividência e adivinhação.
Nos rituais representa as profundezas dos oceanos, portanto é um instrumento sagrado à Deusa.
Na falta de uma, pode utilizar um espelho ou uma bacia com água.

Outros Instrumentos Também fazem parte da Wicca outros instrumentos como os Incensórios, Castiçais e outros objectos opcionais.
Muitos Covens tocam instrumentos musicais...
Enfim, o melhor é usar a imaginação para criar seus rituais.

CERIMÓNIAS A REALIZAR:

Durante o ano, são realizados 8 Sabaths:

Candlemass ou Imbolc (dia 10 de Agosto)
Equinócio de Outono ou Mabon (realizado no primeiro dia de Outono)
Beltane (dia 31 de Outubro)
Solstício de Inverno ou Yule (realizado no primeiro dia de Inverno)
Lammas ou Lughnasadh (dia 2 de Fevereiro)
Equinócio da Primavera ou Ostara (realizado no primeiro dia de Primavera)
Samhain (dia 30 de Abril)
Solstício de verão ou Litha (realizado no primeiro dia de Verão)



Para cada Sabath, há um grande ritual a ser feito.

O ideal é que no começo as pessoas façam os Sabaths seguindo algum livro, mas depois que façam seu próprio ritual, com a ajuda do que aprendem lendo e praticando.

SAMHAIN: Marca o Ano Novo pagão.
Conhecido também como o Dia das Bruxas, o Samhain é praticado no dia 30 de Abril no Brasil, e não em dia 31 de Outubro, como no hemisfério Norte.

É uma noite em que as barreiras entre a vida e a morte não são certas, permitindo aos ancestrais andarem entre os vivos.

Também conhecido como Festival dos Mortos ou Festival das maçãs, o Samhain era marcado como o momento do sacrifício, actualmente este já não se pratica.
Em alguns lugares, era a hora em que alguns animais eram mortos para garantir a comida no Inverno. Identificado com os animais, o Deus se esconde para assegurar sua existência.

O Samhain marca a morte simbólica do Deus Sol e sua passagem para a "terra da juventude" onde Ele espera o renascimento da Deusa Mãe no Yule.

Samhain é a hora de reflexão, de olhar para o ano passado, da morte. As bruxas relembram seus ancestrais e todos aqueles que se foram antes dessa noite, porque assim como o Deus deu a vida à terra, essa terra renascerá de novo.



YULE: A deusa dá a luz ao seu filho, o Deus.
Yule é a hora da maior escuridão e é o menor dia do ano. As pessoas de antigamente perceberam essas mudanças e pediram às forças da natureza para aumentarem os dias e diminuírem as noites.

As bruxas, às vezes, celebram o Yule um pouco antes do nascer do sol, e olham o sol se pondo como um final de seus esforços.

Como o Deus é o Sol, isso marca o ponto do ano em que o Sol renasce. As bruxas acendem velas, ou fogueiras para dar boas vindas à luz do Sol.
A Deusa, que trabalhou durante todo o Inverno, descansa.
No Yule, celebram a volta do Sol, e a vida que ele traz.

IMBOLC: A Deusa recupera-se do nascimento e a força do Deus está aumentando com o aumento do poder do Sol.
Imbolc marca o período em que os animais começam a dar de mamar aos seus filhotes.

Para as bruxas, é uma hora de criatividade e inspiração e é associado com a Deusa celta Brígida.
Esse é um Sabath de purificação depois da escuridão do Inverno, através da renovação do poder do Sol.

É também um festival de luz e fertilidade, marcado com enormes tochas, fogueiras e fogos em suas diversas formas. O fogo aqui representa a própria iluminação e inspiração.
É uma hora tradicional para iniciações e dedicações.



OSTARA (EQUINÓCIO DA PRIMAVERA): O Equinócio de primavera marca o seu primeiro dia, e a Deusa ganha de novo sua força e trabalha com sua magia.

As horas do dia e da noite são iguais, a luz está alcançando a escuridão, e o jovem Deus está na maturidade.

Este dia marca a mudança da demora do Inverno para a frutividade da nova estação.
A Deusa envolve a terra com fertilidade, trazendo prosperidade em cada canto.

Enquanto andamos pela grama verde, podemos desfrutar da abundância da natureza.
É uma hora de começos, de acções, de "plantar" feitiços para colhê-los no futuro, etc.
Agora é a hora da nossa viagem através dos portões para o reino de calor e da luz.

BELTANE: Quando a natureza está realmente florescendo, A Deusa e o Deus juntam-se. Isso assegura a abundância da próxima colheita e a continuação da vida.
As bruxas celebram o símbolo da fertilidade da Deusa em um ritual.

Também conhecido como a festa da primavera, Beltane tem sido longamente celebrado com rituais, festas e danças ao redor de um mastro enfeitado.
Muitas pessoas colhem flores e galhos dos jardins para decorarem suas casas e a eles mesmos.
As flores e coisas verdes, simbolizam a Deusa, e o mastro, o Deus.

Beltane marca o retorno da vitalidade, da calma, da esperança. É uma hora de amor e grande celebração, para desfrutamos das belezas que a vida nos oferece.



SOLSTÍCIO DE VERÃO: O Deus está no topo de seu poder.
É a maior hora do Sol e é marcado com o festival da luz.

Também conhecido como Litha, o verão chega quando os poderes da natureza alcançam seu poder máximo. A Terra é banhada de fertilidade da Deusa e do Deus.

No passado, as pessoas saltavam sobre as fogueiras para encorajar a fertilidade, purificação, saúde e amor.
O fogo, mais uma vez, representa o Sol, festejado no dia mais longo do ano.
O Solstício de Verão é um momento clássico para qualquer tipo de mágica.

LUGHNASADH: Era a hora em que os antepassados agradeciam os primeiros frutos da colheita.
O verão está acabando e o Deus virou sacrifício, sendo cortado de seus campos.

É uma hora sagrada para o Deus Lugh, para agradecer, e fazer oferendas em gratidão.

Quando o verão passa, nós lembramos de seu calor e abundância de comida que comemos.
Cada refeição é um ato de harmonia com a natureza, e nós lembramos que nada no universo é constante.

MABON (EQUINÓCIO DE OUTONO): A luz começa a diminuir, e o Deus começa sua jornada para o outro mundo.
Este é o término da colheita, começada no Lughnasadh.

Mais uma vez o dia e a noite são iguais, equilibrados assim que o Deus começa sua grande aventura para o desconhecido e começa o renascimento da Deusa.
A natureza decai, deixando-se pronta ao Inverno, e parte para sua hora de descanso.

A Deusa inclina no Sol nascente, quando o fogo queima dentro de seu útero. Ela sente a presença do Deus mesmo que ele esteja diminuindo.
É a colheita final. Agora, ficamos pronto para o Inverno chegar, é uma hora de equilíbrio.



Além dos oito Sabaths, os povos celtas celebravam também os Esbaths, ou seja, as treze luas cheias ao longo do ano solar.

A lua cheia foi venerada durante milénios por grupos de homens e mulheres, reunidos nos bosques, nas montanhas ou na beira da água, como a manifestação visível do princípio cósmico feminino, na forma das deusas lunares ou da veneranda Lua.

Com o advento das religiões patriarcais, houve uma divisão na vida religiosa familiar.
Os homens passaram a reverenciar os deuses (solares e guerreiros), enquanto as mulheres continuavam se reunindo para celebrar a lua cheia e honrar a Grande Mãe.

A cristianização forçada e, principalmente, as perseguições dos "caçadores de bruxas" durante os oito séculos de Inquisição, procuraram erradicar a "adoração pagã da Lua" e os Esbaths foram considerados orgias de bruxas e manifestações do demónio.

A palavra Esbath deriva do verbo “esbattre”, em francês arcaico, significando "alegrar-se", pois essas celebrações não eram tão solenes como os Sabaths, proporcionando além dos trabalhos mágicos, uma atmosfera jovial.

Há também uma semelhança com a palavra "estrus", o ciclo lunar de fertilidade, reforçando a ideia da repetição mensal dessas comemorações.



Tenha em mente que antes de qualquer ritual, deverá purificar-se e purificar o meio ambiente onde pratica os seus rituais. Abaixo daremos umas dicas sobre como fazê-lo.

LIMPEZA E PURIFICAÇÃO:

O ritual de purificação é o mais comum e amplo dos ritos da Wicca e existem várias formas de trabalhá-lo.
Esse rito, além de trazer mais leveza e tranquilidade para o lar, leva a um auto conhecimento de suas capacidades energéticas de forma extraordinária.

A recomendação a qualquer iniciante nos caminhos da Wicca é: Pratique primeiro os Sabaths, os Esbaths e os Ritos de Purificação, antes de aventurar-se em outras áreas mágicas.
As razões são simples: Através das actividades de purificação, você aprende a controlar e manipular melhor tanto as suas energias como a dos ambientes em que vive. Nos Sabaths e Esbaths você passa a vivenciar a Wicca, interage com Deuses e demais seres etéreos, aprende os funcionamentos básicos da ritualística da religião e ganha além de conhecimento, o amadurecimento e a seriedade necessária para trabalhar em outras áreas da Magia.

Falaremos do ritual de purificação de forma completa, ensinando maneiras de melhorar a organização, limpeza, e equilíbrio energético.

Ensinaremos como tornar o ambiente e a nós mesmos mais leves e tranquilos, após esse ritual, todo e qualquer local está apto a receber cerimónias, pois se encontra harmonizado e equilibrado.

ENTENDENDO AS ENERGIAS:



É muito importante saber que o exterior (ambientes onde vive mais tempo) reflete como anda o seu interior e possui grande influência sobre você.
Normalmente quando entramos em um local escuro, sujo, abafado ou desorganizado, ficamos cansados e irritados, isso mostra a influência do ambiente sobre o nosso comportamento e humor, ou seja, sobre nossas energias.

Energeticamente falando, tudo que acontece em um local gera pequenas ondas que são absorvidas pelas estruturas do local e ficam registradas. Essas “sobras” energéticas normalmente ficam acumuladas em locais de difícil acesso, onde raramente as energias são movimentadas, e lá acabam se fixando e aumentando cada vez mais, como se fossem um grande acumulo de poeira.

PRIMEIRO PASSOFAXINA



Energia saudável é energia em movimento! Tenha sempre essa frase em mente. Para iniciar qualquer actividade de purificação energética, precisamos desprender as energias dos cómodos de nossa residência.

Muitas pessoas afirmam não ter ânimo para uma boa faxina, isso ocorre porque elas estão pressas nas teias desse agregado energético presente nas coisas velhas e desorganizadas.
A eliminação desses “laços” permite uma profunda reciclagem mental que favorece potencialmente a eliminação de desequilíbrios interiores.
“Assim como acima é abaixo, como é dentro é fora” tal axioma demonstra como a eliminação da bagunça exterior favorece o trabalho interior.

Primeiro trate de jogar fora o que tem de velho, quebrado ou inútil e faça uma limpeza geral à casa, depois começa a faxina mais profunda: Separe alguns dias para limpar e organizar um cómodo por vez. Limpe gaveta por gaveta, armário por armário, organize, sacuda, olhe para cada coisa (roupa, utensílio...) e retire (venda ou doe) o que já não utiliza mais. Troque, recicle! Energia em movimento lembra!? Além disso, você vai ganhar espaço, talvez um dinheirinho com a venda, e vai ganhar energia pois tudo que possuímos absorve nossas energias, coisas que não usamos há muito tempo só estão servindo para nos deixar mais cansados e esgotados, já que não possuem nenhuma outra utilidade.

Um bom bruxo(a) sabe que tudo à sua volta precisa estar em constante movimento, pois isso lhe dá força e controle sobre suas energias.

Tendo executado essa limpeza por todos os locais, sua casa está completamente organizada e renovada, cada cómodo está mais aconchegante e perfumado, mantenha-os sempre assim e caso perceba alguns tipos de desorganização faça esse trabalho novamente.
Quando moramos com outras pessoas é importante pedir que ao menos essa parte física seja feita em toda a residência, pois isso fará um bem não só do ponto de vista energético mais também na saúde e bem-estar de todos os moradores.

SEGUNDO PASSOPREPARAÇÃO



Antes de fazer qualquer purificação é necessário preparar o seu corpo e a sua mente, afinal estaremos mexendo com energias. Os principais pontos são:

• É necessário estar com a saúde em dia, sem dores, machucados, inchaços ou hematomas, pois além do grande gasto de energia vital, o desequilíbrio de nossa saúde pode atrair as más energias que estão sendo liberadas. (Mulheres grávidas ou em período menstrual não devem fazer purificações).

• Ter total autonomia para agir no ambiente. Não podemos trabalhar energeticamente num local onde não há permissão para isso, logo, se você mora com alguém peça autorização para mexer nos quartos ou em qualquer área que seja necessário pedir para purificar.
Caso não possa trabalhar em toda a residência ou espaço faça a purificação somente onde pode, como no seu quarto.

• É importantíssimo estar animado e disposto, limpo, cheiroso e confiante nas suas capacidades energéticas. Não faça nada sem confiança ou estando sujo, pois isso atrai más energias.

• Algumas residências podem ter ficado tanto tempo sem purificações que acabaram formando ou atraindo entidades para o local. Isso é perceptível quando a casa é muito fria, faz barulhos estranhos, causa medo ou desconforto, principalmente durante a noite, e acima de tudo quando alguém vê ou escuta coisas estranhas, como sombras e espíritos.
Quando existe a possibilidade de existir entidades no lar, recomenda-se que solicitem a ajuda de alguém mais experiente para executar a purificação, caso isso não seja possível é preciso trabalhar um banimento e escudo energético antes de executar a purificação.

• Trabalhe sozinho(a) e só aceite ajuda caso as pessoas também saibam o que está sendo feito.

• Trabalhe confortavelmente, sem brincos, anéis, relógios e demais acessórios (caso use um amuleto pode continuar usando). Se possível trabalhe em total silêncio, descalço(a) e com roupas largas.

• Jogue água no rosto para despertar a sensibilidade, esfregue as mãos enquanto vai as lavando, pule, relaxe o corpo.

• Caso tenha animais, guarde seus potinhos de comida e os sacos de ração em armários durante o período da purificação. Afaste os bichinhos dos locais para onde você for enviar as energias desprendidas com a purificação.
Guarde também os alimentos da cozinha, coloque-os nos armários ou na geladeira.

• Escolha um local (porta ou janela) para direccionar a energia que está desprendendo. Nesse local coloque um copo ou jarra (preferencialmente de plástico ou madeira) cheio de água com um punhado de sal grosso.

• Coloque todos os itens que vai precisar em um local de fácil acesso e próximo a todos os cómodos, lá mentalize um globo de força e crie um ponto de poder.
Normalmente todas as residências possuem um centro de poder localizado no espaço onde é possível enxergar a maior quantidade de cómodos ou áreas do lar.

• Por fim, tenha certeza que está tudo limpo e organizado, esfregue as mãos para activá-las, faça uma pequena mentalização de seus objectivos e analise como toda essa reciclagem da sua residência vai favorecer e mudar a sua vida, a seguir purifique a casa: Peça primeiro protecção aos deuses.

TERCEIRO PASSOA PURIFICAÇÃO



Agora se inicia o ritual, você vai precisar de incenso de purificação, uma vassoura, sal grosso, um outro incenso, com aroma de sua preferência ou um aromatizante de ambientes e um sino.
Comece dos fundos da casa para a parte da frente.

Em cada cómodo toque o sino por todo o local, principalmente nos cantos e passe a mão pelas paredes, objectos e portas como se estivesse puxando as energias presas nesses locais. Feito isso passe o incenso de purificação por toda a área.

Com a vassoura em mãos leve a fumaça e energia para fora da casa, faça isso, cómodo por cómodo e direccione todas as energias para a porta ou janela onde você colocou a jarra com água. Pegue nessa jarra, mentalize que toda energia que passou na água foi e está sendo purificada. Depois jogue o líquido no vaso sanitário, feche a tampa e dê descarga.

Peça à Deusa que receba em seu útero todas as energias que você repeliu do seu lar. Pegue o sal grosso jogue nos cantos de cada cómodo e retire somente no outro dia.
Faça uma Oração e peça aos Deuses e a seus guardiães que protejam e purifiquem sua casa constantemente.

Dicas:

• Não deixe pessoas negativas entrarem em sua casa. Quando não for possível barrar tais visitas, faça uma purificação simples com incenso e mentalização por todo o local onde a pessoa passou.

• Tenha sempre uma Chave Mágica ou uma Garrafa de Bruxa para absorção e protecção nos principais cómodos onde as visitas ficam.

• Deixe sempre a tampa do vaso sanitário abaixada.

• Tenha sinos dos ventos nos quadrantes da casa.

• Coloque uma ferradura com a abertura virada para cima no topo central da porta de entrada.

• Caso saiba fazer Mandalas de protecção use uma na porta de entrada.



CÍRCULOS E INVOCAÇÕES:

Existem várias maneiras de se traçar um Círculo, você pode usar uma das mais simples:

1. Pegue a Varinha Mágica ou o Athame e vá até o Norte.
2. Visualize um raio, tipo laser, saindo da ponta do seu objecto escolhido.
3. Dê uma volta, devagar, no sentido horário, até chegar novamente ao Norte.
4. Então diga:

"Pelo poder da Deusa e do Deus, eu traço este Círculo Sagrado. Deste espaço nenhum mal sairá, e nele nenhum mal poderá entrar!"

Depois de traçar o Círculo, você deve invocar os Guardiões dos quatro Quadrantes, acendendo uma vela:



Vermelha - Quadrante: Leste, representa o nascer do Sol. Seu elemento é o AR.

Branca - Quadrante: Sul, representa o Sol do meio-dia. Seu elementoé o FOGO.

Azul - Quadrante: Oeste, representa o Crepúsculo. Seu elemento é a ÁGUA.

Preta - Quadrante: Norte, representa a meia-noite. Seu elemento é a TERRA.

Agora devem invocar-se a Deusa e o Deus: Vá até o centro do Círculo e faça as invocações, que podem ser as seguintes:

"Deusa graciosa, você é a Rainha dos Deuses; A Lâmpada da noite; A criadora de tudo que é selvagem e livre; Mãe das mulheres e dos homens; Amante do Deus e protectora de toda a Wicca; Desça, eu suplico; Com seu raio de força lunar, aqui, sobre o meu Círculo"

"Deus brilhante, você é o Rei dos Deuses; Senhor do Sol; Mestre de tudo que é selvagem e livre; Pai das mulheres e dos homens; Amante da Deusa e protector de toda a Wicca; Desça, eu suplico; Com seu raio de força solar, aqui sobre o meu Círculo"



ABRINDO O CÍRCULO:

Começa então o Ritual de abertura do Círculo e cada participante agradece à Deusa por estarem presentes. Fazem as invocações da seguinte forma:

LESTE: "Salve os Guardiões das Torres do Leste. Venham juntar-se a nós neste Círculo, Poderes do Ar, vinde! Vigiem este espaço sagrado. Nós vos saudamos!"

Todos os participantes assumem posições em forma de um Pentagrama.

SUL: "Salve os Guardiões das Torres do Sul. Venham juntar-se a nós neste Círculo, Poderes do Fogo, vinde! Vigiem este espaço sagrado. Nós vos saudamos!"

NORTE: "Salve os Guardiões das Torres do Norte. Venham juntar-se a nós neste Círculo, Poderes do Terra, vinde! Vigiem este espaço sagrado. Nós vos saudamos!"

OESTE: "Salve os Guardiões das Torres do Oeste. Venham juntar-se a nós neste Círculo, Poderes do Água, vinde! Vigiem este espaço sagrado. Nós vos saudamos!"

Durante a invocação todos permanecem em forma de Pentagrama.
A Alta Sacerdotisa, ou Sacerdote, desenha o Pentagrama de Invocação e o Ritual começa.

FECHANDO O CÍRCULO:

A Alta Sacerdotisa e o Sacerdote agradecem à Deusa e ao Deus por terem estado presentes, e aos Elementos.
Cada pessoa volta ao seu lugar e diz:

LESTE: "Salve os Guardiães das Torres do Leste. Poderes do Ar, nós agradecemos sua presença aqui, como guardiães no nosso Círculo. Vão em paz, ó grandes Guardiões do Leste, com nossas bênçãos e nosso agradecimento. Obrigado e voltem sempre!"

A despedida é repetida para todos os outros quadrantes: Oeste, Norte e Sul.
O pentagrama é sempre a posição assumida pelos participantes.

A Alta Sacerdotisa, desenha o Pentagrama de expulsão e mais uma vez agradece, e só então se fecha o Círculo com o Athame de novo, dizendo três vezes:

"O CÍRCULO SE DESFAZ, MAS ELE NUNCA SE ROMPE"

Ainda em posição, faça uma meditação e visualize, o Círculo em tons de azul, subindo em direcção aos Deuses.

AS DIVERSAS FASES DA LUA

1. LUA NEGRA A Transformação



A coisa mais importante sobre o Esbath de Lua Negra é que apesar dele ser o primeiro do processo de amadurecimento – já que representa a transformação necessária aos primeiros passos – ele também é o ultimo que um inexperiente deve celebrar, pois antes de enfrentar nossos medos, de encarar nossos desequilíbrios, nossos erros e transtornos psicológicos, precisamos conhecer cada um desses problemas profundamente, de forma séria e madura. Precisamos ver de onde eles vêm, o que os alimentam, porque eles se mantêm e porque aumentam.

A Lua Negra corresponde aos 3 últimos dias da Lua minguante.
Ela é chamada dessa forma porque nesse momento não somos capazes de a ver, ela não reflete o Sol, ela está em seu estado natural, sendo a Sombra.
A noite torna-se escura e completamente sombria, negra.

É necessário saber que esse não é um período negativo ou impróprio para magias, pelo contrário, é um momento maravilhoso para os trabalhos mágicos, somente é necessário possuir experiência para fazê-los.

DECORAÇÃO E SINTONIZAÇÃO PARA O ESBATH:

A Decoração do Esbath de lua negra é muito individual.
Sua cor, obviamente, é o preto podendo conter tons de roxo.

Você deve espalhar por todo o local símbolos, imagens ou objectos que lembrem tudo aquilo que você tem medo, receio ou que de alguma forma prejudica sua liberdade e paz interior.
A decoração deve auxiliar em suas reflexões sobre suas sombras.

A Sintonização corresponde a uns 15 minutos que você deve dedicar ao ambiente onde ocorrerá a celebração.
Respire fundo, sinta os cheiros, pare para ouvir os sons do local, olhe a sua volta e veja onde está, tente sentir a energia do lugar.

Caso seja um lugar com uma história bonita reflicta um pouco sobre essa história, tente entender porque você foi celebrar ali, ande por todo o local e interaja com a energia emanada por esse ambiente.

Faça tudo isso em silêncio, respirando fundo, e preparando todo o seu corpo para o Esbath que está sendo iniciado.

Proceda à abertura do Círculo e às invocações referidas acima.

Cada Esbath corresponde a um aspecto das divindades, a Lua Negra corresponde as Faces Negras dos Deuses, alguns exemplos dessas faces são: Hécate, Hades, Morrigan, Cibele, Lilith e vários outros.

Apenas após estudar, conhecer e se sintonizar com divindade é que estamos aptos para chamá-la em um ritual, com isso depois de trabalhar com a face negra do seu panteão, você deve criar sua forma de invocar tal divindade, pois já saberá como.



MEDITAÇÕES:

As meditações são direccionadas à transformação dos medos, ao equilíbrio e controle de todas as nossas forças internas que de alguma forma nos prejudicam.
Jamais devemos tentar eliminar nossos sentimentos ou esconder nossas vontades, pois isso só as alimenta ainda mais! Precisamos aceitar que isso faz parte de nós.

Devemos controlar e equilibrar tudo aquilo que existe dentro de nós, seja nossa parte Luz ou nossa parte Sombra.
Com o auto conhecimento somos capazes de compreender de onde nossos medos surgiram e porque certas atitudes e sentimentos são mantidos de forma desarmónica em nossa personalidade.

Nas meditações dos Esbaths de lua Negra os Wiccanos trabalham suas sombras, enfrentam seus medos, receios, traumas e sofrimentos.
É um trabalho muito difícil e requer, além da seriedade já esperada, muito, mais muito esforço. Em tais meditações encaramos as faces Negras e elas auxiliam no processo de controlo das sombras, os Deuses nos ajudam a morrer para renascermos mais fortes.

DANÇAS, CÂNTICOS E ORAÇÕES:

Como já ficou visível o Esbath é direccionado ao nosso interior, e alguns tipos de danças são muito importantes e utilizados pelas bruxas para favorecer o relaxamento e amadurecimento.

A dança mais comum é chamada de dança dos sons naturais ou ritmos silenciosos, consiste em ficar de pé (quando sozinha e em local adequado pode ficar nua) e em pleno silêncio.
Comece a movimentar o corpo calmamente da forma que desejar, com o tempo aumente a força e rapidez dos movimentos até que esteja dançando em seu próprio ritmo livre, solto e de acordo com o seu corpo.

Enquanto dança tente colocar para fora todas as energias ruins que estão no seu corpo ou que são enviadas a você e cante: Cante qualquer som, faça sons variados, crie ritmos, trabalhe o seu interior, acalme seu coração, organize suas energias, equilibre seu corpo.

É comum criar Cânticos para os Deuses presentes nos Esbaths, use sua criatividade, use ritmo, rimas e sons variados todos ligados ao princípio básico do Esbath: Transformação a partir do controle de nossas sombras.

Os Bruxos conversam com suas divindades, obviamente de uma forma diferente, mas conversam, pedem e agradecem da mesma forma que todas as outras religiões.
As orações podem ser espontâneas ou montadas com antecedência, podem ser ritmadas ou não, devem apenas estar relacionadas ao Esbath. Conversem com os Deuses, peçam ajuda para enfrentar, compreender e controlar suas sombras.

Encarem todas as imagens e sensações que os Deuses vão lhe mandar para auxiliá-los nesse momento. Tenham fé! Apenas não esqueçam um dos adágios wiccanos:

“Cuidado com o que pede aos Deuses, pois eles podem realizar”

Se você não está pronto para enfrentar determinado transtorno ou trauma, deixe claro em sua conversa que não é a hora de mexer nisso, e que você precisa resolver primeiro outros medos mais simples para ganhar força e maturidade para enfrentar os problemas mais complexos.
Isso é necessário porque os Deuses vão lhe enviar seus problemas com força, vai ser como se você os estivesse vivenciando naquele momento, sentirá o medo com a maior intensidade possível, então esteja preparado.

2. LUA NOVA A Criação



Normalmente as pessoas encaram a Lua Nova como uma Lua parada, sem uma boa energia mágica e isto é um erro, pois a lua continua andando, continua em movimento, gerando influência.
Precisamos é compreender o tipo de influência que essa lua gera, tanto energeticamente como simbolicamente nas celebrações.

O nome Lua Nova vem da influência energética provocada por ela, e da própria análise na imagem dela no céu.

Normalmente as mulheres começam a libertar suas hormonas recém-criadas nesse momento e a Lua retorna ao céu nesse período, como se tivesse morrido, passado por uma transformação e retornado, sendo criada novamente.

DECORAÇÃO E SINTONIZAÇÃO:

A Decoração do Esbath de lua nova é também muito individual, sua cor, normalmente é o branco podendo usar tons claros, o verde, azul e amarelo claro normalmente são usados.

Você deve espalhar por todo o local símbolos, imagens ou objectos que lembrem tudo aquilo que você deseja iniciar, seus projetos, suas anotações, desenhos, fotos da casa nova, o currículo...
A decoração deve auxiliar em suas reflexões e no envio de suas energias para esse projetos.

A Sintonização corresponde a uns 15 minutos que você deve dedicar ao ambiente onde ocorrerá a celebração e segue os padrões da mencionada anteriormente.

Proceda então à abertura do Círculo e às invocações.

Cada Esbath corresponde a um aspecto das divindades, a Lua Nova corresponde as Faces Jovens/virgens dos Deuses, alguns exemplos dessas faces são: Ártemis, Eros, Angus Mac Og, Blodeuwedd e vários outros.

Na simbologia do Esbath, nesse momento a Deusa nasceu, ela é a jovem donzela.
As crianças, e demais animais jovens são abençoados por ela. Sendo assim, é normal enviar bênçãos aos mais novos do grupo, ou aos parentes recém-chegados, assim como também abençoar os novos animais e plantas que nos circulam.



MEDITAÇÕES:

As meditações são direccionadas à criação de novos projetos, organização de novas ideias e estruturação de todos os novos objectivos.
Imagine que você conquistou um novo emprego, nesse momento de lua nova você deve meditar sobre quais são as atitudes e posturas que deve tomar no mesmo, organizar seus horários, meditar sobre a melhor forma de aproveitar esse emprego e quais são os objectivos que você tem para melhorar.

Essa meditação também deve possuir uma reflexão para nossas mudanças internas, tudo de novo que está ocorrendo em nosso ser, conseguimos eliminar nossas sombras no Esbath passado? Então como estamos nos sentindo com isso? Precisamos ver como essa mudança está agindo no nosso comportamento e na forma de encarar as coisas, para que possamos trabalhar isso.

Podemos meditar sobre lendas ou a história de criações, seja do nascimento de Deuses, a criação de cidades (a nossa, por exemplo), o nosso próprio nascimento, e demais criações.
Como foi o nosso início? Quem estava presente no início de nossa vida e não se encontra mais? Que mudanças a saída dessas pessoas representou? Como nós iniciamos nossos projetos, nosso passado influencia?
Tudo que representa criação e novidade pode ser analisado.

3. LUA CRESCENTE O Amadurecimento



A lua crescente representa um momento muito importante dentro dos Esbaths, o amadurecimento das ideias, dos objectivos, e do próprio conhecimento.
Na Lua Negra transformamos, na Nova criamos e na crescente colocamos em prática nossos objectivos.

Nesse momento a Deusa transita entre sua face jovem à sua face mãe e senhora, ela realmente está crescendo e amadurecendo, é um bom momento para despertar novas sensibilidades e para verificar o andamento de toda a sua vida.

Proceda à limpeza e purificação como já referido.

DECORAÇÃO E SINTONIZAÇÃO:

A Decoração do Esbath de lua crescente é também muito individual, sua cor normalmente é o verde ou o amarelo, cores ligadas a crescimento e abundância, porém você pode incluir outros tons da forma que desejar.

Você deve espalhar por todo o local símbolos, imagens ou objectos que lembrem tudo aquilo que você deseja por em prática e fazer prosperar e crescer, seus projetos, coisas do trabalho, desenhos dos objectivos, fotos da família e do parceiro(a).

A decoração deve auxiliar em suas reflexões e no envio de suas energias para esse projetos.

A Sintonização corresponde a uns 15 minutos tal como as outras.

Proceda à abertura do Círculo e invocações.

Cada Esbath corresponde a um aspecto das divindades, a Lua Crescente corresponde as Faces ligadas a fartura e ao crescimento, alguns exemplos dessas faces são: Pan, Hera, Danu, e vários outros.

Na simbologia do Esbath, nesse momento a Deusa é donzela, já amadurecida e crescendo.
Os adolescentes, e demais animais em crescimento são abençoados por ela.
Sendo assim, é normal enviar bênçãos aos jovens que acabaram de entrar na puberdade e estão se tornando homens e mulheres maduros, assim como abençoar os animais que já se tornaram férteis e estão concluindo seu crescimento, as plantas também não devem ser esquecidas e deve-se celebrar com bênçãos todas aquelas que vingaram e estão crescendo.



MEDITAÇÕES:

As meditações são direccionadas ao crescimento de projetos, a abundância e sequência de nossos objectivos.
Imagine que você deseja ter um bom rendimento financeiro ou um crescimento no seu contacto e união com a família, nesse momento de lua crescente você deve meditar sobre quais são as atitudes e posturas que deve tomar para que tudo possa crescer e prosperar, e deve pôr em prática tudo isso.

Essa meditação também deve possuir uma reflexão para nossas mudanças internas, devemos verificar o que foi criado no Sabath passado e colocar tudo para prosperar, devemos guiar o crescimento de nossos sentimentos e gerar uma harmonia, para que nada cresça além do devido.

Podemos meditar sobre lendas ou histórias de fertilidade, de crescimento, de abundância.
Seja as vitórias dos Deuses, o crescimento das cidades, a nosso próprio amadurecimento e etc. Como foi o nosso crescimento? Quem estava presente na nossa puberdade? Como lidamos com isso? O que aprendemos e levamos até hoje no nosso amadurecimento como pessoas? Como nós fortalecemos nossos projetos, realizamos nossos sonhos de criança, ou criamos outros? Tudo que representa crescimento e expansão pode ser analisado.

4. LUA CHEIA A Força



A lua Cheia representa o momento mais importante dentro dos Esbaths, a força e maturidade total de nossas capacidades mágicas.
Na Lua Negra transformamos, na Nova criamos, na Crescente colocamos em prática nossos objectivos e na Cheia eles são fortalecidos para decaírem na Minguante.

Nesse momento a Deusa vira a grande Senhora, Mãe de todos os seres, é um período de grande magnetismo, todas as energias aumentam suas vibrações, as percepções sensoriais se tornam mais latentes, é um momento especial para qualquer pagão.

DECORAÇÃO E SINTONIZAÇÃO:

A Decoração do Esbath de lua cheia é também individual, sua cor normalmente é o branco ou o negro. Cores ligadas à força, poder e maturidade.
Se quiser você pode utilizar outras cores.
Você deve espalhar por todo o local; símbolos, imagens ou objectos para onde você deseja enviar toda essa grande força que é gerada na lua Cheia. A decoração deve auxiliar em suas reflexões e no envio de suas energias para o objectivo da celebração.

A Sintonização deve seguir o padrão das anteriores e depois proceda à abertura do círculo e invocações como ensinado.

Cada Esbath corresponde a um aspecto das divindades, a Lua Cheia corresponde aos Deuses e Deusas Triplas, entretanto qualquer Divindade pode ser celebrada nesse momento.
Alguns exemplos de Deuses e Deusas Triplas são: Cerridwen, Innana, Athena, Ísis, Freya, Dionísio, Osíris, Cernnunos, Lugar e vários outros.

Na simbologia do Esbath, nesse momento a Deusa é Mãe, já amadurecida e começando a envelhecer. As Mães, humanas ou não, são abençoadas pela Deusa. Sendo assim, é normal reverenciar a família colocando fotos dos nossos pais e avós pelo altar, no caso daqueles que já partiram as fotos devem ir para o altar dos ancestrais.



MEDITAÇÕES:

As meditações são direccionadas ao fortalecimento dos projetos, a resolução dos problemas.

Nesse momento meditamos que todos os nossos objectivos já foram concluídos e estão em seu ápice, em seu momento mais perfeito e especial.
Essa meditação também deve possuir uma reflexão para o nosso poder interno, devemos verificar o que ocorreu desde o Sabath passado e organizar e equilibrar tudo, ampliando essas forças com o poder da lua cheia.

Podemos meditar sobre lendas ou histórias de famílias, de poder, de grandes acontecimentos.

5. LUA MINGUANTE A Morte



A lua minguante representa o período de envelhecimento e morte de todos os seres e coisas. É natural as mulheres menstruarem na lua minguante, pois seu óvulo não fecundado morre e é descartado nesse período.

Na Lua Minguante, os projectos são ‘arquivados. Morrem para que possamos na lua negra iniciar todo o ciclo de análise, criação, expansão, fortalecimento e término novamente.

Nesse momento a Deusa percorre os portais até o sub mundo, ela é a Senhora, a Anciã que em breve será Rainha das transformações. Esse é um período de grande transição, nervosismo e conflitos. As dúvidas são características muito presentes durante a lua minguante.

Assim como a Deusa percorre os portais entre os mundos, nós estamos no fim de um ciclo, finalizando por completo projetos e tendo a necessidade de começar a buscar por novos.
É também um período de descanso, já que na Lua Cheia muita da energia foi dispendida.

Proceda ao ritual de limpeza e purificação.

DECORAÇÃO E SINTONIZAÇÃO:

A Decoração do Esbath de lua minguante é, como as restantes, individual.
Sua cor, normalmente é o marrom, vinho ou o negro, cores ligadas aos términos, à morte, ao envelhecimento.
Se quiser você pode utilizar outras cores, desde que não sejam cores muito chamativas.

Você deve espalhar por todo o local símbolos, imagens ou objectos para onde você irá enviar as energias de término. A decoração deve auxiliar em suas reflexões e no envio de suas energias para o objectivo da celebração.

A Sintonização segue os padrões anteriores e proceda depois à abertura do Círculo e invocações.

A Lua Minguante possui princípios muito similares aos da Lua Negra. Sendo assim os Deuses negros e os Deuses relacionados a términos são celebrados nesse momento. Alguns exemplos são: Ísis, Perséfone, Osíris, Hades e vários outros.

Na simbologia do Esbath, a Deusa é a Anciã, já amadurecida e pronta para a morte.
Nesse momento o altar dos ancestrais deve receber maior atenção, caso alguém tenha falecido há pouco tempo, é comum pedir que essa pessoa seja encaminhada pelos Deuses para o País do verão de modo que não fiquem vagando pelo astral ou aprisionados no sub mundo.
Aqueles que se encontram entre a vida e a morte também devem receber atenção, esse é um bom período para trabalhar curas, já que apenas com a morte é possível a vida e vice-versa.



MEDITAÇÕES:

As meditações são direccionadas ao término dos projetos, à resolução dos problemas.
Nesse momento meditamos para esquecer todos os nossos objectivos alcançados para que tenhamos a mente livre para novos projetos.

Essa meditação também deve possuir uma reflexão para o nosso poder interno, devemos verificar o que ocorreu desde o Sabath passado e organizar e equilibrar tudo, eliminando todas as energias indesejadas.
Podemos meditar sobre lendas ou histórias de conquistas, finalização de construções ou artes, de mortes e afins.

OUTROS RITUAIS:

Elevar o Cone do Poder



Como a maioria das actividades, isso acontece no centro de um círculo mágico.
Ao tentar gerar energia para formar o cone do poder, os bruxos recorrem à dança, à meditação e aos cânticos.

Para "moldar" o poder que afirmam produzir, reúnem-se em torno do círculo mágico, esticam os braços em direcção à terra e gradualmente os levantam em direcção a um ponto focal acima do centro do círculo.

Quando o líder da assembleia sente que a energia atingiu seu ápice, ordena aos membros: "Enviem-na agora". Então, todos visualizam aquela energia assumindo a forma de um cone que deixa o círculo e viaja até um destino previamente determinado.

O alvo do cone pode ser alguém doente ou outro membro do grupo que necessite de assistência em seu trabalho mágico. Mas seu destino também pode estar menos delimitado.

Como a prática da feitiçaria está profundamente vinculada à natureza, o cone do poder pode ser enviado para ajudar a superar as crises ambientais que atravessamos.



Esta é a mais básica e ao mesmo tempo avançada técnica utilizada em magia Wicca: A arte de utilizar nossa mente para "VER" o que não está presente fisicamente, é um poderoso instrumento de magia utilizado em muitos Rituais Wiccanos.

Um exemplo disso é a criação do Círculo Mágico, onde a habilidade do Wiccano em visualizar seu poder pessoal fluindo para formar uma esfera de Luz brilhante ao redor da área do ritual. Essa visualização direcciona o poder que realmente cria o Círculo, ele não se cria sozinho.

Visualização é o ato de ver com a mente e não com os olhos.
A visualização mágica é ver algo que não existe neste instante, pode ser um Círculo Mágico, uma pessoa curada, um talismã com poder etc.Podemos gerar energia, e, enquanto isso, formar uma imagem na mente de alguma coisa de que necessitamos, tudo o que for possível visualizar o mais perto do real possível.

A seguir, direcciona-se a energia para fortalecer a visualização, para que ela se manifeste.
Em outras palavras, a visualização "programa" o poder.
Isso pode ser explicado como uma forma de energia mental. Ao invés de criar uma imagem física, criamos figuras em nossa mente. Pensamentos são, definitivamente, objectos.

Nossos pensamentos afectam a qualidade de nossas vidas, se reclamarmos sempre de nossa falta de dinheiro, e fazemos uma visualização de quinze minutos para atrair dinheiro, estes quinze minutos de energia terão de lutar contra 23 horas e 45 minutos diários de programação negativa auto-induzida. Portanto devemos manter nossos pensamentos alinhados e em ordem a nossos desejos e necessidades.

ANIMAIS TOTEM:



O seu Animal Totem é aquele que, queira ou não, estará sempre presente, a seu lado, fazendo com que você reaja a determinadas situações.

Na maioria das vezes, a linguagem do povo é sábia, existem determinadas afirmações como: Tal pessoa tem olhos de lince, aquela pessoa reage tal qual uma cobra, aquele é esperto como uma raposa, e por aí vai. Mas o que será que isso quer dizer?

Não seria a crença inconsciente de que temos um animal totem que nos guia?Utilizar um animal não é escravizá-lo, como alguns autores de livros dão a entender.

Transformar-se nesse animal é para que algumas coisas sejam facilitadas, o que você não poderia fazer usando o seu próprio corpo.A técnica utilizada de animais em projecção, é muito usada pelos Índios, sendo os Xamãs aqueles que a dominam. Como é uma técnica que depende em primeiro lugar da sensibilidade, não é ensinada de uma maneira comum. É necessário que você sensibilize dentro de você o animal, para que possa utilizá-lo. É muito importante que você vivencie o reino em que o Mundo Animal vive, ou seja, o Reino da Natureza.

É também muito importante, que você tenha dentro de si, o compromisso com a Grande Mãe, que saiba escutar o vento, que sinta o cheiro da chuva dias antes dela chegar, que conheça o céu que a abriga e principalmente, que se sinta inteiramente integrada aos Reinos Vegetal, Animal e Vegetal. Isto é, estar em total harmonia com os animais, as plantas, as pedras…

Somente depois de uma vivência plena com a Grande Mãe, é, que você verá que não precisa chamar por um determinado animal, ele por si virá até você, para ajudá-la.

A seguir na tabela abaixo, você terá o horóscopo dos Índios Norte-Americanos.
Como ele foi idealizado por um povo do Hemisfério Norte, foi feita a adaptação para o Hemisfério Sul seguindo a mesma lógica dos Índios Norte-Americanos, que é a dos ventos e das estações.

Este horóscopo é um dos primeiros passos de entrada no Mundo da Grande Mãe, pois nele, você não se verá como o espécime humano "todo-poderoso", mas como uma partícula integrada a outros reinos.

Este horóscopo chama-se a "RODA DA CURA", para os Índios. Use-o e estará vivendo em harmonia com o Grande Mistério, a Grande Mãe, o Grande Espírito.

Animal Totem, data de início e data de término:

CORVO: 21 de Março a 19 de Abril
COBRA: 20 de Abril a 20 de Maio
CORUJA: 21 de Maio a 20 de Junho
GANSO: 21 de Junho a 22 de Julho
LONTRA: 23 de Julho a 22 de Agosto
LOBO: 23 de Agosto a 22 de Setembro
FALCÃO: 23 de Setembro a 23 de Outubro
CASTOR: 24 de Outubro a 21 de Novembro
GAMO: 22 de Novembro a 21 de Dezembro
PICA-PAU: 22 de Dezembro a 19 de Janeiro
SALMÃO: 20 de Janeiro a 18 de Fevereiro
URSO: 19 de Fevereiro a 20 de Março

RITUAIS QUE PODE TENTAR MESMO SEM PRÁTICA:



PARA A PROTEÇÃO:

Faça um Altar para a sua família.
Pegue uma Drusa de Cristal e projecte em cada ponta do cristal a imagem das pessoas que você deseja proteger. Elas ficarão ali representadas.
Cada vez que você lavar a Drusa, reforce a programação, todas as Quintas-feiras, acenda um Incenso, permeie o cristal com sua fumaça, e deixe-o queimando ao lado.

PARA A INTUIÇÃO:

Faça um chá de roseira, sente-se em uma cadeira confortável, enquanto toma o chá, pense em algumas pessoas que possam estar precisando de sua ajuda.
Sinta uma onda de sentimentos delicados saindo de você e indo para elas.

PARA A ELEVAÇÃO ESPIRITUAL:

Tome um banho de óleo de lavanda, que a deixará calma.
Abra o seu coração e perdoe alguém que te magoou.
Reflicta no poder do perdão.

Lembre-se sempre de que tudo o que fizer, deve ser anotado no seu Livro das Sombras para que você possa ler depois e analisar cada passo dado.
É muito interessante ter tudo marcado, não apenas como uma lembrança que poderá ser passado em gerações, mas como forma de ver seu próprio desenvolvimento.



Por: S. L. Lima

Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

A Lenda Áurea


Não existe algo como um “cânon dos santos”, no sentido de um único registro de todos os homens e mulheres que, desde os primeiros tempos, tenham sido publicamente honrados pela Igreja Católica Apostólica Romana. Seus nomes devem ser listados em inúmeros calendários eclesiásticos, sejam os antigos ou modernos, nas compilações conhecidas no Ocidente e no Oriente como martirológios, menológios, ous sinaxários, e em outras fontes. Tal lista de nomes assim obtido é de grande quantidade, e é chamada de MARTIROLÓGIO ROMANO, onde contém cerca de quatro mil e quinhentos nomes, mas é bastante incompleto.

Outros escritos antigos sobre a vida dos santos são de tipos diferentes e tem valor histórico bastante variado, ou mesmo duvidoso. Vão desde biografias escritas por contemporâneos ou mesmo por discípulos, até obras posteriores bem cheias de erros, omissões, interpolações, e “retoques” fantásticos. Logo, a pesquisada vida dos primeiros santos esta envolvida em dificuldades especiais. Existem aquelas que são enfrentadas por outros historiadores e biógrafos, escassez e precariedade dos registros, incertezas e contradições, interpretações conflitantes, e assim por diante. Somada a estas, há em particular a “seletividade” do material disponível.


Freqüentemente, os hagiógrafos só estavam interessados nos aspectos diretamente “religiosos” da vida do santo, e a biografia se transformava em uma simples lista de milagres e feitos fantásticos até, de flagelos físicos voluntários, ou no caso dos mártires, numa seqüência de tormentos indescritíveis, tormentos estes tão intensos que bastariam para destruir o corpo humano uma única vez. Na imensa literatura hagiográfica dos primeiros tempos, o fato histórico e um alto grau de autenticidade são elementos raríssimos. Vamos a encontrar sempre os mitos, o folclore, as lendas ou as ficções românticas e edificantes, que não difere de muitas novelas históricas.


Estas “vidas lendárias” tornaram-se uma forma literária reconhecida no gênero, que se propunha honrar os santos católicos, exaltar suas virtudes e ações, inspirar mais o ânimo e fibra entre os cristãos mais apáticos e desencorajados.


Em plena Idade Média, o frade dominicano Jacques de Voragine quis escrever uma obra sem precedentes: a narrativa da vida dos 180 santos mais conhecidos até sua época. Ele o fez em latim popular, e o objetivo era claro: o clero necessitava de leitura acessível que o inspirasse em suas pregações, apresentando exemplos de vida que corriam de boca em boca somente através das tradições populares. O resultado de tal iniciativa foi impressionante: em alguns anos a obra tornou-se, juntamente com a Bíblia, o livro mais copiado, lido, escutado, comentado e parafraseado nos países da Cristandade. A partir de 1264 se dedicou a escrever uma enxundiosa compilação das vidas e dos milagres dos santos, obra que gozou de grande prestígio e popularidade durante séculos e que depois foi acrescentada por outros autores.

Em 1265, Jacques de Voragine foi eleito Provincial de sua ordem na Lombardia. Nesse período teve a honra de ser o superior de Santo Tomás de Aquino. Em 1292, foi nomeado Arcebispo de Gênova, cargo que ocupou até a sua morte, aos 70 anos, em 1298.


No século XIII, quando instituições como as corporações de ofício estavam no seu auge e, ao mesmo tempo, floresciam as primeiras universidades, Voragine quis oferecer uma dádiva ao povo, ocupado em construir igrejas e catedrais, ávido por conhecer a verdadeira fé. Escreveu ele com fervor e entusiasmo uma história, retraçando todos os conhecimentos e lendas acumulados com o passar dos séculos, sobre a vida dos santos. Nasceu assim o primeiro livro religioso realmente acessível a todos: a Legenda Sanctorum, ou “o que deve ser lido dos santos”. Em pouco tempo a obra recebeu o nome de Légende Dorée — Lenda Áurea, porque, diziam então, seu conteúdo era de ouro.




O livro, reproduzido em mais de 10 mil manuscritos, narra com uma força surpreendente as incríveis e maravilhosas histórias dos santos, seus milagres e martírios, recuando até os primeiros anos da Cristandade medieval e abarcando os lugares mais longínquos e recônditos do mundo de então. O religioso dominicano evoca também as principais festas do calendário litúrgico e mariais.

Outro efeito, contudo, permitiu que o livro alcançasse ainda mais importância. O texto maravilhou os artistas, que dele prazerosamente se apoderaram desde os primórdios da Renascença italiana, tornando-o referência inconteste de todos os pintores, que ali encontravam fonte inesgotável de inspiração. Isso ocorreu com os maiores artistas, tais como Giotto, Duccio, Fra Angelico, Simone Martini, Piero della Francesca, Masaccio, Masolino, Pietro Lorenzetti, Ambroggio etc. Mas também outros menos conhecidos, embora não menos inspirados, empregaram seu gênio para exaltar cenas da vida de santos e enriquecer as igrejas, conventos e mosteiros com afrescos, retábulos, vitrais e políticos.




Se uma centena dessas reproduções artísticas são universalmente conhecidas, pode-se dizer, entretanto, que mais de um terço delas são totalmente inéditas: afrescos escondidos no fundo de conventos, retábulos descobertos em igrejas desconhecidas, seqüências espalhadas em diversos museus, ou mesmo em coleções privadas. A conjunção do livro do Beato Voragine com as obras de arte que ele suscitou foi uma agradável surpresa, e realçou a beleza extraordinária, cheia de sabedoria e de maravilhoso da Idade Média.

O Padre Hipólito Delehaye, o mais crítico dentre os hagiógrafos, escreveu na Lenda Áurea: “Confesso que o que estou lendo, me é muitas vezes difícil conter o sorriso. Mas é um sorriso simpático e amigável, que não perturba a resposta religiosa despertada pela descrição da bondade e dos feitos heróicos dos santos”. As narrativas lendárias tem esse valor: são a evidência daquilo que o povo “acreditava” quando as lendas tomaram forma. Como afirmou Sir Arthur Quiller-Couch, escrevendo em um outro contexto, “uma lenda, por mais que seja um exagero em realação aos fatos, é um fato em si, atestando a crença”. Naturalmente, não devemos subestimar a sofisticação mental das pessoas letradas.




NO INÍCIO, a lenda era um relato sobre um mártir, ou outro santo, que deveria ter lido publicamente no dia de sua comemoração O conteúdo podia ser factual, imaginário ou uma mistura dos dois. Com o passar do tempo,a palavra adquiriu, na linguagem comum, um significado completamente desfavorável, do ponto de vista histórico. É nesse sentido que ela é usada na Lenda Áurea, significando uma narrativa, ou parte de uma narrativa, que não é historicamente verdadeira ou que, pelo menos, é duvidosa.

De nenhuma outra categoria de pessoas que já passaram por este “vale de lágrimas”, se pode dizer com tanta verdade que “tendo morrido, ainda falam”. A Vida destes santos, portanto, merecem atenção, simpatia e compreensão de todos – cristãos praticantes ou não – que se consideram humanistas e podem dizer, como o escritor romano Terêncio: “Sou um homem, e nada do que é humano me é indiferente”.

Não faz parte do escopo de uma introdução discutir assuntos como milagres em si ou na relação que guardam com as narrativas sobre os santos, nem examinar visões religiosas e outros fenômenos tão frequentemente ligados a vida dos santos contados na Lenda Áurea, ou ainda buscar certos costumes, tais como a ênfase dada por muitos escritores ao asceticismo, verdadeiro ou suposto. O mesmo se aplica aos vários aspectos dos cultos públicos dos santos, suas relíquias, seus templos, e as peregrinações a esses lugares, a dedicação as igrejas em sua homenagem, sua escolha como patronos celestiais, sua freqüente e variada representação em pinturas e esculturas (sem falar na poesia, na música, no cinema e no teatro).Cada um desses aspectos é um assunto com caráter próprio que requer tratamento em separado.

Por Paulo Néry

Atlântida, o continente perdido



A primeira fonte de informação que chegou ao mundo moderno é sem dúvida a escrita por Platão. Foi ele quem primeiro falou da existência de uma ilha, então submersa, à qual foi dado o nome de Atlântida. Platão tomou conhecimento da Atlântida através de Sólon, que, por sua vez ouviu os relatos de sacerdotes egípcios, num dos templos da cidade de Saís.



Na verdade a Atlântida data no mínimo, de 100.000 a.C. então constituindo um imenso continente que se estendia desde a Gronelândia até o Norte do Brasil. Naquele continente havia muitos terremotos e vulcões e foi isto a causa de duas das três destruições que acabaram por submergi-lo. A terceira destruição não foi determinada por causas naturais. Na primeira destruição, em torno de 50.000 a.C. várias ilhas que ficavam junto do continente também afundaram, em decorrência da ação dos cataclismos naturais.



A segunda destruição, motivada pela mudança do eixo da Terra, ocorreu em torno
de 28.000 a.C., quando grande parte do continente afundou, restando apenas algumas ilhas, das quais uma que conectava o continente Atlante à América do Norte. A "terceira Atlântida" foi exatamente esta onde floresceu a civilização citada por Platão e que por fim foi extinta, em uma só noite, afundando-se no mar restando apenas as partes mais elevadas que hoje correspondem ao arquipélago dos Açores.



Atlântida 100.000 a.C. a 50.000 a.C.
Sobre esta fase da Atlântida, pouco se sabe. Diz-se haver sido colonizada pelos lemurianos que haviam fugido do continente onde habitavam, também sujeito a cataclismos imensos, quando então se estabeleceram correntes migratórias fugitivas das destruições que ocorriam na Lemúria, algumas delas dirigiram-se para o Sul da Atlântida.

Estes primeiros Atlantes julgavam a si pelo caráter e não pelo que tinham e viviam em harmonia com a natureza. Pode-se dizer que 50% de suas vidas era voltada ao espiritual e os outros 50% para o lado prático, vida material.

Possuíam grandes poderes mentais o que lhes conferia domínio da mente sobre o corpo. Assim viveram por muito tempo até que, em decorrência da proximidade do sul da Atlântida com o Continente Africano, várias tribos agressivas africanas dirigiram-se para a Atlântida forçando os Lemurianos ali estabelecidos, a deslocarem-se cada vez mais para o norte do continente. Com o transcorrer do tempo os genes dos dois grupos foram se misturando.



Em 52.000 a.C. os Atlantes começaram a sofrer com ataques de animais ferozes, o que os fizeram aumentar seus conhecimentos em armas, motivando um avanço tecnológico na Atlântida. Novos métodos de agricultura foram implementados, a educação expandiu-se, e consequentemente, bens materiais começaram a assumir um grande valor na vida das pessoas, que começaram a ficar cada vez mais materialistas.

Assim os valores psíquicos e espirituais foram decaindo. A maioria dos atlantes foi perdendo a capacidade de clarividência e suas habilidades intuitivas por falta de treinamento e uso, a ponto de começarem a desacreditar na mencionadas habilidades.



Edgar Cayce afirma que dois grupos diversos tiveram grande poder nessa época, um deles chamados de "Os Filhos de Belial". Estes trabalhavam pelo prazer, tinham grandes posses, mas eram espiritualmente imorais.

Um outro grupo chamado de "As Crianças da Lei Um", era constituído por pessoas que invocavam o amor e praticavam a reza e a meditação juntas, esperando promover o conhecimento divino. Chamavam-se assim porque acreditavam em Uma Religião, Um Estado, Uma Casa e Um Deus, ou melhor, que Tudo é Um.

Logo após essa divisão da civilização atlante ocorreu a primeira destruição, ocasião em que grande número de imensos vulcões entraram em erupção.



Então uma parte do povo foi para a África onde o clima era muito favorável e possuíam muitos animais que podiam servir como fonte de alimentação. Ali os descendentes dos atlantes viveram bem e se tornaram caçadores.

A outra parte direcionou-se para a América do Sul onde se estabeleceu na região onde hoje é a Bacia Amazônica.

Biologicamente os atlantes do grupo que foi para a América do Sul começaram a se degenerar por só se alimentarem de carne pensando que com isso iriam obter a força do animal, quando na verdade o que aconteceu foi uma progressiva perda das habilidades psíquicas.

Assim viveram os descendentes atlantes até que encontraram um povo chamado Ohlm, remanescentes dos descendentes da Lemúria, que os acolheram e ensinaram-lhes novas técnicas de mineração e agricultura.

As duas partes que fugiram da Atlântida floresceram muito mais do que aquela que permaneceu no continente pois em decorrência da tremenda destruição, os remanescentes praticamente passaram a viver como animais vivendo nas montanhas durante 4.000 anos, após o que começaram a estabelecer uma nova civilização.

Atlântida 48.000 a.C. a 28.000 a.C.

Os atlantes que estabeleceram uma nova civilização, começaram de forma muito parecida com o inicio da colonização que os Lemurianos fizeram. Voltaram a trabalhar com a natureza e nisso passaram milhares de anos, mas com o avanço cientifico e tecnológico também começaram a ficar cada vez mais agressivos, materialistas e decadentes.

Os tecnocratas viviam interessados em bens materiais e desrespeitando a religião. A mulher se tornou objeto do prazer; crimes e assassinatos prevaleciam, os sacerdotes e sacerdotisas praticavam o sacrifício humano.



Os atlantes se tornaram uma civilização guerreira.
Alguns artistas atlantes insatisfeitos fugiram para a costa de Espanha e para o sudoeste da França, onde até hoje se vêem algumas de suas artes esculpidas nas cavernas.

Em 28.000 a.C. com a mudança do eixo da Terra, os vulcões novamente entraram em grande atividade acabando por acarretar o fim da segunda civilização atlante. Com isso novamente os atlantes fugiram para as Antilhas, Yucatão, e para a América do Sul.

Atlântida 28.000a.C. a 12.500 a.C.
Esta foi a civilização atlante descrita por Platão.
Mais uma vez tudo se repetiu, os que ficaram recomeçaram tudo, recriando as cidades que haviam sido destruídas, inicialmente tentando não cometer os mesmos erros da florescente civilização passada. Eles unificaram a ciência com o desenvolvimento espiritual a fim de haver um melhor controle sobre o desenvolvimento social.



Começaram a trabalhar com as Forças da Natureza, tinham conhecimento das hoje chamadas linhas de Hartman e linhas Ley, que cruzam toda a Terra, algo que posteriormente veio a ser muito utilizado pelos celtas que construíram os menires e outras edificações em pedra.

Vale salientar que eles acabaram por possuir um alto conhecimento sobre a ciência dos cristais, que usavam para múltiplos fins, mas basicamente como grandes potencializadores energéticos, e fonte de registro de informações, devido a grande potência que o cristal tem de gravar as coisas.

Os Atlantes tinham grande conhecimento da engenharia genética, o que os levou a tentar criar “raças puras”, raças que não possuíssem nenhum defeito.



Os Atlantes detinham grandes conhecimentos sobre as pirâmides, há quem diga que elas foram edificadas a partir desta civilização e que eram usadas como grandes condutores e receptores de energia sideral, o que, entre outros efeitos, fazia com que uma pessoa que se encontrasse dentro delas, especialmente a Grande Pirâmide, entrava em estado alterado de consciência quando então o sentido de espaço-tempo se alterava totalmente.

É certo que os habitantes da Atlântida possuíam um certo desenvolvimento das faculdades psíquicas, entre as quais a telepatia, embora que muito aquém do nível atingido pelos habitantes da primeira civilização.



Construíram aeroplanos, mas nada muito desenvolvido, algo que se assemelharia mais ao que é hoje é conhecido como “asa delta”. Isto tem sido confirmado através de gravuras em certos hieróglifos egípcios e maias.

Também em certa fase do seu desenvolvimento os atlantes foram grandes conhecedores da energia lunar, tanto que faziam experiências muito precisas de conformidade com a fase da Lua. A par disto foram grandes conhecedores da astronomia em geral.



Na verdade os atlantes detiveram grandes poderes, mas como o poder denigre o caráter daquele que não está devidamente preparado para possuí-lo, então a civilização começou a ruir. Eles começaram a separar o desenvolvimento espiritual do desenvolvimento científico.

Em busca do aperfeiçoamento racial, os cientistas atlantes tentaram desenvolver certos sentidos humanos mediante genes de espécies animais detentoras de determinadas capacidades. Tentaram que a raça tivesse a acuidade visual da águia, e assim combinaram genes deste animal com genes humanos; aprimorar o olfato através de genes de lobos, e assim por diante.



Mas na verdade o que aconteceu foi o pior, aqueles experimentos não deram certo e ao invés de aperfeiçoarem seus sentidos acabaram criando bestas-feras, onde algumas são encontradas na mitologia grega e em outras mitologias e lendas.
Ainda no campo da engenharia genética criaram algumas doenças que ainda hoje assolam a humanidade.

A moral começou a ruir rapidamente e o materialismo começou a crescer. Começaram a guerrear. Entre estas, foi citada uma que houve com a Grécia, da qual esta foi vitoriosa. Enganam-se os que pensam que a Grécia vem de 2.000 a.C. Ela é muito mais antiga. Isto foi afirmado a Sólon pelo sacerdote de Sais.
Muitos atlantes partiram para onde hoje é a Grécia e com o uso a tecnologia que detinham se fizeram passar por deuses dando origem assim a mitologia grega, ou seja, constituindo-se nos deuses do Olimpo.



Por último os atlantes começaram a fazer experimentos com displicência de forma totalmente irresponsável com cristais e como consequência acabaram canalizando uma força cósmica, que denominaram de "Vril", e que não tiveram condições de controlar, resultando disso a destruição final da Atlântida, que submergiu em uma noite.



Acreditar que um continente tenha submergido em uma noite não é fácil, mas temos que ver que a tecnologia deles era muito mais avançada do que a nossa, e que o poder do cristal é muito maior do que imaginamos, pois se repararmos, os cristais estão sempre paralelos com o avanço tecnológico: Um computador é formado basicamente de cristais e o laser é feito a partir de cristais...

Mas antes da catástrofe final os Sábios e Sacerdotes atlantes, juntamente com muitos seguidores, cientes do que adviria daquela ciência desenfreada e que os dias daquela civilização estavam contados, partiram para vários pontos do mundo, principalmente para três regiões distintas: O nordeste da África onde deram origem a Civilização Egípcia; para América Central, onde deram origem a Civilização Maia; e para o noroeste da Europa, onde bem mais tarde na Bretanha deram origem à Civilização Celta.

A corrente que deu origem a civilização egípcia inicialmente teve muito cuidado com a transmissão dos ensinamentos científicos a fim de evitar que a ciência fora de controle pudesse vir a reeditar a catástrofe anterior. Para o exercício desse controle eles criaram as “Escolas de Mistérios”, onde os ensinamentos eram velados, somente sendo transmitidos às pessoas que primeiramente passassem por rigorosos testes de fidelidade.



Os atlantes levaram com eles grandes conhecimentos sobre construção de pirâmides, e sobre a utilização prática de cristais, assim como conhecimentos elevados de outros ramos científicos, como matemática, geometria, etc.
Pesquisas recentes datam a Esfinge de Gizé sendo de no mínimo 10.000 a.C. e não 4.000 a.C. como a egiptologia clássica afirma. Edgar Cayce afirmou que embaixo da esfinge existe uma sala na qual estão guardados documentos sobre a Atlântida, atualmente já encontraram uma porta que leva para uma sala que fica abaixo da esfinge, mas ainda não entraram nela. A Ordem Hermética afirma a existência não de uma sala, mas sim de doze.

A corrente que deu origem a civilização maia, foi muito parecida com a corrente que deu origem a civilização egípcia. Quando os atlantes que migraram para a Península de Yucatão, encontraram lá povos que tinham culturas parecidas com a deles, o que não é de admirar, pois na verdade lá foi um dos pontos para onde já haviam migrado atlantes fugitivos da segunda destruição.

Também os integrantes da corrente que se direcionou para o Noroeste da Europa, e que deu origem mais tarde aos celtas, tiveram muito cuidado com a transmissão do conhecimento em geral. Em vez de optarem para o ensino controlado pelas “Escolas de Mistérios” como acontecera no Egito, eles optaram por crescer o mínimo possível tecnologicamente, mas dando ênfase especialmente aos conhecimentos sobre as Forças da Natureza, sobre as energias telúricas, sobres os princípios que regem o desenvolvimento da produtividade da terra. Conheciam bem a ciência dos cristais e da magia, mas devido ao medo de fazerem mau uso dessas ciências eles somente os utilizavam no sentido do desenvolvimento da agricultura, da produtividade dos animais de criação, etc.



Atualmente as pessoas vêem a Atlântida como uma lenda fascinante, como algo que mesmo datando de longa data ainda assim continua prendendo tanto a atenção. Indaga-se do porquê de tanto fascínio? Acontece que ao se analisar a história antiga da humanidade vê-se que há uma lacuna, um hiato, que falta uma peça que complete toda essa história.

Muitos estudiosos tentam esconder a verdade com medo de ter que reescrever toda a história antiga, rever conceitos oficialmente aceitos. Mas eles não explicam como foram construídas as pirâmides, como existiram inúmeros artefatos e achados arqueológicos encontrados na Ásia, África e América todos inter-relacionados.

Como foram construídos as pirâmides e outros monumentos até hoje é um enigma. Os menires encontrados na Europa, as obras megalíticas existentes em vários pontos da terra, os desenhos e figuras representativas de aparelhos e até mesmo de técnicas avançadas de várias ciências, os autores oficiais não dão qualquer explicação plausível.



Os historiadores não acreditam que um continente possa haver afundado em uma noite, mas eles esquecem que aquela civilização foi muito mais avançada que a nossa: Foram encontradas, na década de 60, ruínas de uma civilização no fundo do mar perto dos Açores, onde foram encontrados vestígios de colunas gregas e até mesmo um barco fenício. Recentemente foram encontradas ruínas de uma outra civilização que também afundou perto da China. Crê-se que tenha sido Lemúria.



Por: S. L. Lima

Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Uma Voz desconhecida que Clama no Deserto: João Batista.


Ele é um personagem enigmático do Novo Testamento. Sua importância nas Sacras Escrituras o tornam como um dos ícones cujo legado deixou uma marca indelével na História do Cristianismo. João Batista é uma figura tão importante que os quatro Evangelhos começam com sua trajetória, o que não o torna um ícone suplementar.

Entretanto, os Evangelhos contam poucos detalhes de sua vida, mas contam o nascimento de João, com feitos fantásticos

Sabe-se que seu nascimento foi de forma miraculosa, pois seu pai e sua mãe eram de idade avançada. Que Isabel (sua mãe) era da descendência de Aarão (irmão mais velho de Moisés) e teve uma gestação de alto risco, o que poderia se dizer para uma mulher idosa que engravidasse em nossos dias. Que nasceu 6 (seis) meses antes de Jesus. Que Zacarias, seu pai, era descendente da tribo ou do povo de Abias. Ambos eram justos e caminhavam nos preceitos de Deus. Tendo Zacarias duvidado das palavras do Anjo que lhe anunciou o nascimento de um filho varão, ainda no Santo dos Santos do Templo, saiu dele mudo, causando muito espanto a todos, e mudo ficou até o dia do nascimento. Uma fogueira foi acesa como forma de comemoração e alegria no dia da chegada de João Batista ao mundo. Foi educado no sacerdócio por seu pai – Zacarias. Ele cresceu firme em Espírito e esteve no deserto até sentir-se capacitado para fazer sermões, e assim iniciar sua missão na vida e mostrar ao povo a que veio.



Muitos estranham o fato de João Batista ser citado por diversas fontes como o Pregador do Deserto, de alimentar-se com gafanhotos e mel silvestre, pois que era filho do sacerdote Zacarias. O deserto, no qual pregava João Batista, era o deserto das Almas, as almas desérticas.

Mas como seria a aparência de João Batista? Os Evangelhos nada dizem de sua fisionômia, mas a tradição o vê com longas barbas e cabelos, bem como uma forma rudimentar de se vestir. Por que ele foi associado a imagem tão rústica, como um homem das cavernas?




ANALISEMOS: Se ele morava no deserto, deveria ter um aspecto rude, não poderia cortar o cabelo, e a impressão é que o Batista deveria ter um aspecto selvagem. Se referiam a ele como um Nazir (ou nazireu). O Nazir era alguém que fazia voto de não cortar os cabelos e a barba, e tinham obviamente o cabelo e barbas compridas. Um famoso nazir do Antigo Testamento foi o Sansão.


Todavia, sentindo-se capaz, o filho de Zacarias e Isabel iniciou a pregação de seu Ministério no Rio Jordão. Trajava veste de pelos de camelo, e cinto de couro que lhe cingia a cintura. Segundo narram os textos bíblicos, seu alimento era gafanhotos e mel de abelhas.


E A DIETA ESPARTANA DE JOÃO BATISTA? Uma linguagem figurada ou ele realmente se alimentava de mel e insetos?

É SABIDO que o consumo de gafanhotos é permitido pelas leis judaicas, e não seria errado dizer que ele comia gafanhotos. Os gafanhotos, segundo dizem, cozidos, parecem nozes. Mas muito improvável que se alimentasse apenas de mel e gafanhotos. Parece que fica claro que a intenção dos evangelistas era de que João comia alimentos puros, e não processados como o pão e o vinho.


O EVANGELHO BIONITA, APÓCRIFO, tem uma teoria a respeito da dieta de João, mas tal evangelho não existe mais. São Jerônimo, que viveu no Século IV e que traduziu a Bíblia do grego e hebreu para o latim, criando assim a Vulgata, tinha uma cópia deste texto. Jerônimo, conhecedor do grego e latim como era, segundo sua tradução do Evangelho Bionita, ele não come gafanhotos, mas sim bolos de mel. Em grego, a diferença entre há diferença entre a palavra “GAFANHOTO”(“AKPIS”) e a palavra “BOLO DE MEL” (“EYKPIS”) é de apenas uma letra. Podia haver confusão e fazer mas sentido, e este era o alimento dos israelitas do deserto, pois era a dieta dos ascetas do deserto.

O fato é que no tempo do nascimento de João Batista era o tempo da perseguição e mortalidade de inocentes. Isabel fugiu com o filho para longe em local deserto para proteger o filho. Ela morreu antes de completar o resguardo de quarenta dias. Por este motivo, João, órfão de mãe, foi criado no sacerdócio de seu pai no deserto entre as feras, durante 30 (trinta) anos, conforme relatos bíblicos. Este fato tem paralelo com o que aconteceu também com Maria e José, pais de Jesus.


Os Evangelhos retratam João como um profeta apocalíptico: "Eu batizo com água. No meio de vós está alguém que não conheceis, o que vem depois de mim, do qual não sou digno de desamarrar as correias das sandálias" (Jo 1,26); João Batista diz: Arrependei-vos. O Reino dos Céus está próximo. (MT, 03,v02). João pensava no fim dos tempos, pois achava que estava porvir. Queria que as pessoas se arrependessem e levassem uma vida virtuosa. Muito provável que João se via como o profeta ardente que Elias anunciou em Malaquias.

Como ele vivia no deserto e proclamava uma mensagem apocalíptica, João pode ter sido membro da misteriosa seita dos essênios, os autores dos pergaminhos do Mar Morto. Quando estes foram encontrados em uma caverna da região de Qmran, em 1947, pareciam ser a biblioteca de um grupo de judeus que era apocalíptico e messiânico, que acreditava plenamente no fim do mundo, retiram-se da sociedade para viver no deserto, e dizem nas leis de seu grupo que é um documento de fundação que haviam deixado para a sociedade deles, e conforme Isaías, cap 40, versículo 3, “preparem o caminho para o deserto”. Não é coincidência que nossos evangelhos comecem com alguém do mesmo local perto de Qmran, também pedindo arrependimento, dizendo que “chegou a hora, preparem o caminho para o deserto”. Será que havia uma conexão? Será que João freqüêntou as misteriosas cavernas de Quinram e seguiu os rituais da Comunidade?


POR OUTRO LADO, não há razão também para associá-lo com os essênios, pois conforme as próprias escrituras afirmam, ele era um indivíduo isolado no deserto, chamando as pessoas. Já os essênios, estes viviam em comunidade, traço dos mais importantes desta sociedade, pois era um grupo que vivia junto, comia junto e trabalhavam juntos, e praticavam os rituais de imersão. Já João, conforme os sacros textos, não convivia com ninguém, e além disso, se vestia com roupas velhas. Já os essênios, se vestiam com roupas brancas.


JOÃO tinha uma abordagem radical de imersão e purificação judaicas. Não foi a toa que escolheu o RIO JORDÃO para seus rituais.Para ele, o Jordão tinha algo de profundamente sagrado, pois havia sido no Jordão que o Profeta Elias foi visto pela última vez antes de ser arrebatado.

Iniciou sua missão pregando Batismo do arrependimento para remissão dos pecados. Pedia às pessoas que dividissem os seus pertences com os mais pobres, aos fortes, que amparassem os fracos. Aos sábios, que instruíssem os ignorantes, aos patrões, para serem mais humanos com seus subalternos, aos filhos, que respeitassem os pais e aos pais, que enveredassem os filhos para o caminho do bem. Que os publicanos cobradores de impostos não exigissem mais do que havia sido ordenado pelos superiores. Aos soldados, que não praticassem a violência, não fraudassem ninguém e que se contentassem com o soldo recebido.

Aos fariseus, saduceus e às demais castas religiosas, que ensinassem a não violência que se arrependessem de seus pecados e que se batizassem pelo batismo da água e do fogo.



ARREPENDEI-VOS, POIS O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO”, pregava João para a aglomeração de Judeus em sua volta. Batizava as pessoas nas águas do Rio Jordão, enquanto dizia: “EU VOS BATIZO EM ÁGUA MAS EIS QUE VEM OUTRO MAIS PODEROSO DO QUE EU, A QUEM EU NÃO SOU DIGNO DE DESARTA-LHE AS CORREIAS DAS SANDÁLIAS. ELE VOS BATIZARÁ NO ESPÍRITO SANTO E NO FOGO”.


Depois que muitas pessoas foram batizadas, o próprio Jesus dirigiu-se à Galiléia e foi procurar João. Tendo visto chegar Jesus o apontou: “EIS O CORDEIRO DE DEUS, AQUELE QUE TIRARÁ OS PECADOS DO MUNDO! É ESTE DE QUEM EU DISSE: DEPOIS DE MIM, VIRÁ UM HOMEM QUE ME É SUPERIOR, PORQUE EXISTE ANTES DE MIM! EU NÃO O CONHECIA MAS SE VIM BATIZAR EM ÁGUA É PARA QUE ELE SE TORNE CONHECIDO EM ISRAEL”. Então João Batista batizou Jesus. Saindo da água Jesus ficou parado um pouco além da margem, e eis que os céus se abriram e viram o Espírito Santo sob uma forma de pomba descer sobre Ele e uma voz dos céus foi ouvida: Este é meu filho amado, no qual pus a minha complacência.

Daí surge uma questão:

COMO JESUS, SE NÃO TINHA PECADO, se deixou batizar por João Batista, se justamente seu batismo era o de contrição?


LUCAS seguiu a via mais simples: somente menciona que Jesus foi batizado mas não diz por quem e que tipo de batismo. Já Mateus faz João Batista e Jesus terem uma discussão, pois João diz que não era digno de batizá-lo, mas Jesus diz que é a vontade de Deus. Os autores dos evangelhos querem mostrar que Jesus era superior a João, e isto esta fortemente presente nas narrativas do batismo.

Uma leitura mais atenta nos textos bíblicos revela que João pode ter tido grande influência nos ensinamentos de Jesus. Alguns estudiosos acreditam que Jesus teria ouvido os ensinamentos de João e os absorveu, e parecem ter a mesma tradição de ensinamentos. Apenas um fragmento dos ensinamentos de João sobreviveu, e ele disse:” quem tem dois mantos, deve dar a quem não tem nenhum”. Isto quem disse foi o Batista, não Jesus.


João ensinava o que chamamos de “ética de Jesus”. Esta ética era, sem dúvida, a mesma de João. Os discípulos disseram a Jesus: “Mestre, nos ensine a rezar como João ensinou aos seus discípulos”(Lucas, 11-1-4)- e Jeus lhes ensinou o Pai Nosso.

Lucas, parece assim, indicar que o “Pai Nosso” é uma oração de autoria de João Batista, pois parece ser uma oração apropriada para João, bem como para Jesus. Mas nem todos concordam com esta interpretação, pois os discípulos de Jesus tinham sido discípulos de João Batista, e teriam sabido muito bem as orações que o arauto e asceta do deserto ensinava. Sendo assim, o “Pai Nosso” veio de Jesus, porque quando se dirige a Deus como Pai, isto era somente de exclusividade dele no Novo Testamento.


Entretanto, a parte mais documentada da vida de João é a sua morte, tanto retratada pelo historiador Flávio Josefo como nos 4 evangelhos canônicos. Esteve João Batista anunciando a vinda de Jesus em muitas cidades em toda a Galiléia e em toda circunvizinhança. Tendo João Batista repudiado o Rei Herodes, pelo casamento incestuoso que mantinha com Herodíades, a mulher de seu meio irmão Herodes Felipe, foi encaminhado preso por ordem de Herodes para uma prisão na fortaleza de Maquerunti. Depois de 2 (dois) anos de sofrimento na masmorra do Palácio, foi degolado por imposição da mulher de Herodes, os seus discípulos enterraram o corpo.

Segundo o Levítico, um homem não pode casar com a ex-mulher do irmão vivo, e Herodes Antipas fez isso, pois era considerado uma união impura punida pela infertilidade, e o batista atacou Herodes por infringir a lei bíblica, e sua missão era falar a verdade, mesmo que tivesse que arriscar a sua própria vida. Todos os Evangelhos concordam que Herodes mandou matar João Batista, mas diferem nos detalhes. Os eventos mais dramáticos dizem Herodes fez uma grande festa no palácio em Macaerus, para os seus principais oficiais e outros homens de posição elevada nos conselhos do governo da Galiléia e Peréia. Já que Herodiades tinha fracassado em causar a morte de João, por apelo direto a Herodes, ela estabeleceu para si mesma a tarefa de levar João à morte por meio de um plano astuto.






No decorrer das festividades e entretenimentos daquela noite, Herodiades apresentou a sua filha para dançar diante dos convivas. Herodes estava muito encantado com a dança da donzela e, chamando-a diante de si, disse: “Tu és encantadora. Estou muito satisfeito contigo. Peça a mim, neste meu aniversário, o que desejares, e eu darei a ti, ainda que seja a metade do meu reino”. E Herodes fazia tudo isso sob a influência de muito vinho. A donzela retirou-se e perguntou à sua mãe o que deveria ela pedir a Herodes. Herodiades disse: “Vá a Herodes e peça a cabeça de João Batista”. E a jovem donzela, retornando à mesa do banquete, disse a Herodes: “Eu peço que me entregues imediatamente a cabeça de João Batista, em uma bandeja”.

Herodes ficou cheio de medo e de tristeza, no entanto, tinha dado a sua palavra diante de todos os que se assentavam para banquetear-se com ele, e por isso não queria negar o pedido. E Herodes Antipas enviou um soldado com a ordem de trazer a cabeça de João. E João teve então a sua cabeça decepada, naquela noite, na prisão; e o soldado trouxe a cabeça do profeta em uma bandeja e apresentou-a à jovem donzela, no fundo da sala de banquete. E a donzela deu a bandeja à sua mãe. Quando os discípulos de João ouviram sobre isso, vieram à prisão buscar o corpo de João e, depois de colocá-lo em um túmulo, foram embora e contaram tudo a Jesus.


A MORTE DE JOÃO, segundo os evangelhos, é de bastante dramaticidade. Vários elementos da história parecem provir do LIVRO DE ESTHER. O Rei Artaxerxex promete a Esther que lhe dará tudo, até a metade do reino, a mesma coisa que Herodes diz a filha Herodíades no Evangelho.

NO ENTANTO, o relato de Josefo parece ser mais próximo da morte do Batista. Segundo Josefo, João nunca acusou Antipas. Este era paranóico, e quis se livrar de João Batista o quanto antes, para evitar que causasse problemas. Foi um ataque preventivo, pois sabia que o Batista liderava um grande número de seguidores no Rio Jordão, o que já por si representava uma ameaça.


João Batista é o símbolo do Cristão que se sacrifica pela verdade. É o patrono da MAÇONARIA em todo o mundo, com exceção da Inglaterra, que tem São Jorge como padroeiro. Seu nome é invocado na abertura e no encerramento dos nossos trabalhos maçônicos. A Igreja Católica o celebra no dia 24 de junho. Diferente das outras celebrações referentes a um santo, o principal dia litúrgico dedicado a ele se restringe ao seu nascimento, e não sua morte, mas seu martírio por decapitação são também lembrados pela Igreja Romana, a 29 de agosto de cada ano.

Por Paulo Néry

Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Meditação, Prática e Benefícios



Para nós, ocidentais, meditar significa reflectir a respeito de alguma coisa. No oriente, meditar é algo bem diferente. É entrar num estado de consciência onde se torna mais fácil compreender a si mesmo.

Assim, através da meditação, vamos prestar atenção e descobrir como funcionamos: Como agimos em determinadas situações, porque respondemos uma coisa quando gostaríamos de dizer outra, porque fugimos daquilo que mais queremos, porque vivemos mergulhados na ansiedade, na depressão e no cansaço quando queremos apenas a tranquilidade.

Grande parte dessa confusão é criada pela mente. Podemos dizer que ela é o instrumento de nossa consciência e contém a somatória dos nossos condicionamentos, padrões de pensamento, memória e lado racional.



A mente é como um lago agitado. Ao ver a lua reflectida nesse lago, poderíamos supor que a própria lua é algo disforme e agitado, mas estaríamos totalmente enganados. Da mesma forma, quando olhamos para o reflexo do nosso Eu-Superior no lago inquieto de nossa mente, não conseguimos perceber sua verdadeira natureza.

Meditar nada mais é do que aquietar os turbilhões dos pensamentos, serenar a mente para que possamos reconhecer com clareza nossa essência.
Durante esse processo de aquietar a mente nos damos conta de nossos padrões de pensamento e de acção e, assim, podemos transformá-los.

A meditação consiste de práticas diárias envolvendo essencialmente concentração da atenção. Embora apareça com uma aura mística, sua prática regular proporciona vários benefícios e aperfeiçoamentos práticos, como por exemplo:

Descanso físico, mental e emocional
Aumento da capacidade de concentração
Maior auto-liderança
Maior liberdade de escolha
Senso de identidade mais livre e mais rico em possibilidades.

A meditação também reduz a ansiedade, torna a respiração equilibrada e profunda e melhora a oxigenação e a frequência cardíaca. Seu reflexo no sono é um repouso mais tranquilo, sem interrupções. Além disso, atenua enxaquecas e resfriados, acelera a recuperação no pós-operatório e auxilia a digestão alimentar.

No campo psíquico, a prática mantém a pessoa num relativo estado de equilíbrio, com uma lucidez que a impede de entrar em conflitos emocionais internos, principalmente de origem afectiva. Há, por parte de quem a pratica, muito mais clareza mental, objectividade, paciência, compreensão e justiça.



Meditar não é reflectir, mas esvaziar a mente! Como assim? Deixando de lado os valores do Ocidente, que superestimam o “fazer sem cessar” e os bens materiais.
Para tal, siga os mestres orientais, cujos ensinamentos têm como fundamental o saber ficar em silêncio, manter a mente vazia e buscar a sabedoria interior. Nada de novo, os gregos já falavam nisso: "Conhece-te a ti mesmo", dizia Sócrates. "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses" está inscrito no Oráculo de Delfos.

Pensar sem parar, falar continuamente e ficar todo o tempo fazendo alguma coisa, produz ansiedade e nos afasta de nós mesmos. O silêncio desperta a alma e a mente vazia nos conecta com o Universo. Em busca do auto conhecimento, o “não-fazer” nos prepara para o que deve ser feito. Cultivar o silêncio não é das coisas mais fáceis no mundo em que vivemos. Exige mesmo todo um aprendizado, mas os resultados compensam: Em silêncio, nos conectamos com os desejos mais profundos e nos tornamos íntimos desse mensageiro da paz. Não é à toa que dizem que a palavra é de prata mas o silêncio é de ouro.

Nas comunidades budistas, no final da meditação nocturna, é praticado o "nobre silêncio" até a manhã seguinte. Fazem isso para que o silêncio e sua calma penetrem no corpo e na mente, ou seja, em todo o ser. Caminha-se para o quarto calmamente, tomando consciência de cada passo dado, da respiração, da quietude. Ninguém fala com as pessoas ao lado, pois toda a sangha (comunidade) tem o mesmo objectivo: a busca da paz. Nessas horas, alguns saem para curtir o frescor da noite, entrar em contacto com as árvores e as estrelas por uns 15 minutos. O tempo necessário para relaxar e chamar o sono.Ao acordar, os movimentos são realizados de forma silenciosa, para que cada um vá tomando consciência da própria respiração e assim despertando para mais um dia. Ao cruzar umas com as outras, em vez do tradicional "bom dia!", as pessoas simplesmente juntam as palmas das mãos em sinal de saudação.

É evidente que em sua casa você não vai agir como num mosteiro budista. Mas será muito bom se adoptar o hábito de acordar silenciosamente, para tomar consciência da respiração e do milagre da vida. É nessa hora que devemos mentalizar as acções que vamos empreender ao longo do dia. Focando a atenção nos actos que vamos praticar, tanto na vida pessoal quanto na profissional, fazemos tudo mais bem-feito, e consequentemente, com mais chances de êxito.



A prática da meditação, embora simples, requer bastante disciplina e regularidade. Abaixo estão algumas dicas de como iniciar sua prática de meditação:

Escolha um lugar sereno onde você possa sentar-se de maneira confortável e com a coluna erecta. Pode ser numa cadeira ou no chão com as pernas cruzadas. Sentar-se sobre uma pequena almofada ajuda a manter as costas erectas.
Use roupas que não apertem nem incomodem.
Acender um incenso ou colocar uma música bem suave pode ajudar a criar um clima de tranquilidade no início. Depois de algum tempo, pode ser que você prefira dispensá-los.
Evite meditar quando estiver com sono ou muito cansado. Você se sentirá frustrado por não conseguir se concentrar e desanimará de sua prática diária. Um bom horário para meditar é pela manhã, quando estamos mais tranquilos e descansados. Porém, isso também é individualizável. Se você sentir que consegue melhores resultados à noite, escolha esse horário.
Comece com dez minutos diários. Coloque um relógio para despertar após esse tempo, assim sua mente não poderá sabotá-lo fazendo-o acreditar que já se passaram muito mais que dez minutos.
Não se mova durante esse tempo. O corpo é como um pote e a mente é a água dentro dele. Mover o recipiente faz com que a água também se mova e, lembre-se, o que você quer é que sua mente permaneça quieta e imóvel.
A atenção deve estar voltada para o objecto da meditação (a respiração, um símbolo, etc.) sem que isso necessite de grandes esforços. Caso você disperse, reconduza sua atenção suavemente ao objecto escolhido.
Qualquer coisa que aconteça estará bem. Se houver um monte de pensamentos desfilando pela sua cabeça, se você tiver vontade de chorar ou de rir, se você achar que nunca vai conseguir se concentrar, tudo bem. Apenas continue sentado e, sempre que possível, volte a sua atenção para o objecto sobre o qual está meditando.

Um dos exercícios mais simples é observar a respiração. Sinta o ar entrando e saindo pelas narinas, acompanhe seu caminho por todo o corpo.
Repare nos movimentos da barriga, do peito. Veja se há movimentos ou sensações na pelve, pernas, cabeça, etc. Esteja com o ar o tempo todo.

Quando estiver em contacto com a natureza, sente-se diante de uma paisagem e observe-a. Ouça os sons, veja as cores, sinta os aromas mas não fique dando nome às coisas ou analisando-as: "esse cheiro deve ser daquela flor", "como é bonita a forma daquela montanha", "o som desses passarinhos me deixa tão relaxado...". Apenas ouça, veja e sinta sem criar frases na sua mente, sem ficar tagarelando internamente.

Sente-se diante de uma janela e deixe que a claridade invada seu corpo. Sinta a luz penetrando pelo alto de sua cabeça e fluindo por todo o corpo. Mantenha sua atenção nesse fluxo.
Repita o mantra OM durante todo o tempo da sua meditação.
Mantras são sons que trazem uma determinada qualidade de energia para quem os vocaliza. O mantra OM é um dos mais antigos do hinduísmo e sua qualidade é o equilíbrio e a serenidade. Ele nos traz energia e ajuda a clarear a mente.



Olhe atentamente para um símbolo ou um objecto que lhe chame a atenção naturalmente.
Pode ser um desenho, uma estatueta, um yantra (diagramas cósmicos do hinduísmo), etc.

No Yoga, usam o símbolo do OM para meditar. Olhe para esse símbolo e envolva-se com ele. Observe-o atentamente até que você possa mantê-lo com clareza na sua mente, mesmo de olhos fechados.

Sente-se em silêncio e preste atenção a cada som que surgir ao seu redor. Ouça tudo ao mesmo tempo. Não se detenha em nenhum deles. Nenhum é mais importante do que os outros, nenhum é melhor ou mais agradável. Não julgue, apenas ouça. Evite relacioná-los com os objectos ou seres que os produzem. Permita-se ouvir o som puro e perceber sua qualidade intrínseca.

Você pode meditar com as cores também. Pergunte ao seu corpo de qual cor ele necessita para estar em harmonia. Aceite qualquer cor que lhe venha à mente. Imagine um grande jorro de luz dessa cor fluindo sobre você ou mergulhe num oceano tingido com a cor escolhida. Não se preocupe em "ver" a cor, você pode apenas senti-la com seus sentidos interiores.

Observe seus pensamentos e tente perceber o espaço que existe entre um e outro. Mesmo numa mente completamente confusa, os pensamentos surgem e desaparecem deixando um breve espaço entre si.
Descubra esse espaço, nem que seja apenas um segundo. Observe-o e você vai perceber que ele começará a se ampliar. Ao penetrar nesse espaço em branco, você estará além da mente.

Existem centenas, talvez milhares, de técnicas de meditação. Cada um deve descobrir a que melhor combina consigo e a que produz melhores resultados. O que essas técnicas têm em comum é o facto de despertarem o observador passivo.

Observador passivo é aquela parte nossa que se mantém distante da turbulência da vida diária. Ele é como um sábio que olha o vilarejo do alto de uma colina. Ele vê as pessoas correndo de um lado para outro, as crianças brincando, um cachorro procurando comida, alguém morrendo, um bebé nascendo, a geada queimando a colheita e nada disso o afecta. Ele permanece sentado no alto de seu monte, impávido, pois sabe que a dor ou a alegria brotam da mesma fonte e nenhuma delas é permanente. O observador passivo sabe que a verdadeira felicidade pertence ao Eu-Superior e que quando estamos conscientes dele, nada mais nos afecta.

Mas ele também é um grande professor. Se você ficar com alguém 24 horas por dia observando como ele come, como se veste, como fala e age, como dorme, no final de uma semana você conhecerá muito sobre essa pessoa. Assim, se nos observarmos tempo suficiente, aprenderemos muito a nosso respeito. Aprenderemos como é que funcionamos, como agem nossos pensamentos e sentimentos, como eles influenciam nossas escolhas, etc.

Quando desenvolvemos o observador passivo, podemos olhar de longe a paisagem de nossa vida e encarar os desafios que ela nos propõe com isenção de ânimos, sem deixar que o emocional nuble nossa percepção.

É por isso que é tão fácil aconselhar um amigo com problemas. Como não estamos envolvidos emocionalmente, temos uma visão panorâmica da situação e podemos perceber as falhas e as possibilidades que ele não vê. Quando olhamos as coisas com uma certa distância, entendemos o contexto e os motivos por trás dos factos. E, com essa compreensão, podemos encontrar saídas criativas, podemos ver portas onde antes parecia existir apenas muros.



Sente-se confortavelmente e faça algumas respirações profundas.
Comece a observar os pensamentos que lhe chegam. Tome consciência deles e deixe que sumam em seguida. Não os evite nem os incentive.
Não dê continuidade a nenhum pensamento. A tendência da mente é fazer associações. Quando vem o pensamento "preciso pagar uma conta no banco" a mente dá continuidade: "será que tenho dinheiro suficiente? Se não tiver, posso pedir emprestado ao fulano. Caso ele não possa emprestar...". E assim vai. Portanto, corte o fio antes que toda a meada se desenrole.
Tente ver cada pensamento como um quadro estático, como uma cena de um grande video-clip que não merece muita atenção.

A mente está representando uma grande peça diante de você. Mas você não é o protagonista. Você é apenas o espectador. Portanto não se envolva.

Caso haja uma grande confusão de pensamentos fluindo, apenas "olhe" essa confusão. Não tente controlar seus pensamentos, deixe que eles venham da maneira que vierem.

Não espere nada de especial da sua meditação: fogos de artifício explodindo diante de si, deuses e iluminados desfilando, flores de lótus ou luzes maravilhosas. As imagens que surgem podem ser apenas produto da actividade mental, truques da mente para distraí-lo. Portanto, continue apenas observando como outro pensamento qualquer.
Não se envolva com a beleza ou beatitude delas. Se elas forem mais que um produto da mente, você saberá.

Com a prática contínua você será capaz de manter a mente em branco e ouvir a voz de sua intuição que também é um atributo do observador passivo.



Com a meditação, podemos reconhecer nossos erros, pensar e reagir melhor. Assim, a realidade se suaviza, desenvolvemos uma auto-imagem mais positiva e realista, ficamos menos ansiosos, aprendemos a ter menos expectativas. Dessa forma, passamos a ter menos desapontamentos, nossos relacionamentos melhoram, a vida se torna mais estável e prazerosa.

Só pouco a pouco nos livramos de nossos instintos nocivos e conseguimos adoptar em seu lugar hábitos positivos, capazes de trazer bons resultados para nós e para os outros.

Por: S. L. Lima

Sábado, 17 de Maio de 2008

A Bíblia Sagrada. Palavra de Deus?


Muito se discute a autenticidade da passagens bíblicas, sobretudo o que se restringem ao Antigo Testamento, cujos eventos mais remotos questionam a legitimidade histórica. Entre as passagens do Velho e o Novo Testamento existe uma linha tênue no perfil de um Deus vingativo, ciumento, mas ao mesmo tempo misericordioso e amoroso. Como pode ser?

Vemos no Antigo Testamento (AT) um deus com tais traços: onipotente, ciumento, e voltado unicamente para um determinado povo. Este povo somente seria beneficiado pelas hostes do deus a quem muitos chamavam de Jeová. Os hebreus, antepassados dos judeus, outrora escravizados pelos egípcios, fora um dos primeiros povos monoteístas a admitirem a existência de um deus único, de exclusividade para este povo. Entretanto, este passado dos povos antigos israelitas também muito se discute, bem como seus costumes e sua sociedade, onde o patriarca era a voz ativa dos seus, e onde a figura da mulher nada mais era do que obedecer aos desígnios do homem.

Com a eclosão do Cristianismo, ou digamos, com a legalização e posteriormente a oficialização da fé cristã em domínios do Império Romano, mesmo que este estivesse em franca decadência, se fez mister uma junção de textos sacros que pudesse refletir o poder deste Império. Mas não serias estes textos, mesmo que “inspirados por Deus”, escritos por homens simples, ou até mesmo, de cultura elevada com pretensões pessoais?


Para podermos comprender com mais exatidão a formação deste conjunto de livros, ao todo 76, vamosnos reter neste momento a uma cronologia, bem como também como se deveu este processo geral.



Origem da Bíblia

OS ORIGINAIS

Grego, hebraico e aramaico foram os idiomas utilizados para escrever os originais das Escrituras Sagradas.
O Antigo Testamento foi escrito em hebraico. Apenas alguns poucos textos foram escritos em aramaico.
O Novo Testamento foi escrito originalmente em grego, que era a língua mais utilizada na época.
Os originais da Bíblia são a base para a elaboração de uma tradução confiável das Escrituras. Porém, não existe nenhuma versão original de manuscrito da Bíblia, mas sim cópias de cópias de cópias. Todos os autógrafos, isto é, os livros originais, como foram escritos pelos seus autores, se perderam. As edições do Antigo Testamento hebraico e do Novo Testamento grego se baseiam nas melhores e mais antigas cópias que existem e que foram encontradas graças às descobertas arqueológicas.

Para a tradução do Antigo Testamento, a Comissão de Tradução da SBB usa a Bíblia Stuttgartensia, publicada pela Sociedade Bíblica Alemã. Já para o Novo Testamento é utilizado The Greek New Testament, editado pelas Sociedades Bíblicas Unidas. Essas são as melhores edições dos textos hebraicos e gregos que existem hoje, disponíveis para tradutores.



O ANTIGO TESTAMENTO EM HEBRAICO

Muitos séculos antes de Cristo, escribas, sacerdotes, profetas, reis e poetas do povo hebreu mantiveram registros de sua história e de seu relacionamento com Deus. Estes registros tinham grande significado e importância em suas vidas e, por isso, foram copiados muitas e muitas vezes e passados de geração em geração.

Com o passar do tempo, esses relatos sagrados foram reunidos em coleções conhecidas por A Lei, Os Profetas e As Escrituras. Esses três grandes conjuntos de livros, em especial o terceiro, não foram finalizados antes do Concílio Judaico de Jamnia, que ocorreu por volta de 95 d.C. A Lei continha os primeiros cinco livros da nossa Bíblia. Já Os Profetas, incluíam Isaías, Jeremias, Ezequiel, os Doze Profetas Menores, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. E As Escrituras reuniam o grande livro de poesia, os Salmos, além de Provérbios, Jó, Ester, Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Daniel, Esdras, Neemias e 1 e 2 Crônicas.

Os livros do Antigo Testamento foram escritos em longos pergaminhos confeccionados em pele de cabra e copiados cuidadosamente pelos escribas. Geralmente, cada um desses livros era escrito em um pergaminho separado, embora A Lei freqüentemente fosse copiada em dois grandes pergaminhos. O texto era escrito em hebraico - da direita para a esquerda - e, apenas alguns capítulos, em dialeto aramaico.

Hoje se tem conhecimento de que o pergaminho de Isaías é o mais remoto trecho do Antigo Testamento em hebraico. Estima-se que foi escrito durante o Século II a.C. e se assemelha muito ao pergaminho utilizado por Jesus na Sinagoga, em Nazaré. Foi descoberto em 1947, juntamente com outros documentos em uma caverna próxima ao Mar Morto.



A FORMAÇÃO DO CÂNON DO VELHO TESTAMENTO

Quais são os livros que pertencem ao Cânon do Velho Testamento? Por que só os 39? A Igreja Católica Romana, desde o Concílio de Trento, (1546), tem recebido outros livros como canônicos. Estes são 14 apócrifos, que vem do adjetivo grego "apokriphos" (ocultos). Estes livros são: 1° e 2° Esdras, Tobias, Judite, Adições a Ester, Oração de Manassés, Epístola de Jeremias, Livro de Baruque, Eclesiástico, Sabedoria de Salomão, 1° e 2° Macabeus, Adições a Daniel, que inclui a Oração de Azarias, o Cântico dos Três Hebreus e Bel e o Dragão. Vamos examinar o conteúdo e origem destes livros duma maneira bem resumida, depois verificar porque não foram aceitos pela Igreja.


O NOVO TESTAMENTO EM GREGO

Os primeiros manuscritos do Novo Testamento que chegaram até nós são algumas das cartas do Apóstolo Paulo destinadas a pequenos grupos de pessoas de diversos povoados que acreditavam no Evangelho por ele pregado. A formação desses grupos marca o início da igreja cristã. As cartas de Paulo eram recebidas e preservadas com todo o cuidado. Não tardou para que esses manuscritos fossem solicitados por outras pessoas. Dessa forma, começaram a ser largamente copiados e as cartas de Paulo passaram a ter grande circulação.

A necessidade de ensinar novos convertidos e o desejo de relatar o testemunho dos primeiros discípulos em relação à vida e aos ensinamentos de Cristo resultaram na escrita dos Evangelhos que, na medida em que as igrejas cresciam e se espalhavam, passaram a ser muito solicitados. Outras cartas, exortações, sermões e manuscritos cristãos similares também começaram a circular.

O mais antigo fragmento do Novo Testamento hoje conhecido é um pequeno pedaço de papiro escrito no início do Século II d.C. Nele estão contidas algumas palavras de João 18.31-33, além de outras referentes aos versículos 37 e 38. Nos últimos cem anos descobriu-se uma quantidade considerável de papiros contendo o Novo Testamento e o texto em grego do Antigo Testamento.



OUTROS MANUSCRITOS

Além dos livros que compõem o nosso atual Novo Testamento, havia outros que circularam nos primeiros séculos da era cristã, como as Cartas de Clemente, o Evangelho de Pedro, o Pastor de Hermas, e o Didache (ou Ensinamento dos Doze Apóstolos). Durante muitos anos, embora os evangelhos e as cartas de Paulo fossem aceitos de forma geral, não foi feita nenhuma tentativa de determinar quais dos muitos manuscritos eram realmente autorizados. Entretanto, gradualmente, o julgamento das igrejas, orientado pelo Espírito de Deus, reuniu a coleção das Escrituras que constituíam um relato mais fiel sobre a vida e ensinamentos de Jesus. No Século IV d.C. foi estabelecido entre os concílios das igrejas um acordo comum e o Novo Testamento foi constituído.

Os dois manuscritos mais antigos da Bíblia em grego podem ter sido escritos naquela ocasião - o grande Codex Sinaiticus e o Codex Vaticanus. Estes dois inestimáveis manuscritos contêm quase a totalidade da Bíblia em grego. Ao todo temos aproximadamente vinte manuscritos do Novo Testamento escritos nos primeiros cinco séculos.


Quando Teodósio proclamou e impôs o cristianismo como única religião oficial no Império Romano no final do Século IV, surgiu uma demanda nova e mais ampla por boas cópias de livros do Novo Testamento. É possível que o grande historiador Eusébio de Cesaréia (263 - 340) tenha conseguido demonstrar ao imperador o quanto os livros dos cristãos já estavam danificados e usados, porque o imperador encomendou 50 cópias para as igrejas de Constantinopla. Provavelmente, esta tenha sido a primeira vez que o Antigo e o Novo Testamentos foram apresentados em um único volume, agora denominado Bíblia.

HISTÓRIA DAS TRADUÇÕES

A Bíblia - o livro mais lido, traduzido e distribuído do mundo -, desde as suas origens, foi considerada sagrada e de grande importância. E, como tal, deveria ser conhecida e compreendida por toda a humanidade. A necessidade de difundir seus ensinamentos através dos tempos e entre os mais variados povos, resultou em inúmeras traduções para os mais variados idiomas e dialetos. Hoje é possível encontrar a Bíblia, completa ou em porções, em mais de 2.000 línguas diferentes.

A PRIMEIRA TRADUÇÃO

Estima-se que a primeira tradução foi elaborada entre 200 a 300 anos antes de Cristo. Como os judeus que viviam no Egito não compreendiam a língua hebraica, o Antigo Testamento foi traduzido para o grego. Porém, não eram apenas os judeus que viviam no estrangeiro que tinham dificuldade de ler o original em hebraico: com o cativeiro da Babilônia, os judeus da Palestina também já não falavam mais o hebraico. Denominada Septuaginta (ou Tradução dos Setenta), esta primeira tradução foi realizada por 70 sábios e contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica; pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C. A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia. Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas.

Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.


OUTRAS TRADUÇÕES

Outras traduções começaram a ser realizadas por cristãos novos nas línguas copta (Egito), etíope (Etiópia), siríaca (norte da Palestina) e em latim - a mais importante de todas as línguas pela sua ampla utilização no Ocidente.

Por haver tantas versões parciais e insatisfatórias em latim, no ano 382 d.C, o bispo de Roma nomeou São Jerônimo, secretário do Papa Damaso, para fazer uma tradução oficial das Escrituras.


Com o objetivo de realizar uma tradução de qualidade e fiel aos originais, Jerônimo foi à Palestina, onde viveu durante 20 anos. Estudou hebraico com rabinos famosos e examinou todos os manuscritos que conseguiu localizar. Sua tradução tornou-se conhecida como "Vulgata", ou seja, escrita na língua de pessoas comuns ("vulgus"). Embora não tenha sido imediatamente aceita, tornou-se o texto oficial do cristianismo ocidental. Neste formato, a Bíblia difundiu-se por todas as regiões do Mediterrâneo, alcançando até o Norte da Europa.

Na Europa, os cristãos entraram em conflito com os invasores godos e hunos, que destruíram uma grande parte da civilização romana. Em mosteiros, nos quais alguns homens se refugiaram da turbulência causada por guerras constantes, o texto bíblico foi preservado por muitos séculos, especialmente a Bíblia em latim na versão de Jerônimo.

Não se sabe quando e como a Bíblia chegou até as Ilhas Britânicas. Missionários levaram o evangelho para Irlanda, Escócia e Inglaterra, e não há dúvida de que havia cristãos nos exércitos romanos que lá estiveram no segundo e terceiro séculos. Provavelmente a tradução mais antiga na língua do povo desta região é a do Venerável Beda. Relata-se que, no momento de sua morte, em 735, ele estava ditando uma tradução do Evangelho de João; entretanto, nenhuma de suas traduções chegou até nós. Aos poucos as traduções de passagens e de livros inteiros foram surgindo.


O CONTEÚDO DOS APÓCRIFOS

Os Apócrifos: É esta a denominação que comumente se dá aos 14 livros contidos em algumas Bíblias, entre os dois Testamentos. Originaram-se do terceiro ao primeiro século AC. a maioria dos quais de autor incerto, e foram adicionados a Septuaginta, tradução grega do Velho Testamento, feita naquele período. Não foram escritos no hebraico do Velho Testamento. Foram produzidos depois de haver cessado as profecias, oráculos e a revelação direta do Velho Testamento, Josefo rejeitou-os totalmente.

Nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte das Escrituras hebraicas. Nunca foram citadas por Jesus, nem por ninguém mais no Novo Testamento. Não foram reconhecidos pela Igreja Primitiva como de autoridade canônica, nem de inspiração divina. Quando se traduziu a Bíblia para o latim, no segundo século A.D. seu Velho Testamento foi traduzido, não o Velho Testamento hebraico, mas da versão grega da Septuaginta do Velho Testamento. Da Septuaginta esses livros apócrifos foram levados para a tradução latina; e daí para a Vulgata, que veio a ser a versão comumente usada na Europa Ocidental até o tempo da Reforma. Os protestantes baseando seu movimento na autoridade divina da Palavra de Deus, rejeitaram logo esses livros apócrifos como não fazendo parte dessa Palavra, assim como a Igreja Primitiva e os hebreus antigos fizeram. A Igreja romana, entretanto, no Concílio de Trento em 1546 A.D.

O VALOR DOS APÓCRIFOS

Não podemos dizer que esses livros não têm nenhum valor, pois não seria verdade. Tem valor, mas não como as Escrituras. São livros de grande Antigüidade e valor real. Do mesmo modo que os manuscritos do Mar Morto, são monumentos a atividade literária dos judeus, estes também são. Em parte, preenchem a lacuna histórica entre Malaquias e Mateus, e ilustram a situação religiosa do povo hebreu, bem como de seus costumes e tradições religiosas.


POR QUE OS APÓCRIFOS NÃO FORAM ACEITOS NO CÂNON DO VELHO TESTAMENTO?

1) - Nenhum dos livros foi encontrado dentro do cânon hebraico. Um estudo da história do Cânon dos judeus da Palestina revela uma ausência completa de referências aos livros apócrifos. Josefo, diz que os profetas escreveram desde os dias de Moisés até Artaxerxes, também diz, e verdade que a nossa história tem sido escrita desde Artaxerxes, não foi tão estimada como autoritativa como a anterior dos nossos pais, porque não houve uma sucessão de profetas desde aquela época. O Talmude, fala assim: "Depois dos últimos profetas, Ageu, Zacarias e Malaquias, o Espírito Santo deixou Israel". Não constam no texto dos massoretas (copistas judeus da maior fidelidade) entregar tudo o que consideravam canônico nas Escrituras do Velho Testamento. Nem tão pouco parece ter havido "Targuns" (paráfrases ou comentários judaicos da Antigüidade) ligado a eles. Para os judeus, os livros considerados "inspirados" são os 39 que hoje conhecemos como Velho Testamento. Eles os possuem numa ordem diferente da nossa por causa da forma pela qual dividem os livros.

2) - Todos estes livros foram escritos depois da época quando a profecia cessou em Israel, e JAMAIS declaram ser mensagem de Deus ao homem. Fora dois deles, Eclesiástico e Baruque, os livros são anônimos, e no caso de Eclesiástico, o autor não se diz profeta, nem asseverou que escreveu sob a inspiração de Deus. O livro de Baruque que se diz ser escrito pelo secretário de Jeremias, não pode ser aceito como genuíno, pois contradiz o relato bíblico. Os livros de Macabeus não têm nenhuma pretensão para autoria profética. Mas registra detalhes sobre as guerras de independência em 165 A.C. quando os cinco irmãos macabeus lutaram contra os exércitos da Síria. I Macabeus é geralmente considerado como de maior valor histórico do que o II.

3) - O nível moral de muitos destes livros é bastante baixo. São cheios de erros históricos e cronológicos, por exemplo, Baruque 1.1, diz que ele está na Babilônia, enquanto Jeremias 43.6, diz que ele está no Egito. Baruque diz que os utensílios do templo foram devolvidos da Babilônia, enquanto Esdras e Neemias revelam o contrário. Baruque cita uma data errada para Beltesazar e diz que o cativeiro era de sete gerações 6.3, o que contradiz as profecias de Jeremias e o cumprimento de Esdras. Tobias e Judite estão cheios de erros geográficos, cronológicos e históricos. Tobias 1.4,5 contradiz 14.11. Mentiras, assassinatos e decepções são apoiados. Judite é um exemplo. Temos suicídios (4.10), encantamentos, magia e salvação pelas obras (Tobias 12.9; Judite 9.10,13).

4) - Não foram incluídos no Cânon até o fim do 4° século. Como já observamos, os livros apócrifos, não foram incluídos no cânon hebraico. Os livros apócrifos foram incluídos na Septuaginta, a versão grega do Velho Testamento e que não é de origem hebraica, mas de Alexandria, que é uma tradução do hebraico. Os Códices Vaticanos, Alexandrinos e Sinaíticos têm apócrifos entre os livros canônicos. Porém temos de notar vários fatores aqui:

a) - Nem todos os livros apócrifos estão presentes nos Códices e não tem ordem fixa dentro dos Códices.

b) - Por ser um livro de origem egípcia, pois vem de Alexandria, a Septuaginta não tinha os mesmos salvaguardas contra erros e acréscimos, pois não tinham massoretas orientando a obra com o mesmo cuidado que usaram no texto hebraico.

c) - Manuscritos, naquele tempo, ficavam em rolos, não em livros, e são facilmente misturados, e seria fácil juntar outros que ficaram numa mesma caixa. No caso de guerras ou desastres, estes manuscritos poderiam ser colocados em jarros de barro e lacrados para serem posteriormente reutilizados. Alguns destes jarros foram achados nas cavernas de Qumran com manuscritos que nos ajudaram a confirmar o conteúdo de nossas Bíblias atualmente, além de revelarem uma série de fatos muito interessantes sobre a vida daquela época.

d) - O preço de material para escrever pode influir também. Não era tão fácil calcular o espaço necessário para fazer um livro. Que fariam se cortassem o couro e descobrissem 30 ou 40 páginas de couro sobrando no livro? Naturalmente encheria com conteúdo devocional. A tendência seria de misturar livros bons com os canônicos até o ponto que os não canônicos fossem aceitos como canônicos.

e) Os livros não canônicos não foram recebidos durante os primeiros quatro (4) séculos. Melito, o bispo de Sardis em 170 D.C., visitou a Judéia para verificar o número certo de livros do Velho Testamento. A lista que ele fornece, inclui os livros canônicos do Velho Testamento, menos Ester (porque não reconheceu entre os apócrifos) e não incluiu os apócrifos.


ORÍGENES, o erudito do Egito, com uma grande biblioteca, incluiu os 39 livros do Velho Testamento, mas em 22 e seguindo a lista ele fala: "Fora destes temos os livros dos Macabeus". Outros pais da Igreja, como Atanásio, Gregório de Nazianzus de Capadócia, Rufinus da Itália e Jerônimo, nos deixaram com uma lista que concorda com o cânon hebraico.

JERÔNIMO, que fez a Vulgata, não quis incluir os livros apócrifos por não considera-los inspirados, porém, os fez por obrigação do bispo, não por convicção, mesmo assim só traduziu Judite e Tobias, os outros apócrifos foram tirados diretamente dos versos latinos anteriores. Parece que a única figura da antigüidade a favor dos apócrifos era Agostinho, e dois Concílios que ele mesmo dominou (393 e 397). Porém, outros escritos dele (A cidade de Deus) parecem revelar uma distinção entre os livros canônicos e os apócrifos (17.24; 18.36,38,42-45).


GREGÓRIO, O GRANDE, papa em 600 D.C., citando I Macabeus falou que não era um livro canônico, e o cardeal Ximenis no seu poligloto afirma que os livros apócrifos dentro de seu livro, não faziam parte do cânon. Os livros apócrifos não foram aceitos como canônicos até 1546 quando o concílio de Trento decretou: "Este Sínodo recebe e venera todos os livros do Velho e Novo Testamentos, desde que Deus o autor dos dois, também as tradições e aquilo que pertence a fé e morais, como sendo ditados pela boca de Cristo, ou pelo Espírito Santo". A lista dos livros que segue inclui os apócrifos e conclui dizendo: "Se alguém não receber como Sagradas e canônicos estes livros em todas as partes, como foram lidos na Igreja Católica, e como estão na Vulgata Latina, e que conscientemente e propositadamente contrariar as tradições já mencionadas, que ele seja anátema". Para nós o fator decisivo é que Cristo e seus discípulos não os reconheceram como canônicos, pois não foram citados por Cristo nem os outros escritores do Novo Testamento!

O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO

Pelo Cânon do Novo Testamento queremos falar a coleção de 27 livros do Novo Testamento considerados como a norma ou regra de fé para a Igreja de Cristo. Surgem logo perguntas a respeito do cânon do Novo Testamento. Como e quando chegaram a ser reconhecidos como livros inspirados? Qual a base para a seleção destes livros e por que rejeitaram outra literatura da igreja daquele tempo? Vamos tentar responder estas perguntas, incluindo: Quando foram escritos estes livros?

O CONTEÚDO DO CÂNON NEO-TESTAMENTÁRIO

Como já notamos, o cânon do Novo Testamento tem 27 livros escritos em grego. Os primeiros cinco são de caráter histórico, sendo quatro os Evangelhos que contém ditos e feitos de Jesus Cristo, e um é o livro de Atos, escrito por Lucas, o autor do terceiro Evangelho. Temos 21 cartas escritas por Paulo, Pedro, Tiago, Judas e possivelmente mais um autor, se Hebreus não é de Paulo, é o livro de Apocalipse, escrito por João, o mesmo autor de um dos Evangelhos e três cartas.


AS PRIMEIRAS ESCRITURAS IMPRESSAS

Na Alemanha, em meados do Século 15, um ourives chamado Johannes Gutemberg desenvolveu a arte de fundir tipos metálicos móveis. O primeiro livro de grande porte produzido por sua prensa foi a Bíblia em latim. Cópias impressas decoradas a mão passaram a competir com os mais belos manuscritos. Esta nova arte foi utilizada para imprimir Bíblias em seis línguas antes de 1500 - alemão, italiano, francês, tcheco, holandês e catalão; e em outras seis línguas até meados do século 16 - espanhol, dinamarquês, inglês, sueco, húngaro, islandês, polonês e finlandês. Finalmente as Escrituras realmente podiam ser lidas na língua destes povos. Mas essas traduções ainda estavam vinculadas ao texto em latim. No início do século 16, manuscritos de textos em grego e hebraico, preservados nas igrejas orientais, começaram a chegar à Europa ocidental. Havia pessoas eruditas que podiam auxiliar os sacerdotes ocidentais a ler e apreciar tais manuscritos.


Uma pessoa de grande destaque durante este novo período de estudo e aprendizado foi Erasmo de Roterdã. Ele passou alguns anos atuando como professor na Universidade de Cambridge, Inglaterra. Em 1516, sua edição do Novo Testamento em grego foi publicada com seu próprio paralelo da tradução em latim. Assim, pela primeira vez estudiosos da Europa ocidental puderam ter acesso ao Novo Testamento na língua original, embora, infelizmente, os manuscritos fornecidos a Erasmo fossem de origem relativamente recente e, portanto, não eram completamente confiáveis.

AS DATAS DESTES LIVROS

Segundo a informação dada em Lucas 3.1, o ministério de João Batista que precedeu o início do ministério de Jesus Cristo data do 15° ano de Tibério César. Tibério tornou-se imperador em agosto de 14 A.D., assim o 15° ano começaria em outubro, 27 D.C. Temos três páscoas mencionadas no evangelho de João, se sendo que a terceira foi a Páscoa de 30 D.C., esta sendo a data mais provável da morte de Cristo na cruz. O Novo Testamento, como é conhecido hoje, estava completo por volta do ano 100 D.C. e a grande parte dos livros já existindo há mais de 40 anos. Pode-se dizer que quase todos os livros foram escritos antes de 70 D.C.



COMO FOI FORMADO?

Evidência Interna: Isto é do próprio Novo Testamento. O fato é que a Igreja primitiva recebeu dos judeus a idéia de uma regra de fé e conduta escrita. Esta idéia foi confirmada pelo Senhor Jesus Cristo, e os escritores do Novo Testamento, que sempre se referiam ao Velho Testamento como sendo a palavra de Deus escrita. Sabemos que desde o princípio, a Igreja cristã tem aceitado as palavras de Cristo com a mesma autoridade com que aceitaram as palavras do Velho Testamento, e aceitaram não apenas isto, mas declararam os apóstolos que o seu próprio ensino, oral e escrito possuía autoridade semelhante a do Velho Testamento. Tal era a autoridade de seus escritos, que mandaram que fosse lido publicamente nas Igrejas (I Ts 5.27; Cl 4.16; II Pe 3.1,2). Era, portanto, natural que a literatura do Novo Testamento se acrescentasse ao Velho Testamento. No próprio Novo Testamento, pode ser que vejamos o início deste processo (I Tm 5.18; II Pe 3.1,2 e 15,16). Além da evidência interna, temos a evidência histórica da formação do Cânon do Novo Testamento.

O CRITÉRIO CANÔNICO

O critério que a Igreja aplicou como teste de autenticidade era ditado pelas necessidades de fazer face à controvérsia com hereges e descrentes. Como veremos a seguir, na seleção do material que iria compor os primeiros escritos, as necessidades missionárias, ao lado das apologéticas, são o critério para a seleção de testimonia, ditos, milagres e parábolas de Jesus que, nos primórdios na nova época, iriam formá-los.

Eis alguns critérios de seleção:

A apostolicidade: A obra em consideração pela Igreja deveria ter sido escrita por um dos doze ou possuir o que se chamaria hoje de imprimatur apostólico. O escrito deveria proceder da pena de um apóstolo ou de alguém que estivera em contato chegado com apóstolo e, quando possível, produzido a seu pedido ou haver sido especialmente comissionado para fazê-lo. Como conseqüência este documento deveria pertencer a um período bem remoto. Quanto aos Evangelhos, estes deveriam manter o padrão apostólico de doutrinas particularmente com referência à encarnação e ser na realidade um evangelho e não porções de evangelhos, como tantos que circulavam naquele tempo.

A circulação e uso do livro: É provável que certos livros houvessem sido aceitos e circulado como autoridade antes mesmo que qualquer relação com apóstolo, quer direta, quer indireta, fosse determinada. É deste modo que o escrito recebia o imprimatur da própria comunidade cristã universal que o usava. Ortodoxia Este era importante item na escala de padrões de aferimento. Percebe-se nos próprios escritos do Novo Testamento, que depois formaram seu cânon, o repúdio à falsa doutrina e a luta pela preservação da ortodoxia, que em Rm 6.17 chama de "padrão de doutrina", ou o que II Tm 1.13 denomina "padrão das sãs palavras", ou ainda o "depósito” de I Tm 6.20.

Autoridade diferenciadora: Bem cedo, antes mesmo que os Evangelhos fossem mencionados juntos, já os cristãos distinguiam livros que eram citados e lidos como tendo autoridade divina e outros que continuavam fora do Novo Testamento.

A leitura em público: Nenhum livro seria admitido para a leitura pública na Igreja se não possuísse características próprias. Muitos outros livros circulavam quando Mateus começou a ser usado pelos cristãos. Poderiam ser bons e de leitura agradável, mas só serviam para a leitura em particular. Havia alguns, e entre eles os Evangelhos de modo restrito e Mateus de modo singular, que se prestavam à leitura e ao comentário perante as congregações cristãs, como a Lei e os Profetas nas Sinagogas.

O PRIMEIRO SÉCULO D.C.

Não se sabe quando as palavras do Senhor (At 20.35 e I Co 7.10) foram registradas por escrito pela primeira vez. Porém, em mais ou menos 58 D.C., quando Lucas escreveu seu Evangelho, muitos já haviam empreendido esta tarefa (Lc. 1.1). Pode ser que a Epístola de Paulo aos Gálatas fosse escrita tão cedo como em 49 D.C. É claro que a Epistola foi escrita antes de sua morte em 62 D.C. e as outras Epístolas de Paulo e Pedro, antes da morte deles, na época de 68 D.C. A maior parte do Novo Testamento já estava escrita antes da queda de Jerusalém em 70 D.C. O Evangelho e as Epístolas de João, e o Apocalipse, certamente foram completadas antes do fim do primeiro século.

O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO E OS PAIS DA IGREJA

Escritores "evangélicos" no fim deste mesmo século mostram que conheciam os evangelhos e epístolas. A atitude dos cristãos em face das normas da doutrina cristã que encontramos no fim da época apostólica (isto é, mais ou menos em fins do século I d.C.) podem ser encontradas no princípio da era pós-apostólica, principalmente na fase mais antiga dos pais apostólicos.


CLEMENTE, Bispo de Roma - Cerca de 95, escreveu uma carta a Igreja de Corinto, e nesta carta menciona, I Coríntios, Efésios, I Timóteo, Tito, Tiago, o evangelho de João e Hebreus.

INÁCIO, Bispo de Antioquia - Antes de 117, deixou sete cartas e nelas menciona passagens dos evangelhos, especialmente Mateus e João e as cartas paulinas, colocando os escritos do Novo Testamento num plano de autoridade superior aos do Velho Testamento, em virtude da clareza de seu testemunho.


POLICARPO, que conhecia João pessoalmente, escreveu uma carta em cerca de 105-108, que menciona cartas de Paulo como autoritativas, principalmente Filipenses, mas revela conhecimento de Mateus, Atos, Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, I e II Pedro e I João. Estes escritores distinguiram claramente entre seus próprios escritos e os escritos dos apóstolos, atribuindo a estes últimos, inspiração e autoridade. Demonstram estes escritores que, mesmo nesta data primitiva, os evangelhos e as epístolas do Novo Testamento, já se achavam em circulação e eram honrados tanto nas igrejas do ocidente como do oriente. 100-150 D.C. - As Escrituras do Novo Testamento lidas nas Igrejas.

PAPIAS - Cerca de 140 D.C. testifica que "a voz viva dos presbíteros ia sendo substituída pela autoridade da palavra escrita". Nos escritores deste período há referências claras a todos os livros do Novo Testamento, com exceção a 6 ou 7 das epístolas mais curtas; ele atesta a existência de Mateus e Marcos e o caráter apostólico destas obras.


JUSTINO, o Mártir (148 D.C.) - fala das recordações dos apóstolos e os que seguiam como sendo lidas nas igrejas. Tanto hereges, como cristãos ortodoxos, testemunham a sua autoridade, muitas vezes citando o Novo Testamento e acrescentando "como está escrito".

150-200 D.C. - Traduções e comentários do Novo Testamento

Neste período a Igreja de Cristo se expandiu e desenvolveu-se. Com a inclusão de homens de novas raças e grande capacidade, os eruditos fizeram traduções das Escrituras em outras línguas. Remontam a este tempo a velha versão latina para o povo da África do Norte e a versão Siríaca para o povo do Oriente Médio. Começaram a aparecer comentários. Houve por exemplo, o Comentário sobre os oráculos do Senhor, da autoria de Papias (140). Um comentário sobre o Apocalipse, da autoria de Melito (165). Pouco depois, Tatião escreveu o DIATESSERON, ou Harmonia dos quatro evangelhos, que se reconheciam como possuidores de autoridade única. Ao fim do século, Clemente de Alexandria escreveu seus Esboços, que é um comentário em 7 volumes sobre os livros do Novo Testamento, que incluía todos os livros do Novo Testamento, mais a epístola de Barnabé e o Apocalipse de Pedro (que foram excluídos do cânon).

200 - 300 - Colecionam-se e separam-se os livros do Novo Testamento

ORÍGENES, é um erudito da época, era tão trabalhador que se diz que empregou 7 estenógrafos que revezavam no trabalho de registro do que ditava, além de 7 copistas e outros que ajudavam na parte de secretaria. Redigiu ele do texto do Novo Testamento, defendeu sua inspiração, escreveu comentários ou discursos sobre a maioria dos livros.

TERTULIANO (cerca de 200) foi o primeiro a chamar a coleção que temos de "Novo Testamento", assim colocando-a ao mesmo nível de inspiração como os livros do Velho Testamento. BIBLIOTECAS se formaram em Alexandria, Jerusalém, Cesaréia, Antioquia, Roma e ainda outras cidades, das quais a parte mais importante consistia em manuscritos e comentários das Escrituras.

300 - 400 - O cânon bem estabelecido

Vários fatores contribuíram para tornar importante a distinção entre livros canônicos e outros livros não canônicos. Alguns dos fatores eram:

a) - A coleção num só livro dos livros inspirados.

b) - Serem reconhecidos estes livros com a autoridade da fé cristã.

c) - O aumento das heresias e falsa doutrina.

Antes do fim do quarto século, todas as Igrejas tinham reconhecido o cânon do Novo Testamento, como o temos hoje. Eusébio, conta até que ponto o assunto do Cânon chegara a seu tempo (316 d.C.).

1) - Aceitos universalmente - Os 4 evangelhos, Atos, Epístolas de Paulo (incluindo Hebreus), I Pedro, I João e Apocalipse.

2) - Disputado por alguns - Embora admitidos pela maioria e pelo próprio Eusébio – Tiago, II Pedro, II e III João, Hebreus e Judas.

3) - Não genuínos - Atos de Paulo, Didache (ensinos dos Apóstolos), o Evangelho dos egípcios, o Evangelho de Tomé, o Evangelho das basilidas, o Evangelho de Matias e o Pastor de Hermes.

No ano de 367, Atanásio pela primeira vez apresentou um cânone do Velho e Novo Testamentos firmemente circunscritos, dentro do qual eram definidas as classes individuais dos textos e de sua seqüência. Ele designou vinte e sete livros como sendo os únicos realmente canônicos do nosso Novo Testamento; ninguém pode acrescentar mais nada a este número, bem como ninguém pode retirar coisa alguma. O 3° Concílio de Cartago (397) mandou que: "além das Escrituras canônicas, nada se lesse na igreja sob o título de "Escrituras divinas". A discussão a respeito do cânon nos séculos subseqüentes se acalmou, porém, muitos eruditos tem se perguntado a si mesmos porque haveriam eles de concordar com a resolução já feita. Agostinho disse que concordou por causa da natureza dos próprios livros e pela unidade praticamente completa entre os cristãos neste assunto. Calvino baseava a sua crença na autoridade desses livros no testemunho do Espírito Santo. Nós aceitamos por todas essas razões, mas principalmente porque já provamos em nossas vidas a veracidade de tudo aquilo que está escrito. Quando vivemos pelas Escrituras, descobrimos que elas são suficientes para todas as nossas necessidades, completas em si mesmas. A única regra de fé e prática.


OS MANUSCRITOS DO NOVO TESTAMENTO

Os manuscritos do Novo Testamento podem ser classificados segundo a matéria que os compõem, ou segundo os caracteres da escrita. Esta classificação ajuda a data-los. Estes manuscritos são papiros ou pergaminhos.

UM PAPIRO - é constituído por tiras de medula do papiro (espécie de cânico com caule triangular, da família das ciperáceas, da grossura de mais ou menos um braço e de 2,5 m a 5 m de altura), cortadas em finas talas e colocadas em camadas cruzadas, estas tiras formam folhas que são em seguida, fixadas umas após outras e enroladas em torno de uma vara. O rolo assim formado se chama, em grego, biblos (dai a palavra: Bíblia) e pode ter até 10 m de comprimento. Os papiros do Novo Testamento são os mais antigos documentos de base que possuímos: em sua maioria datam do século III (um papiro descoberto em 1935, deve mesmo ser datado do começo do 2° século). Se bem que nos transmitam apenas fragmentos de textos, estes documentos são testemunhas preciosas do texto, justamente em razão da sua Antigüidade. Existem atualmente em número de 76, designados nas edições críticas por P1, P2 etc.

UM PERGAMINHO - é uma pele, ordinariamente de ovelha, cabra ou bezerro, tratada e cortada em folhetos (a palavra "pergaminho" se originaria da cidade de Pérgamo): estes são postos um em cima do outro para formar não um rolo, mas um volume (em grego: teuchos) de onde vem a palavra Pentateuco para assinalar os primeiros cinco livros do Velho Testamento). Os pergaminhos, trazendo textos do Novo Testamento, datam somente do século IV, no máximo, mas apresentam-nos, geralmente, textos completos do Novo Testamento. O princípio e o fim do texto faltam às vezes, em conseqüência da deterioração, fácil de imaginar, dos folhetos da capa. Todos estes documentos são escritos em grego mas em um grego que não é mais o grego clássico. (Este grego, comumente falado em todo império, é denominado Koinê: língua comum). Os manuscritos mais antigos do Novo Testamento são escritos em letra maiúsculas ou "unciais". Atualmente seu número é de 252 (excluem-se os achados de Qumran, que ainda não foram reconstituídos totalmente, não sabendo-se assim o seu número exato). As edições críticas os designam por letras maiúsculas. Os manuscritos em minúsculas (conhecemos hoje 2646) datam no máximo do século IV. Entretanto não devem ser negligenciados porque os copistas do século IX, X e XI re-copiavam possivelmente manuscritos em maiúsculas muito mais antigos, que não possuímos mais. As edições críticas os assinalam por algarismos árabes.

Todos estes manuscritos são assaz difíceis de ler. As palavras, as frases e os parágrafos não são separados por espaço algum, e não encontramos nem acento nem sinal de pontuação. Seis manuscritos em maiúsculas são muito importantes:

O Vaticanos (designados por "B" nas edições críticas), assim chamado porque é conservado na biblioteca do Vaticano. Datando do século IV, é o mais antigo de todos os manuscritos sobre pergaminho.

O Sinaíticus (designados por "X"), descoberto em um convento do Sinai, no século IX, vendido em 1933, pelo governo soviético ao British Museum em Londres, também deve datar do século IV.

O Alexandrinus (designados por "A"), trazido de Alexandria a Inglaterra no século XVIII e igualmente conservado no British Museum, data do século V.

O Códex Ephrem (designado por "C"), e uma "palimpsesto", que quer dizer que o texto primitivo, um manuscrito do Novo Testamento datando do século V, foi apagado no século XII por um copista que se serviu do pergaminho para nele copiar tratados de Ephrem da Síria.

Felizmente, o texto primitivo não desapareceu totalmente e pode ainda ser lido sob o texto medieval por olhos peritos (trabalho penoso, facilitado hoje em dia pelos processos técnicos modernos). Este manuscrito é conservado em Paris, na Biblioteca Nacional. Estes quatro primeiros manuscritos não diferem entre si a não ser por "variantes" de pormenor. Dois outros manuscritos (designados por "D") apresentam, com os quatro precedentes, grande número de variantes e particularmente notória. Datam ambos do século VI. O primeiro: Códex Bezae Cantabrigiensis deve seu nome ao fato de ter pertencido, assim como, aliás, também o segundo, a Theodoro de Beza, amigo de Calvino, e que em 1581, seu proprietário o ofertou a Cambridge. Escrito sobre duas colunas, a primeira contendo texto grego, a segunda a tradução latina, oferece somente os 4 evangelhos e o livro de Atos dos Apóstolos.

Hoje em dia, após os achados do Quimran, existem vários manuscritos que estão sendo estudados e também são apresentados ao público em geral. Eles encontram-se em Jerusalém, no Museu do Livro. Ali percebemos o autêntico milagre de preservação dos mesmos, pois encontram-se alguns inteiros e outros fragmentados de tal forma que é preciso "monta-los" como a um quebra-cabeças para descobrir-se de que manuscrito se trata.

A ciência tem colaborado muito para desvendar este quebra-cabeças. Os manuscritos são feitos de pele de carneiro, e cada um deles está passando por um teste de DNA. Este teste determina que pedaços pertencem aos manuscritos mais "completos", pois o DNA possui o código genético de cada animal em particular. Assim torna-se impossível "juntar" pedaços diferentes!



AS VERSÕES DO NOVO TESTAMENTO

Há importantes traduções do original grego do Novo Testamento para dez idiomas antigos, conforme descrição abaixo: Latim: A tradição latina começou em cerca de 150 D.C. O "Latim Antigo" (anterior à "Vulgata") conta com cerca de 1000 manuscritos. Após o século IV, a versão latina foi padronizada na Vulgata. Há cerca de 8000 traduções latinas do tipo Vulgata, pelo que a tradição latina conta com cerca de 10.000 manuscritos conhecidos, ou seja, mais ou menos o dobro dos manuscritos em grego. Siríaco: Quanto ao siríaco antigo há apenas dois manuscritos, mas revestem-se de grande importância. Datam dos séculos IV e V. A tradição siríaca foi padronizada no Peshitto, do qual há mais de 350 manuscritos do século V em diante.

Copta: Esse é o Novo Testamento do Egito. Há duas variações desse texto, dependendo de sua localização geográfica. O saídico veio do sul do Egito, contando com manuscritos desde o século IV. O boárico veio do norte do Egito, contando com um manuscrito do século IV, mas os demais são de origem bem posterior. Nos séculos depois do século IV, os manuscritos coptas foram muito multiplicados, pelo que há inúmeras cópias pertencentes à esta tradição. Formam um grupo valioso, pois são de caráter "alexandrino", concordando com os manuscritos gregos mais antigos e dignos de confiança.

Armênio: Essa tradição começou no século V. Com excessão do latim, há mais manuscritos dessa tradição do que qualquer outra. Já foram catalogados 2000 deles. A versão armênia tem vários representantes do tipo de texto "cesareano", mas muitos pertencem à classe bizantina.

Geórgico: Os georgianos eram um povo da Geórgia caucásia, um agreste distrito montanhoso entre os mares Negro e Cáspio, que receberam o Evangelho durante a primeira parte do século IV. Supomos que a tradição geórgica dos manuscritos começou não muito depois, mas não há quaisquer manuscritos anteriores ao ano de 897. O seu tipo de texto é cesareano.

Etíope: Essa tradição conta com manuscritos datados desde o século XIII. Há cerca de 1000 desses manuscritos, essencialmente do tipo de texto bizantino.


Gótico: Algum tempo depois dos meados do século IV, Ulfias, chamado o apóstolo dos godos, traduziu a Bíblia do grego para o gótico, uma antiga língua germânica. Agora há apenas fragmentos, do século V em diante. São essencialmente do tipo de texto bizantino, com alguma mistura de formas ocidentais. O texto bizantino, entretanto, é uma variedade anterior àquela que finalmente veio a fazer parte do Textus Receptus.

Árabe e Persa: Alguns poucos manuscritos tem sido preservados nesses idiomas; mas são de pouca importância no campo da crítica textual. Quanto à versão árabe, os problemas de estudo são complexos e continuam sem solução, pelo que é possível que ela seja mais importante do que se tem suposto até hoje.

A LÍNGUA DO NOVO TESTAMENTO

Não se pode reconstruir o pensamento cristão primitivo se não se der atenção ao estudo acurado da língua grega durante o primeiro século. Os elementos auxiliares aqui indicados visam a uma introdução.



DESCOBERTAS ARQUEOLÓGICAS

Várias foram as descobertas arqueológicas que proporcionaram o melhor entendimento das Escrituras Sagradas. Os manuscritos mais antigos que existem de trechos do Antigo Testamento datam de 850 d.C. Existem, porém, partes menores bem mais antigas como o Papiro Nash do segundo século da era cristã. Mas sem dúvida a maior descoberta ocorreu em 1947, quando um pastor beduíno, que buscava uma cabra perdida de seu rebanho, encontrou por acaso os Manuscritos do Mar Morto, na região de Jericó.

Durante nove anos vários documentos foram encontrados nas cavernas de Qumrân, no Mar Morto, constituindo-se nos mais antigos fragmentos da Bíblia hebraica que se têm notícias. Escondidos ali pela tribo judaica dos essênios no Século I, nos 800 pergaminhos, escritos entre 250 a.C. a 100 d.C., aparecem comentários teológicos e descrições da vida religiosa deste povo, revelando aspectos até então considerados exclusivos do cristianismo. Estes documentos tiveram grande impacto na visão da Bíblia, pois fornecem espantosa confirmação da fidelidade dos textos massoréticos aos originais. O estudo da cerâmica dos jarros e a datação por carbono 14 estabelecem que os documentos foram produzidos entre 168 a.C. e 233 d.C. Destaca-se, entre estes documentos, uma cópia quase completa do livro de Isaías, feita cerca de cem anos antes do nascimento de Cristo. Especialistas compararam o texto dessa cópia com o texto-padrão do Antigo Testamento hebraico (o manuscrito chamado Codex Leningradense, de 1008 d.C.) e descobriram que as diferenças entre ambos eram mínimas.

Outros manuscritos também foram encontrados neste mesmo local, como o do profeta Isaías, fragmentos de um texto do profeta Samuel, textos de profetas menores, parte do livro de Levítico e um targum (paráfrase) de Jó.

As descobertas arqueológicas, como a dos manuscritos do Mar Morto e outras mais recentes, continuam a fornecer novos dados aos tradutores da Bíblia. Elas têm ajudado a resolver várias questões a respeito de palavras e termos hebraicos e gregos, cujo sentido não era absolutamente claro. Antes disso, os tradutores se baseavam em manuscritos mais "novos", ou seja, em cópias produzidas em datas mais distantes da origem dos textos bíblicos.


O GREGO COINÊ

O grego coinê existia lado a lado com a língua nativa; aquele era um mundo bilíngüe (talvez trilingüe). Jesus e seus discípulos dirigiam-se às multidões em grego3, mas é certo que também utilizavam o aramaico, sua língua materna em outras ocasiões. O coinê era a língua do povo que não teve escola e que não possuía dotes literários. O coinê parece ter sido a linguagem da experiência humana, própria para a boca do homem e mulher comum, cuja lógica se movia em termos, não de argumentos eruditos, mas da metáfora colorida e cujas mentes eram ocupadas menos com o significado da vida do que com vivê-la. O coinê do Novo Testamento não tinha as qualidades artificiais sofisticadas do reavivamento ático, que possuía todos os tons da vida do povo em ebulição. Influências estranhas Há no grego do Novo Testamento traços hebraicos inquestionáveis. Resultam da influência do Velho Testamento hebraico e da Septuaginta. Muito da terminologia do Novo Testamento, em seus característicos , noomonsemânticos, só pode ser explicado pelo Velho Testamento. A palavra grega omon clássico significava "estatuto" ou "regra fixa".

Se olharmos para a Septuaginta, em que se traduz o hebraico torah, veremos que o judeu helenizado considerava a palavra traduzida para o grego não como um princípio abstrato, mas como a vontade graciosa de um Deus pessoal a seu povo. O significava para o grego a mudança de mente ou opinião, masw eonatemverbo usado pelos profetas hebreus, por João Batista e Jesus, queria dizer completa mudança de caráter e disposição, abandono completo da atitude negativa para com Deus e consigo próprio e tomada de outra posição diferente, positiva. Esta mudança de significado é alcançada pelo conceito de pecado dos judeus, diferentes dos gregos em tudo. Algumas palavras são resultados de simples transliteração, como: anotabas, annam, sonabil, natas, aqoglog, nema, aiulehlla :ipanis ,solbiB- presença de outros elementos estrangeiros, como egípcios ( Anwbarra), fenícios (noiladnas ,azag); persas (hlobmerapmacedônios ) - influência cristã na semântica das palavras e na sintaxe do Novo Testamento é notável. Alguns desses novos significados tem um caráter técnico ou ritual: s;oleggas, no sentido oficial de olotsopas, para irmãos da mesma fé; ofleda , comowuetefrop como apelativo dos cristãos; sierei como "dom de línguas";assolg s, etc., queopoksipes, onokaid, aiselkkeuma função cristã, e outros termos como passaram a ter novos significados. Os autores do Novo Testamento deram, em geral, um novo tom a seus vocábulos.

Elevaram, espiritualizaram e transfiguraram palavras então correntes, colocando velhos termos em nova roupagem, acrescentando mais brilho à concepções já sishdienus, sirac, airetws, sitsip, ewz, hnhrie, hpagaluminosas. Palavras como sishdienus, sirac, airetws, sitsip, ewz, hnhrie, hpaga transformaram-se em instrumentos de grande poder a elevar a língua do Novo Testamento a pedestal de glória que só com o novo movimento poderia alcançar.


Isso nos mostra a diversidade de formas que o “Eterno se utilizou para compor o Livro Sagrado”, pois foi através de aproximadamente 40 homens, em épocas diferentes, das mais diversas nacionalidades e profissões, utilizando-se de duas línguas muito ricas em sua terminologia. Assim o Eterno Deus dá vazão “à revelação de Sua Pessoa e de seus propósitos” para que a humanidade possa então conhecê-lo definitivamente como Ele realmente é! Hoje temos à nossa disposição todo o conjunto de Escritos Inspirados ou não inspirados no sentido próprio da terminologia, o qual chamamos de "Bíblia", com um ingrediente que é fundamental para nós: tudo reunido e traduzido em nossa própria língua! Aqueles que desejam “conhecer à Deus” podem fazê-lo adquirindo em qualquer livraria uma Bíblia. Esta conduzirá o homem de volta até seu Criador e Senhor! Só podemos questionar dizendo: esta é realmente a Palavra de Deus?

AS "ADIÇÕES" FEITAS À BÍBLIA

A Escritura que possuímos hoje é um pouco diferente daquela que foi produzida na antigüidade pelos profetas no Velho Testamento e depois pelos apóstolos judeus no Novo Testamento. Todas as citações abaixo não constam do texto original!

Vejamos alguns exemplos de adições:

1) - As palavras em itálico: elas não constam no original e servem para complementar o sentido do texto. Seu objetivo é enfatizar e firmar algo que está sendo dito.

2) - Palavras entre parêntesis: enquanto as palavras adicionais aparecem em itálico em algumas versões, em outras isso ocorre através do uso de parêntesis.

3) - Palavras na margem ou no rodapé: determinados trechos ou palavras encontrados ma margem ou no rodapé de nossas Bíblias são a tradução ou explicação de um texto ou palavra duvidosa.

4) - Divisão em capítulos e versículos: Isso também não existe nos originais. Em alguns casos este tipo de divisão prejudica, pois "quebra" o texto e tira o sentido completo do mesmo, prejudicando assim a sua interpretação.

5) - Divisão do texto em parágrafos: não existe no texto original, embora esta divisão seja muito útil para a compreensão da Escritura.

6) - Referências de rodapé: em praticamente todas as Bíblias hoje encontramos notas de rodapé que correspondem à pequenos números que são inseridos no texto bíblico. Estes números trazem aquilo que chamamos de "referências cruzadas", ou seja, outras ocorrências daquelas palavras ou expressões, o que torna mais fácil encontrarmos determinadas palavras na Bíblia.

7) - Versões bíblicas: na atualidade temos uma série muito grande de versões dos textos originais. Isso indica que houveram traduções variadas, algumas vezes adaptando-se a linguagem mais popular, para facilitar o entendimento daqueles que lêem. O texto original é único, sem variações e uniforme!

Todos estes fatores nos mostram, mais uma vez, o quanto evoluiu o processo de aprimoramento da Bíblia como um livro especial para a humanidade! Isso não significa que não devamos confiar na Bíblia, mas sim que precisamos cada vez mais nos aprofundarmos no conhecimento (e relacionamento) com Deus e com sua suposta Palavra através dos homens, pois ela é a única fonte de informação escrita que temos a respeito dele! Por isso, a Bíblia foi e ainda é o livro mais lido, conhecido e vendido do mundo.

Se é ou não a palavra de Deus, isto vai de acordo com a fé individual de cada pessoa.

Por Paulo Néry

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Escrita Hieroglífica



Existiam duas formas de escrita no Antigo Egito: a demótica (mais simplificada) e a hieroglífica (mais complexa e formada por desenhos e símbolos). As paredes internas dos túmulos e pirâmides eram repletas de textos que falavam sobre a vida dos faraós, dignitários, rezas e mensagens para espantar possíveis saqueadores.



O conhecimento entre os antigos Egípcios estava associado aos escribas, às classes sacerdotais e aos templos. Numa parte destes encontravam-se as "Casas de Vida" (Per Ankh), nome dado a uma área do templo que funcionava como biblioteca e arquivo, onde também se ministravam conhecimentos e se copiavam os textos de carácter médico, astronómico e matemático.
O hieróglifo que significa escriba, palavra que se pronunciava sesh, pode ser visto na imagem seguinte.
Ele é formado pelos principais instrumentos empregados por aqueles profissionais: uma paleta com reentrâncias para pedaços sólidos de pigmento vermelho e preto, um recipiente com água e um cálamo de junco. A paleta era normalmente feita com um pedaço retangular de madeira. Suas dimensões podiam variar entre 20 e 43 centímetros no comprimento, entre cinco e oito centímetros na largura e entre um e cinco centímetros na espessura. Numa das extremidades havia duas ou, às vezes, várias cavidades para conter as tintas na forma sólida. A tinta preta era feita com carvão ou fuligem e a vermelha com ocre dessa cor finamente moído. Ambas eram misturadas com uma solução fraca de cola de forma a endurecerem ao secar.

Ao escrever o profissional misturava água à pasta do pigmento, como fazem as crianças de hoje com as suas aguarelas. O cálamo era feito de uma haste de junco, com cerca de 15 a 25 centímetros de comprimento. Sua ponta era cortada obliquamente e depois mordida pelo escriba para quebrar as fibras. Os cálamos eram guardados em uma ranhura cavada na parte central da paleta. Tais ranhuras podiam, às vezes, conter uma tampa corrediça, como os estojos escolares de madeira ainda hoje utilizados.
Entre as paletas encontradas pelos arqueólogos muitas continham inscrições a tinta em hierático, as quais parecem ser anotações administrativas feitas pelo próprio escriba, tais como medidas, nomes, contas, registro de mercadorias, etc. Outras paletas contêm inscrições em hieróglifos, geralmente invocando o deus Thoth, deus da escrita e da sabedoria e divindade tutelar dos escribas, o que parece indicar que os materiais de escrita faziam parte do equipamento funerário de seus donos. Todo esse material o escriba carregava dentro de caixas de madeira ou de bolsas de couro.

A Escrita Hieroglífica foi utilizada no Egipto desde o séc. V a.c. ao séc. IV da nossa era. Na origem, cada signo reproduzia directa ou indirectamente o objecto evocado, mas cedo os signos adquiriram um valor fonético que se sobrepôs ao valor ideográfico, sem contudo o substituir.
Os hieróglifos serviam tanto as tradições profanas como sagradas tendo sido gravados em baixos ou altos relevos sobre uma matéria dura (pedra, madeira ou metal). Os signos hieroglíficos foram desenhados em linhas verticais ou horizontais, podendo a leitura ser feita da esquerda para a direita ou vice-versa, sendo o sentido fixado pelos signos figurativos dos homens ou animais, tendo estes a cabeça voltada para o início da linha.

Os egipcios acreditavam que sua escrita sagrada, datada de 3100 a.C. era um presente de Thoth, o deus da sabedoria.
Entretanto, os estudiosos contemporâneos afirmam que o povo do Nilo sofreu influências da escrita mesopotâmica.
Qualquer que seja a sua origem, a escrita hieroglífica foi um instrumento que possibilitou aos egípcios registrarem dados diversificados de sua cultura: da vida cotidiana da população até as proclamações dos sacerdotes e decretos reais. Traduzindo ao pé da letra, "hieróglifo" significa “inscrição sagrada”.

A expedição militar e científica que o imperador Napoleão realizou ao Egito trouxe consigo, entre outras inúmeras antiguidades, para o caso interessa uma pedra encontrada em Agosto de 1799 por soldados franceses que trabalhavam sob as ordens de um oficial chamado Bouchard. Na luta contra ingleses e turcos, eles estavam restaurando e preparando os alicerces para ampliação de um antigo forte medieval, posteriormente chamado de Forte de São Juliano, nas proximidades da cidade egípcia de Rachid (que significa Roseta, em árabe), localizada à beira do braço oeste do Nilo, perto de Alexandria, junto ao mar. Dois anos depois, pelo Tratado de Alexandria, o achado foi cedido aos ingleses e hoje encontra-se no Museu Britânico de Londres.
Tendo ficado conhecida como Pedra de Roseta, é uma estela de basalto negro, de forma retangular, medindo 112,3 cm de altura, 75,7 cm de largura e 28,4 cm de espessura e que numa das faces, bem polida, mostra três inscrições em três tipos de caracteres diferentes, em parte gastas e apagadas em virtude do contato com a areia por milênios. Na parte superior, destruída ou fraturada em grande parte, vê-se uma escrita hieroglífica com 14 linhas; o texto intermediário contém 22 linhas de uma escrita egípcia cursiva, conhecida como demótico, e a terceira e última divisão da pedra é ocupada por uma inscrição de 54 linhas em língua e caracteres gregos. Os três textos reproduzem o mesmo teor de um decreto do corpo sacerdotal do Egito, reunido em Mênfis, em 196 a.C., para conferir grandes honras ao rei Ptolomeu V Epifânio (205 a 180 a.C.), por benefícios recebidos.

Apesar da aparência insignificante da pedra, os estudiosos logo perceberam o seu valor pelo fato de apresentar textos egípcios acompanhados por sua tradução em uma língua conhecida, o que vinha, enfim, estabelecer pontos de partida e de comparação tão numerosos quanto incontestáveis. Por ordem de Napoleão Bonaparte a estela foi reproduzida e litografada e várias cópias enviadas a diversos especialistas em línguas mortas. Entretanto, passaram-se 23 anos desde a data de sua descoberta até que um homem, Jean-François Champollion, pudesse decifrar integralmente o seu conteúdo.

A Pedra de Roseta estará eternamente ligada ao nome de Champollion, pois foi ela que serviu de base aos estudos que o levaram finalmente à decifração dos hieróglifos. A verdade é que, ajudado pelo fato de que aquela estela continha o mesmo texto grafado em hieróglifos, demótico e grego, ele reconheceu nela o nome de Ptolomeu em grego e demótico e, assim, pode identificar o cartucho com o mesmo nome em hieróglifos, dando, assim, um passo importantíssimo na solução do enigma.
Mas vamos conhecer um pouco mais sobre este indivíduo.

Nascido em Figeac, Quercy 23 de Dezembro de 1790 - Paris, 4 de Março de 1832, ) Jean François Champollion, aquele que é considerado o pai da egiptologia, ainda criança mostrou um extraordinário talento linguístico.
Aos 16 anos já conhecia Hebreu, Aramaico, Sânscrito, Pahlavi, Siríaco, Caldeu, Árabe, Persa, Chinês e várias outras línguas asiáticas. Em 1809 torna-se professor de História em Grenoble.
Concluiu que o copta, a língua falada pelos cristãos egípcios na altura, correspondia ao último estágio da antiga língua egípcia, e foi esta a sua grande vantagem sobre o inglês Thomas Young. Com o seu estudo, identificou vários dos caracteres demóticos na Pedra de Roseta, juntamente com os seus equivalentes coptas.Ao princípio, apesar dos resultados de Young, Champollion estava convencido de que os hieróglifos eram puramente simbólicos.

Qual o seu método de decifração ?
Ao estudar a Pedra de Roseta, Champollion identificou o único cartucho que aparecia 6 vezes como sendo o de Ptolomeu, dado que a secção grega referia que a inscrição era sobre um Ptolomeu.

Ele assumiu que os caracteres seriam a pronunciação de Ptolemaios, a palavra grega para Ptolomeu.

Em 1822, recebe a cópia de uma inscrição bilingue em hieróglifos e grego, de um obelisco egípcio que tinha sido trazido para Inglaterra pelo coleccionador J.W. Bankes, para ornamentar a sua propriedade.

No obelisco de Bankes, referem-se dois nomes reais na secção grega: Ptolomeu (Ptolemaios) e Cleópatra (Kleopatra). No texto hieroglífico dois cartuchos aparecem lado a lado.
Um deles é quase idêntico ao da Pedra de Roseta:



Este surge na Pedra da Roseta,

E este, no Obelisco de Bankes.

Dessa forma, o outro cartucho no obelisco de Bankes foi considerado como tendo o nome de Cleópatra:


Assim, decompondo os cartuchos de Ptolomeu e Cleópatra temos os seguintes hieróglifos:

1- Ptolomeu:

2- Cleópatra:

Champollion conclui que:
A1 = B5 , logo, deve representar a letra P.
A4 = B2 , logo deve representar L.
Então B1 deve ser K.

Substituindo as letras já conhecidas no nome de Cleópatra obtém-se...
Os sinais B3 e B4 entre L e P devem ser provavelmente os equivalentes às vogais E e O, respectivamente.
Em algumas formas do cartucho de Cleópatra, como esta acima, o sinal B7 é substituído por B10, que é o mesmo que A2. Provavelmente ambos significam T. B6 e B9 devem ser A.

Assim temos:
Os últimos dois sinais (B10 e B11) já eram conhecidos desde os estudos de Thomas Young, como sendo uma terminação honorífica em nomes de deusas, rainhas e princesas. Ou seja, não teriam valor fonético. Isto faz com que B8 = R

Champollion tinha descoberto o segredo: a antiga escrita hieroglífica egípcia era uma mistura de sinais representando sons (fonogramas) com sinais que representavam ideias ou palavras (ideogramas ou logogramas). O reconhecimento deste fenómeno foi a vantagem que Champollion teve sobre o seu colega Thomas Young na decifração do sistema de escrita.

A escrita hieroglífica continha três categorias de sinais:
Fonogramas - representam sons, e correspondiam a uma, duas, ou três consoantes. Constituem a base de toda a gramática egípcia.

Existem três classes de fonogramas:
Monoconsonantais - com uma única consoante.
Biconsonantais -com duas consoantes e Triconsonantais-com três consoantes.

Ideogramas - sinais sem valor fonético, que correspondem a uma ideia completa. Muitas vezes a palavra a que correspondem define literalmente um determinado objecto ou ser animado, sendo neste caso chamados de logogramas, escrevendo-se seguidos de um traço adjunto.

Determinativos - são uma extensão não-fonética dos ideogramas, sendo colocados no final de cada palavra hieroglífica. Esclarecem a categoria a que pertence a palavra que lhes é imediatamente precedente.

Quanto à orientação da escrita, esta efectuava-se na horizontal ou na vertical, e os hieróglifos podiam-se ler a partir da esquerda ou da direita, mas nunca de baixo para cima.

Um alfabeto é um conjunto de sinais seguindo uma ordem específica, que representam os sons unitários - fonemas - na escrita da língua usada por um povo em uma determinada época.Não se pode dizer que os egípcios usavam o alfabeto na sua escrita, pois combinavam vários tipos de hieróglifos entre si, e apesar de muitos deles serem fonéticos, eram frequentes os hieróglifos que correspondiam a mais do que uma consoante. No entanto, para efeitos práticos podemos isolar alguns hieróglifos que correspondem a fonemas isolados, formando assim uma espécie de alfabeto. Esta percepção virtual de um alfabeto facilita obviamente a criação de listas de palavras no estudo da antiga língua egípcia.

Seria impensável ensinar aqui a gramática egípcia, tal é o seu tamanho e complexidade, principalmente no sistema verbal. No entanto, é possível ilustrar através de simples exemplos as relações entre os vários elementos de uma oração básica. A imagem abaixo é um desses exemplos, e representa uma construção verbal simples, usando a regra VSO (Verbo- Sujeito- Objecto). Uma imagem vale por muitas palavras, e a seguinte imagem demonstra de forma simples alguns pontos essenciais da gramática do Egípcio Médio, a fase clássica da língua egípcia.


Este conjunto quer dizer: "A mulher local ouve o crocodilo infeliz"

Que eram os cartuchos ? E os serekhs ?

Durante o Período Dinástico Primitivo (c. 3150-2686 a.C.), os egípcios criaram a tradição de escrever a parte principal dos títulos reais do faraó dentro de uma forma oval alongada, vulgarmente conhecida pelo nome de cartucho, ou cartela (ver figs. A e B).

Este elemento da escrita hieroglífica Representava um cordão mágico que afastava do monarca os maus espíritos, conferindo-lhe assim protecção divina e mágica. A palavra egípcia equivalente era shenu (Snw). As inscrições com o título real completo de um faraó incluíam sempre dois cartuchos, o primeiro contendo o prenomen (nome de trono), que relacionava um ou mais aspectos do rei com o deus solar Rá, e o segundo cartucho continha o nomen (nome de nascimento), obviamente dado ao rei aquando do seu nascimento. A compreensão destes elementos nas inscrições de algumas estelas comemorativas e outros monumentos foi fundamental para a decifração dos hieróglifos durante o século XIX.

O cartucho seguia a orientação geral da escrita hieroglífica, e os seguintes exemplos demonstram-no com o prenomen do faraó Tutmosis III.


Fig. A - Cartucho horizontal

Fig. B - Cartucho vertical

Os primeiros faraós não escreviam o seu nome num cartucho, mas antes no serekh (srx), uma estrutura rectangular encimada pelo deus-falcão Horus (figura abaixo). Representava a fachada do palácio real, dentro da qual se inscrevia o Nome-de-Horus do faraó. Este título real era uma combinação do nome de trono do faraó com vários epítetos que o relacionavam com o deus-falcão Horus ou outros deuses.

Enfim, apesar da beleza dos hieróglifos, a escrita acabou sendo simplificada, pelo que surge a escrita demótica. Deve-se a Heródoto a designação de Demótica a essa escrita e que etimologicamente significa "popular". Essa modalidade aparece no Egito tardiamente, no decurso do séc. VII a.C. No tempo de Darío, o Persa.

Segundo se acredita, foram criadas as primeiras escolas e o sistema de escrita demótica permitiu a divulgação da escrita entre as camadas populares, certamente em menor escala em comparação com o que acontece presentemente.
A escrita demótica é uma forma simplificada ou degenerada do hierático. Freqüentemente as inscrições são difíceis de interpretar por causa do aglomerado ou junções de varias letras feitas com um único traço.
O ultimo documento demótico data de 476 d.C. demonstrando uma sobrevivência superior a mil anos. O idioma que lhe corresponde é o copta, com a junção de alguns vocábulos gregos.

Por: S. L. Lima

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Pompéia, a Eterna Cidade do Vesúvio.


No início do século XVI, o arquiteto italiano Domenico Fontana, encarregado de cavar um túnel sob a montanha La Civita, que trouxesse água do rio Sarno para a cidade de Torre Annunziata, descobriu as ruínas de uma antiga cidade.


A cidade era Pompéia, e havia sido destruída por uma violenta erupção do vulcão Vesúvio, no dia 24 de agosto do ano de 79 d.C. As ruínas estavam recobertas por vários metros de depósitos vulcânicos.

As escavações arqueológicas de Pompéia permitiram que se reconstituísse com bastante precisão a vida na antigüidade romana a partir do plano da cidade, das casas, dos objetos de uso cotidiano, das obras de arte.


Foi a maior erupção do Vesúvio de que se tem notícia. Na manhã de 24 de agosto do ano 79, uma chuva de cinzas e pedras que saia da cratera do vulcão apanhou de surpresa os moradores das cidades de Pompéia, Herculano e Stabia. Localizadas no golfo de Nápoles. no Sul da Itália as três foram totalmente soterradas. Pompéia, a 23 quilômetros de Nápoles, com uma população estimada entre 10 e. 15 mil habitantes, era a maior delas. Dias antes da catástrofe, os pompeianos ouviram ruídos que vinham do solo e para os quais não encontravam explicação.

É BEM POSSÍVEL, a julgar pela ausência de precauções, eles nem sequer suspeitavam de que a montanha onde plantavam vinhas abrigava um perigoso vulcão. As pedras, chamadas lapíli (do italiano lapilli, pedrinhas), que a cratera expelia, alcançavam quilômetros de altura e algumas tinham espessura de 8 metros. Normalmente, os lapíli são do tamanho de uma avelã. Quem conseguiu sobreviver às pedradas acabou morrendo por asfixia: o Vesúvio soltava um gás altamente tóxico e letal. No dia 27, as cidades estavam sepultadas debaixo das cinzas e pedras. Os sobreviventes que se aventuraram para retornaram em busca de seus pertences não encontraram mais nada.

Quando por fim veio o século XVI, as ruínas foram descobertas, mas somente dois séculos mais tarde é que foi possível uma profunda pesquisa na área. Em 1738, por ordem do rei Carlos III de Espanha cujos domínios incluíam Nápoles ,o engenheiro Rocco Giacchino de Alcubierre iniciou escavações sistemáticas onde antes se erguera Herculano, a 8 quilômetros de Nápoles.

Dez anos depois, passaram a escavar em outro local, que só em 1763, por meio de uma inscrição, foi identificado como Pompéia. Os arqueólogos contratados por Alcubierre encontraram também o primeiro cadáver e quanto mais avançavam no trabalho outros apareciam. Todos transformados em estátuas de pedras. São famosas as de uma mãe que amamentava o filho, a de um cão preso a correntes e as de três jovens mulheres surpreendidas na fuga da Vila dos Mistérios como se chamava o templo onde se celebravam os cultos ao deus Dioniso. A posição em que foram encontrados os corpos indica a luta que travaram para se livrar da morte.







Esses achados causaram grande impacto e não era para menos. Pela primeira vez vinha a público a imagem concreta de uma cidade romana que não sofrera as mudanças que o tempo e as gerações teriam nela produzido. A princípio e por um bom tempo pensou-se que seus habitantes tinham alto nível cultural e artístico devido às esculturas de bronze e mármore e aos objetos de prata e vidro ali encontrados. Mas no decorrer das investigações ficou provado, ao contrário, que os cidadãos de Pompéia eram provincianos encerrados nos muros da pequena cidade, de onde só saiam para fazer negócios.

As pesquisas arqueológicas revelaram que a sociedade de Pompéia como qualquer outra do Império Romano, apresentava grandes contrastes e diferenças de classe: os escravos e plebeus trabalhavam para os patrícios e o sonho dos cativos, quando conseguiam a liberdade, era ganhar dinheiro suficiente para comprar seu próprio escravo. Pompéia vivia basicamente do comércio de azeite e do vinho que produzia. Sua localização estratégica, entre o mar e a foz do rio Sarno, facilitava a exportação desses produtos para cidades do Mediterrâneo. No século II a.C., o comércio ganhou impulso e isso se refletiu de imediato nas construções, que aumentaram em número e em luxo.







As escavações mostraram também que os moradores de Pompéia veneravam os deuses pátrios romanos, tanto que havia templos em homenagem a Apolo, Júpiter e Vênus, a quem ofertavam orações e bens. Em troca, eles acreditavam receber paz de espírito. Às divindades cabia a responsabilidade de dirigir a vida das pessoas e cuidar para que os costumes não se tornassem demasiadamente devassos. A idéia muito comum de que Pompéia era o paraíso do ócio e das bacanais, do sexo, e da orgia do Império é hoje contestada e não encontra nenhuma sustentação.


ESTA IDÉIA de obscenidades romanas sexuais na antiga Pompéia se deveu ao fato da descoberta de desenhos obscenos, símbolos fálicos e cenas eróticas pintados nas paredes de bordéis, que aguçaram a imaginação dos escritores, como Sir Edward Bulwer-Lytton (1803-1873), um distinto membro da rosa-cruz, que escreveu a obra “Os Últimos dias de Pompéia”, em 1834. A partir disso, eles construíram toda uma história na qual os habitantes de Pompéia aparecem como pessoas dissolutas. Na verdade, bordéis também fizeram parte de sociedades conservadoras e Pompéia nada mais foi que uma cidade representativa da sociedade romana da Antiguidade. Seja como for. as paredes dos bordéis são uma das atrações que levam mais de 1 milhão de turistas anualmente às ruínas da cidade.



A outra grande atração fica por conta das casas, em sua maioria luxuosas e espaçosas, todas com um jardim no meio. Por meio delas, pode-se reconstruir a típica casa romana da classe média abastada ou rica. No romance Satyricon o escritor romano Petrônio, que cometeu suicídio por ordem do Imperador Nero no ano 66, retrata bem os usos e costumes característicos dos novos-ricos que moravam em Pompéia poucos anos antes da erupção do Vesúvio.








Em Herculano, cidade menor que Pompéia, as condições de umidade do solo e a espessura dos sedimentos vulcânicos, de 15 a 18m, permitiram a melhor conservação dos restos de madeira, tecidos e alimentos. Suas construções revelam o caráter mais refinado de seus habitantes, supondo-se que se tratava de um local de veraneio para aristocratas e intelectuais. Conta com um dos mais bem conservados anfiteatros da antiguidade.

As descobertas dos pesquisadores desvendaram muitos aspectos do cotidiano de Pompéia e reconstituíram os seus derradeiros dias. Naquela manhã de 24 de agosto de 79, as padarias, por exemplo, estavam em plena atividade. Moinhos, máquinas de misturar farinha, fornos e até pões carbonizados testemunham isso. A cidade, que mal tinha se recuperado da destruição causada por um terremoto dezessete anos antes, possuía também numerosas oficinas de ferreiros, o que prova o grande domínio de técnicas de artesanato. As oficinas dos escultores, joalheiros, e também as lojas que vendiam alimentos, o mercado, as fábricas de lâmpadas a óleo ilustram outros aspectos da vida dos cidadãos locais. Também foi possível saber que uma das termas da cidade ficava aberta à noite e era iluminada por cerca de mil lâmpadas a óleo. Tanto para homens quanto para mulheres, as termas funcionavam como uma espécie de clube onde as pessoas se encontravam.

Outra descoberta importante dos arqueólogos foram os grafitos que se espalhavam por toda a cidade de dar água na boca aos melhores grafiteiros (ou vulgarmente falando, pinchadores) das metrópoles do século XX. Havia inscrições para todos os gostos: desde os que anunciavam a troca de um amante por outro até citações, nem sempre exatas porque escritas de memória, de poetas como Virgílio. Além disso, nos muros das casas, edifícios públicos e até nas sepulturas gravavam-se anúncios de combates de gladiadores e muita propaganda eleitoral. Todos os anos a população elegia os duúnviros, as duas autoridades mais importantes da cidade, equivalentes aos cônsules romanos e dois edis espécie de vereadores que cuidavam da inspeção e conservação dos edifícios públicos.

Mas, além de bons grafiteiros, ao que parece os pompeianos eram também bons de briga. Pelo menos é o que se deduz de um episódio narrado pelo historiador romano Cornélio Tácito (56-120). Uma luta entre gladiadores de Pompéia e da cidade próxima de Nocera, no ano 59, acabou em tumulto generalizado das duas torcidas. Também haviam mulheres gladiadoras e de extrema força, e uma das mais famosas se chamava Estratonice, que era capaz de esmagar o crânio de um homem com a força das próprias mãos,e serviu para compor uma das personagens do célebre romance de Bulwer-Lytton.

Entre mortos e feridos, as baixas foram maiores do lado dos noceranos.

Por isso, o anfiteatro de Pompéia, palco das lutas, ficou fechado por um bom tempo. A cidade tinha ainda dois teatros: um com capacidade para 5 mil pessoas. onde se representavam comédias, e outro menor, o odeon, que abrigava 1500 pessoas, onde aconteciam os espetáculos musicais. No que era considerado o centro pulsante da cidade, ficavam o fórum, os edifícios públicos, o mercado, o banheiro público e os templos, além de uma grande lavanderia e tinturaria. Comandada por uma mulher, coisa rara na época, de nome Eumachia, supõe-se que ali era tingida toda a lã de carneiro que a cidade produzia.

Com base nas reconstituições que as pesquisas arqueológicas proporcionaram, além do célebre e clássico romance de Edward Bulwer-Lytton, o cinema produziu a partir da década de 20 muitos filmes épicos que retrataram com fidelidade os usos e costumes da história romana da época e a tragédia que soterrou Pompéia. “Os Ultimos dias de Pompéia” que já teve quatro versões cinematográficas: a primeira em 1926. Uma segunda realizada nos EUA em 1936, estrelado por Basil Rathbone; uma terceira versão realizada na frança em 1948; e ainda, uma italiana dirigida em 1959 por Sergio Leone e que teve o ator-fisiculturista norte-americano Steve Reeves (1926-2000) como protagonista - e a última em 1983, esta uma minissérie para a televisão reunindo um grande elenco, como Olívia Hussey, Sir Laurence Olivier, e Franco Nero. Se, de um lado, as superproduções cinematográficas eram grandiosas, de outro a vasta literatura deixa a desejar. Assim, o documento considerado de maior valor histórico foi escrito por Plínio, o Jovem, 25 anos depois da fatídica tragédia.


Em duas cartas que enviou ao historiador Tácito, Plínio descreve a morte de seu tio, Plínio, o Velho. Ambos se encontravam na cidade de Miseno, numa das pontes da baia de Nápoles, quase em frente a Pompéia, quando viram a erupção. Plínio O Velho, que além de comandar a frota romana foi autor de uma enciclopédica História Natural, resolveu ver de perto o que acontecia e acabou morrendo na praia de Stabia, asfixiado por gases tóxicos. As cartas são consideradas uma reportagem fiel do que se passou em Pompéia naqueles dias. Depois da erupção de 79, o Vesúvio irrompeu ainda nada menos que trinta vezes o episódio mais recente ocorreu em 1944. Mas nunca com a violência que sepultou a tão afamada e eterna cidade do vulcão.

Por Paulo Néry

Civilização Maia


A Civilização Maia é uma civilização Mesoamericana, conhecida pela sua linguagem escrita, arte e arquitectura fantásticas e por um sofisticado sistema Matemático e Astronómico. O Periodo Clássico da Civilização Maia estendeu-se de 250 a 900 d.C. No seu apogeu, era uma das zonas mais populosas e mais culturalmente dinâmicas no Mundo.
A Civilização Maia partilha muitas caracteristicas com outras civilizações Mesoamericanas, devido ao alto nivel de interacção e difusão cultural existente na região. Avanços como o Calendário e a sua escrita não são originários dos Maias, mas foi esta civilização que os desenvolveu.


O Período Clássico testemunhou a construção dos grandes centros urbanos e dos grandes monumentos. Organizadas em cidade estados: As cidades de Tikal, Palenque, Copan entre outras, traçaram um paralelo interessante com as antigas cidades da Grécia Antiga.

Os mais notáveis monumentos foram as pirâmides, construídas nos seus centros religiosos e também as descrições em lingua maia da genealogia e vitórias dos governantes das cidades.
Os Maias eram aparentemente obcecados com a passagem do tempo e as cerimónias que faziam eram cíclicas, como os fenómenos que observavam.

A nivel matemático, conseguiram a proeza de desenvolverem o conceito do zero por volta de 350 d.C (os europeus apenas tomariam conhecimento do conceito por volta do seculo XII). As suas observações astronómicas eram também mais apuradas do que as de qualquer outra civilização.
A cultura Maia só começou a ser explorada durante a primeira metade do séc. XIX pelo americano John Stephens e o desenhista inglês Frederik Catherwood. Eles publicaram o resultado de suas pesquisas, e foi através destas obras que o povo ficou a saber que os Maias não eram simples índios mas que possuíam uma complexa organização. Construíram magníficas cidades de pedra e desenvolveram uma escrita própria. Quando os Maias foram encontrados por colonizadores, os padres espanhóis descobriram que os índios possuíam livros e resolveram destruí-los para evitar a divulgação de sua cultura. O bispo de Yucatán, D. Diego de Landa, ordenou a apreensão e queima de centenas de volumes de livros chamando isso de um auto-de-fé.


Além disso determinou que a utilização daquela "escrita demoníaca" seria punida com a morte. Esse mesmo bispo quando retornou à Espanha, escreveu um relatório intitulado "Relacion de las Cosas de Yucatán", em 1566 para justificar sua ação repressiva. Informou que os livros continham descrições de cerimônias diabólicas e sacrifícios humanos. O relatório ficou esquecido até 1863 até que foi descoberto pelo sacerdote Charles Etienne Brassuer, que era interessado nas culturas pré Colombianas. Este permitiu conhecer o sistema utilizado pelos maias para a elaboração do calendário e seus numerais. Salvaram-se apenas 4 livros da destruição, 3 conhecidos há muito tempo e um que apareceu após a segunda guerra mundial.

O Códice Tró-Cortesiano (conservado na Espanha). Encontra-se dividido em duas partes. Na primeira, o Códice Troano, foi lido pelo abade de Bourbong. Ele acreditou ter conseguido desvendar a chave dos hieróglifos maias e a história da destruição de Atlântida, sendo que uma parte do povo teria conseguido escapar e formado a civilização Maia. O manuscrito foi escrito por volta dos sec. XII ou XIII e tratava de astronomia e astrologia. Os outros foram : Códice de Dresden e o Códice Peresiano.
De entre as pessoas que leram as descrições do bispo, um norte-americano se interessou muito sobre a Atlântida e sobre as teorias do abade de Bourbong, Edward Thompson. Ele completou seus estudos e utilizou a influência da família para conseguir ser nomeado cônsul no bispado de Yucatán. Despertou interesse especial por Chichén-Itzá. Ela foi construída por volta de 415 e abandonada um século depois por razões desconhecidas e ocupada novamente por volta do ano 1000. Durante o Novo Império foram construídos edifícios dedicados a divindades oriundas da região dos toltecas e que exigiam constantes sacrifícios humanos. Edward Thompson explorou os edifícios em melhor estado de conservação.
O calendário maia era superior ao de todos os povos da Antiguidade. Compreendia um ano solar de 365 dias, um ano bissexto de 366 dias e um ano venusiano de 260 dias.

O chamado Caracol era um observatório astronômico com seteiras voltadas para Vênus, Marte, Júpiter, a estrela Sírius e a Lua. Havia também o Castelo, que era uma pirâmide com 4 escadas centrais, cada uma com 90 degraus, e mais 5, que levavam até ao templo, o que somava 365 degraus. Isso demonstrava a preocupação com o calendário solar...



Logo mais tarde Thompson entrou em descrédito para os arqueólogos pois achava que as civilizações Maia e Egípcia por serem tão parecidas eram descendentes de uma mesma civilização, a Atlântida... Ora, os arqueólogos tradicionalistas não aceitam posições que admitam a existência de Atlântida.

A história da civilização Maia tem início por volta de 5000 a.C. Ocupavam um território ao sul do México, Guatemala e a norte de Belize. Praticavam agricultura e construíam grandes edifícios e pirâmides de pedra. O principal produto era o milho, porém, cultivavam também o feijão, a abóbora, vários tubérculos, o cacau, o mamão e o abacate. Trabalhavam o ouro e o cobre.

Um dos aspectos que impede que se conheça mais profundamente a cultura Maia antiga é o fato de eles possuírem uma escrita extremamente complexa, da qual só se conhece alguns glifos. A grande maioria deles permanece e talvez permanecerá indecifrável. Distinguem-se dois grandes períodos na civilização Maia, O antigo império e o novo império. O antigo império teve seu centro no norte da Guatemala, mas se estendeu pelo sul do México e tambén por Honduras. O novo império ocupou a metade setentrional da península de Yucatán.

A arquitetura maia era totalmente devotada ao culto; as cidades eram centros religiosos, o povo vivia em choças e casas de adobe. Os templos eram de forma retangular e construídos sobre pirâmides truncadas, acessíveis por escadas laterais. O admirável na arte maia é a combinação da arquitetura com a decoração em relevo de estuque e pedra-sabão.

Cada cidade-estado era governada por um chefe ( halch uinic ), que era assistido por um conselho que incluia os principais chefes e sacerdotes. Dentre os chefes se destacavam o Batab, o civil, e o Nacom, o militar. A classe sacerdotal conhecida por Akhim, se dividia em dois grupos. O primeiro velava o culto e o segundo se entregava as artes e ciências. O povo se empregava com a agricultura e com a construção das obras públicas. Os escravos eram os prisioneiros de guerra ou infratores do direito comum até pagar pelo seu crime.

O crescimento da cultura maia se revela principalmente no terreno intelectual, porém, devido à complexidade da sua escrita, só foram descobertos até agora os simbolos relativos ao tempo. Desenvolveram a aritmética de maneira que ela permitiu cálculos astronômicos de uma exatidão admirável. Conheciam o movimento do Sol, da Lua, de Vênus e provavelmente de outros planetas. A numeração escrita era simbolizada por pontos e traços. Inventaram o conceito de abstração matemática, o valor zero fazendo-o intervir nos seus cálculos e cronologias. O calendário se baseava no sistema análogo. O dia ( Kin ) era a unidade de tempo, acima da qual vinha o Uinal, correspondendo a um mês de 28 dias, o Tun equivalia ao ano.

Os maias acreditavam que a terra era plana com quatro cantos, correspondendo aos quatro pontos cardeais e cada uma dessas direções tinha uma cor: leste - vermelho; norte-branco; oeste-negro; sul-amarelo. Para o centro, foi eleita a cor verde.

Para sustentar o céu, segundo a mitologia maia, em cada canto havia um jaguar, de cor diferente para cada ângulo. Na selva onde se desenvolveu a cultura maia, o jaguar era um animal importante e se chamava "bacabs".

Dividindo o universo em treze níveis, os maias acreditavam que em cada um deles havia um Deus, todos sendo então, divindades celestes. Havia ainda, sete divindades terrestres e nove para o mundo subterrâneo.
Entre as divindades celestes, o Sol (Kinich Ahau) e a Lua (Ixchel) detinham um lugar preponderante; todo o ciclo de lendas se relacionava com eles.
As artes da música, da cerâmica e da caça se colocavam sob a proteção do Sol, enquanto a gravidez, o parto, as colheitas e a tecelagem eram da alçada da Lua.
Kinich Ahaua, "Rosto do Sol", amante ou marido de Ixchel, se associava e às vezes até se confundia com Itzamna, o Céu propriamente dito, o que "fulgura", pois talvez não passasse da manifestação diurna de Itzamna, por oposição à sua imagem noturna.
A julgar pela frequência de suas representações, esse último foi uma divindade proeminente e benigna.
Itzamna aparece muitas vezes como monstro bicéfalo, espécie de estranho crocodilo ou lagarto, com uma testa em cada ponta, simbolizando a abóbada celeste.
Ele era também representado sob os traços de um velho de faces encovadas, barbudo, com uma espécie de dente de tubarão, único, apontando de seu maxilar superior. às vezes, ainda, de sua cabeça singular brotava a goela de um dragão celeste.
Itzamna, como a maioria dos Deuses maias, se "desquadruplicava" em quatro personalidades, uma para cada pólo, com uma cor própria para cada atributo.

Na iconografia maia, esses monstros voltam com regularidade constante. Podemos identificá-los com os Chacs, Deuses da Chuva e da vegetação, conhecidos pelo seu nariz em forma de tromba, o olho em tau e os dois caninos pontiagudos. A tromba talvez foi inspirada na do tapir ou do tamanduá, pois não existiam elefantes na América daqueles tempos.

Nos códices, podemos reconhecê-los pelos traços nitidamente ofídicos, e é verdade que a serpente lhes é muitas vezes associada.

Os Chacs são, assim, os Deuses da Chuva, do vento, dos raios, do relâmpago e, por conseguinte, da vegetação, da fertilidade e da agricultura. Esses Chacs, igualmente, se apresentam como a quádrupla manifestação de um Deus, no início único.

Outros Deuses celestes são:
GUCOMATZ: Deus da tempestade que ensinou os homens a produzir o fogo. Era considerado também do Deus do Furacão. É bom lembrar que os maias viveram em um território de passagem de ciclones no período de março a setembro.
HURAKÁN: Outro Deus das Tempestades.
XIB CHAC: Deus da Chuva, um ser benévolo, representado com muitas cores. Os sacerdotes, em suas cerimónias religiosas, eram ajudados por quatro anciões, que eram chamados de Chacs, em honra ao nome do Deus.
YUM CHAC: Deus da Chuva.
XAMAN EK: Deus da Estrela Polar, tinha um rosto simiesco e achatado, mosqueado de negro. Ele era o padroeiro protetor dos mercadores que lhe faziam regularmente oferendas e fumigações do copal nos pequenos oratórios semeados em sua intenção à beira das estradas

Os maias atuais apesar da mestiçagens, permitem ainda esboçar um retrato físico aproximado do Maia da época clássica: apresenta estatura baixa, crânio largo e curto, nunca usa barba ou bigode; as orelhas e o nariz, por vezes são furados para receber jóias; o corpo é moreno acobreado, ou totalmente tatuado; cabelos compridos lisos e negros, às vezes em trança.
Trajando seu "serape" (poncho) e uma tanga mais ou menos longa, sandálias de couro de cervo nos pés, seguras por cordões de fibra de agave.

Homem de profunda religiosidade, o Maia sempre foi muito social e prestativo, soube canalizar de forma mais natural seu tempo de folga, para participar da obra coletiva que era a edificação das pirâmides e dos templos. Foi deste modo, que seus instintos foram canalizados para uma energia mais produtiva, pois a luta cotidiana contra o sufocamento vegetal e as grandiosas realizações arquitetónicas ocupavam a totalidade do seu tempo e de suas forças.

Não devemos imaginar a cidade maia à imagem de nossas cidades, mesmo sob sua fisionomia dos tempos medievais. A tessitura da cidade maia, muito diferente, era mais frouxa, menos cerrada. Tudo se aglutinava em torno da praça do mercado e do centro de cerimónias. Em volta, as moradias se esparramavam longe na natureza num meio contínuo de árvores e campos cultivados. Por isso, a passagem do campo para a cidade era apenas perceptível. Por outro lado, como os habitantes tinham à mão os seus campos mais os produtos, o papel do mercado ficava sobremodo limitado: não era um mercado de mantimentos tal como seria necessário a uma densa cidade urbanizada. Concluindo, eram cidades construídas no campo.
Só moravam no coração da cidade a classe nobre e o clero, os artistas e artesãos que possuíam seus jardins e hortas. A classe operária não existia, pois era confundida com os camponeses. Esses, efetivamente, asseguravam a maior parte dos trabalhos de construção e manutenção e se tornavam soldados quando era necessário.
O número de habitantes das cidades é difícil precisar, talvez 50.000 para Uaxactun e Morley e uns 100.000 indivíduos para as cidades mais importantes como: Tikal, Copan, Uxmal, Chichen Itzá.

Todas as cerimónias requeriam uma preparação, uma purificação prévia, que se traduzia em jejuns, abstinências e continências. É que todo o sucesso da cerimônia dependia de um grau de pureza dos oficiantes e dos diversos elementos participantes.

Ao término destas solenidades, se realizava uma festa onde se bebia o "balche", bebida própria para a ocasião e também dançavam. Entretanto, estas festividades tinham um cunho nitidamente religioso e nunca profano.
A prova é que era preciso observar previamente um período de jejum e abstinência para ter autorização para entrar na ronda. As danças com frequência imitavam cenas de sacrifício e o objetivo dos autores era identificar-se com um animal, um deus, graças ao poder das máscaras. O ritmo obsessivo das percussões, o grito lancinante das trombetas e o surdo rufar dos grandes tambores "huehuetls" mantinham uma tensão contínua e opressiva. Como nos tempos mais recuados, é provável que as danças de caráter mágico e encantatório eram celebradas antes das grandes caçadas, das guerras ou das colheitas.

Em Chichén Itzá praticava-se um tipo especial de sacrifício humano. Ao norte da mais imponente estrutura da cidade, a pirâmide encimada por um templo e denominada Castillo, está o famoso Poço Sagrado, um profundo "cenote", ou sumidouro, aberto no leito de rocha calcária. Quando faltavam as chuvas, ou os sacerdotes percebiam outros sinais de cólera divina, consagravam jovens moças, especialmente escolhidas por sua beleza, e atiravam-nas dentro do poço, juntamente com jóias e outros objetos de valor. Segundo as crónicas espanholas, escritas séculos após o poço ter cobrado sua última vítima, as jovens eram nele arremessadas ao nascer do sol. Se sobrevivessem até o meio-dia, eram retiradas e solicitadas a repetir quaisquer mensagens ou instruções especiais que os Deuses lhes tivessem comunicado. Os cenotes são lugares sagrados para os maias contemporâneos, como foram para seus ancestrais. Segundo a tradição, a água que guardam esses poços é considerada “virgem ou pura” já que não foi tocada pela luz. Os maias davam grande importância ao cenote (ou Dzonot, na língua maia, que significa buraco no solo, ou poço), por constituir uma fonte de água.

Por razões ainda desconhecidas, a civilização entrou em declinio no sec. VIII e IX d.C., com muitas das cidades abandonadas.
Por S. L. Lima

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Constantino e o Concílio de Nicéia.



É realizado, em 325 d.C, o Concílio de Nicéia, atual cidade de Iznik, província de Anatólia ( nome que se costuma dar à antiga Ásia Menor ), na Turquia asiática. A Turquia é um país euro-asiático, constituído por uma pequena parte européia, a Trácia, e uma grande parte asiática, a Anatólia. Este foi o primeiro Concílio Ecumênico da Igreja, convocado pelo Imperador Flavius Valerius Constantinus ( 285 - 337 d.C ), filho de Constâncio Cloro, e da Imperatriz Santa Helena. Quando seu pai morreu em 306, Constantino passou a exercer autoridade suprema na Bretanha, Gália (atual França ) e Espanha. Aos poucos, foi assumindo o controle de todo o Império Romano.



É duvidosa a história de Constantino, prestes a enfrentar seu cunhado e rival Maxêncio sobre a ponte Milvia, próximo do ano 312, viu nos céus uma cruz luminosa acompanhada dos dizeres: “In hoc signo vinces!” (Por este sinal vencerás). Constantino, então, colocou a sua pessoa e o seu exército sob a proteção do sinal da cruz e venceu Maxêncio, tornando-se imperador supremo de Roma, proibindo em seguida a perseguição aos cristãos pelo Edito de Milão, em 313.

Na verdade, Constantino observara a coragem e determinação dos mártires cristãos durante as perseguições promovidas por Diocleciano, em 303. Sabia que, embora ainda fossem minoritários ( 10% da população do império ), os cristãos se concentravam nos grandes centros urbanos, principalmente em território inimigo. Foi uma jogada de mestre, do ponto de vista estratégico, fazer do Cristianismo a Religião Oficial do Império : Tomando os cristãos sob sua proteção, estabelecia a divisão no campo adversário. Em 325, já como soberano único, convocou mais de 300 bispos ao Concílio de Nicéia. Constantino visava dotar a Igreja de uma doutrina padrão, pois as divisões, dentro da nova religião que nascia, ameaçavam sua autoridade e domínio. Era necessário, portanto, um Concílio para dar nova estrutura aos seus poderes.



O Concílio de Nicéia, de 325, define o momento em que a Igreja se organiza claramente como instituição, definindo seus dogmas, princípios litúrgicos e organização interna. Pode ser considerado como um ato de transformação do Cristianismo primitivo, espontâneo e místico, numa religião estruturada, com uma casta sacerdotal hierarquicamente definida. Apenas a partir do Concílio de Nicéia é que se pode falar em Igreja Católica Romana, como a conhecemos hoje. A abertura do concílio deu-se em 20 de maio de 325, sob uma conjunção de Urano e Plutão em Aquário. Conjunções Urano-Plutão são de grande importância como demarcadores de avanços econômicos e tecnológicos, assim como de momentos em que se formam as condições para grandes concentrações de capital que proporcionarão surtos de desenvolvimento da atividade econômica. Efetivamente a Igreja cumpriu, ao longo dos séculos, um papel de grande importância na vida econômica da Europa, seja como proprietária de terras seja como impulsionadora do renascimento comercial, através das cruzadas.

Entretanto, o grande momento do Concílio de Nicéia não foi o de sua abertura, mas o da definição do Credo. Éo momento decisivo sobre a instituição da doutrina da Trindade. Trezentos Bispos se reúnem para decidir se Cristo era um ser criado ( doutrina de Arius ) ou não criado, e sim igual e eterno como Deus Seu Pai ( doutrina de Atanásio ). A igreja acabou rejeitando a idéia ariana de que Jesus era a primeira e mais nobre criatura de Deus, e afirmou que Ele era da mesma "substância" ou "essência" ( isto é, a mesma entidade existente ) do Pai. Assim, segundo a conclusão desse Concílio, há somente um Deus, não dois; a distância entre Pai e Filho está dentro da unidade divina, e o Filho é Deus no mesmo sentido em que o Pai o é. Dizendo que o Filho e o Pai são "de uma substância", e que o Filho é "gerado" ("único gerado, ou unigênito", João 1. 14,18; 3. 16,18, e notas ao texto da NVI), mas "não feito", o Credo Niceno, estabelece a Divindade do homem da Galiléia, embora essa conclusão não tenha sido unânime. Os Bispos que discordaram, foram simplesmente perseguidos e exilados.



CREDO DO CONCÍLIO DE NICÉIA


Aprovado em 19.6.325, Nicéia, Ásia Menor
(marco do surgimento da Igreja Católica)

"Cremos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso,
criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis.
E em um só Senhor Jesus Cristo,
o Filho de Deus,
unigênito do Pai,
da substância do Pai;
Deus de Deus,
Luz de Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
gerado, não criado,
consubstancial ao Pai;
por quem foram criadas todas as coisas
que estão no céu ou na terra.
O qual por nós homens e para nossa salvação,
desceu do céu,
se encarnou e se fez homem.
Padeceu e ao terceiro dia ressuscitou e subiu ao céu.
Ele virá novamente para julgar os vivos e os mortos.
E cremos no Espírito Santo.
E quem quer que diga que houve um tempo
em que o Filho de Deus não existia,
ou que antes que fosse gerado ele não existia,
ou que ele foi criado daquilo que não existia,
ou que ele é de uma substância ou essência
diferente do Pai,
ou que ele é uma criatura,
ou sujeito à mudança ou transformação,
todos os que falem assim, são anatemizados
pela Igreja Católica e Apostólica
."




Constantino não era um homem de letras e nem de cultura, mas gostava de assistir aos debates. No Concílio, embora fosse ele abrir as portas, ele pouco palpitava nas palestras. Se empolgava quando os líderes religiosos se degladiavam em palavras. O Concílio chegou ao cúmulo do degladio físico, quando Nicolau, o Bispo de Mira, agrediu Ário, com um tapa no rosto

Foi nesse Conselho que os manuscritos, os evangelhos que não tinham o aval do Espírito Santo, ou não foram considerados inspirados por Deus, foram chamados de Apócrifos. Entretanto, o que mais chama a atenção, é o modo de como os grandes líderes, as altas patentes da Igreja, os altos sacerdotes, chegaram a conclusão quem era ou não os textos considerados autênticos: Todos os textos religiosos até então escritos e encontrados, foram colocados sobre um altar. Os bispos rezaram para que aqueles que fossem falsos, caíssem. E tal se sucedeu, restando apenas os quatro evangelhos que entraram no cânon da Igreja Romana – Mateus, Marcos, Lucas e João, mas nem por isso procuraram saber se estes quatro foram escritos pelos autores cujos os nomes levam. A Partir de então, tudo que não estava de acordo com os ditames da Igreja Romana eram queimados, ou no mínimo, proibido. Isto não veio a acontecer, por exemplo, com o evangelho de Tomé, porque um certo monge gnóstico copiou, encerrou numa urna, e levou para o Egito, onde mais de 1600 anos depois, foram descobertas na região de Nag Hammad, em 1945.



Constantino queria um Império unido e forte, sem perturbações a ordem estabelecida. Para manter o seu domínio sobre os homens e estabelecer a ditadura religiosa, as autoridades eclesiásticas romanas deviam manter a ignorância sobre as filosofias e Escrituras. A mesma Bíblia devia ser diferente. Devia exaltar Deus e os Patriarcas mas, também, um Deus forte, para se opor ao próprio Jeová dos Hebreus, ao Buda, aos poderosos deuses do Olimpo. Era necessário trazer a Divindade Arcaica Oriental, misturada às fábulas com as antigas histórias de Moisés, Elias, Isaías, etc, onde colocaram Jesus, não mais como Messias ou Cristo, mas, maliciosamente, colocaram Jesus parafraseado de divindade no lugar de Jezeu Cristna, a segunda pessoa da trindade arcaica do Hinduísmo. Deveria nascer uma religião forte para servir ao Império de Roma. Vieram ainda a ser criados os simbolismos da Sagrada Família, o culto a Virgem Maria em alusão as antigas divindades de Isis (deusa virgem-mãe, também tida como “Senhora e Rainha do Céu”) e de todos os Santos (em substituição ao antigo e desgasto culto aos deuses pátrios dos romanos), mas as verdades do real cânone do Novo Testamento e parte das Sagradas Escrituras deviam ser suprimidas ou ocultadas, inclusive as obras de Sócrates e outras Filosofias contrárias aos interesses da Igreja que nascia.




Esta metodologia foi adotada pelas forças clericais mancomunadas com a política romana, que precisava desta religião, forte o bastante, para impor-se aos povos conquistados e reprimidos por Roma, para assegurar-se nas regiões invadidas, onde dominava as terras, mas não o espírito dos povos ocupados. Em troca, o Cristianismo ganhava a Universalidade, pois queria se tornar "A Religião Imperial Católica Apostólica Romana", a Toda Poderosa, que vinha a ser sustentada pela força, ao mesmo tempo que pregava a graça divina, recomendando o arrependimento e perdão, mas que na sua prática, derrotava seus inimigos a golpes de espada, sem remissão ou misericórdia. Não era da tolerância pregada pelo Cristianismo que Constantino precisava (e nem ele o queria), mas de uma religião autoritária, rígida, sem evasivas, de longo alcance, com raízes profundas no passado e uma promessa inflexível no futuro, estabelecida mediante poderes, leis e costumes terrenos.



Constantino morreu em 337, e se deixou batizar somente em seu leito de morte, após cometer inúmeros crimes em cumplicidade com sua “santa” mãe, Helena (esta, teria arquitetado a morte da esposa de seu filho, Fausta, mas tal nunca foi comprovado) e enterrado na consideração de que ele se tornara um décimo terceiro Apóstolo, e na iconografia eclesiástica veio a ser representado recebendo a coroa das mãos de Deus.

Por Paulo Néry

Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Mediunidade e Glândula Pineal

Frequentemente, a glândula pineal surge como o centro de nosso relacionamento com outras dimensões, e tem sido assim nas mais variadas correntes religiosas e místicas, há milhares de anos.




O mistério não é recente. Há mais de dois mil anos, a glândula pineal, ou epífise, é tida como a sede da alma. Para os praticantes do ioga, a pineal é o ajna chakra, ou o "terceiro olho", que leva ao autoconhecimento.


O filósofo e matemático francês René Descartes, em Carta a Mersenne, de 1640, afirma que "existiria no cérebro uma glândula que seria o local onde a alma se fixaria mais intensamente".




Atualmente, as pesquisas científicas parecem ter se voltado definitivamente para o estudo mais atento desta glândula. Estaria a humanidade próxima da comprovação científica da integração entre o corpo e a alma? Haveria um órgão responsável pela interação entre o homem e o mundo espiritual? Seria a mediunidade, de fato, um atributo biológico e não um conceito religioso, como postulou Allan Kardec?


A pineal está localizada no meio do cérebro, na altura dos olhos. Ela é um órgão cronobiológico, um relógio interno. Como ela faz isso? Captando as radiações do Sol e da Lua. A pineal obedece aos chamados Zeitbergers, os elementos externos que regem as noções de tempo. Por exemplo, o Sol é um Zeitberger que influencia a pineal, regendo 0 ciclo de sono e de vigília, quando esta glândula secreta o hormônio melatonina. Isso dá ao organismo a referência de horário. Existe também o Zeitberger interno, que são os genes, trazendo o perfil de ritmo regular de cada pessoa. Agora, o tempo é uma região do espaço.




A dimensão espaço-tempo é a quarta dimensão. Então, a glândula que nos dá a noção de tempo está em contato com a quarta dimensão. Faz sentido perguntarmos: "Será que a partir da quarta dimensão já existe vida espiritual?" Nós vivemos em três dimensões e nos relacionamos com a quarta, através do tempo.


A pineal é a única estrutura do corpo que transpõe essa dimensão, que é capaz de captar informações que estão além dessa dimensão nossa. A afirmação de Descartes, do ponto em que a alma se liga ao corpo, tem uma lógica até na questão física, que é esta glândula que lida com a outra dimensão, e isso é um fato.




Todos os animais têm essa glândula; ela os orienta nos processos migratórios, por exemplo, pois ela sintoniza o campo magnético. Nos animais, a glândula pineal tem fotorreceptores iguais aos presentes na retina dos olhos, porque a origem biológica da pineal é a mesma dos olhos, é um terceiro olho, literalmente.


A pineal evoluiu de um órgão fotorreceptor para um órgão neuroendócrino. Ela não explica integralmente o fenômeno mediúnico, como simplesmente os olhos não explicam a visão. Vocês podem ter os olhos perfeitos, mas não ter a área cerebral que interprete aquela imagem.


É como um computador: você pode ter todos os programas em ordem, mas se a tela não funciona, você não vê nada. A pineal, no que diz respeito à mediunidade, capta o campo eletromagnético, impregnado de informações, como se fosse um telefone celular. Mas tudo isso tem que ser interpretado em áreas cerebrais, como por exemplo, o córtex frontal.





Um papagaio tem a pineal, mas não vai receber um espírito, porque ele não tem uma área no cérebro que lhe permita fazer um julgamento. A mediunidade está ligada a uma questão de senso-percepção. Então, a ela não basta a existência da glândula pineal, mas sim, todo o cone que vai até o córtex frontal, que é onde você faz a crítica daquilo que absorve.

A mediunidade é uma função de senso (captar)-percepção (faz a crítica do que está acontecendo). Então, a mediunidade é uma função humana.


A pineal converte ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos. Isso é comprovado cientificamente. Quem provou isso foram os cientistas Vollrath e Semm, que têm artigos publicados na revista científica Nature, de 1988.

A parapsicologia diz que estes campos eletromagnéticos podem afetar a mente humana. O dr. Michael Persinger, da Laurentian University, no Canadá, fez experiências com um capacete que emite ondas eletromagnéticas nos lobos temporais. As pessoas submetidas a essas experiências teriam tido "visões" e sentiram presenças espirituais. O dr. Persinger atribui esses fenômenos à influência dessas ondas eletromagnéticas.





O espiritual age pelo campo eletromagnético. Então, dizer que este campo interfere no cérebro não contraria a hipótese de uma influência espiritual. Porque, se há uma interferência espiritual, esta se dá justamente pelo campo eletromagnético. Quando se fala do espiritual, em Deus, a interferência acontece na natureza pelas leis da própria natureza. Se o campo magnético interfere no cérebro, a espiritualidade interfere no cérebro PELO campo magnético. Uma coisa não anula a outra. Pelo contrário, complementam-se.





A mediunidade é um atributo biológico, que acontece pelo funcionamento da pineal, que capta o campo eletromagnético, através do qual a espiritualidade interfere. Não só no espiritismo, mas em qualquer expressão de religiosidade, ativa-se a mediunidade, que é uma ligação com o mundo espiritual. Um hindu, um católico, um judeu ou um protestante que estiver fazendo uma prece, está ativando sua capacidade de sintonizar com um plano espiritual. Isso é o que se chama mediunidade, que é intermediar. Então, isso não é uma bandeira religiosa, mas uma função natural, existente em todas as religiões. E isso deve acontecer através do campo magnético, sem dúvida. Se a espiritualidade interfere, é pelo campo eletromagnético, que depois é convertido, pela pineal, em estímulos eletroneuroquímicos. Não existe controvérsia entre ciência e espiritualidade, porque a ciência não nega a vida após a morte. Não nega a mediunidade. Não nega a existência do espírito. Também não há uma prova final de que tudo isto existe. Não existe oposição entre o espiritual e o científico. Vocês podem abordar o espiritual com metodologia científica, e o espiritismo sempre vai optar pela ciência. Essa é uma condição precípua do pensamento espírita. Os cientistas materialistas que disserem "esta é minha opinião pessoal", estarão sendo coerentes. Mas se disserem que a opção materialista é a opinião da ciência, estarão subvertendo aquilo que é a ciência.




A American Medical Association, do Ministério da Saúde dos EUA, possui vários trabalhos publicados sobre mediunidade e a glândula pineal.

Existem dois tipos de pesquisas: um, que é a experiência de pesquisa das estruturas do cérebro, responsáveis pela integração espírito/corpo; e outra, que é a pesquisa clínica, das pessoas em transe mediúnico. São testes de hormônios, eletroencefalogramas, tomografias, ressonância magnética, mapeamento cerebral, entre outros. A coleta de hormônios, por exemplo, pode ser feita enquanto o paciente está em estado de transe. E os resultados apresentam alterações significativas.


A pineal, forma cristais de apatita, e isso independe da idade da pessoa. Estes cristais têm a ver com o perfil da função da glândula. Uma criança pode ter estes cristais na pineal em grande quantidade enquanto um adulto pode não ter nada. Percebe-se, pelas pesquisas, que quando um adulto tem muito destes cristais na pineal, ele tem mais facilidade de seqüestrar o campo eletromagnético. Quando a pessoa tem muito desses cristais e sequestra esse campo magnético, esse campo chega num cristal e ele é repelido e rebatido pelos outros cristais, e este indivíduo então apresenta mais facilidade no fenômeno da incorporação. Ele incorpora o campo com as informações do universo mental de outrem. É possível visualizar estes cristais na tomografia. Observamos que quando o paciente tem muita facilidade de desdobramento, ele não apresenta estes cristais.




A mediunidade na criança é diferente da de um adulto. É uma mediunidade anímica, é de saída. Ela sai do corpo e entra em contato com o mundo espiritual.




A pineal pode ser estimulada com a entoação de mantras, pois a glândula está localizada em uma área cheia de líquido. Talvez o som desses mantras faça vibrar o líquido, provocando alguma reação na glândula. Os cristais também recebem influências de vibração. Deve vibrar o líquor, a glândula, alterando o metabolismo.


Alguns Mantras Comuns




Om namah Shivaya (sânscrito)
Om mani padme hum (sânscrito)
Om namo bhagavate vasudevaya (do sânscrito)
Om tare tütare ture soha (tibetano)
Om tare tam soha (tibetano)
Nam myoho rengue kyo ( Saddharma-pundarika Sutra em sânscrito)
Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare (sânscrito)..



Por: S. L. Lima


Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Santo Agostinho e suas Confissões.


Aurelianus Augustinus (Aureliano Agostinho) foi o mais célebre intelectual do seu tempo. Quando jovem, tinha uma índole rebelde, entretanto, isto não o diminuiu diante de tanta cultura e inteligência além de seu reconhecimento. Sua vida chegou até nós por um mero acaso do destino. Em meados do Século XV, um navio corsário corria com todas as velas desfraldadas em uma perseguição a nave genovesa, em pleno Mar Mediterrâneo. O Navio que perseguia o genovês ia comandado pelo corsário Liulli, e ostentava as cores de Aragão. Liulli, o capitão corsário, não perdeu tempo iniciou tão logo a abordagem quando conseguiu chegar perto do navio genovês.


Depois de uma ligeira resistência a nave genovesa, esta foi tomada, e seus tripulantes, aprisionados. Começou então, um saque ao navio. Contudo, dentre os objetos aprisionados estava um famoso manuscrito em latim: “Sancti Aureli Augustini Confessionum Libri Tredecim”. Na verdade, tratava-se dos treze livros intitulados “Confissões” de Santo Agostinho. O precioso manuscrito e a mais rica presa do assalto foi levado a leilão tão logo os corsários desembarcaram. O Rei de Aragão, Afonso V, por dez ducados, arrematou a valiosa relíquia. Afonso era conhecido como o Rei Cavalheiro, dado aos estudos e ao cultivo das letras.

Como condiz ao título, trata-se das confissões (ou desabafos) de um homem que conheceu de quase tudo um pouco. Nascido em Tagaste, uma pequena aldeia da Numídia, na África do Norte, em 354, numa época em que entre tantas outras províncias do dilatado Império Romano. Seu pai era pagão, mas sua mãe, Santa Mônica, foi aquela que muito se preocupou com a índole rebelde do filho. Em Mônica, estamos a ver o tipo do estereotipo da mãe zelosa e aflita pelo futuro de um filho.



Conforme ele CONFESSA, fora uma criança rebelde e brigona. A mãe desejava que ele fosse um cristão, mas o seu pai estava determinado a fazer dele um homem de conhecimentos. Desde a mais tenra idade, apesar de ser uma criança, como ele mesmo diz “indisciplinada e malvada”, teve tendências às letras e as artes cênicas. Já recitava Virgílio com oito anos de idade, para agrado de seu pai.

Agostinho fez seus estudos em Tagaste e Madaura, mas por falta de recursos, teve que voltar a casa paterna. Como ele mesmo diz, passou um ano na ociosidade, um “ano do qual nada fiz de proveitoso, e só vivia a freqüentar lugares cheios de obscenidades e outras diversões”. Com seu pai, ele ia às termas das cortesãs. Algum tempo depois, obteve ajuda financeira de um tio para prosseguir nos estudos, e foi para Cartago estudar.

Lá, ingressou numa das melhores escolas de retórica. Notabilizou-se como um dos melhores alunos, mas isto não impediu que mesmo em Cartago, juntamente com seus amigos e colegas de escola, não empreendesse em escapadas de diversão, aventura, e sexo. Mas com tudo isso, existia algo em Agostinho que ele mesmo não sabia explicar, algo como se o vazio atingisse o seu coração. Sempre se questionava se a vida era só aquilo que o cercava, diversões, mulheres, e etc. OU, havia algo mais além dessa vida?





Numa destas meditações, a caminho da praia, repentinamente, ouviu o som de um riso, e voltando-se, deparou uma linda jovem que brincava com os pés entre as ondas. Doravante, os dois se encontraram...e se amaram. Agostinho viveu com esta mulher, cujo nome era Lídia. Desta união não oficial, nasceu um filho, Adeodato.

Agostinho não relaxou em seus estudos e s e formou em retórica. Entretanto, havia algo que para ele era particular descobrir: a busca incessante pela verdade. Foi um homem em busca de várias ideologias, inclusive mesmo a do cristianismo, tendo ele uma mãe cristã, que, em exageros constantes, rezava constantemente pela conversão definitiva do filho. Para se ter uma idéia, o pai de Agostinho só se deixou batizar em seu leito de morte.

O FATO DE Agostinho buscar outras fontes de conhecimentos, e o fato de viver com uma mulher numa união não oficial (e de ter um filho com ela) irritava bastante Mônica, que chegava ao cúmulo de pedir ao Bispo Ambrósio conselhos para que este fosse adverti-lo. Este, sabiamente, disse a mãe tão aflita: “De nada isto adiantaria. Seu filho vive confuso. Volte para sua casa, pois afinal, um filho que te causa tantas aflições, nunca poderá ser perder”.




Agostinho adotou a filosofia dos maniqueus, que consistia na realidade substancial tanto ao bem como ao mal, julgando achar neste dualismo maniqueu a solução do problema do mal e, por conseqüência, uma justificação da sua vida. Algum tempo depois, Agostinho perdeu um de seus melhores amigos, que no leito de sua morte, ele se convertera à fé cristã. Tinha sido este amigo um maniqueu como ele, e antes de falecer, os dois travaram um colóquio, ao que Agostinho disse: “amigo, quanto tu te convertestes ao batismo, na certa tu não tinhas noção por tua enfermidade. Quando melhorardes, na certa não darás atenção a estas asneiras”. Para surpresa de Agostinho, o jovem amigo enfermo dele respondeu: “Muito ao contrário, pois minha vida agora será outra”. Pouco tempo depois, este amigo morreu, para desespero de Agostinho: “Morte cruel, que me arrebatas o amigo dileto. Porque continuam a viver outros homens e não aqueles cuja amizade tanto bem me fazia?”.

Mas a vida em Tagaste, segundo suas palavras, passou a ser insuportável. Com ajuda de um de seus amigos, Romaniano, se deslocou com a mulher e o filho pequeno para Cartago, onde abriu uma escola de retórica. Seu primeiro aluno foi um jovem que daria grande influência em sua vida, e seu nome era Alípio.

Sete anos depois, cansado e aborrecido com os estudantes cartagineses, que eram, segundo ele, vadios e desordenados, decidiu ir para Roma, em busca de novos horizontes, e. para desgosto da mãe. Daí, um episódio de sua vida das mais identificáveis na vida de um ser humano. Quem, em algum momento, nunca precisou enganar os pais? Pois foi isto que ocorreu, Agostinho, para ir a Roma, precisou enganar a sua mãe.



Numa empreitada, estavam Agostinho e Alípio perto do porto. Mônica foi de encontro com Alípio, e quando viu Agostinho, pensou que este estava se despedindo simplesmente do amigo que partiria para a Cidade Eterna. Em surdina, apoiado pelos demais amigos, as bagagens de Agostinho iam sendo transportados para o navio que estaria a zarpar, enquanto este convencia a mãe a ir orar numa capela que havia nas proximidades do porto enquanto ele “despedia do amigo que ia embarcar”.

A pobre mãe fez o sugerido, mas tão logo voltou, já estava a ver a nave se afastando do cais, e seu filho dentro dele em direção a Roma. Isto foi algo que Agostinho jamais se recuperou e foi um dos itens que o levaram a escrever estas “confissões”.

Chegando a Roma, abriu uma escola, e conseguiu reunir um grande número de discípulos. Depois, mandou buscar a mulher, Lídia, e seu filho pequeno Adeodato. Entretanto, depois e algum tempo, Agostinho constatou que os estudantes romanos tinham um grave defeito: eles não pagavam pelas suas lições. Não teve outra escolha senão cobra-los pelas aulas, embora admitisse que eles fossem alunos aplicados.

Parece que se não fosse à ajuda de amigos, Agostinho morreria de fome, pois estes o recomendaram a Aurélio Símaco, Prefeito de Roma, que investiu Agostinho numa agradável missão: partiria para Milão para ser mestre de retórica. Lá, tomou conhecimento de Ambrósio, ex Bispo de Tagaste, que agora, exercia sua sé em Milão. Este Bispo era conhecido por sua energia e virtude, e ótimo orador de inigualável eloqüência.

Agostino foi convidado a fazer um panegírico em honra a Valentiano II. Um adolescente, na realidade, e com terríveis defeitos. Sua missão, aqui, era fazer com que o povo visse nele um “governante de grandes virtudes”. Tão logo pronunciou Agostinho seu discurso em um imenso anfiteatro, a mãe do imperador sussurrou no ouvido do filho: “Nunca te haviam dito coisas tão belas, filho”.

A ÂNSIA pela busca da verdade não encontrou desistência na pessoa de Agistinho. Foi procurar o Bispo Ambrósio, que a princípio, ignorou o erudito retórico, e pouco caso fazia de sua pessoa. Quando finalmente conseguiu uma audiência com o Bispo, este o tratou apenas com cordialidade. Vendo que era inútil, tratou Agostinho de apenas ouvis as suas prédicas em seus sermões no templo. Alistou-se como catecúmeno, e desde então, passou a ouvir as prédicas do Bispo Ambrósio.


Tempos depois, Agostinho foi ver a mãe, e ela sentia certas mudanças nele, o que lhe enchia de esperanças. Talvez um dos maiores contrastes na cristandade no que se diz respeito à Santa Mônica e Santo Agostinho, mãe e filho, foi o fato desta sugerir ao filho largar a mulher (pelo modo de se dizer na época, repudiar) e o filho ficar com o pai e a avó, para uma educação com bases moralmente cristãs. Fico me imaginando que fim teria levado Lídia, uma mulher apaixonada e dedicada, boa mãe e ótima esposa, tendo em vista que ela mesma veio a acompanhar a trajetória de lutas do marido. Como ele mesmo diz em suas “confissões”, Agostinho diz: “pelo meu repúdio, Lídia teria de regressar à África, sua terra. Uma tarde, junto ao mar, o mesmo grande mar onde eu a havia conhecido, nos demos adeus”. Sua mãe até mesmo assumira um compromisso de um casamento sério para o seu filho.

Suas inquietudes espirituais não cessaram. Ouvia regularmente os sermões do Bispo Ambrosio, onde percebia um catolicismo mais sublime do que o imaginado, e lia São Paulo. Um dia, julgando ouvir a voz de uma criança: "Tolle, lege", abriu ao acaso as Epístolas de são Paulo, que tinha ao lado e passou a sentir que "todas as trevas da dúvida se dissipavam". Doravante, renunciou a uma cátedra de retórica e a noiva que sua mãe lhe havia arranjado, e dedicou-se a escrever e a estudar os Salmos de David e a se preparar para o batismo.


Voltou-se para o estudo dos filósofos neoplatônicos, renunciou aos prazeres físicos e em 387 foi batizado por santo Ambrósio, junto com o filho Adeodato. Tomado pelo ideal da ascese, decidiu fundar um mosteiro em Tagasta, onde nascera. Nessa época perdeu a mãe, com quem tivera na véspera um grande colóquio, e posteriormente, o filho, para quem dera a extrema unção. Diz ele: “E eu que fora tão grande pecador, abençoei meu filho e lhe dei por companheiro de viagem a Eternidade o amado corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo.”





Ordenado padre em Hipona, em 391, pequeno porto do Mediterrâneo, também na atual Argélia, e em 395 tornou-se bispo-coadjutor de Hipona, passando a titular com a morte do bispo diocesano Valério. Não tardou para que fundasse uma comunidade ascética nas dependências da catedral.

Em sua vida e em sua obra, santo Agostinho testemunha acontecimentos decisivos da história universal, com o fim do Império Romano e da antiguidade clássica. O poderoso estado que durante meio milênio dominara a Europa estava a esfacelar-se em lutas internas e sob o ataque dos bárbaros. Em 410, Agostinho viu a invasão de Roma pelos visigodos e, pouco antes de morrer, presenciou o cerco de Hipona pelo rei dos vândalos, Genserico. Nesse clima, em que as cismas e as heresias eram das poucas coisas a prosperar, ele estudou, ensinou e escreveu suas obras.




Antes, Agostinho teve uma experiência mística, que lhe foi revelado, e vem a ser esta, um dos últimos capítulos de sua trajetória: estava ele a passear solitariamente numa praia, como tinha o hábito de fazer nas horas da tarde, e se comunicava com Deus em seu íntimo, lhe bebendo uma imensidade ignota. Suas dúvidas quanto ao mistério da Santíssima Trindade... Três pessoas em um só Deus verdadeiro. Foi nisso, que, repentinamente, viu um menino na praia que estava a brincar, sentadinho e fazendo um buraco na areia, com uma conchinha. Nisso, Agostinho foi em direção ao menino e perguntou: ”menininho, por que estás com a conchinha pondo água do mar dentro desse buraco de areia? – ao ponto que o menino respondeu: “quero colocar toda a água do mar aqui.” Agostinho riu e ironizou: “Só mesmo numa criança para tal idéia correr. E como queres, minha criança, que toda a água do mar imenso caiba aí nesse pequeno buraco que tu fizeste?”- e o menino prontamente replicou: “e como queres tu que os mistérios de um Deus infinito possam caber em um entendimento tão pequeno como o de um homem”“?”- Nisso, o menino desaparece, e Agostinho caiu de joelhos: “Meu Deus, isto é um milagre do Vosso Infinito Poder”.



Assim termina suas “confissões” “Depois dessas maravilhosas coisas que vivi, quis escrever estas tão sinceras confissões”. Santo Agostinho morreu em Hipona, em 28 de agosto de 430. E nessa data, 28 de agosto, é festejado como doutor da Igreja Católica.


Por Paulo Néry

Ordem Templária



"Non nobis, Domine, non nobis, sed Nomini Tuo ad Gloriam"

("Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome")


No ano 1071 os mulçumanos tomaram Jerusalém.
Na Europa, a Igreja Católica organizou expedições militares em direção à Terra Santa, com o objetivo oficial de reconquistar os territórios sagrados de sua religião. Essas expedições foram denominadas Cruzadas, pelo que seus peregrinos usavam uma cruz nas vestimentas e bandeiras.

Com a decadência do sistema feudal europeu, tornar-se um cruzado e partir para o Oriente em busca de terras e riquezas era uma alternativa considerável. Assim, a maior parte dos soldados cruzados era composta por camponeses e mendigos. Isso sugere que havia motivos comerciais e políticos camuflados sob o objetivo religioso.
Além disso, os mulçumanos não se opunham à peregrinação cristã até Jerusalém. Havia apenas pequenos conflitos entre estes grupos distintos.
A primeira Cruzada partiu em novembro de 1097 e contou com um apoio intenso da população.

No ano 1118, Jerusalém já era um território cristão. Assim, nove monges veteranos da primeira Cruzada, entre eles Hugo de Payens e Godofredo de Saint Omer, dirigiram-se ao rei de Jerusalém, Balduíno I e anunciaram a intenção de fundar uma ordem de monges guerreiros. Dentro de suas possibilidades, se encarregariam da segurança dos peregrinos que transitavam entre a Europa e os territórios cristãos do Oriente. Os membros fizeram votos de pobreza pessoal, obediência e castidade.

Os denominados Pobres Cavaleiros de Cristo instalaram-se numa parte do palácio que foi cedida por Balduíno, num local que outrora foi o Templo de Salomão. Por isso ficaram conhecidos como Cavaleiros do Templo, ou Cavaleiros Templários.
Apenas em 1127 no Concílio de Troyes, o Papa Honório II outorgou a condição de Ordem, concedendo um hábito branco com uma cruz vermelha no peito. O símbolo era um cavalo montado por dois soldados, numa alusão à pobreza.

A Ordem desenvolveu uma estrutura básica e se organizou numa hierarquia composta de sacerdotes até soldados. A esta altura, constituída não apenas por religiosos mas principalmente por burgueses, os Templários se sustentavam através de uma imensa fortuna que provinha de doações dos reinados.

Durante um período de quase dois séculos, a Ordem foi a maior organização Militar-Religiosa do mundo. Suas atividades já não estavam restritas aos objetivos iniciais.
Os soldados templários recebiam treinamento bélico; combatiam ao lado dos cruzados na Terra Santa; conquistavam terras; administravam povoados; extraíam minérios; construíam castelos, catedrais, moinhos, alojamentos e oficinas; fiscalizavam o cumprimento das leis e intervinham na política européia. Além de aprimorarem o conhecimento em medicina, astronomia e matemática.
Houve até mesmo a criação de um sistema semelhante ao dos bancos monetários atuais. Ao iniciar a viagem para a Terra Santa, o peregrino trocava seu dinheiro por uma carta de crédito nominal que lhe era restituída em qualquer posto templário. Assim, seus bens estavam seguros da ação de saqueadores. O poder dos Templários tornou-se maior que a Monarquia e a Igreja.

As seguidas derrotas das Cruzadas no século XIII, comprometeram a atividade principal dos Templários, e a existência de uma Ordem Militar com tais objetivos já não era necessária. Neste mesmo período, o Rei Felipe IV - O Belo - comandava a França. Diferente da maioria dos monarcas que eram subalternos à Igreja, Felipe se engajava em campanhas aliadas ao Clero, em troca de benefícios políticos.

Felipe IV devia terras e imensas somas em dinheiro aos Templários. Assim, propôs ao arcebispo Beltrão de Goth uma troca de favores. O monarca usaria sua influência para que o religioso se tornasse Papa. Por sua vez, Beltrão de Goth se comprometeria a exterminar a Ordem dos Templários assim que alcançasse o papado. Apenas um Papa possuía poder político para fazê-lo. No ano de 1305, Beltrão de Goth sobe ao Trono de São Pedro como o Papa Clemente V.

Neste momento tinham início as acusações contra os cavaleiros e a implacável perseguição em toda a Europa. O processo inquisitório se estendeu por vários anos sob torturas e acusações diversas, como heresia, idolatria, homossexualismo e conspiração com infiéis. Os condenados eram levados à fogueira da Inquisição. Na França, o último Grão-Mestre da Ordem, Jacques de Molay, e outros 5 mil cavaleiros foram encarcerados pelos soldados do Rei Felipe.
Na Grã-bretanha, a Ordem foi dissolvida pelo Rei Eduardo II. Na Alemanha e Suíça, os Cavaleiros foram declarados inocentes mas a Ordem também foi suprimida.

Finalmente, em 18 de março de 1314, Jacques de Molay foi levado à fogueira da Santa Inquisição às margens do Rio Sena, em Paris. Há uma lenda, que agonizante em meio às chamas, o líder dos Templários amaldiçoou o Papa Clemente V e o Rei Felipe, dizendo que se os Templários tivessem sido injustamente condenados, o Papa morreria em no máximo 40 dias e o Rei dentro de um ano. O Papa morreu 33 dias após a execução de Molay e o Rei em pouco mais de 6 meses.

Em toda a Europa, a Ordem dos Templários foi oficialmente extinta. Seus bens, o imenso contingente do exército e sua estrutura foram diluídos em outras Ordens menos expressivas.
Durante uma jornada que se estendeu por quase dois séculos e se consagrou com um alto nível de poder e popularidade, foi gerada uma série de lendas que se confundem com fatos em torno dos Templários.
Realmente, é provável que tenham desenvolvido uma filosofia influenciada pela sabedoria oriental. Mas não chegava a ser uma heresia.

Até mesmo os objetivos originais da Ordem dos Templários são alvos das possibilidades. Segundo especulações, sua fundação teria sido articulada por Bernardo de Claraval (São Bernardo) para buscar a Arca da Aliança e as Tábuas das Leis Divinas no Templo de Salomão.
A partir do momento que foram encontradas, os Templários se desenvolveram em todos os aspectos. O Santo Graal seria apenas uma metáfora para se referir a esses tesouros.

O mito da heresia surgiu através das acusações que dissolveram a Ordem em toda a Europa.
Sob tortura, os cavaleiros "declaravam" que cuspiam e andavam sobre a cruz, trocavam beijos obscenos no umbigo e nas nádegas, negavam a divindade de Cristo e ainda idolatravam uma imagem demoníaca denominada Baphomet. Porém, após as sessões de tortura e a irrevogável condenação, os Cavaleiros negavam as confissões assinadas.
Realmente não havia evidências de que os Templários se desviaram dos conceitos básicos da Igreja Católica daquela época.

Na Grã-bretanha, Robert Bruce buscava a independência da Escócia e articulava uma batalha contra o exército do Rei Eduardo II. As tropas de Eduardo possuíam armas e um contingente muito superior ao inimigo. Mesmo assim os rebeldes escoceses combateram o exército real. Acredita-se que um grupo de cavaleiros Templários, altamente treinado, teria se refugiado na Escócia e lutado ao lado de Bruce.
Provavelmente, em 1250 os Templários já haviam estado na América. Devido ao seu grande crescimento econômico através de matéria-prima e minérios como ouro e prata, escassos na Europa, supõe-se que parte de sua riqueza já havia sido extraída do continente americano. O fato de ser uma Ordem Secreta, onde os segredos só eram transmitidos entre seus membros à medida que eram promovidos, explica a ausência de registros históricos dessas navegações. Há mapas templários incluindo o Brasil desde 1389.

Após a extinção da Ordem na Europa, os Templários portugueses passaram a se chamar Ordem de Cristo e mudaram sua bandeira. As naus que aportaram no Brasil traziam a bandeira desta nova Ordem.
Pedro Álvares Cabral seria não apenas um navegador, mas um dos altos comandantes da Ordem de Cristo, que fez uso dos mapas e cartas de navegação templárias para "descobrir" o Brasil.

A arquitetura gótica surgiu também repentinamente, durante o desenvolvimento da Ordem dos Templários.
Não pode ser considerada uma continuidade da arquitetura romana, pois os conceitos entre ambas são totalmente opostos.
A arquitetura romana baseia-se numa força de cima para baixo que estabiliza toda a construção. Enquanto a gótica está baseada no princípio contrário, numa força que pressiona de baixo para cima.
Esses conceitos arquitetônicos e geométricos são muito avançados para o pensamento medieval. Portanto, especula-se que a arquitetura gótica tenha surgido através de um conhecimento secreto adquirido pelos Templários, e as várias Catedrais tenham sido edificadas para guardar suas riquezas.



Os Templários auxiliaram os reis de Portugal na conquista do território aos muçulmanos no decorrer do século XII e, graças à segurança militar que proporcionaram, foi possível o povoamento de toda essa região.

Inicialmente, foram os responsáveis pelo território situado entre Coimbra e Leiria, mas, em 1159, D. Afonso Henriques doou-lhes o Castelo de Ceras, com toda a sua região, estabelecendo aí a sede da Ordem, antes de Gualdim Pais (Grão-Mestre da nova ordem) dar início à construção do Castelo de Tomar.
Mais tarde, são fundados os Castelos de Almourol, Zêzere e Pombal, com vista à defesa de uma fronteira sul, último reduto contra os Mouros, cujo limite era assinalado pelo rio Tejo.

Pelos seus excelentes serviços militares e de povoamento, receberam amplas doações régias que se estendiam entre Idanha-a-Velha e o Castelo de Belver.

O Rei D. Diniz engendrou uma fórmula inteligente para proteger a Ordem do Templo sem desobedecer à vontade papal.
D. Diniz reiterou que os Templários não haviam cometido crime nenhum em Portugal, o Papa por sua vez reclamou os seus bens e o Rei sutilmente propôs uma troca: os bens por uma nova ordem, a Ordem de Cristo e o Papa é claro, aceitou sem pestanejar. Então o Rei transferiu todo o patrimônio dos cruzados para a Ordem de Cristo, que não deixou de ser uma antiga conhecida, composta pelos próprios templários.

Assim, D. Diniz garantiu a permanência da Ordem em terras portuguesas e Portugal virou refúgio para perseguidos em toda a Europa. Chegavam fugitivos de vários países e o Castelo de Tomar virou a caixa-forte dos segredos que a inquisição não conseguiu arrancar. A nova "Ordem de Cristo" foi reconhecida dois anos depois...em 1319 pelo novo Papa João XXII.
Grão-Mestres Templários


Hugo de Payens (1118-1136)
Hugue, conde de Champagne
Rossal de Clairvaux
Geoffroy de Bissor
André de Condemare
Archambaud de Saint-Amande
Philippe de Milly (1169-1171)
Odo de St Amand (1171-1179)
Arnaud de Toroge (1179-1184)
Gérard de Ridefort (1185-1189)
Robert de Sablé (1191-1193)
Gilbert Horal (1193-1200)
Phillipe de Plessis (1201-1208)
Guillaume de Chartres (1209-1219)
Pedro de Montaigu (1219-1230)
Armand de Périgord (???-1244)
Richard de Bures (1245-1247)
Guillaume de Sonnac (1247-1250)
Renaud de Vichiers (1250-1256)
Thomas Bérard (1256-1273)
Guillaume de Beaujeu (1273-1291)
Thibaud Gaudin (1291-1292)
Jacques de Molay (1292-1314)

(O Beauséant - Estandarte Templário)

Por: S. L. Lima

Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

Diocleciano: Imperador Cruel ou Fantoche?



É bem sabido que a tradição cristã tem a tendência de retratar os imperadores romanos, principalmente os que em três séculos de História da Igreja perseguiram e martirizaram os cristãos. Geralmente, são esboçados como efeminados, balofos, glutões, viciosos, e outras características não muito fidedignas. Já outros, são esboçados com uma implacável sede de sangue, como o retratado aqui neste post. O Imperador Diocleciano, cujo seu verdadeiro nome era Diocles.

NA LENDA ÁUREA, a narrativa dos atos dos santos da Igreja Católica escrito na Idade Média por Jacob de Voragine, traça a figura deste imperador como um imperador cruel, sanguinário, e intransigente, que de acordo com a obra de Voragine e também com o martirológio romano, foi em sua gestão o martírio de alguns santos levados aos altares do catolicismo, como São Jorge, São Sebastião, Os Quatro Coroados, Cosme e Damião, Santa Inês, entre outros.

Filho de um escravo liberto, e sendo analfabeto, Diocleciano seguiu carreira militar, e foi notável General onde comandou bem suas legiões, e posteriormente, se tornou Cônsul. Vindo da planície de Calcedônia, chegou a Roma por volta do ano 283 d.C, juntamente com um jovem oficial de sua corte que era seu genro, que outrora, tinha sido um pastor de ovelhas da Dácia: Galério. Diocleciano, grande devoto de Júpiter, se detivera diante da estátua de Hércules, de buril grego, entre as estátuas de Flora e o do Touro, e fez as primeiras oferendas.



Este obscuro personagem, nascido perto de Salona, posteriormente Split, na costa da Dalmácia, seu império foi marcado por reformas contribuíram para adiar o declínio de Roma e criaram as bases do império bizantino. Depois da morte do imperador Numeriano, matou o suposto assassino, Árrio Áper, e assumiu o poder, apoiado pelo exército da Anatólia. Reconhecido pelo Senado após o assassínio do irmão de Numeriano, o co-imperador Carino, deu início às reformas que marcaram seu governo.

Inicialmente dividiu o império em dois em 285 D.C, do Ocidente e do Oriente, com dois augustos e dois césares, com seu homem de confiança, Maximiano, a quem entregou a metade ocidental do império, enquanto ficava com a parte oriental. Em seguida, repartiu mais ainda o poder num sistema chamado tetrarquia (governo de quatro), implantado para acabar com as agitações nas sucessões imperiais em 293, porém com indiscutível predomínio de sua autoridade e uma progressiva centralização de poder.

O governo do Ocidente ficou, assim, dividido entre Maximiano, a quem coube a Itália e a África, e Constâncio Cloro, que recebeu a Bretanha, a Gália e a Espanha. Enquanto no Oriente, a maior parte, inclusive o Egito, ficava com o próprio Diocleciano, e as regiões do Danúbio e da Ilíria eram confiadas a Galério, seu genro. No campo executivo limitou os poderes do Senado, fortaleceu e ampliou o exército imperial e promoveu reformas tributárias e legislativas. No campo judiciário, determinou que se realizassem duas compilações de leis imperiais, os códigos gregorianos e hermogeniano. No campo religioso, tornou obrigatório o culto a Júpiter, com quem se identificou, e ordenou uma violenta perseguição aos cristãos em 303, que se estenderia por mais de dez anos, na Itália, África e no Oriente.




O EDITO DE DIOCLECIANO promulgou uma séria determinação deste de manter a tradição politeísta do Estado, pois segundo ele, se quisesse continuar mantendo o domínio do mundo, precisava adorar não somente os seus deuses, mas até os deuses dos povos conquistados. Entretanto, mesmo entre as próprias legiões do Império, havia Oficiais cristãos. E Diocleciano sabia disso, mas ele os precisava, pois entre eles, haviam Sebastianus de Narbone e Jorge da Capadócia, militares e cristãos com qualidades impecáveis em seus cargos. O primeiro, era seu Tribuno e comandante da Guarda Pretoriana.

Entretanto, Diocleciano, embora bom administrador, embora não fosse homem de cultura e nem soubesse ler, começou a ser pressionado, sobretudo pelo genro, o sanguinário Galério. Este, ambicioso e invejoso, sabendo que muitos dos componentes do Exército Imperial eram cristãos, resolveu jogar Diocleciano contra estes mesmos que, além de oferecer lealdade a Cristo em sua fé, também ofereceram sua lealdade e sua espada a César por uma questão de política e segurança para a manutenção e ordem no Império.

Os assessores de Diocleciano, para atingir seus fins palacianos, resolveram impor o “Dízimo” entre os legionários. Este consistia nos generais de suas tropas, quando havia casos considerados de indisciplina no Exército, de sortear de cada grupo de dez, um para morrer. Acreditava-se que, assim, este pavor fazia restabelecer a disciplina e a firmeza das tropas.

Diz-se que a filha de Diocleciano, Prisca, e sua esposa, Valéria, se converteram a fé cristã. Prisca era casada com Galério, o instigador de Diocleciano, cujo este nada fazia sem os seus conselhos, e partiu desse os conselhos de “dizimar” o Exército Imperial. Foram uma das grandes “burrices” que Diocleciano iria lamentar.

Galério tinha Diocleciano em suas mãos, e chegou a tentar subornar um dos oficiais cristão que o serviam com tanta dignidade: Jorge da Capadócia. “Se não visas uma traição minha, podeis-ir, Galério. Melhor seria se não viesses para tornar penosa tua presença, em minha última hora” – disse o santo militar, em sua prisão, quando Galério foi visitá-lo para oferecer suborno, cujo objetivo era derrubar Diocleciano. Mal sabia este que seu querido genro, que ele o tinha como um filho estava prestes mesmo a derrubá-lo.



Diocleciano que desde os dias que se sucederam as perseguições, foi adoecendo, de corpo e espírito, e se tornava cada vez mais intratável, e voltou a sua propriedade em Nicomédia. Lá mesmo, foi comunicado pelo próprio genro, que havia sido deposto, que as legiões haviam sido rebeladas, e que Diocleciano já era um velho e que seu tempo já havia passado.

O general que tão bravamente conduziu a vitória suas legiões, e que promulgou um dos mais famosos editos e empreendeu a última das grandes perseguições aos cristãos, estava agora a chorar humilhantemente ao genro, chamando-o até mesmo de filho.

Galério exigiu que Diocleciano renunciasse ao seu trono, e este o fez nas calendas de maio, e posteriomente, retirou-se isoladamente, com poucos escravos, para suas propriedades, onde viveu o resto de seus dias solitário (havia mandado exilar a filha e a esposa por serem cristãs), doente, e arrependido por ter dado ouvidos ao seu genro, pois acabou se voltando contra os seus próprios comandantes que poderiam com um único aceno dele manter a ordem em seu império, somente pelo fato de não pertencerem à mesma crença do Estado Romano: o crime de ser cristão.

Por Paulo Nery.