sábado, 28 de junho de 2008

A Transição à luz do Espiritismo



Os Espíritos Superiores que orientaram Allan Kardec na elaboração da Doutrina Espírita sempre afirmaram que, naquela época, ou seja, no século XIX, nosso planeta se classificava como mundo de provas e expiações, o que quer dizer, mais ou menos o seguinte:

Trata-se de orbe onde a maioria ainda não aplica a regra máxima do amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo e, ainda com poucas construções realmente idealistas, vive sofrendo os efeitos negativos das suas ações contrárias às Leis Divinas.



Recentemente, encontramos afirmação de Joanna de Angelis, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, no sentido de que já nos encontramos no período de transição do planeta para mundo de regeneração (v. O Amor como Solução, Ed. Leal, 2006, p. 9).

Passaremos a contar, gradativamente, com um número cada vez maior de pessoas renovadas para o ideal de fazer o bem aos outros para merecer o Bem.



Podemos deduzir que Jesus, o Sublime Governador da Terra, traça planos muito seguros para a evolução do planeta, inclusive estabelecendo prazos para o cumprimento de cada meta evolutiva.

Não poderia ser diferente, quando nossos próprios planejamentos organizacionais assim se fazem.

Verificado, então, que vivemos presentemente esta fase importante da nossa evolução individual e coletiva, resta-nos investir maciçamente no trabalho de autoaprimoramento e desenvolvimento do meio em que vivemos.



Manoel Philomeno de Miranda, no seu recente livro, psicografado por Divaldo Pereira Franco, sob o título "Reencontro com a Vida", dá um excelente conselho para todos nós:

Ampliar as informações sobre a Espiritualidade e a Erraticidade, sobre a Lei de Causa e Efeito, é dever de todos aqueles que despertaram para Jesus e a própria consciência, assim contribuindo em favor da humanidade e do seu próximo vencido pelas perturbações psicológicas ampliadas pelas obsessões.

Afinal de contas, se é verdade que todas as Religiões pregam a prática do Bem e várias correntes religiosas e filosóficas ensinam sobre a reencarnação, na época em que vivemos somente a Doutrina Espírita tem mostrado claramente a vida no mundo espiritual e a realidade da Lei de Causa e Efeito.



Sem essas informações fica muito difícil a escalada evolutiva da humanidade, pois o que faz cada qual melhorar seu padrão moral é o conhecimento dos bons resultados das condutas corretas.

Dessa forma, trabalhando como divulgadores das informações a que se refere Manoel Philomeno de Miranda, estaremos contribuindo para a melhoria do mundo.

Engajemo-nos nessa cruzada bendita sob a bandeira de Jesus, que comenda nossos destinos rumo à felicidade individual e coletiva.

Todos os esforços devem ser empenhados nesse sentido, faltando pouco para chegarmos ao porto da paz, quando trabalharemos todos incentivados pelo ideal da Fraternidade Universal.



Somos habitantes da Terra num momento muito especial, o que é uma dádiva divina. Esta é grande oportunidade que temos de iniciarmos a reparação dos nossos erros pretéritos.

Precisamos com toda nossa força, com toda nossa vontade, com todo nosso empenho, aproveitar desta oportunidade de aqui estarmos habitando este planeta que rapidamente pode nos dar a condição de termos um ambiente onde a tendência ao bem será a tônica.

Como alcançarmos esta graça?
A única solução é iniciarmos já nossa regeneração espiritual.

Sugiro três passos, para bem aproveitarmos dessa nossa atual existência:

a) Valorizarmos e agradecermos ao Mestre Jesus pela oportunidade de estarmos vivendo nossa mais importante encarnação de todas as existências que tivemos.

Sobre a importância da reencarnação, relembremos o que disse o espírito Emmanuel: “Cada encarnação é como se fosse um atalho nas estradas da ascensão."

Por este motivo, o ser humano deve amar a sua existência de lutas e de amarguras temporárias, porquanto ela significa uma benção divina, quase um perdão de Deus”.

b) Iniciarmos urgentemente um processo de auto-conhecimento.



A base de toda mudança comportamental é o auto-conhecimento. E aí está a maior dificuldade do ser humano.

E uma das alternativas para melhor nos conhecermos é a interiorização, que é o ato de enfrentarmos o nosso mundo interior e de admitirmos para nós mesmos a natureza de nossos sentimentos. Isto é, não falarmos “eu nunca sinto mágoa” ou “a raiva não faz parte de minha vida”.

Este proceder de negar nossos sentimentos inferiores chama-se auto-ilusão, uma atitude altamente destrutiva. A partir do momento em que admitimos nossos sentimentos inferiores (sem baixa auto-estima), abre-se uma porta para aprendermos a ter autocontrole e nos dá condição de iniciarmos o processo de mudança.

c) Transformarmos em vivência prática nosso discurso sobre convivência e fraternidade.



Sobre o tema fraternidade, disse o espírito Ermance Dufaux (livro Unidos Pelo Amor, Editora Dufaux):

“Antes dos projetos ‘além-paredes’, estimulemos a fraternidade, prioritariamente, ao próximo mais próximo, aquele que divide conosco as responsabilidades doutrinárias rotineiras em nossa casa, encetando esforços pela convivência jubilosa e libertadora. Conviver fraternalmente deve ser a essência de nossa causa. "



Conscientizemo-nos que sermos fraternos é simplesmente uma questão de escolha.

Então, que nós que temos a dádiva de ter conhecido o Espírito Consolador, possamos escolher o caminho da fraternidade e, com isto, merecermos ser habitantes da Terra em sua nova e breve etapa: Mundo de Regeneração.

Mesmo que, pela nossa idade atual, não consigamos este intento nesta existência.

Mas, para quem crê na reencarnação, sempre há esperança!

Por: S. L. Lima

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O Código Hays

Geralmente, as instituições religiosas têm a tendência cruel de deturpar a moral pregada por Cristo. Uma mente mais esclarecida sabe muito bem que o moralismo pregado por Yeshua Ben-Yossef não se restringia as proibições, mas sim a um processo de elevação moralmente espiritual do ser humano em prol do seu desenvolvimento através do mandamento máximo, e premissa de todos, que é o Amor.

Ao longo dos séculos, com as instituições religiosas já firmemente estabelecidas, as sociedades também evoluíram, ao menos, em questões de proporção. Estas vieram a traçar normas e conceitos do que seria certo ou errado, ou do que seria sagrado e profano. A “decência” ou “indecência” nas sociedades mais modernas levaram ao cerceamento da liberdade de expressão e de conduta. As igrejas cristãs tentaram controlar a sociedade através de regras formais, manuais de conduta, mas por incrível que possa parecer, sem nenhum sentido de religiosidade e humanidade.

Daí temos este grande mistério, que não é mistério.

Os cristãos (católicos e protestantes, principalmente os pentecostais e mais ainda, os neo pentecostais) parecem ter a tendência legalista e autoritária que remonta nas origens do Judaísmo, através das práticas religiosas dos judeus em relação às Leis de Moisés.



Como diz Max Weber:

A Teoria segundo a qual a Lei Mosaica perdeu sua validez através do Novo Testamento, apenas no sentido de conter preceitos cerimoniais e puramente históricos aplicáveis somente ao povo judeu, de resto permanecendo válida e, devendo ser obedecida como uma expressão do direito natural permitiu, de um lado, eliminar os elementos inconciliáveis com a vida moderna, e de outro, o fortalecimento do espírito de sóbria e farisaica legalidade, que caracterizava o ascetismo secular dessa forma de protestantismo, através de seus inúmeros traços em comum com a moralidade do Velho Testamento.”



Quando a Sétima Arte surgiu, o Cinema, em 1895, tudo parecia ser extremamente liberal. Mas nos Estados Unidos, cuja Meca sempre foi Hollywood, existiu censura muitas vezes feita pelos próprios produtores, principalmente relacionados coma sexualidade. Era uma censura que tinha origem mesmo dentro dos grupos religiosos, encontrando apoio em vários grupos da sociedade puritana.

O mais famoso código de conduta do Cinema foi o CÓDIGO HAYS, que até o começo da década de 1960 regeu a “moral e os bons costumes” de Hollywood, impondo regras formalistas a serem seguidas pelos cineastas. Logo, o mundo do cinema tornava-se algo inexistente em nossa realidade, uma suposta perfeição seguida de moral e ética inexistente mesmo entre a própria sociedade que pregava. Não existia lugar nesse mundo do “faz de conta” para criminosos, marginais, prostitutas, sexualidade e necessidades fisiológicas.

DURANTE A DEPRESSÃO DE 1929, Hollywood parece que viveu a época mais liberal de sua história. Buscava entrar em sintonia com os novos tempos do pós-guerra e de grave crise econômica, e o público se tornava alheia em relação à moral. Com o agravamento da depressão, aumentaram o desemprego feminino e a prostituição. Para muitas mulheres desta época de crises, a venda do corpo tornou-se o único meio de sobrevivência. No Cinema, as heroínas tinham que sofrer por este pecado mortal, pouco importando se fizesse diferença se era por necessidade ou não. É também nesta época que surge a nudez nas telas.


Mas ao mesmo tempo em que surge esta onda de liberação, surgiu também uma forte oposição de onda moral, que deu origem ao Código Hays. Esse código foi elaborado pelo editor de jornais Martim Quigley, pelo Reverendo Daniel A. Lord, e por Will H. Hays, presidente da Motion Pictures na Distributors of America Inc. O código foi ratificado pela Associação dos Produtores de Cinema em 31 de março de 1930, mas só começou a entrar em vigor para aplicações em 1933, através de um movimento liderado pela Liga de Decência Católica Romana nos EUA, com o intuito de moralizar Hollywood.

Este código durou por 30 anos, mas já na década de 1950, alguns cineastas americanos, como Nicholas Ray e Elia Kazan começaram a ousar, infringindo o código. Logo, estes tabus e edifícios morais foram desabando aos poucos, acompanhando as transformações e costumes da época.


O Código Hays foi elaborado nos Estados Unidos pelos católicos, que apesar de ser minoria, exerciam grande influência. O Protestantismo nos EUA ela é mais cultural do que religiosa, como toda religião oficial que se torna massificada, mas nem por isto deixa de ter seus adeptos mais ferrenhos.


PARA MAX WEBER, a principal preocupação do código, seguindo a linha de raciocínio, eram mais política e social, do que propriamente religiosa (Nunca serão apresentadas de modo a suscitar pelo crime e contra a lei e a justiça, ou para inspirar aos outros um desejo de imitá-las). Havia reprovações relacionadas com dogmas religiosos cristãos (A vingança na época contemporânea não será justificada/ Nunca se deverá aprovar a eutanásia/ Nunca se mostrará o aborto e nunca de deverá subentender a sua existência numa história).

O Código era um objeto tipicamente moral burguesa formalista e legalista, com finalidade de manter o status quo. O estilo de vida que era idealizado era o american way life (Os métodos de contrabando não deverão ser mostrados/Não se mostrará o uso do Álcool na vida americana.../Os Sentimentos, os direitos e a história de qualquer país devem ser tratados com consideração e respeito).

Em se tratando de assuntos raciais, o código era taxativo, pois esquecia os ensinamentos de igualdade de Cristo e proibia a miscigenação e o tráfico de brancas, permitindo o de negros (Não se falará de tráfico de brancas/a miscigenação é proibida).

Mas a maior preocupação do código foi sem dúvida a questão sexual. O Sexo, em todos os seus aspectos, foi o principal alvo, pois sempre houve um medo da arte corromper o ser humano moralmente, sobretudo pelo lado sexual, e isto é abordado no código: “a arte pode ser moralmente boa, elevando os homens aos mais altos níveis. Mas a arte pode, nos seus efeitos, ser moralmente má (...)”. Para a moral burguesa, o sexo era um fator de desagregação, de subversão, pois reavivava os instintos animais do homem, pois tirava a concentração do homem daquilo que se considerava mais importante, que era o trabalho (As cenas de paixão devem ser tratadas sem esquecer o que á a natureza humana e quais são suas reações habituais).

Antes mesmo de se pensar no código, ainda nos anos de 1920 havia forte manifestação de grupos religiosos contra a empresa cinematográfica de Hollywood. No outono de 1921, todos os presbiterianos, batistas e metodistas dos Estados Unidos, se mostravam ferozmente indignados: Se perguntavam: para que tinha Edison inventado às imagens animadas? “O cinema não é apenas a perversão dos episódios da tela, mas ainda o escândalo permanente de Los Angeles: a orgia, o deboche, a corrupção dos adolescentes, a fornicação, o sacrilégio".

Isto foi bastante discutido e divulgado, pois os grupos religiosos eles não apenas observavam propriamente os filmes, mas sim até mesmo o comportamento de alguns astros e estrelas das telas.

"A Y.M.C.A adverte os seus aderentes contra os perigos da freqüência dos cinemas. Uma "One man reforms league" toma resoluções coléricas. O "Mother's Club" exige do governo medidas decisivas. Todas as manhãs os jornais anunciam novos escândalos: "Wiliamns é processado por bigamia". Owen Moore, o primeiro marido de Mary Pickford, acusa Douglas de atos imorais! Fatty é inculpado da morte de Virginia Rapp.Os atores se entregam à bebedeira. Foram descobertas 300 garrafas de champanhe!!!Danças impudicas!! Atentados contra os bons costumes!!! Por exemplo, o que fazia ontem X, o realizador, com Miss B....?”

Esta reação da sociedade americana aos conteúdos da incipiente indústria de imagens animadas, fez com que Adolph Zukor, o magnata da Paramount; William Fox, da Fox Filme Corporation; Goldwyn e Selznick, da Metro, a United Artists e outros, abandonassem sua guerra pelos mercados exibidores e se unissem para criar a MPPD - Motion Pictures Producers and Distributors, com um único objetivo: barrar a guerra santa contra o cinema. Foram buscar, nada menos que um conservador e presbiteriano bem sucedido relações públicas do então Presidente da dos EUA para assumir o papel de relações públicas da MPPD. Este era WILL HAYS. Não foi fácil, Will Hays nesta época ganhava a soma de U$10.000,00, por ano, no Ministério dos Correios. A MPPD lhe ofereceu U$100.000,00. Hays aceitou, criou o código de controle da produção cinematográfica, estabeleceu pactos com a imprensa para aliviar os "escândalos", enfrentou as comissões do congresso americano e, sobretudo ofereceu aos produtores a aura de credibilidade que estes não tinham, por serem na sua maioria imigrantes estrangeiros e judeus.

Hays formalizou a política de censura e mandou elaborar uma lista, a “Dont’s and Be Carefuls”, também conhecida como Código de Hays.

"Don’ts" não permitia, entre outras coisas, nudez “libertina”, tráfico de drogas, escravidão branca, cenas de nascimento, cirurgias, cenas de primeira noite, homem e mulher deitados na mesma cama (inclusive casados), genitália de crianças, beijos excessivos ou prolongados, perversão sexual e miscigenação.

"Be Carefuls" deliberava sobre, entre outros temas, o uso da bandeira americana, execuções legais, roubo de trens e sugestão de vulgaridade. Como não contava com o apoio do Estado, pois tal atitude violaria os princípios da democracia americana, Hays se empenhou em mobilizar os adeptos do catolicismo, representados por Martin Quigley. Assim, dez milhões de católicos assinaram um manifesto em favor da Legião da Decência, na esperança de livrar a sociedade norte-americana “da grande ameaça da lascívia no cinema”.

Um mutirão ecumênico - envolvendo vinte milhões de membros das igrejas protestantes e ainda organizações judaicas, a Liga Civil de Massachusetts e outras organizações a sociedade civil - ajudou a resgatar “a tradição da moral.

*******************************************************************

O Código Hays consistia nos seguintes termos, que aqui serão apenas colocados os principais:

I-PRINCÍPIOS GERAIS

1-Não se produzirá qualquer filme susceptível de baixar a moralidade daqueles que o verão. Assim. A simpatia do público nunca tenderá para os vícios, o pecado e o mal.
2-Mostrar-se-á um modo de vida decente, dependendo apenas das exigências da intriga e do divertimento.
3-Não se porá o ridículo a lei, natural ou humana, e não se promoverá simpatia por aqueles que a violem.


II- APLICAÇÕES PARTICULARES

1-Violações da lei

Nunca serão apresentadas de modo a suscitar pelo crime e contra a lei e a justiça, ou para inspirar aos outros um desejo de imitá-las.

2-O Homicídio

a) A Técnica do homicídio será mostrada de maneira a não suscitar a sua imitação;
b) Não se deverão mostrar em pormenor os homicídios brutais;
c) A Vingança na época contemporânea nunca será justificada;
d) Nunca se deverá aprovar a eutanásia.

3-Delitos

a) Não se mostrará pormenorizadamente o método utilizado num roubo, num assalto, num Hold- up, a destruição por dinamite de um comboio, de uma mina, de um prédio;
b) Observar-se-á a mesma prudência em relação à piromania;
c) O uso de armas de fogo será reduzido ao essencial;
d) Os métodos de contrabando não deverão ser mostrados;
e) Sublinha-se que não se deve pensar que é fácil ou rápido parar de se drogar, nem mostrar em pormenor a maneira de arranjar a droga ou de tomar, nem exagerar os lucros do seu tráfico, nem mostrar as crianças a drogarem-se ou a fazerem o tráfico da droga conscientemente
f) Não se mostrará o uso do álcool na vida americana, a não ser que o argumento ou o tratamento duma personagem o exijam.
g) Interdição a todos os atos cruéis e inumanos, incluindo a tortura.


4-O Sexo

O Caráter sagrado da instituição do casamento e do lar será mantido.

Não se deverá inferir que as relações sexuais de baixa condição são de uso corrente e reconhecido.

a)O adultério e qualquer comportamento sexual ilícito, por vezes necessário para a construção de uma intriga, não devem ser apresentadas sob uma forma atraente;
b)Cenas de Paixão: Não devem ser introduzidas se não forem absolutamente essenciais à intriga. Não se deve mostrar beijos, abraços demasiados apaixonados, poses e gestos sugestivos. O beijo de Língua na boca é proibido. Em geral, o assunto da paixão deve ser abordado de modo a não despertar emoções inferiores.
c)A Sedução e Paixão: Nunca se deve ir além da sugestão, e somente quando essenciais à ação. Nunca se deve mostrá-las de maneira explícita.

Não são assunto de comédia:

. As Perversões sexuais, subentendidas ou não, são proibidas.
. Não se falará do tráfico de brancas;
. A Miscigenação é proibida
. Nunca se mostrará os órgãos sexuais das crianças
. Nunca se mostrará um parto, de fato ou em silhueta;
. Evitar-se-á o assunto do aborto, apenas poderá ser sugerido. Será condenado quando a ele fizer alusão. Nunca se deverá falar do aborto com ligeireza, nem transformá-lo em assunto de comédia. Nunca se mostrará o aborto e nunca se deverá subentender a sua existência numa história. Nunca se pronunciará a palavra “aborto”.

5-A Vulgaridade

O tratamento de assuntos baixos, desagradáveis, ordinários (mas não necessariamente maus), deverá ser sempre guiado pelo bom gosto e respeito pela sensibilidade dos espectadores.

6- A Obscenidade

As palavras, gestos, reverências, canções, brincadeiras ou sugestões (mesmo que compreendidas por uma parte restrita do público) são objeto de proibição.

7-As Blasfêmias

As blasfêmias intencionais e todas outras palavras irreverentes ou ordinárias são proibidas sob qualquer forma. O Código não aprovará o uso das seguintes palavras e frases:

Alley Cat (gata, vadia, prostituta)
Bat (vampiro, prostituta)
Broad (rapariga, no sentido pejorativo de prostituta)
Bronx Cheer (beijo sonoro em exagero)
Chippie (mulher fácil)
Cripes (mel, num sentido ordinário)
Fanny (nádega)
Fairy (homossexual)
Finger (dedo, indicador, denunciante)
Fire (gritos de fogo, isto é, gritos de gozo)
Gawd (deformação de Deus)
To gaase (doença venérea)
Hold Your Hat (não se excite)
Hot (quente)
Louse (patife)
Lousy (asqueroso, porcalhão)
Nance (travesti)
Nuts (testículos)
Pansy (pederasta)
Razzberry (arroto)
Slut (prostituta ordinária)
S.O.B (Son of a Bitch, filho da “mãe”)
Toillets gags (urinol público)
Tom cat (aditivo sexual)
Christ, Jesus, God (usados de forma irreverente).

8- A Religião

Nunca se deverá ridicularizar uma fé religiosa.

Não se deverá produzir um filme incitando à ira ou o fanatismo religioso entre povos de diferentes raças, religiões ou origens.

Os ministros do culto, na sua função de ministros de culto, não serão mostrados com aspecto cômico ou escabroso.

Tratar-se á as cerimônias de qualquer religião com atenção e respeito.


III- EXTRATOS DAS DECISÕES PARTICULARES

1-A arte

Se bem que seja uma arte nova, o cinema tem o mesmo objetivo das outras artes. A arte pode ser moralmente boa, elevando os homens aos mais altos níveis. Mas a arte pode, nos seus efeitos, ser moralmente má. É o caso, bem evidente, da arte imoral, dos livros indecentes, das histórias sugestivas. O seu efeito sobre a vida dos homens e das mulheres é evidente.

Deste modo, o Cinema, que é a mais popular das artes modernas, tem obrigações morais, devido à confiança que as pessoas lhe atribuem.

2-O Sexo

As cenas de paixão devem ser tratadas sem esquecer o que é a natureza humana, e quais são as suas reações habituais. Muitas cenas não podem ser apresentadas sem despertarem emoções perigosas nos jovens, nos atrasados mentais e criminosos.

Mesmo nos limites do amor puro há fatos cuja apresentação sempre tem sido considerada pelos legistas.

3-A Nudez

O efeito da nudez ou da semi-nudez sobre os homens e as mulheres normalmente constituídos, e ainda mais sobre os adolescentes e os atrasados mentais, foi reconhecido com honestidade pelos legistas e moralistas.

Onde o fato que a possível beleza dum corpo nu ou seminu não retira nada à imoralidade da sua exibição num filme. Porque, além da sua beleza, o efeito de um corpo nu ou seminu sobre um indivíduo normal deve ser tomado em consideração.

O recurso à nudez ou à semi-nudez com o simples fito de “apimentar” um filme deve ser classificado entre as ações imorais. É imoral no seu efeito sobre o espectador médio.

A Nudez não deve em caso nenhum ser duma importância vital para a intriga. A Semi-nudez não deve ser traduzida por exibições inconvenientes ou obscenas.

Roupas transparentes ou translúcidas e silhuetas são muitas vezes mais sugestivas do que uma nudez de fato.

********************************************************************
Enquanto isso, a indústria do tabaco estreava o "merchandising" no cinema, pagando aos produtores por cada minuto de película em que os protagonistas aparecessem fumando.

Em julho de 1934, foi criada a PCA (Production Code Administration) para supervisionar o estrito cumprimento do Código de Hays. Os filmes que estivessem de acordo com os padrões morais recebiam um "Selo de Aprovação". Os recusados perderiam automaticamente os canais de distribuição da poderosa MPPDA, de Hays. A desobediência significaria uma multa de 25 mil dólares, fortuna para a época.


O Código de Hays, administrado pelo católico Joseph Breen até 1954, ainda sobreviveu até 1956, embora as mudanças viessem gradualmente até os meados dos anos de 1960, com os novos movimentos que estavam surgindo, como a liberação feminina e os hippies. Em 1968, o código Hays foi removido, dando lugar a uma tabela de classificação de filmes, pela Motion Picture Association of América (MPAA).

Entretanto, este código deixou marcas indeléveis e frutos amargos, de um passado onde uma determinada sociedade ainda não vivia da clareza e da evolução de distinguir o que fosse ética, e muito menos, moral, pois algumas vezes, a idéia do “pecado” pode estar somente na perigosa imaginação abjeta de alguns seres humanos, que, todavia, preferem serem autoridades e mensageiras máximas de todo o moralismo, do que simplesmente reconhecerem suas próprias falhas e defeitos.

Por Paulo Nery.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Om Mani Padme Hum

OM MANI PADME HUM

Tradução: Recebemos a Jóia da consciência no coração do Lótus. (O Lótus é o chakra).

Significa: Recebemos a jóia da consciência divina, no centro do nosso chakra da coroa.



CHAKRA DA COROA: Também conhecido por Centro da Consciência Cósmica; Centro do "Eu Sou", Sahasrara.

Associações da Mente com o Corpo

Localização: Topo do crânio



Cor: Violeta

Partes do Corpo: Este chakra está associado com o topo da cabeça, o cérebro e todo o sistema nervoso.

Glândula Endócrina: Glândula Pineal

Sentido: Sentido de empatia, unidade, viver a experiência da outra pessoa como se tivessem dentro delas, sendo elas.

Consciência: O chakra da coroa representa aquela parte da vossa consciência relacionada com percepções de unidade ou separação.
Tal como o Chakra da raiz mostrou a vossa ligação com a terra mãe, este chakra mostra a nossa relação com o nosso Pai no céu. Representa a nossa ligação com o nosso pai biológico que torna-se o modelo da nossa relação com a autoridade, e por ultimo com Deus. É o nível da alma.




Quando um vive o sentido de separação do seu Pai, eles fecham o chakra da coroa, e vivênciam um sentido de isolamento e solidão como se tivessem numa concha, tendo dificuldade em sentir o contacto com aqueles á sua volta. Processos de pensamentos tendem a justificar e manter o sentido de solidão.

A visão a partir deste chakra inclui verem-se como uma consciência singular criando tudo , e paradoxalmente conectado com tudo, como um sonhador a sonhar e a realizar que tudo o que é perceptível é apenas uma extensão da sua própria consciência.



Elemento: Luz Interior, que é o que um vive quando está na aprte mais profunda do seu ser, como um ponto de consciência a brilhar com inteligência.
Também chamado de Luz Branca.

Metafisicamente, isto é considerado o elemento mais subtil do qual todo o universo físico é criado.



Avalokitesvara alcançou tão elevado grau de espiritualidade, como se tivesse subido a mais alta montanha.

Destas alturas, estava para partir à planos ainda mais elevados, e distantes da terra, quando ouviu um gemido que vinha do inconsciente coletivo da humanidade. O lamento por sua partida. Seu coração encheu-se de compaixão e Avalokitesvara prometeu ficar neste planeta trabalhando e servindo para evolução da humanidade.

Este juramento bodhisatva, é feito por todos os Mestres que servem a Luz da Grande Fraternidade Branca. Eles deixam de seguir as sua evolução em planos superiores, para servir a Luz de seus irmãos ainda encarnados.

Ao recitarmos o Mani Mantra, estamos penetrando a mesma roda metafísica que os Mestres Ascensos e não Ascensos da Grande Fraternidade Branca que estão constantemente empurrando a Roda da Evolução Espiritual da humanidade.



Este mantra tem sua origem na Índia e de lá foi para o Tibet. Os tibetanos não conseguiram entoá-lo da mesma forma, mudando sua pronuncia para: OM MANI PEME HUNG este é o mantra mais utilizado pelos budistas tibetanos. Qualquer pessoa pode entoá-lo.

Estando feliz ou triste, ao entoar o "Mani Mantra", uma espontânea devoção surgirá em nossa mente e o grande caminho será fortemente realizado.
O mantra OM MANI PADME HUM, é fácil de pronunciar e poderoso pois contém a essência de todo o ensinamento.

Muito tem sido escrito sobre este mantra e é impressionante que apenas seis silabas possam atrair tanto comentário importante. De acordo com o Dalai Lama, o propósito de recitar este mantra é transformar o corpo impuro de suas palavras e mente, no puro e louvado corpo, palavra e mente de um Buda.



O som de cada silaba é visto como tendo uma forma paralela espiritual. Fazer o som de cada silaba portanto, é alinhar a si mesmo com aquela qualidade espiritual particular e para se identificar com isto.

Existe também um grande numero de outros beneficio que resultam da repetição deste mantra, incluindo a produção do mérito e destruição do carma negativo.



OM - A primeira silaba, recitá-la o abençoa para atingir a perfeição na pratica da generosidade.
MA - Ajuda a aperfeiçoar a pratica da ética pura.
NI - Ajuda a atingir a perfeição na pratica da tolerância e paciência.
PAD - Ajuda a conquistar a perfeição na pratica da perseverança.
ME - Ajuda a conquistar a perfeição na pratica da concentração.
HUM - Ajuda na conquista da perfeição na pratica da sabedoria. A senda das seis perfeições é a senda de todos os budas. Cada uma das seis silabas elimina um dos venenos da consciência humana.



OM - Dissolve o orgulho.
MA - Liberta do ciúme e da luxuria.
NI - Consome a paixão e os desejos.
PAD - Elimina a estupidez e danos.
ME - Liberta da pobreza e possessividade.
HUM - Consome a agressão e o ódio.



Os mantras são freqüentemente, os nomes dos budas, bodhisattvas ou mestres e que o compuseram. Os mantras são investidos com um infalível poder de ação, de forma que a repetição do nome da deidade, transmite as qualidades de sua mente.

O nome é idêntico a deidade ou essência da deidade que o compôs e com ele presenteia a humanidade dando a seus irmãos a essência de tudo aquilo que ele atingiu em muitas vidas de esforço e sagrado oficio. Dando o glorioso resultado de seu momentum de sabedoria.

Ao recitar este mantra, o meditante também pode conseguir as qualidades do Chenrezig, o bodhisatva da compaixão, conhecido na tradição Mahayana como Avalokitesvara.



O mantra OM MANI PADME HUM, chamado de mani mantra, levanta algumas traduções misteriosas. Diz a tradição que este mantra significa o nome Chenrezig.

Contudo, Chenrezig não tem nome, mas ele é designado por nomes. Estes nomes são a taça para a compaixão a benção e a força que ele derrama. Portanto este é apenas um dos nomes de Chenrezig, MANI PADME, colocado entre as duas silabas sagradas OM e HUM. Parece-nos que Chenrezig, Avalokitesvara e Kuan Yin são os nomes do mesmo buda da compaixão.



OM - Representa o corpo de todos os budas, também o começo de todos os mantras. MANI - Jóia em sânscrito.
PADME - Lótus ou chakra. HUM - A mente de todos os budas e freqüentemente finalizam os mantras.

MANI - Refere-se a Jóia que Chenrezig segura no centro de suas duas mãos.
PADME - Refere-se ao lótus que ele segura na sua segunda mão esquerda.

Dizendo MANI PADME estamos nominando Chenrezig através de seus atributos: "Aquele que segura a Jóia e o Lótus". Chenrezig ou Jóia do Lótus são dois nomes para a mesma deidade.

Quando recitamos este mantra, estamos na verdade repetindo o nome de Chenrezig. Este mantra é investido com a benção e o poder da mente de Chenrezig, sendo que ele mesmo reúne a benção e a compaixão de todos os budas e bodhisattvas.



Desta forma o mantra é imbuído com a capacidade de purificar nossa mente de sua obscuridade. O mantra abre a mente para o amor e compaixão e a conduz ao despertar.

Sendo a deidade e o mantra um em essência, significa que é possível recitar o mantra sem necessariamente trabalhar a visualização. A recitação permanece efetiva.

Cada uma das seis silabas sagradas retêm um efeito purificador genuíno.

OM - Purifica o corpo
MA - Purifica a palavra
NI - Purifica a mente
PAD - Purifica as emoções
ME - Purifica as condições latentes
HUM - Purifica o véu que encobre o conhecimento

Cada silaba é ela mesma uma oração



OM - É oração dirigida ao corpo dos budas
MA - É oração dirigida à palavra dos budas
NI - É oração dirigida à mente dos budas
PAD - É oração dirigida às qualidades dos budas
ME - É oração dirigida à atividades dos budas
HUM - Reúne a graça (benção) do corpo, palavra, mente, qualidade e atividade dos budas.

Estas seis silabas correspondem à transcendental perfeição dos budas secretos.



OM - Ratnasambhava, Buda que nos inunda com sua sabedoria de igualdade e nos liberta do orgulho espiritual, intelectual e humano.
MA - Amogasidhi, Buda que nos inunda com sua sabedoria que a tudo realiza, a sabedoria da ação perfeita e liberta-nos do veneno da inveja e do ciúme.
NI - Vajrasattva, Buda nos inunda com a sabedoria da vontade diamantina de Deus. Consome em nós o veneno do medo, da duvida e da descrença em Deus, o único Guru.
PAD - Vairochana, Buda que nos inunda com a sabedoria penetrante do dharmakaya, a poderosa Presença Eu Sou. Consumindo em nós o veneno da ignorância.
ME - Amithaba, Buda que nos inunda com a sabedoria da discriminação e consome em nós os venenos das paixões : Todos os desejos intensos, cobiça, avareza e luxuria.
HUM - Akshobhya, Buda que nos inunda com a sabedoria que se reflete como num espelho e consome em nós os venenos de raiva, ódio e criações de ódio.

As seis silabas sagradas OM MANI PADME HUM são a essência das cinco famílias de budas secretos. São a fonte para todas as qualidades e profunda alegria.
É a senda que conduz a uma elevada existência para a liberdade da alma.



OM MANI PADME HUM HRIH

A pronúncia: OM MÃNI PADME RUM RRIIII
O significado: Recebemos a jóia da consciência divina, no centro do nosso chakra da coroa, que nos traz a sabedoria discriminativa, o discernimento.
(O Lótus é o chakra da coroa).
HRIH! (Hrih é o bija, ou sílaba “semente”, do Buda Amitabha.



Lótus é o símbolo da expansão espiritual, do sagrado, do puro.

A lenda budista nos relata que quando Siddhartha, que mais tarde se tornaria o Buda, tocou o solo e fez seus primeiros sete passos, sete flores de lótus cresceram. Assim, cada passo do Bodhisattva é um ato de expansão espiritual.

Os Budas em meditação são representados sentados sobre flores de lótus, e a expansão da visão espiritual na meditação (dhyana) está simbolizada pelas flores de lótus completamente abertas, cujos centros e pétalas suportam imagens, atributos ou mantras de vários Budas e Boddhisattvas, de acordo com sua posição relativa e relação mútua.
Do mesmo modo, os centros da consciência no corpo humano (chakras) estão representados como flores de lótus, cujas cores correspondem ao seu caráter individual, enquanto o número de suas pétalas corresponde às suas funções.



O significado original deste simbolismo pode ser visto pela semelhança seguinte: Tal como a flor do lótus cresce da escuridão do lodo para a superfície da água, abrindo sua flores somente após ter-se erguido além da superfície, ficando imaculada de ambos, terra e água, que a nutriram, do mesmo modo a mente, nascida no corpo humano, expande suas verdadeiras qualidades (pétalas) após ter-se erguido dos fluidos turvos da paixão e da ignorância, e transforma o poder tenebroso da profundidade no puro néctar radiante da consciência Iluminada (bidhicitta), a incomparável jóia (mani) na flor de lótus (padma).

Assim, o arahant (santo) cresce além deste mundo e o ultrapassa.



Apesar de suas raízes estarem na profundidade sombria deste mundo, sua cabeça está erguida na totalidade da luz.

Ele é a síntese viva do mais profundo e do mais elevado, da escuridão e da luz, do material e do imaterial, das limitações da individualidade e da universalidade ilimitada, do formado e do sem forma, do Samsara e do Nirvana.

Se o impulso para a luz não estivesse adormecido na semente profundamente escondida na escuridão da terra, o lótus não poderia se voltar em direção à luz. Se o impulso para uma maior consciência e conhecimento não estivesse adormecido mesmo no estado da mais profunda ignorância, nem mesmo num estado de completa inconsciência um Iluminado nunca poderia se erguer da escuridão do Samsara.

A semente da Iluminação está sempre presente no mundo, e do mesmo modo como os Budas surgiram nos ciclos passados do mundo, também os Iluminados surgem no presente ciclo e poderão surgir em futuros ciclos, enquanto houver condições adequadas para vida orgânica e consciente.

Por: S. L. Lima

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Corpos Incorruptos


Imputrescibilidade é a denominação de corpos incorruptos, cujos cadáveres são aqueles que não passaram pela decomposição orgânica. Georges Pasch, autor de "O homem paranormal", explica que "este fenômeno não corresponde a nenhum estado conhecido por nossa medicina".

Geralmente este fenômeno é ligado a um fator de santidade, pois se tem notícia de vários santos católicos cujos corpos foram preservados da putrefação, contudo este fenômeno não esta somente associada aos santos e ao Cristianismo em geral, mas há relatos de corpos incorruptíveis antes mesmo da difusão da cristandade, como também há casos comprovados fora do mundo cristão, como na Índia, China, e Tibete, com corpos incorruptíveis de iogues e lamas, como veremos mais adiante.

Nos casos mais famosos, os corpos incorruptíveis foram encontrados mornos, flexíveis e com a tonalidade rosada da pele (em alguns casos, séculos após o sepultamento).
Em outros, fenômenos surgiram: odor de perfumes, desprendimento de sangue (ou outro líquido), temperatura do corpo acima da temperatura ambiente etc.

Vários corpos dos Cemitérios da Europa foram exumados pela Igreja Católica, e encontrados em estado de incorruptos.

Mas porque estes corpos incorruptíveis permanecem intocados pelo tempo?
Um desafio a mais para as leis da natureza?

A Igreja Católica define como incorruptíveis os corpos encontrados não como em vida, mas sim os inflexíveis. Eles permanecem íntegros, às vezes durante séculos, apesar das circunstâncias que normalmente causam a decomposição. Alguns incorruptíveis SUPOSTAMENTE emanam transpiração e sangue, mesmo depois da morte. Nunca são embalsamados e nem recebem algum tratamento.

Para os fies, os incorruptíveis são milagrosos e tem poderes sobrenaturais. Grupos constantemente visitam suas criptas para visitação dentro das igrejas. Mas poucas pessoas tiveram a chance de examinar estes corpos fora de seus caixões. Para alguns peritos no meio científico mais cético, os incorruptíveis não são milagres, nada demais.

Após 120 anos, a exemplo, tudo que deveria ser encontrado são ossadas.

Quando o coração para de bater e o fluxo sanguíneo é interrompido, as células deixam de receber oxigênio, e morrem em poucos minutos. A velocidade da decomposição depende em muitos casos, das condições ambientais, mas o corpo sofre grande deterioração em poucos dias. Microorganismos contidos no intestino começam a romper o abdômen de dentro pra fora, enquanto outras bactérias infestam o restante do corpo. O corpo em decomposição fica esverdeado com a liberação de substâncias e de gazes que provocam inchaços e bolhas na pele, começando a partir do estômago. Em poucas semanas, cabelos e unhas começam a se soltar, e após um mês, o tecido do corpo se liquefazem, e tudo que resta são o esqueleto e os dentes, ou algum vestígio de tecidos presos aos ossos.


Um exemplo notável: quatro anos após São Felipe Néri (1515-1595) ser enterrado sobre a nave de uma pequena capela, seu corpo foi encontrado tão bem preservado – segundo os médicos – que foi considerado “indubitavelmente miraculoso”. Este caso simplesmente indica o estado de credulidade dos médicos da época (ou então a pressão que eles sofreram para atestar o milagre), uma vez que sempre se soube que as vísceras de Felipe haviam sido removidas e o corpo embalsamado de maneira simples logo após a autópsia do santo em 1595. Também uma referência recente ao “último embalsamamento” sugere que o corpo tenha sido repetidamente preservado.

Entretanto, em alguns casos, existem corpos classificados, como anti-incorruptíveis.


O corpo de Santo Eduardo o Confessor (1004-1066) foi exumado 36 anos após sua morte e achado “perfeitamente” incorrupto; contudo quando a urna funerária foi reaberta em 1685 os restos mortais haviam sido reduzidos ao esqueleto. Também, quando o corpo de Santa Inês de Montepulciano (1268-1317) foi colocado entre as paredes do altar principal da igreja, o túmulo infelizmente estava bem úmido, provocando a decomposição do corpo.

Ainda outros corpos “incorruptíveis” são mais apuradamente descritos como mumificados; isto é, o corpo está dessecado – uma condição que pode ocorrer naturalmente sob certas condições (tais como ser mantido num túmulo seco ou catacumbas), ou ser induzido por embalsamamento. Um exemplo bem documentado é o caso de São João Maria Batista Vianney (1786-1859), o "Cura d"Ars", que 45 anos após sua morte, seus restos mortais foram achados “secos e escurecidos”, mas as vísceras foram removidas como medida de conservação e a face coberta com uma máscara de cera (como é comum nesses casos).

Em outros casos, o corpo aparentemente saponificou – um estado natural no qual os tecidos do corpo essencialmente transformam-se em sabão por debaixo da pele endurecida. A substância amoniacal, semelhante a sabão, é chamadaadipocere” e ocorre em alguns casos de enterro em solo úmido. Enquanto que casos de saponificação podem resultar em alegações de incorruptibilidade em culturas católicas, em certos países eslavos realimenta-se a lenda do “morto-vivo” espetando uma estaca afiada de pau no coração do “vampiro”. Na América do Norte rural tais casos são conhecidos como exemplos de pessoas “petrificadas.

Um corpo enterrado desde há séculos não é mais que um magma informe de pó de terra e de ossos. É a lei da decomposição do corpo do mortal. Uma das grandes leis da natureza: Todas as coisas perecem, voltam a terra, tornando-se pó e cinzas.

No entanto, em certos casos o corpo aparece intacto ou quase. Os cientistas explicam este fenômeno como sendo causada pela composição do terreno onde está enterrado o cadáver, as variações de temperatura do subsolo, a ausência de insetos ou de roedores que provocam uma proteção natural, impedindo o seu apodrecimento.


Um dos casos mais famosos e intrigantes de incorrupção é o de Santa Zita (1218-1278), que viveu em Lucca, na Itália. Quando morreu, foi sepultada numa cova comum. Exumado três séculos depois, seu corpo estava completo e intacto. Sem nenhum sinal de manipulação. Permanece assim até hoje, passados mais de 700 anos. "É uma bela múmia", diz o legista italiano Gino Fornaciari, da Universidade de Pisa, que já examinou vários "incorruptíveis".

Como Santa Zita, os corpos de santos como Ubaldo de Gubbio e Savina Petrilli se mantêm conservados. Especialistas acreditam que as condições ambientais existentes no interior das igrejas, onde a maioria dos "incorruptíveis" foi sepultada, podem explicar o fenômeno. "A temperatura nas igrejas é baixa e há pouca variação entre o inverno e o verão", observa o médico Enzio Fulcheri, legista da Universidade de Gênova.

Simples hipóteses científicas quando se conhecem outros fenômenos que acontecem na incorruptibilidade de certos cadáveres: um perfume agradável do corpo, suor de sangue, humores do cadáver, luminosidades na parte superior da sepultura, como aconteceu quando São Charbel Makluf morreu com a idade de 78 anos, no seu eremitério do Líbano. O corpo de São Charbel permaneceu intacto depois de sua morte, inclusive transpirava. Este fenômeno de conservação e transpiração de corpo, desafiando as leis da natureza, fascinou os médicos, os homens de ciência e as pessoas mais simples.

Os santos e santas do cristianismo apresentam muitas vezes um bom estado de conservação quando passaram séculos sobre o dia da sua inumação. Uma vez mais, os não mortos, os nosferatu do vampirismo passam por cima dos milagres do mundo cristão. Os cultos demoníacos imitaram sempre a magia e os prodígios da religião, como por exemplo, na missa negra que não é senão uma inversão da missa cristã, um derrubar da liturgia, das orações do culto.

O não morto intacto no seu túmulo aparece, pois nas superstições como uma espécie de Santo diabólico que, também ele, apresenta os mesmos sintomas de imortalidade, incorruptibilidade, suor de sangue umedecendo todo o corpo, fenômenos luminosos à volta do túmulo.

Mais que por pura imitação, eles, os adeptos do vampirismo foram mais longe e para dar forma aos seus não mortos e sugadores de sangue ter-se-iam servido mesmo dos milagres do mundo cristão.

Para as pessoas ingênuas, os casos de incorruptibilidade não serão exclusivos dos santos, pois que também os adeptos do diabo podem ser alvo de tal milagre, uma vez que Deus não existe sem a ameaça dos infernos que tantas vezes os padres católicos e pastores evangélicos focam e a que chamam «condenação eterna».

Toda religião tem o seu inferno, os seus demônios, e os seus “padres” e líderes. Basta que aconteça uma maldição e logo das entranhas da Terra se libertarão espíritos malignos cujas forças em muito ultrapassarão as dos homens. Apareciam assim os vampiros tão reais quanto os santos do paraíso.

Outro caso é de São Francisco Xavier, que morreu em 2 de dezembro de 1552. O corpo do santo foi colocado em uma caixa e preenchido por cal (para se obter mais depressa os ossos) e assim facilitar seu transporte. A caixa foi aberta dois meses depois, para averiguar a destruição das carnes.

Constatou-se que nada havia ocorrido. O corpo de São Francisco foi encontrado fresco e rosado, sem nenhum traço de putrefação. O mais impressionante é que fizeram um corte perto do joelho e o sangue escorreu. Além disso, o corpo exalava um aroma agradável.

Transportado por mar, foi enterrado em Malaca, a 22 de Março de 1553. Mas o miraculoso fenômeno não ficou por aqui e, como que causado por uma força misteriosa, alguns meses depois mantinha o mesmo estado da incorruptibilidade. Transportado para Goa, foi sepultado na igreja de S. Paulo. Em 1612, quando se lhe amputou um dos braços para ser enviado para Roma, o sangue correu vermelho e fluido!

Nos Evangelhos, assim como no Antigo Testamento, o sangue é portador do espírito de Deus. No jardim das Oliveiras, na Noite Divina, Jesus suou sangue como se o Espírito sangrasse e sofresse. Mas no caso, ocorreu hemadítrose, ou seja, o rompimento dos vasos capilares motivados por uma grande carga emotiva de desespero, tensão, medo ou nervosismo, tendo em vista o exemplo de Jesus pela provação que passaria: “Afasta de mim este cálice”.

O processo de incorruptibilidade é raro e é diferente da mumificação. Neste caso, as vísceras são extraídas e o corpo é coberto por uma camada de cera. Ele é poupado de oxigênio e umidade, facilitando, assim, sua conservação.

Também existem registros de casos onde ocorreram a adipocera, ou seja, o tecido do corpo transformou-se em uma espécie de massa branca, mole e quebradiça, dando a impressão incorreta de incorruptibilidade.

Em 1582, Santa Teresa d’ Ávila morre na sua cela do convento de Alba de Tormes. O rosto de Santa Teresa de Jesus, segundo afirmou a duquesa d’Alba, ficou após a morte lindo e resplandecente, dir-se-ia como Sol brilhando. Metido num caixão cheio de cal e tijolos, foi o corpo transportado ao cemitério. Mas no dia seguinte à sua morte, do túmulo de Santa Teresa de Jesus emanava um perfume de tal forma intenso e delicioso que os monges teriam tido a sensação de estarem de novo na presença da sua Madre.

Abriu-se o túmulo a 4 de Julho de 1583. A tampa do caixão estava partida, meia apodrecida e cheia de bolor. Era forte o cheiro a bafio e as vestes encontravam-se putrefatas. O corpo, tinha bolor, mas mantinha a frescura como se tivesse sido enterrado na véspera.

As monjas despiram-na quase totalmente, para a vestirem de novo. Segundo afirmaram, um maravilhoso odor se espalhou pelo convento.

Em Novembro de 1585, três anos passados sobre a sua morte, os médicos de Ávila examinaram o corpo, tendo chegado à conclusão de que apenas um milagre, e não uma causa natural teria permitido que um corpo fechado três anos (sem estar embalsamado) se mantivesse intacto, continuando a exalar o mesmo perfume de sempre.

Um caso impressionante é de Santa Bernadete Soubirous. Camponesa e devota da Virgem Maria, Bernadete teve uma visão da mãe de Jesus. Tornou-se freira e, anos mais tarde, morreu em um convento francês (1879), sendo enterrada na capela do convento. Seu corpo foi exumado em 1923.

Os médicos encontraram o corpo de Santa Bernadete intacto, sem nenhum indício de putrefação. Os órgãos internos estavam flexíveis e seu fígado tinha uma consistência normal. Em outras exumações constatou também que após de tanto tempo morta nenhum mau cheiro exalava do corpo de Santa Bernadete.

Ainda hoje o corpo de Santa Bernadete conserva-se completamente incorrupto em um caixão de vidro exposto na Capela do Convento de São Gildardo em Nevers, França. Estudos recentes comprovaram que o coração e a língua que normalmente são as primeiras coisas a se decompor em um cadáver, estão (sem nenhum processo artificial de conservação) flácidos e rosados, completamente conservados da corrupção. Durante o processo de sua canonização, seu corpo foi exumado três vezes, mas em sua vida religiosa, Bernadete já era considerada uma santa por muitos que a conheceram.

Vinte anos após a morte da Santa, na primeira exumação, autoridades eclesiásticas e dois médicos assinaram um juramento a respeito do que tinham visto: o corpo estava completamente incorrupto, e mesmo os olhos se preservaram da decomposição, era inclusive possível ver as formas das veias nos braços.

OUTRO CASO FANTÁSTICO é o de São Luigi Orione.

Viveu em Gênova, Itália, entre os anos de 1872 e 1940. Sentiu desde pequeno a vocação religiosa. E, aprendeu, desde cedo, as se preocupar com a educação das crianças e ajuda aos pobres. Estudou no Seminário de Tortona, onde recebeu o Sacerdócio em 1895. Viveu uma vida de sacrifício a Deus, deixando atrás de si um exército de caridade com creches, asilos e orfanatos. Sua obra alcança todos os lugares onde se necessita doação, trabalho, sacrifício e difusão do Evangelho e do Amor de Cristo. Durante sua vida, fez inúmeras viagens de peregrinação, e seu legado esta em comunidades no mundo todo. Orione morreu em 1940, e foi exumado pela primeira vez em 1965. Seu corpo estava em ótimas condições.

Após 25 anos, não havia no corpo de Orione sinais de putrefação. As unhas, a pele, e os cabelos, estavam intactos. Como em outros casos de incorruptos, os órgãos internos também estavam intactos. Seu coração foi removido e enviado para o país que mais amava.

Seu corpo foi preservado naturalmente, sem qualquer tipo de tratamento ou manipulação. Nunca foi embalsamado, e o estado de preservação do corpo de Luigi Orione foi algo que surpreendeu até mesmo os mais céticos. Alguns cientistas acreditam que a preservação “altamente milagrosa” pode ser um fenômeno fascinante, mas aparentemente natural. Entretanto, ainda assim, o corpo estava ameaçado de decomposição uma vez exposto ao ambiente externo. Logo, a Igreja tratou de tomar providências, e pediu a alguns cientistas para manter o estado de conservação do corpo.

As condições das sepulturas e seu estado climático, como falamos, podem influir consideravelmente na decomposição de um corpo. Água e calor podem apresar o processo putrefatório, enquanto ambientes frios e secos, por outro lado, ajudam na preservação e mumificação natural. Dom Orione foi sepultado em local frio e seco em uma cripta subterrânea que retardariam certamente a decomposição.

Mas nem todos os incorruptíveis são facilmente explicados.

Foram encontrados casos que pareciam desafiar as leis científicas.

O corpo da BEATA MARGUERITA pode parecer desgastado, mas ele tem séculos de idade. Ela morreu em 1464, há mais de 540 anos. Beata Marguerita foi enterrada com outros diversos corpos, todos em condições idênticas. Somente o corpo dela permaneceu intacto. Havia uma grande infiltração de água, e o solo era favorável a decomposição do corpo. Enquanto os outros corpos seguiu o processo natural, o dela permaneceu inalterável. Para um cristão, isto é um milagre, mas para um cético é um evento natural sem explicação.

Em 2001, Beata Marguerita foi exumada de seu caixão de vidro, e passou a sofrer os efeitos de exposição ao ambiente. Seu corpo começou a dar sinais de deterioração. Para retardar a decomposição e reparar os danos sofridos, os cientistas e legistas italianos, professores Enzio Fulcheri e Nazareno Gabriele, este ex-diretor do Gabinete de pesquisas científicas do vaticano, se uniram a comissão encarregada de usar a ciência moderna para manter o “milagre”. Após um ano de trabalho, o corpo de Marguerita foi exposto para o público no convento em que viveu, e desta vez, colocado numa caixa especialmente projetada, e repleta de nitrogênio.

Mas muitos céticos acreditam que tais corpos foram embalsamados em segredo. O embalsamamento arterial somente foi desenvolvido nos séculos ao longo dos séculos XVII e XVIII, bem depois de mortes de incorruptíveis como a Beata Marguerita.
Alguns acreditam que até mesmo membros da Igreja poderiam embalsamar um corpo santo. Sabe-se que as condições da sepultura e do solo influem imensamente na decomposição, acelerando o processo.

Outro fator que pode manter o corpo intacto é a SAPONIFICAÇÃO, um fenômeno que pode ocorrer em alguns corpos durante a decomposição. É basicamente a conversão das gorduras do corpo em uma espécie de cera. É uma substância maleável e densa. Ou seja, a gordura se torna um tipo de sabão, dando ao corpo uma aparência vivaz.

Poderia a saponificação ter influído no processo de outra incorruptível, a Beata Teresa Fasce, da região de Cássia, Itália.

Beata Teresa dedicou sua vida de cuidar e educar as meninas órfãs, a quem ela chamava “suas abelhinhas”. Sofrendo de diabetes, asma, e câncer, foi uma inspiração para sua comunidade.

Beata Teresa Fasce morreu em 1947, e seu corpo foi exumado 50 anos depois, praticamente intactos. Embora sua pele tenha sido envernizada em 1998, não houve qualquer tipo de reconstrução. A pele tinha uma aparência rosada e firme, e o corpo quase inalterado. O cientista e legista italiano Paolo Gelem atribuí o caso de Beata Teresa a Saponificação. O caso que na mumificação espontânea, imagina-se que há uma perda considerável de peso, mas no caso aqui abordado, o peso dela permaneceu inalterado desde o dia em que ela morreu. Na saponificação apenas se converte uma substância sólida com outra substância sólida.

A SAPONIFICAÇÃO tem mistérios próprios, mas cientistas pouco sabem o que provoca a conversão de gorduras em uma substância saponácea. Imagina-se que seja uma combinação da química com o local. Ela nem sempre acontece. É uma combinação de fatores intrínsecos e extrínsecos ao corpo.

Outro caso é o de Santa Rita de Cássia, uma freira gentil que exibiu estigmas em sua vida. Ela morreu há mais de 500 anos. Quando seu caixão foi aberto, em vez de poeira, testemunhas encontraram carne e ossos. Análises científicas constataram que Santa Rita havia sido embalsamada, mas sua incorruptibilidade vai além da conservação do corpo. Segundo fies, quando seu túmulo foi aberto, em vez do odor de putrefação, se exalou um cheiro de jasmim e rosas. Até hoje, pessoas que trabalham na igreja em que viveu e onde se encontra o corpo de Santa Rita de Cássia, dizem sentir cheiro de perfumes doces quando estão perto do caixão da santa.

Os odores doces em torno da santa podem vir de extratos utilizados no processo de sepultamento. Se tiver ocorrido saponificação, a camada de gordura que se transformou pode ter se infundido com os odores florais.

CONTUDO, conforme se falou antes, este fenômeno não é exclusividade no mundo cristão católico:

Entre hindus, chineses e tibetanos, por exemplo, as ocorrências também são numerosas. Em 1952, o famoso iogue Paramahansa Yaogananda, que morreu na Califórnia, e foi desenterrado; seu corpo não sofrera decomposição e exalava uma agradável fragrância. Existem casos semelhantes entre protestantes, judeus, muçulmanos e budistas.

Em determinados casos, não se trata apenas de uma santidade teológica ou meramente religiosa; mas de outro tipo de santidade. Digamos: uma SANTIDADE ALERTADORA e INSPIRADORA , absolutamente não-milagrosa. O Diretor do Forest Lawn Memorial-Park,em Hollywood, Califórnia, em 7 de Março de 1952, deu a seguinte declaração a respeito de Paramahansa Yogananda, que entrou em mahasamadhi (segundo o Hinduísmo, é a saída consciente do corpo, por um Mestre Iluminado, no momento da morte física):

"Nenhuma desintegração física era visível em seu corpo, mesmo vinte dias após a morte.... Este estado de perfeita preservação de um corpo é, até onde sabemos pelos anais mortuários, sem paralelos.... o corpo de Yogananda estava aparentemente em um fenomenal estado de imutabilidade"

Em 25 de março de 2005, o Pravda English Online publicava: "Os Corpos incorruptos de Santos e Pecadores". A notícia fala do estado de conservação do corpo do Khambo Lama, mestre dos Budistas Siberianos do Leste, Dasha-Dorjo Itigelov que, nascido em 1852 e morto em 1927, ainda conserva os tecidos preservados como um homem vivente, conforme constatou a perícia feita por equipe de médicos especialistas.

Dasha Dorjo faleceu em uma localidade próxima à cidade russa de Ulan-Ude, lugar conhecido como "Ivolginsk Datsan", um centro espiritual de budistas russos (como os Ashram hindus), construído em 1947. Ao morrer, deixou instruções: seu sarcófago deveria ser aberto algum tempo depois do óbito para que se verificassem as condições físicas de seus retos mortais. O lama morreu sentado em posição de lótus, a mais característica postura iogue.

Desde estão, o mestre foi desenterrado três vezes: em 1955, 1973 e 2002. Depois da última exumação, os monges do Ivolginsk Datsan decidiram não mais sepultar o corpo; colocaram-no em sarcófago especial feito de vidro devidamente acomodada em uma sala escpecialmente preparada para tal função, de modo que os fiéis visitantes do retiro possam ver Dasha-Dorjo. São proibidas fotos e filmagens; os monges alegam que isso contraria suas tradições, entretanto, em 11 de setembro de 2002 o sarcófago foi aberto na presença de membros da tradicional Sangha Budista da Rússia e de médicos especialistas.

Dasha Dorjo faleceu em uma localidade próxima à cidade russa de Ulan-Ude, lugar conhecido como "Ivolginsk Datsan", um centro espiritual de budistas russos (como os Ashram hindus), construído em 1947. Ao morrer, deixou instruções: seu sarcófago deveria ser aberto algum tempo depois do óbito para que se verificassem as condições físicas de seus retos mortais. O lama morreu sentado em posição de lótus, a mais característica postura iogue.

Desde estão, o mestre foi desenterrado três vezes: em 1955, 1973 e 2002. Depois da última exumação, os monges do Ivolginsk Datsan decidiram não mais sepultar o corpo; colocaram-no em sarcófago especial feito de vidro devidamente acomodada em uma sala escpecialmente preparada para tal função, de modo que os fiéis visitantes do retiro possam ver Dasha-Dorjo. São proibidas fotos e filmagens; os monges alegam que isso contraria suas tradições, entretanto, em 11 de setembro de 2002 o sarcófago foi aberto na presença de membros da tradicional Sangha Budista da Rússia e de médicos especialistas.

Na ocasião, o doutor em Ciências Médicas do Instituto Russo de Perícia Médica Forense, Viktor Zvyagin, comprovou a identidade do corpo juntamente com outras testemunhas oculares, que estiveram presentes nas exumações. Pesquisadores, curiosos com o fenômeno, solicitaram aos monges permissão para recolher amostras de cabelos e unhas do mestre para análise. Zvyagin diz que sob muitos aspectos, o corpo do lama apresenta conservação muito próxima ao estado de um homem vivo: a pele está flexível, as articulações podem ser movidas. Exames com infravermelho confirmaram o estado de conservação dos tecidos.

O fenômeno da imperecibilidade de alguns organismos mortos é bem conhecido. Existem numerosos fatores que podem preservar um cadáver por milhares de anos. A mumificação natural ou artificial é uma das formas mais comuns. Arqueólogos descobriram múmias bem conservadas em diferentes lugares do planeta. A preservação desses corpos é o resultado de circunstâncias singulares a cada sepultamento. Em geral, os corpos que são poupados de fatores como umidade e oxigênio se mantêm intactos por mais tempo. Um processo já desvendado é a Adipocere (A decomposição de cadáveres humanos por vezes leva a estranhos fenômenos), que pode ser induzida ou natural.

No caso do Lama Dasha Dorjo, nenhum método foi usado e as condições do sepultamento não eram ideais. Os budistas dizem que somente os mais avançados iogues podem atingir tal condição em virtude de suas escolhas, feitas antes da morte. Além de Dasha Dorjo, informam os monges que existem apenas outros três cadáveres conservados de santos budistas: um na China, outro na Índia e o terceiro, no Vietnam. Outros existiram em um monastério tibetano que foi completamente destruído em 1959. Apesar dos casos mais ruidosos serem relacionados a figuras de "homens-santos", Viktor Zvyagin lembra que a incorruptibilidade dos mortos não é exclusiva de religiosos. Em 1995 durante uma escavação arqueológica, o corpo de uma menina foi encontrado em perfeito estado de conservação.

Os pesquisadores entendem que para conhecer o processo da incorruptibilidade seria importante fazer análises histológicas, citológicas e químicas, já que, para a medicina clássica, estes corpos deveriam entrar em decomposição.

Para alguns místicos, o corpo incorruptível é envolvido por um corpo astral. Este seria o motivo de ele se apresentar morno. Se o corpo está morno, é sinal de que ainda desprende algum tipo de energia.

Nenhum corpo consegue armazenar energia por tantos anos (e em alguns casos, séculos). Isto seria o indicativo de um processo energético desconhecido que tanto pode ser de uma reação interna como de uma remição de energia cósmica. São mistérios que o homem tenta ainda decifrar.

CONCLUINDO: “Existem mais mistérios no céu e na terra que vão supor nossa vã filosofia”, dizia o célebre William Shakespeare. Tais corpos incorruptos seriam mesmo manifestações do Todo Poderoso, independendo de crenças como pudemos ver ao longo do texto, ou tudo não passaria de uma coincidência, algo que pode haver uma explicação lógica dentro do contexto científico, mas que ainda só existam suposições científicas?

Entretanto, uma coisa é certa: é algo fora da compreensão humana tentar entender o que se supera acima das leis da natureza.


Por Paulo Néry

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Os Cristais



Os cristais sempre foram usados para curar e equilibrar o ser humano. Na Índia, Grécia e Egito, eles já eram famosos por seu poder energizador e medicinal.

Os cristais são poderosos elementos que trazem o equilíbrio natural para o físico, mente e alma do homem.

Essas pedras especiais são arranjos organizados de átomos, moléculas e/ou íons.

Eles podem ter diversos tamanhos:



Sua origem também é diversa: Há cristais de origem inorgânica, formados a partir do magma ou gases provenientes dos vulcões; outros que vem do fluxo de soluções aquosas no solo e nas rochas; e outros originários da atividade orgânica.

Hoje em dia, eles são utilizados em conjunto com outras terapias. A energia que eles transmitem é uma composição de elementos da natureza e raios vibracionais. Esses raios, que são absorvidos pelo corpo, desbloqueiam e alinham os chakras, os sete centros de energia que todos nós temos.



A limpeza das pedras é muito importante. Ela pode ser feita com água e sal grosso ou com água doce corrente.

No primeiro caso, coloque o cristal dentro de um recipiente com sal grosso dissolvido na água ou água do mar; mantenha por 20 minutos, lave com água doce corrente e seque-o sob a luz do sol.

Se escolher o segundo procedimento, lave o cristal com água doce corrente, enterre-o com a ponta para baixo na terra, lave novamente e seque-o exposto ao sol.



Depois é hora de programá-los.
Após cada limpeza, o cristal precisa passar por isso.

O procedimento é bem simples: coloque o cristal no centro da sua mão esquerda e mentalize a sua função. Elas podem ser de:

1) MEDITAÇÃO: Quando estiver meditando, posicione um grupo de cristais ao seu lado ou sobre as suas mãos.
Após a meditação, deite-se e coloque os cristais sobre os chakras de interesse e mentalize mudanças positivas na sua vida.

2) JÓIAS: Os cristais podem ser usados pelo corpo como jóias. Assim, eles ajudam a manter o equilíbrio de todas as partes do corpo.

3) PROTEÇÃO: Vários cristais podem ser usados para proteção. Se você passar por uma situação muito negativa, lave-o depois de resolver o problema.
Estes cristais devem ser mantidos dentro da bolsa ou dos bolsos da calça.

4) CURA: Estes devem ser manipulados exclusivamente por terapeutas experientes, de acordo com a finalidade.

CONHEÇA OS PODERES DE CADA UM DOS CRISTAIS



QUARTZO - Atinge todos os chakras; é incolor; pode ser usado para energia, proteção e cura; e possibilita a canalização de energia.



AMETISTA - Atinge o sétimo chakra; é roxa; pode ser usada contra ansiedade e dores de cabeça; é ideal para meditação e espiritualidade.



SODALITA - Atinge o sexto chakra; aparece na cor índigo; pode ser usada para visão, audição, memória e concentração; aumenta os níveis de compreensão e sabedoria.



ÁGUA MARINHA - Atinge o quinto chakra; é azul; pode ser usada para problemas de garganta, voz e nariz; melhora comunicação, expressão e profissão.



MALAQUITA - Atinge o quarto chakra; é verde; pode ser usada para respiração, vitalidade e coração; tem poder de trazer cura e vitalidade.



QUARTZO ROSA - Atinge o quarto chakra; é rosa; pode ser usado para o coração; é bom para acalmar e é indicado para o amor.



CITRINO - Atinge o terceiro chakra; é amarelo; pode ser usado para problemas digestivos; melhora o equilíbrio emocional.



CORNALINA - Atinge o segundo chakra; é laranja; pode ser usada para energia sexual; melhora muito a criatividade.



GRANADA - Atinge o primeiro chakra; é vermelha; pode ser usada para circulação de sangue e como âncora; é ideal para fixar energias na Terra e para as grandes realizações.



TURMALINA PRETA - Atinge o primeiro chakra; é preta; pode ser usada para proteção e como âncora; é a mais recomendada para a proteção espiritual.

Por: S. L. Lima

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Átila, o Huno- Flagelo de Deus.


Para muitas pessoas, o nome Átila, o Huno, sugere um bárbaro assassino de povos. Mas a História não tem sido inteiramente justa para com este magistral chefe militar. Átila (o nome significa “paizinho” em gótico, se desconhece o significado Huno) era o rei carismático dos nômades mongóis conhecido pelos hunos. Eram guerreiros ferozes, e hábeis cavaleiros, que eram capazes de cavalgarem em batalhas com uivos selvagens. Viviam, como podemos dizer, a cavalo.


Ele vivia para guerrear e conquistar o que via pela frente - invadiu duas vezes os Bálcãs, esteve a ponto de tomar a cidade de Roma e chegou a sitiar Constantinopla. Marchou através da França e espalhou o pavor fazendo o bravo imperador Valentiniano III fugir de Ravena. Essa imagem perversa que se tem de Átila, no entanto, começa agora a sofrer uma grande reviravolta. Explica-se: os romanos empregavam a expressão "bárbaro" para todos aqueles que habitavam além das fronteiras de seu império e não falavam latim.


Em 434 d.C, Átila partilhava o governo dos hunos com seu irmão Bleda. Atravessaram o Danúbio, atacando o que surgisse e exigindo à atemorizada população romana avultadíssimos pagamentos. Nascido provavelmente em 406, subiu ao trono em 433, devido à morte de seu tio Rua, partilhando-o durante alguns anos com o irmão, a quem mandou matar em 445 d.C para tornar-se o único rei do seu povo. Na época da coroação, seu reino já se estendia por um vasto território cujos limites eram o Volga, o Danúbio, o mar do Norte, o Reno e os Alpes.

Após ter matado o irmão, Átila tomou sozinho o domínio de seu povo. Era um adversário manhoso, extremamente habilidoso, igualmente hábil para negociar e se servir do terror para alcançar o que pretendia, e dono de notável intuição quanto às ações militares, tornou-se um conquistador vitorioso, condição da qual se vangloriava afirmando que “A grama não volta a crescer onde o meu cavalo pisa”. Ainda no início de seu reinado, em 434, Honória, neta de Teodósio II, imperador romano do Oriente, estava sujeita a regime severo devido a uma intriga amorosa (segundo diz-se, seria mantida em um convento de freiras, que outrora era um templo dedicado à deusa Vesta), e por isso enviou seu anel ao rei dos hunos, pedindo-lhe que se tornasse seu esposo e libertador. O casamento não se realizou, mas o fato serviu de pretexto a Átila para enviar sucessivas embaixadas e apresentar continuadas exigências aos imperadores do Ocidente e do Oriente. Como Teodósio implorasse a paz, o huno lhe exigiu pesado tributo e a cessão de um vasto território ao sul do Danúbio, mas Marciano, que desposara Pulquéria, irmã do imperador romano, e o sucedera no trono, recusou-se a efetuar esse pagamento, razão pela qual Átila se voltou contra Valentiniano III, imperador romano do Ocidente, exigindo-lhe metade dos seus domínios como dote de Honória.

Por isso, na primavera de 451 ele aliou-se aos vândalos, povo germânico que habitava a região entre o Oder e o Vistula, e conduziu em direção ao Reno um imenso exército que atravessou aquele rio e saqueou a maioria das cidades da Gália Belga. Dando continuidade ao seu avanço, os invasores logo a seguir alcançaram o Loire e assediaram Orleans, cujos habitantes, liderados por Aniano, bispo local, defenderam heroicamente a cidade. Apesar da bravura e estoicismo dos seus defensores, ela já estava a ponto de ser invadida quando apareceu em seu socorro o exército formado pelos soldados do general romano Aécius, e de Teodorico, rei dos visigodos, o que obrigou Átila a deslocar suas tropas para o nordeste, fazendo alto nas planícies perto de Troyes. A batalha que se seguiu, em Châlons-sur-le-Marne, durou todo o dia, provocando uma terrível carnificina. Ao seu final, o rei visigodo estava morto, mas os godos e os romanos tinham vencido o confronto, o que forçou Átila e seus homens a se retirarem em direção ao rio Reno, transpô-lo e dali prosseguindo na jornada de retorno para as suas terras às margens do Danúbio.


A principal fonte de informação sobre Átila vem de Prisco, um historiador que viajou com Maximino em uma delegação de do imperador bizantino Teodósio II, em 448 d.C. Descreve o povoado construído pelos nômades hunos, e no qual se haviam estabelecido, como do tamanho de uma cidade grande, com sólidos muros de madeira. Ao próprio Átila, Prisco o retrata assim:

"Baixo de estatura, de peito largo e cabeça grande; seus olhos eram pequenos, sua barba fina e salpicada de fios brancos; e tinha o nariz chato e a pele morena, mostrando a evidência de sua origem."

A aparência física de Átila devia ser muito provavelmente, a de alguém do Extremo oriente ou do tipo mongol, ou talvez uma mistura deste tipo e daquele dos povos turcos da Ásia Central. Apresentava decerto nas faces as cicatrizes dos golpes habitualmente feitos nos meninos hunos ao nascer. Em realidade, seguramente mostrava traços do oriente asiático, que os europeus não estavam acostumados a ver, e por isso o descreveram com freqüência em termos pouco elogiosos. Todavia, diferem imensamente das características que o cinema já esboçou sobre o temível “Rei dos Hunos”, já personificado nas telas por Jack Palance e Gerard Butler, ambos bem altos, sendo que o segundo tem olhos azuis.


Átila nunca tentou instalar uma capital permanente, em vez dela, um rústico quartel general numa aldeia da planície húngara. A sua residência era uma grande casa de troncos polidos, generosamente decorada com peles e couros.

A política de Átila não era conquistar, mas exaurir o poder romano através de negociações e do pagamento de tributos. No auge do Poder, o chefe huno tinha sob o seu domínio uma vasta área que compreendia as atuais Áustria, Hungria, Romênia, e Sul da Rússia. Por razões que ainda intrigam historiadores, Átila decidiu finalmente invadir o Império Ocidental. Forçou facilmente o caminho para a Gália, mas em 451 d.C, foi detido pelo General Aécio, enviado por Valentiniano III para conter os invasores mongóis.


Decorrido um ano, o chefe huno invadia a Itália, mas o sério desgaste das forças, a fome e a peste começavam a castigar o seu exército. Inconformado e desejando vingar-se da primeira e única derrota sofrida em toda a sua vida, Átila tratou de reorganizar seu exército, e na primavera do ano seguinte, voltou a dirigi-lo contra a Itália, devastando com fúria incontrolável o norte daquele país, queimando ou pilhando muitas cidades da região, até que a epidemia de peste que se abatia sobre o território italiano o fez encerrar a campanha militar e prudentemente atravessar os Alpes na viagem de regresso, mas deixando claro que tornaria a invadir o país caso não recebesse a devida compensação financeira pela não realização de seu matrimônio com Honória.

Porém, uma outra versão para esse episódio diz que a retirada foi decidida em atenção aos reiterados pedidos feitos pelo papa Leão I e emissários imperiais, que o convenceram a desistir do ataque à capital do império do Ocidente. Seja como for, Em 452, o Papa Leão, com uma promessa de Tributo, conseguiu retroceder o Flagelo de Deus. Leão era bem conhecido por sua coragem pessoal, e foi enviado a negociar com o conquistador oriental, conhecido como implacável. Segundo se conta, Leão foi com uma pequena delegação não armada falar com Átila, convencendo-o a se retirar, aceitando um tributo anual.

Depois de voltar para seu acampamento da Panônia, Átila casou-se no ano seguinte, em 453 d.C, com uma cativa de nome Hilda, sendo encontrado morto no dia seguinte ao da realização das núpcias, vitimado, provavelmente, por uma hemorragia cerebral, ou morto em conseqüência da ruptura de uma artéria durante a noite de núpcias. Seus coveiros foram assassinados, para que nunca revelassem onde tinham sido sepultados seu corpo e os seus tesouros.


Que realizara Átila? Nem formara um Estado mongol, nem conseguira destruir o Poder do Império de Roma. Mas atrasara a queda do Império, pois a invasão das suas hordas tinha obrigado os romanos e os godos a um certo tipo de paz. Com a morte de seu chefe, os hunos se se retiraram para as planícies russas. As tribos germânicas estavam agora livres para agir, e a invasão do Império, em grande escala, era inevitável.


Por Paulo Néry

terça-feira, 10 de junho de 2008

Elementais



O Reino Elemental está na base da corrente evolutiva da Terra e trabalha em estreita colaboração com o reino dévico que, sob certos aspectos intermedeia o seu relacionamento com todo a vida planetária.

O éter está intimamente ligado a esse reino, que se constitui de forças inerentes à substância dos níveis de consciência, e por isso está presente em todo o cosmos nas diferentes etapas da sua manifestação, embora tenha maior relevo nas fases de materialização, no arco descendente do processo evolutivo.

Quando estimuladas para o cumprimento das tarefas, essas forças tomam a forma de seres.



Devido à actual densidade da terra, a humanidade pouco sabe a respeito desse reino,
forças das substância-vida dos planos de existência do universo.

Os Elementais são gerados dos elementos da Natureza: Terra, Água, Fogo, Ar e Éter, mas quanto mais próximos dos mundos abstractos, de modo mais límpido reflectem o que lhes é imanente.



Deus, por interferência amorosa de Seres de Luz que trabalham de forma a unificar os universos em nome do Amor Divino, concedeu a três Reinos, paralelamente, a oportunidade de evolução.

Estes três Reinos são: Elemental, Angélico e Humano.

Os Elementais são assim, os dinamizadores das energias das formas na Natureza.



O Reino elemental aprende a controlar a energia através do pensamento, mantendo um determinado padrão ou molde/matriz.

Eles evoluem desde seres microscópios a construtores das formas.

Exteriorizam toda a forma, incluindo os corpos humanos, montanhas, rios, etc. Eventualmente alcançam o estado de um poderoso Elohim ou uma Veladora Silenciosa.



Os seres dos Elementos foram criados para servir a humanidade através de seu próprio trabalho específico.

É pelo esforço e pelo uso de sua vida que esses seres nos suprem com as vestes de carne que usamos, com a água que bebemos, com o alimento tão abundantemente fornecido; com o ar que respiramos e com todas as coisas de que necessitamos para nos sustentarmos na Terra.

O Plano Divino de Vida providencia para que o homem seja servido com AMOR e, em troca, retorne AMOR, GRATIDÃO e BÊNÇÃOS aos Seres Elementais.



São os pensamentos e sentimentos ruinosos da própria humanidade os causadores de todas as expressões destruidoras apresentadas por esses Elementais em forma de furacões, vendavais, ressacas, terramotos.

Todas as avalanches da Natureza são, meramente, uma tentativa dos seres Elementais de projectar PARA FORA, a impureza e discórdia que o homem tem imposto ou depositado sobre eles, esses abnegados seres que vos vêm servindo por milhões de séculos.

A matéria usada que é depositada dentro da terra e das águas e a energia impura que se espalha no ar, causam uma pressão de criações humanas, não somente no próprio homem, como também no Reino Elemental.

Normalmente esses entes são desfeitos ao concluírem sua tarefa, mas alguns subsistem por não estarem vivificados pelo impulso que os criou.



Há seres Elementais constituídos artificialmente pelo homem (encarnado ou não), ou por outras entidades auto conscientes, por meio da força do pensamento ou do desejo.

Chegam a actuar no plano físico-etérico, às vezes interferindo positiva ou negativamente no trabalho dos devas.

Essas criações do psiquismo humano serão dissolvidas pela lei da purificação e, no próximo ciclo planetário, os membros desta humanidade, por estarem em contacto com a própria mônada, poderão colaborar de modo mais efectivo com o Plano Evolutivo.



A maior parte dos seres Elementais com que o homem se relacionou até hoje foram os da terra e os da água. Estes respondem a estímulos do plano astral, ao passo que os do ar e do fogo têm maior sintonia com a energia eléctrica mental.

Como os seres Elementais são corporificações das substâncias do mundo das formas, estão sujeitos a impulsos involutivos, devido às forças caóticas profundamente infiltradas nos planos materiais na presente fase da Terra.



Sua participação em trabalhos de magia engendrados pelo homem evidencia esse fato.

A elevação da consciência humana dissipará as ilusões que em grande parte tem caracterizado o seu contacto com os Elementais. Assim, o relacionamento com esses seres, ainda misteriosos para a maioria, advirá do conhecimento espiritual e perderá a conotação fantasiosa e em certos casos utilitarista que lhe foi atribuída.



As leis que ordenam as combinações de átomos e moléculas são reflexos das que regem as inter-relações das forças Elementais.

Uma das implicações negativas das experiências com energia atómica empreendidas pela ciência moderna é o desequilíbrio do reino elemental, base da manifestação deste universo planetário.

Todavia, em geral, os que insistem nessas acções destruidoras consideram a vida dinâmica e pulsante do reino elemental produto da imaginação.



O contacto consciente da humanidade futura com os Elementais deve dar-se por intermédio do reino dévico, e não directamente.

A história fala-nos desses seres desde a mais remota antiguidade. Os antepassados de toda a humanidade legaram inúmeros relatos a respeito dos mesmos.No início, nos primórdios da humanidade, os seres da natureza, encarregados de cada elemento, cuidaram para que tudo fosse feito com exactidão e ordem:

- A terra ainda numa massa de gases de matéria incandescente radioactiva, coube aos Elementais do fogo executarem seu trabalho;

- Na época dos grandes ventos, os Elementais do ar, zelaram pela evolução desses gases de modo a tornar o ambiente apto a receber formas de vida:

- Quando esses gases se precipitaram sobre a água, os Elementais da água modificaram o aspecto denso desse líquido;

- Então, iniciou-se a solidificação, surgindo aos poucos os continentes que foram fertilizados pelos Elementais da terra.



Como vemos, a criação representa um todo inseparável, formando uma corrente cujos elos não podem ser rompidos se não quisermos provocar uma catástrofe de carácter irremediável.

A hierarquia cósmica é similar à hierarquia atómica. Os seres cósmicos de luz se manifestam pela primeira vez na Ordem dos Elohim, na forma de Elementais do fogo, do ar, da água, e da terra.

São exemplos deles:



Do fogo, as Salamandras, Dragões, Flamines… que guardam os mistérios e segredos do elemento fogo, que correspondem ao plano ou corpo etérico. Precisamente a que ponto o fogo físico, indefinido e difícil de controlar, se transforma em fogo sagrado do plano etérico, é ensinado pelo espírito santo de Deus, observado pelo coração sagrado dos santos, levemente tocado por cientistas nucleares, mas firmemente seguro nas mãos das Salamandras.



Do ar, as Sílfides, Fadas e Elfos, que servem o domínio dos céus, da purificação do ar, e do sistema de pressão do ar. Isto tudo é percebido nas mudanças alquímicas do tempo e ciclos de fotossíntese e precipitação. Estes Elementais do ar, são mestres, que expandem e contraem seus corpos de ar de níveis microcósmicos a macrocósmicos, sempre mantendo a chama para o reino da mente, que corresponde ao plano ou corpo do ar.



Da água, as Ondinas, Nereidas e Duendes das águas, que fazem um trabalho sério com os oceanos, rios, lagos e pingos de chuva, que fazem sua parte na reformação do corpo físico da terra e do ser humano.
As Ondinas governam os ciclos da fertilidade e do elemento ou corpo da água.



Da terra, os Gnomos, Duendes e Trolls, que servem no plano físico, bem atrás do véu ou espectro da visão comum, sendo possível vê-los de relance, e pensar que se tem certeza de ter visto algo.

Os Gnomos governam e preservam o corpo da terra ou físico, mantêm o equilíbrio das forças naturais do planeta e vêem que todas as necessidades diárias de todos os seres vivos sejam atendidas. É o Gnomo que faz com que um animal que está com sede no deserto caminhe em direcção à água que procura; mesmo que morra na busca, o animal sempre está na direcção certa pois não faz perguntas. O homem é que questiona tanto que acaba por ir na direcção oposta, levado por seres sem luz que vêm para sugar toda a sua energia.

Após a educação e vivência, como elementais do fogo, do ar, da água e da terra, os seres de luz, assim como os seres atómicos, tem uma evolução natural de sua consciência, evoluem para seres angelicais, onde poderão continuar seu crescimento na hierarquia cósmica.

ORAÇÃO AOS ELEMENTAIS

Pequeninos guardiães
Seres de luz infinita
De dia me tragam a paz
De noite os dons da magia
Invisíveis guardiães
Protejam os quatro cantos da minha alma
Os quatro cantos da minha casa
Os quatro cantos do meu coração.
Que eu tenha hoje e a cada dia,
A força dos Céus,
A luz do Sol
O resplendor do Fogo,
O brilho da Lua,
A presteza do Vento,
A profundidade do Mar,
A estabilidade da Terra,
A firmeza da Rocha.
Que assim seja! E assim se faça!

Por S. L. Lima

domingo, 8 de junho de 2008

Prêmios a atribuir

Bom, quero passar adiante a homenagem que nos foi feita, atribuindo eu e Sara (cujo blog é dela também, e a quem devo mais do que agradecimentos) o prémio Arte Y Pico aos 5 blogs que de momento se distinguem na minha listagem por sua clareza, discernimento, e utilidade pública.

Sendo assim, nós do ARCANUM iremos dar o Arte Y Pico a:

- As Religiões e seus Esconderijos
- Blog sobre Wicca da Lizianne
- Sagrada Bóblia – do makoto
- A História, as religiões e a tradição esotérica, da Rita
-Grupo Airan- blog de Claudia Batiz


Regras:

1) Deves eleger 5 blogs que consideres sejam merecedores deste prêmio por seu criatividade, desenho, material interessante e contributo à comunidade blogueira, sem importar seu idioma.

2) Cada prémio outorgado deve ter o nome de sua autora e o link a seu blog para que todos o visitem.

3) Cada premiado, deve exibir o prêmio e colocar o nome e link ao blog da pessoa que a premiou.

4) Premiado e premiador, devem exibir o link de Arte e Pico, para que todos saibam a origem deste prêmio.

5) Exibir estas regras


Venham pegar o Troféu, amigos, vcs merecem.





PARABÉNS, AMIGOS!!!!!!!!!!!!!!!!!

Agradecimentos especiais a ANA VARELA, que tornou isto imensamente possível.

Obrigado.

Arcanum ganha o prêmio Arte Y Pico

Este Prémio "Arte Y Pico" Foi atribuído por Sara Lima, do blog "De mim Para Vós", a quem estou muito reconhecido. O seu blog está linkado aqui no espaço "sugerimos" logo abaixo no lado esquerdo. Muito obrigado, anjo. Estou enternecido com esta homenagem, que divido com vc mesma. Beijos.

sábado, 7 de junho de 2008

Helena de Constantinopla, mãe de Constantino


Flávia Júlia Helena, também conhecida como Santa Helena, Helena Augusta, e Helena de Constantinopla, foi a primeira mulher de Constâncio Cloro e mãe do Imperador Constantino, o Grande. De acordo com uma tradição, foi ela quem descobriu o local de crucificação de Jesus, tendo lá sido erguida a Basílica do Santo Sepulcro.

Sua origem ainda se especula de incerteza. Durante muito tempo acreditou-se que a mãe do Imperador Constantino nascera na Bitinia, atual Grã Bretanha, mas ainda carece de justificação histórica para tal crença. É quase certo que Helena nasceu em Drepanum (Helenópolis), na Ásia menor, de uma família humilde.


Casou-se com Constâncio Cloro, e o filho de ambos, Constantino, nasceu em 274 d.C. Trabalhou como criada de taverna antes de se casar com Constâncio quando este ainda não havia sido nomeado César. Apaixonados, casaram-se. Mas quando o imperador Maximiano nomeou-o co-regente, portanto seu sucessor exigiu que ele abandonasse Helena e se casasse com sua enteada Teodora. Isso era possível porque a lei romana não reconhecia o casamento entre nobres e plebeus.

O ambicioso Constâncio obedeceu. Entretanto levou consigo para Roma o filho Constantino, que nascera em 274 da união com Helena, que ficou separada do filho por quatorze anos. Com a morte do pai em 306, Constantino mandou buscar a mãe para junto de si na Corte. Ela já se havia convertido e tornado cristã. Não se sabe ao certo como ela se tornou cristã, mas seu filho Constantino, ao ser proclamado imperador em 306 d.C, tratou-a com as maiores honras.

O jovem Constantino, auxiliado pela sabedoria de Helena, conseguiu assumir o trono como o legítimo sucessor do pai. Primeiro, tornou-se governador; depois, o supremo e incontestável imperador de Roma, recebendo o nome de Constantino, o Grande. Para tanto, teve de vencer seu pior adversário, Maxêncio, na histórica batalha de Ponte Milvio, travada, em 312, às portas de Roma.

Durante a batalha contra Maxêncio, seu exército estava em desvantagem. Influenciado por Helena, que tentava convertê-lo, Constantino teria tido uma visão. Apareceu-lhe uma cruz luminosa no céu com os seguintes dizeres: "In Hoc Signo Vinces" ("Com este sinal vencerás"). Imediatamente, mandou pintar a cruz em todas as bandeiras e, milagrosamente, venceu a batalha. Nesse mesmo dia, o imperador mandou cessar, imediatamente, toda e qualquer perseguição contra os cristãos e editou o famoso decreto de Milão, em 313, pelo qual concedeu liberdade de culto aos cristãos e deu a Helena o honroso título de "Augusta".

Helena passou a dedicar-se à expansão da evangelização e crescimento do cristianismo em todos os domínios romanos. Às custas do Império, patrocinou a construção de igrejas católicas nos lugares dos templos pagãos, de mosteiros de monges e monjas e ajudou a organizar as obras de assistência aos pobres e doentes.


Helena gostava muito do seu neto mais velho, Crispus Caesar (filho de Constantino e de Minervina, uma relação ocorrida antes do casamento com Fausta), que foi nomeado pelo pai governante da Gália. Contudo, por volta de 326 Constantino decretou a execução de Crispus, então com vinte anos, que teria tentando seduzir a madrasta. Em vingança pela morte do neto, Helena teria mandado matar Fausta, embora não existam provas cabais nesse sentido.

Segundo Henri-Irénée Marrou na sua "Historia da Educação na Antiguidade", os atos e fatos históricos, mesmo os mais antigos, não estão cristalizados. São dinâmicos e precisam ser constantemente reavaliados dentro das novas percepções que surgem continuamente.

Nesse sentido, Michel Onfray, que cita Marrou em seu bizarro “Tratado de Ateologia”, aborda - de forma bastante radical e, suspeito, com muita veemência: “alguns ângulos ainda obscuros em torno das principais personagens responsáveis pela metamorfose do até então proscrito cristianismo em religião oficial do Estado Romano”.

Mostra que "Helena foi canonizada e tornou-se a primeira imperatriz romana a entrar no panteão tanatofílico cristão" após empreender aquela piedosa viagem à palestina, já que estava "vagamente preocupada com a salvação de seu filho incitado ao machado e à água fervente". O "panteão tanatofílico" em bom vernáculo equivale à galeria dos deuses da morte.

Já a referência à incitação "ao machado e à água fervente" remete às circunstâncias do assassinato, por ordem de Constantino, de seu próprio filho e da 2ª esposa do Imperador, Fausta, escaldada até a morte, acusada como indutora da decapitação do enteado.

Enquanto mandava destruir os templos pagãos e construir muitas igrejas em Roma e por todo o império, Helena viveu ao lado de seu filho em Treves, Roma e em Bizâncio e o levou a venerar os Lugares Santos. Finalmente, em 325 o imperador Constantino declarou o Cristianismo como à única religião legal do Império Romano. Seguindo suas instruções (325-326) o imperador mandou destruir o templo do deus Asclépio e vários outros como o da deusa Afrodite em Jerusalém e Afaka no Líbano, além outros tantos em Mambre, Fenícia, Baalbek, Dídima, Athos etc.


Após a morte de Fausta, sua nora, a um crime que lhe imputa suspeitas de orquestração, deixou Roma para fazer uma peregrinação à Terra Santa entre os anos 325e 326 d.C. Zelosa seguidora do cristianismo, chegou a Jerusalém, em 326, próxima dos oitenta anos de idade.


Durante sua estada, fundou igrejas sobre alguns supostos lugares relevantes da vida de Jesus. Supervisionou a construção, às custas do império, de magníficas igrejas em Jerusalém e Belém, inclusive as igrejas da Natividade e do Santo Sepulcro e a Basílica da Ascensão de Jesus no Monte das Oliveiras.


Na Palestina, ela vivia em um mosteiro e mandou construir outros para monges e freiras. Depois ela foi ali consagrada numa basílica da qual só restam apenas ruínas. Esta e outras construções grandiosas de sua ordem fizeram da Terra Santa um importante centro de peregrinações cristãs. Lembrar que atual igreja do Santo Sepulcro data do Século XII. Esta e outras construções grandiosas de Helena fizeram da Terra Santa um importante centro de peregrinações cristãs a partir de então.


Segundo a lenda, Helena teria descoberto no interior da gruta algo ainda mais importante: a cruz de Jesus. A sua descoberta é tradicionalmente datada de 3 de maio. Por isso se celebrava, nesse dia, a festa da “invenção (latim, “descoberta”) da Santa Cruz”. De acordo com uma versão da história, as três cruzes lá se encontravam. Para determinar qual delas tinha sustentado Jesus, Helena mandou vir o corpo de um homem morto e pousou-o numa das cruzes. Nada aconteceu. A Seguir, foi posto em contato com a segunda, novamente em vão. Ao tocar a terceira cruz, o homem ressuscitou.

Helena mandou enviar a Constantino pedaços da “verdadeira cruz” e cravos da mesma. Como amuleto para proteger dos perigos a sua nova cidade, Constantino encerrou um fragmento da cruz numa estátua de si mesmo e serviu-se os cravos para fazer freios e um elmo. Em 350, já outros fragmentos da cruz tinham sido enviados a igrejas de todo mundo romano.



Por detrás destas tradições, surge uma importante realidade histórica:


Havia mais de um século, talvez mesmo desde a morte de Cristo, os cristãos persignavam-se como Sinal da Cruz na testa, feito com o polegar ou indicador, atribuindo poderes milagrosos a esse sinal. Agora, a cruz era o emblema da vitória de Constantino. Embora a visão deste antes da Batalha de Ponte Mílvio pareça ter sido Khi-Rho, um emblema bastante popular entre os cristãos, com as letras alfa e ômega intercaladas, este foi mais tarde combinado com a cruz.

O Historiador Eusébio liga a “cruz que dá a vitória” aos êxitos militares de Constantino. Mas parece que o uso generalizado, tal como a conhecemos, só pode ter surgido cerca de dez anos depois da morte de Constantino, em 337. É significativo ter sido Constantino quem aboliu a crucificação como forma de pena capital.

As gerações futuras atribuem corretamente a Constantino e sua mãe a inovação do uso da cruz como símbolo. Subtende-se que havia a idéia de Cristo como Rei do Universo, cuja cruz foi o instrumento de sua vitória cósmica sobre o poder de Satã.

A época da descoberta da cruz, cujo nome de Helena é particularmente ligado a essa descoberta, tal fato foi considerado como verdadeiro, mas os escritores mais antigos não mencionam qualquer ligação de helena com a descoberta da cruz. Muito provavelmente, ela já teria morrido antes disso, mas desde o final do século IV, Helena é sempre associada a essa descoberta. Se a madeira encontrada era realmente da cruz autêntica, trata-se de uma outra questão, hoje imensamente impossível de se solucionar.

Na arte, o emblema de Santa Helena é a Cruz, e como santa da Igreja Católica Apostólica Romana, é celebrada no cânon dos santos a 18 de agosto.

Por Paulo Néry

terça-feira, 3 de junho de 2008

Ordem Rosa Cruz



Para se saber as ligações entre a Maçonaria e a Ordem Rosa-Cruz ou Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz (AMORC) como preferem os seus adeptos, vamos fazer algumas considerações sobre essa Ordem:

Rosa-Cruz é a denominação da fraternidade filosófica que, de segundo a tradição, teria sido fundada por Christian Rosenkreutz e representa uma síntese do ocultismo imperante na Idade Média.



Muitos acreditam que Christian Rosenkreutz foi um homem que realmente existiu e foi o verdadeiro fundador da Ordem, renegando assim o passado da Ordem Rosa-Cruz no Antigo Egipto, mais concretamente à época do faraó Tutmés III.

Na verdade Christian Rosenkreutz foi um personagem fictício utilizado por rosa cruzes franceses para promover o novo ciclo de actividades da Ordem na França, utilizando manifestos que foram publicados no país.

A AMORC foi fundada pelo cientista, escritor, filósofo, pintor e místico, Dr. Harvey Spencer Lewis que assumiu a responsabilidade de reactivar a Ordem Rosa-Cruz na América do Norte em 1915, sendo o primeiro Imperator e representante da ordem perante a FUDOSI, uma federação independente de ordens esotéricas.



Tradicionalmente, o Dr. Lewis foi regularmente iniciado na tradição rosacruciana na Europa, em Toulouse, na Ordre Rose-Croix, por Emille Dantine. Como parte dessa iniciação, foi outorgado ao Dr. Lewis cartas de autorização para fundar a AMORC como um novo corpo rosacruciano nos Estados Unidos.

Através de seus inúmeros contactos europeus, o Dr. Lewis associou-se à Madame May Banks-Stacy, uma das últimas sucessores da colónia original de rosa cruzes que migraram para a América nos fins do século XVII.

Já no final dos anos 20, ele tornou-se uma figura notável e muito conhecida no mundo esotérico.
Harvey Spencer Lewis morreu em 1939 e sucedeu-lhe no cargo de Imperator seu filho, Ralph Maxwell Lewis, quem lhe servia anteriormente de Grande Secretário.

Gary L. Stewart foi apontado para o cargo de Imperator na época do recolhimento de Ralph Maxwell Lewis em 1987.



O actual Imperator é Christian Bernard, que foi eleito para o cargo de Imperator em 1990.

A Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz é uma fraternidade formada por homens e mulheres, sem distinção de crença ou raça, não religiosa, não dogmática, apartidária, que tem como objectivo o estudo das leis místicas universais, para o aperfeiçoamento da humanidade e de cada indivíduo.

A Ordem Rosa-Cruz é uma organização internacional de carácter místico-filosófico, que tem por missão despertar o potencial interior do ser humano, auxiliando-o em seu desenvolvimento, em espírito de fraternidade, respeitando a liberdade individual, dentro da Tradição e da Cultura Rosa-Cruz.

Ela também é conhecida por seu nome em Latim, Antiquus Mysticusque Ordo Rosæ Crucis. A AMORC é a maior fraternidade Rosa-Cruz existente, em número de membros e de países em que possui membros activos.
Esta denominação é a simplificação de Antiga e Arcana Ordem da Rosa Vermelha e da Cruz Dourada.

Segundo lendas da Ordem Rosa-Cruz, as suas origens remontariam às supostas antigas escolas de mistérios egípcias, há 3360 anos.



É tido como fundador da tradição Rosa-Cruz o faraó Tutmés III, da XVIII dinastia, por volta de 1350 a.C. Teria o faraó fundado uma fraternidade secreta, com o objectivo de estudar os mistérios da vida. A Fraternidade Rosa-Cruz ainda não se auto-denominava assim, sendo oficialmente estabelecida em El Amarna pelo faraó Amenófis IV (Akhenaton).

De acordo com a AMORC, dentre os inúmeros personagens históricos que teriam integrado a tradição, os mais conhecidos são Os Faraós Tutmés III e Akhenaton.
Tutmés III teria fundado uma Fraternidade no Templo de Karnak, conhecida como Grande Fraternidade Branca.
Tal fraternidade seria formada por diversos homens que estudavam as leis universais e os mistérios da vida.

Esses mistérios envolvem conceitos, como karma, origem da vida, reencarnação, e demais temas envolvendo as áreas de filosofia, ética, metafísica e terapêutica.




A fundação dessa Fraternidade tradicionalmente se deu em 1353 a.C., ano que inicia o cômputo do calendário Rosa Cruz.

Os rosacrucianos, têm aceitado essa hipótese falseando, lamentavelmente a verdade histórica, pois na realidade essa fraternidade nasceu no período medieval, embora apresentando em sua ritualística muito do misticismo das antigas civilizações, como acontece com a maçonaria (muitos maçons também querem fazer crer que a Ordem Maçónica é antiquíssima e já existia no Antigo Egipto e na Pérsia, o que é, verdadeiramente, uma heresia histórica).

O rosacrucianismo é um sincretismo de diversas correntes filosófico-religiosas: Hermetismo egípcio, cabalismo judaico, gnosticismo cristão, alquimia etc.

A primeira menção histórica da ordem data de 1614, quando surgiu o famoso documento intitulado “Fama Fraternitatis” onde são contadas as viagens do “alemão” Rosenkreutz pela Arábia, Egipto e Marrocos, locais onde teria adquirido sua sabedoria secreta, que só seria revelada aos iniciados.



O símbolo Rosa-Cruz, além de sugestivo, corresponde à ansiedade daquela época. Alguns procuraram relacioná-lo com as armas de Lutero, coisa que não é provável.

Seria antes e preferivelmente relacionado com as armas de Paracelso.



Robert Fludd, considerado como o primeiro Rosa-Cruz da Inglaterra, diz que o nome da ordem está ligado a uma alusão ao sangue de Cristo na cruz do Gólgota; a mística ideia da rosa, associada à lembrança da cor do sangue e aos espinhos que provocam o seu derramamento, contribuiu, certamente, para dar à palavra, uma grande força de sedução.

Além disso, muitos Rosa-cruzes vêem, no emblema, um símbolo alquimista, concretizando uma ambiguidade muito comum aos símbolos.

Os Rosa-cruzes actuais têm uma interpretação bem mais mística a respeito da cruz e a rosa:

A cruz representaria o ser humano, a parte material, enquanto a rosa representaria o ser imaterial, a alma, espírito ou corpo astral.

Como a preocupação máxima dos alquimistas que se ligaram à Ordem Rosa-Cruz era o segredo da imortalidade e a regeneração universal, o símbolo rosacruciano está relacionado com essa preocupação.

Em botânica oculta, a rosa era uma flor iniciática para diversas ordens religiosas, sendo que actualmente, a arte sacra continua a considerá-la como símbolo da paciência, do martírio, da Virgem (Rosa Mística); no quarto domingo da Quaresma, em todos os anos, o padre benze a Rosa de Ouro, que é considerada como um dos muitos sacramentais oferecidos pela Igreja, em sua liturgia.



Em última análise, a rosa representa a mulher, enquanto que a cruz simboliza o sexo masculino pois para os hermetistas, ela é o símbolo da junção da elíptica com o equador terrestre (elíptica é a órbita aparente do Sol, ou a trajectória aparente que o Sol descreve, anualmente, no céu); Ambos se cruzam no equinócio da primavera e no equinócio de Outono.
Assim, a Rosa simboliza a Terra, como ser feminino, e a Cruz simboliza a virilidade do Sol, com toda a sua força criadora que fecunda a Terra. A junção dos sexos leva à perpetuação da vida e ao segredo da imortalidade, resultando também dela a regeneração universal, que é o ponto mais alto da doutrina rosacruciana.

Existe forte ligação entre a Maçonaria e os Rosa-cruzes e essa ligação começou já na Idade Média: No fim do período medieval e começo da Idade Moderna, com inicio da decadência das corporações operativas (englobadas sob rótulo de maçonaria de Ofício ou operativa), estas começaram, paulatinamente, a aceitar elementos estranhos à arte de construir, admitindo, inicialmente, filósofos, hermetistas e alquimistas, cuja linguagem simbólica assemelhava-se à dos franco-maçons.

Como a Ordem Rosa-Cruz estava impregnada pelos alquimistas, como já vimos, data daí a ligação do rosacrucianismo e da alquimia com a Maçonaria.



Leve-se em consideração, também, que durante o governo de José II, imperador da Alemanha de 1765 a 1790, e co-regente dos domínios hereditários da Casa d’Áustria, houve um grande incremento da Ordem Rosa-Cruz e sua comunidade, atingindo até a Corte e fazendo com que o imperador proibisse todas as sociedades secretas, abrindo, apenas, exceção aos maçons o que fez com que muitos Rosa-cruzes procurassem as lojas maçónicas.

A partir da metade do século XVIII e, principalmente, depois de José II, com a maciça entrada dos rosa cruzes nas lojas maçônicas, tornava-se difícil, de uma maneira geral, separar Maçonaria e rosacrucianismo, tendo, a instituição maçónica, incorporado, aos seus vários ritos, o símbolo máximo dos rosa cruzes: ao 18º grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, ao 7º grau do Rito Moderno, ao 12º grau do Rito Adoniramita etc.

O Cavaleiro Rosa Cruz é, como o próprio nome diz, um grau cavaleiresco e se constitui no 18º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito.
A sua origem hermetista e a sua integração na Maçonaria, durante a Segunda metade do século XVIII leva a marca dos ritualistas alquímicos, que redigiram naquela época os rituais dos Altos Graus.



O hermetismo atribuído ao Grau 18 é perceptível no símbolo do grau, que tem uma Rosa sobreposta à Cruz, representando esta, o sacrifício e a Rosa o segredo da imortalidade, que nada mais é do que o esoterismo cristão, com a ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, a tipificação da transcendência da Grande Obra.

Vários são os símbolos comuns às duas instituições, a começar pela disposição dos mestres com cargos, lembrando os pontos cardeais, e a passagem do Sol pela Terra, do Oriente ao Ocidente.
Cada ponto cardeal é ocupado por um membro. A figura do venerável mestre na maçonaria, ocupando sua posição no Oriente, encontra similar na Ordem Rosa-Cruz, na figura de um mestre instalado, que ocupa seu lugar no leste.

A linha imaginária que vai do altar dos juramentos ao Painel do Grau, e a caminhada somente no sentido horário, também é similar. Em ambos os casos o templo é pintado na cor azul celeste, e a entrada dos membros ocorre pelo Ocidente.

O altar dos juramentos encontra semelhança no Shekinah na ordem Rosa Cruz, sendo que neste último não se usa a bíblia ou outro livro, mas sim 3 velas dispostas de forma triangular, que são acesas no início do ritual e apagadas ao final deste, simbolizando a Luz, a Vida e o Amor.

Outra semelhança é o uso de avental por todos os membros iniciados ao adentrarem o templo, enquanto que os oficiais, (equivalente aos mestres com cargo), usam paramentos especiais, cada qual simbolizando o cargo que ocupa no ritual.



O avental usado pelos membros não diferencia o grau de estudo.
Algumas das diferenças ficam por conta da condução do ritual, onde na Ordem Rosa Cruz tem carácter místico-filosófico.

Os iniciantes rosacrucianos recebem seus estudos em um templo separado, anexo ao templo principal, enquanto os aprendizes maçons recebem suas instruções juntamente com os demais irmãos e, finalmente, o formato físico da loja maçónica lembra as construções greco-romanas, enquanto que a Ordem Rosa Cruz (AMORC) lembra as construções egípcias.



Existiram diversos ciclos de actividades da Ordem Rosa-Cruz.
Dentro de um mesmo ciclo, há uma época de plena actividade, seguida por uma época de inactividade de mesma duração.

Esses ciclos são necessários por diversos motivos. Um ciclo se iniciou em 1378, com o "nascimento" de Christian Rosenkreutz. Quando ele "faleceu", em 1459, a ordem iniciou sua fase de inactividade, voltando novamente a plena actividade com a "descoberta" do túmulo de Christian Rosenkreutz e a publicação do manifesto, em 1614.

Então temos ciclos de precisos ensinamentos secretos e outros em que a Ordem é promovida ao público, como a AMORC actua nos dias de hoje, com livros.
As Grandes Lojas da Ordem Rosa Cruz estão hoje divididas em jurisdições para os idiomas do mundo.

Por: S. L. Lima

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Teodora, a Imperatriz


Ela faz parte da cultura bizantino-cristã. Muito embora ela fosse uma mulher decidida e também vingativa, além de extremamente vaidosa, a sua coragem e bom senso pelo amor ao marido, o Imperador Justiniano, fizeram dela uma companheira ideal para o marido.

Tal como Justiniano, Teodora provinha de uma família humilde. O pai era um guardador de ursos dos Verdes. Com sua morte, a mãe de Teodora voltou a casar e esperou que o novo marido recebesse o lugar do primeiro, mas outro homem o acedera por meio de suborno. Assim, a família se viu ameaçada de pobreza, mas Teodora, muito jovem ainda, entrou corajosamente no hipódromo e implorou aos Verdes, ela e duas irmãs, que dessem o lugar ao padrasto. Eles recuaram, mas os Azuis, que tinham o lugar vago, foram persuadidos a contratá-la.


Teodora, já adulta, se fez uma mulher extraordinária e atraente. Diz-se que ganhava ávida como atriz, foi concubina e teve um filho ilegítimo. À medida que cresciam em idade e beleza, as três irmãs devotaram-se sucessivamente aos prazeres públicos e privados do povo bizantino; Teodora, após secundar Comito no palco, vestida de escrava, com um mocho sobre a cabeça, pôde finalmente mostrar seus talentos de maneira independente. Ela não dançava nem cantava nem tocava flauta; suas habilidades se confinavam à arte da pantomima; e toda vez que a comediante estufava as bochechas e se queixava, com voz e gestos ridículos, das pancadas que lhe eram infligidas, o teatro inteiro de Constantinopla vinha abaixo com risos e aplausos.

A beleza de Teodora era tema do louvor mais lisonjeiro e fonte de refinado deleite. Tinha ela traços delicados e regulares; sua tez, conquanto um pouco pálida, tingia-se de rubor natural; a vivacidade dos seus olhos exprimia de imediato todas as sensações; seus gestos desembaraçados punham-lhe à mostra as graças da figura pequena, porém elegante; e o amor e a adulação cuidavam de proclamar que a pintura e a poesia eram incapazes de representar a incomparável distinção de suas formas. Estas se sobressaíam, contudo pela facilidade com que se expunham aos públicos e se prostituíam a desejos licenciosos. Seus encantos venais eram prodigalizados a uma turba promíscua de cidadãos e forasteiros de toda classe e profissão; o afortunado amante a quem fora prometida uma noite de gozo era amiúde expulso do leito dela por um favorito mais forte ou mais rico; quando ela passava pelas ruas, fugiam-lhe à presença todos que desejavam furtar-se ao escândalo ou à tentação. O historiador satírico não corou de descrever as cenas de nu que Teodora exibia sem vergonha no teatro. Após exaurir as artes do prazer sensual, zero ela resmungava ingratamente contra a parcimônia da Natureza, zero, mas seus resmungos, seus prazeres e suas artes têm de ser encobertos pela obscuridade de uma linguagem culta.


Após governar durante algum tempo o deleite e o desdém da capital, ela se dignou a acompanhar Ecébolo, um natural de Tiro que obtivera o governo da Pentápolis africana. Essa união se revelou, porém frágil e transitória; Ecébolo não tardou a rejeitar a dispendiosa ou infiel concubina, a qual se viu reduzida, em Alexandria, à extrema miséria; e durante o seu laborioso retorno a Constantinopla, todas as cidades do Oriente admiraram e desfrutaram a bela cipriota cujo mérito parecia justificar o seu nascimento na ilha de Vênus. O incerto comércio de Teodora, e precauções das mais detestáveis, preservavam-na do perigo que ela temia; no entanto, uma vez, e uma somente, ela se tornou mãe. A criança foi salva e educada na Arábia por seu pai, que lhe revelou, no leito de morte, ser filho de uma imperatriz. Repleto de esperanças ambiciosas, o insuspeitoso jovem correu imediatamente para o palácio de Constantinopla e foi admitido à presença de sua mãe. Como nunca foi visto, mesmo após a morte de Teodora, esta faz jus à hedionda acusação de, com tirar-lhe a vida, ter calado um segredo danoso à sua imperial virtude.

No ponto mais objetivo da trajetória de sua fortuna e reputação, uma visão, ou de sonho ou de fantasia, murmurava ao ouvido de Teodora a deleitosa promessa de que ela estava destinada a tornar-se a esposa de um poderoso monarca. Cônscia da sua iminente grandeza, ela deixou a Paflagônia e voltou para Constantinopla; ali, atriz experimentada, assumiu um caráter mais decoroso, aliviando sua pobreza com a louvável indústria de fiandeira e fingindo viver de castidade e solidão numa casinha que mais tarde converteria num templo magnífico. Sua beleza, ajudada pela arte ou pelo acaso, logo atraiu, cativou e prendeu o patrício Justiniano, que já reinava com poderes absolutos em nome do tio. Talvez ela tivesse logrado realçar o valor de um dom que prodigalizara com tanta freqüência aos homens mais insignificantes; talvez tivesse inflamado, a princípio com adiamentos pudicos e por fim com encantos sensuais, os desejos de um amante que, por natureza ou devoção, se habituara as longas vigílias e dieta abstêmia. Após haverem extinguido os primeiros transportes dele, ela continuou a manter o mesmo ascendente sobre o seu espírito pela virtude mais sólida da índole e do entendimento.
Quando Justiniano a conheceu, ela abandonou o palco e trabalhava como fiandeira. Ele, de imediato, se deixou cativar pela bela morena de grandes olhos pretos. Entretanto, nutrir este sentimento não foi fácil, pois a imperatriz, tia de Justiniano, não apoiava a união. Além disso, a lei romana proibia o casamento de um nobre com uma mulher da classe teatral. Contudo, Justiniano tinha plenos poderes para emendar a lei. Em 525, com a benção do imperador Justino, Teodora e Justiniano se casaram. Em 527, quando Justino elevou Justiniano a co-augusto, Teodora foi coroada ao seu lado em Hagia Sopia.

Com a morte de Justino, alguns meses depois, Justiniano fez de Teodora sua co-governante. Os governadores provinciais tiveram de prestar lealdade a ambos. Assim, a nova imperatriz desfrutava avidamente os prazeres da riqueza – boa comida, vinhos finos, vestidos e jóias magníficas, palácios junto ao mar. Exercia sua autoridade com inteligência arguta e decisão. Justiniano consultava-a para tudo. Em certas ocasiões, ela o superou, sendo particularmente influente em questões de religião.
Os que acreditam que à mente feminina seja totalmente depravada pela perda de castidade darão prontamente ouvidos a todas as invectivas da inveja particular ou do ressentimento público, que dissimularam as virtudes de Teodora, exageraram-lhe os vícios e condenaram com rigor os pecados venais ou voluntários da jovem prostituta.

Por uma questão de vergonha ou desprezo, ela declinava amiúde a homenagem servil da multidão, fugia da luz odiosa da capital, e passava a maior parte do ano nos palácios e jardins aprazivelmente situados no litoral da Propôntida e do Bósforo. Suas horas de privacidade eram devotadas ao grato e prudente cuidado de sua beleza, aos deleites do banho e da mesa, a ao sono longo da tarde e da manhã. Seus apartamentos íntimos eram ocupados pelas mulheres e eunucos favoritos, cujos interesses e paixões ela satisfazia em detrimento da justiça; as personalidades mais ilustres do Estado se apinhavam numa escura e abafada antecâmara; e quando finalmente, após uma tediosa espera, eram admitidas a beijar os pés de Teodora, experimentavam, conforme o humor dela lhe sugerisse a silenciosa arrogância da imperatriz ou a caprichosa frivolidade de uma comediante. A avareza com que ela se empenhava em acumular um imenso tesouro talvez se possa justificar pelo receio de a morte do marido não deixar nenhuma alternativa entre a ruína e o trono; e o temor, tanto quanto a ambição, podiam acirrar Teodora contra dois generais que, durante uma enfermidade do imperador, tinham temerariamente declarado que não estavam dispostos a concordar com a escolha da capital.

Mas a censura de crueldade, tão incomparável mesmo com os seus vícios mais brandos, pôs uma mancha indelével mesmo na memória de Teodora. Seus numerosos espiões observavam e zelosamente relatavam qualquer ação, palavra ou expressão injuriosa a sua real senhora. Quem quer que acusassem era atirado às prisões privativas da imperatriz inacessíveis aos inquéritos de justiça; e corria o boato de que a tortura do cavalete ou do açoite fora aplicada em presença de uma mulher tirana insensível à voz do rogo ou da piedade. Algumas dessas vítimas desditosas pereciam em profundos e insalubres calabouços, enquanto as outras se consentia, após perderem os membros, a razão ou a fortuna, reaparecer no mundo como monumentos vivos da vingança dela, que habitualmente se estendia aos filhos daqueles de quem suspeitasse ou a quem lesasse. O senador ou bispo cuja morte ou exílio Teodora decretava era entregue a um mensageiro de confiança, e uma ameaça da boca da própria imperatriz lhe apressava a diligência: “Se falhares na execução de minhas ordens, juro por Aquele que vive para todo o sempre que tua pele te será arrancada do corpo”.

Apesar de o marido se discípulo fiel do Cristianismo Ortodoxo, Teodora acreditava firmemente na teoria da natureza única de Cristo, o monofisismo, uma doutrina segundo a qual existe apenas uma única natureza na pessoa singular de Jesus Cristo, pois sua humanidade é totalmente absorvida por sua natureza divina. Assim sendo, Jesus era apenas divino. Embora tivesse sido esta doutrina desacreditada em Calcedônia desde cerca de oitenta anos antes, muitas Igrejas orientais ainda aderiam a essa teoria.

Teodora chegou a alojar bispos monofisistas aos seus aposentos e a manipular a nomeação de um papa que ela julgava ser pró-monofisista. Buscava a tolerância religiosa para bem do Império, enquanto o marido parecia mais interessado em escrever doutrina teológica. Apesar das diferenças de personalidades de ambos, o casamento dos dois foi bem sucedido.

Sempre leal ao marido, Teodora era rápida e veemente no castigo aos inimigos. Deixou ela, na obra do marido, uma marca rubra: preocupou-se em que fossem decretadas normas que tornassem ilegal o comércio da prostituição, logo ela que vinha de um passado desregrado-e fossem banidos os proxenetas. Segundo alguns autores, ela era motivo de orgulho entre suas ex-colegas prostitutas por ter conseguido chegar ao “posto” de imperatriz. Ela, no entanto, sentia vergonha de seu passado e revoltava-se com o fato de suas ex-colegas vangloriarem-se dessa honra. Para acabar com os comentários, mandou eliminar ou sumir, não se sabe ao certo, com todas as prostitutas da região – cerca de quinhentas.

A prudência de Teodora é celebrada pelo próprio Justiniano, cujas leis são atribuídas aos sábios conselhos de sua idolatrada esposa, por ele recebido como uma dádiva da Divindade. A coragem dela se demonstrava em meio ao tumulto da população e os terrores da corte. Sua castidade, desde o momento de sua união com Justiniano, funda-se no silêncio dos seus implacáveis inimigos; e embora a filha de Acácio pudesse estar farta de amor, merece certo aplauso à firmeza de um espírito capaz de sacrificar o prazer e o hábito ao senso mais forte do dever ou do interesse. Os desejos e preces de Teodora jamais conseguiram obter a benção de um filho legítimo, e ela teve de sepultar uma filha recém-nascida, único fruto do seu casamento. Malgrado esse desapontamento, seu domínio era permanente e absoluto; ele preservou, pela astúcia ou pelo mérito, o afeto de Justiniano, e as aparentes dissensões entre ambos eram sempre fatais aos cortesãos que as acreditassem sinceras.



A Inimiga Número Um da Reencarnação.

Até meados do século VI, todo o Cristianismo aceitava a doutrina da reencarnação que a cultura religiosa oriental já proclamava milênios antes da era cristã como fato inquestionável, prova incontestável da justiça divina, que sempre dá oportunidade ao homem de rever seus atos e retomar aquilo que achar necessário em nova existência.

Porém, que o II Concílio de Constantinopla, atual Istambul, na Turquia, em decisão política, para atender exigências do Império Bizantino, resolveu abolir tal convicção, justificada pela lógica, substituindo-a pela doutrina da ressurreição, que contraria todos os princípios da ciência, pois admite a volta do ser, por ocasião de um suposto juízo final, no mesmo corpo já desintegrado em todos os seus elementos constitutivos. A Igreja teve alguns concílios tumultuados, mas parece que o II Concílio de Constantinopla, ocorrido em 553, bateu o recorde em matéria de desordem e mesmo de desrespeito aos bispos e ao próprio Papa da época, Virgílio.

Na época do episódio da execução das prostitutas sob as ordens de Teodora, o povo acreditava na reencarnação, embora assumissem serem cristãs. Quando o referido evento envolvendo a imperatriz e o extermínio das meretrizes ocorreu, Teodora foi chamada de assassina pelos cristãos reencarnacionista, e que ela deveria ser castigada quinhentas vezes em suas vidas futuras, como carma por ter traído suas ex-colegas prostitutas. O certo é que Teodora passou a odiar a doutrina da reencarnação e, como tinha muita influência no meio político e religioso, partiu para uma perseguição sem tréguas contra essa doutrina e contra o seu maior e mais antigo defensor entre os cristãos, Orígenes, filósofo grego que viveu em Alexandria, cuja fama de sábio era motivo de orgulho dos seguidores do cristianismo, apesar de ele ter vivido quase três séculos antes, entre 185 e 254.

Como a doutrina da reencarnação pressupõe a preexistência do espírito, Justiniano e Teodora decidiram primeiro, abalar a doutrina da preexistência, com o que estariam, automaticamente, desestruturando a da reencarnação.

Assim, em 543, Justiniano publicou um edital, em que expunha e condenava as principais idéias de Orígenes, sendo uma delas à da preexistência do espírito. Em seguida à publicação do edital, Justiniano determinou ao patriarca Menas de Constantinopla que convocasse um sínodo (reunião de bispos de todo o mundo), para que os bispos votassem em seu edital, aprovando dez anátemas (condenações) dele constantes contra Orígenes.

A principal anátema que nos interessa é o que trata da preexistência do espírito e que, em sua íntegra, diz o seguinte: “Se alguém diz ou sustenta que as almas humanas preexistiram na condição de inteligências e de santos poderes; que, tendo-se enojado da contemplação divina, tendo-se corrompido e, através disso, tendo-se arrefecido no amor a Deus, elas foram, por essa razão, chamadas de almas e, para seu castigo, mergulhadas em corpos, que ele seja anatematizado!” [O Mistério do Eterno Retorno, pág. 127-127, Jean Prieur, Editora Best Seller, São Paulo, 1996].

Condenando a doutrina da preexistência do espírito, estava automaticamente condenada também a doutrina da reencarnação, sem que com isso fosse, sequer, necessário lançar um edital especial contra ela ou mesmo citá-la a qualquer momento. Como o maior desenvolvimento em poder e crescimento do cristianismo foi no Ocidente, a condenação da preexistência do espírito e da reencarnação se espalharam com ele e é por isso que entre nós hoje parece estranho acreditar nessas duas doutrinas.

Entretanto, Teodora não foi uma mulher feliz...

Talvez sua saúde tivesse sido prejudicada pela licenciosidade de sua juventude; era, contudo, sempre delicada, e seus médicos lhes prescreveram os banhos termais pitianos. Nessa viagem, acompanharam a imperatriz o prefeito pretoriano, o tesoureiro-mor, vários condes e patrícios, e um esplendido séqüito de quatro mil servidores. As estradas reais iam sendo consertadas à medida que ela se aproximava; construiu-se um palácio para recebê-la; e enquanto atravessava a Bitínia, Teodora distribuía generosas esmolas às igrejas, mosteiros e hospitais, para que rogassem aos céus pela restauração de sua saúde. Por fim, no vigésimo quarto ano de casamento e no vigésimo segundo de reinado, um câncer a consumiu, e a perda irreparável foi deplorada pelo marido que, no quarto de uma prostituta de teatro, talvez tivesse escolhido a mais pura e mais nobre virgem do Oriente.


Junto com o marido, ela é santa da Igreja Católica Ortodoxa, comemorada a 14 de novembro. Um disparate para uma mulher que, em vida, ficou na História como uma das personagens mais fascinantes, determinadas, inteligentes, porém cruel, sanguinária, e vingativa.

Por Paulo Néry